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em algum lugar nas estrelas desancorando

meu Deus. eu nem sei como começar a descrever o que eu senti lendo Em Algum Lugar nas Estrelas, da Clare Vanderpool, o livro de abril do infinistante. quando a Mel sugeriu esse livro, eu fui vencida só pela capa maravilhosa e por toda a arte interna, mas não sabia muito bem o que me esperava na leitura, sabe? posso dizer com 100% de certeza que julguei o livro pela capa e torci pra ser bom.

não fiquei nem um tiquinho decepcionada. tipo, eu acho que todo mundo já se sentiu um pouquinho como o Jackie, tanto faz se foi na época dele (em 1945, logo depois do fim da 2º Guerra Mundial) ou agora, em pela década de 2010. todo mundo já se sentiu perdido, sem saber pra onde ir, pra onde correr, meio sem chão e sem entender muito bem qual o seu lugar no mundo. não que isso seja normal (é bem longe da normalidade, na verdade), mas é uma sensação bem comum pra quem vive no planeta Terra.

mas, sabe, apesar do Jackie ter todas as dúvidas dele, todas as inseguranças e toda essa raiva guardada pela pai, eu acho que o que mais me chamou atenção mesmo nesse livro é a confiança inabalável do Early, que fez o próprio Jack confiar também.

se não tivessem me falado antes que o Early é autista, eu provavelmente teria considerado apenas que ele é ‘o mais estranho dos garotos‘, com uma queda pela literalidade, uma vida bem metódica e uma determinação que a gente não vê tanto por aí. mas, sim, ele tem síndrome de Asperger, que é uma forma mais branda de autismo, e o que significa que ele tem uma certa dificuldade em interações sociais e desenvolve um interesse muito profundo por um tópico específico (podemos dizer que o interesse do Early é a história de Pi). enfim, tem muito a se falar sobre essa síndrome (e se você quiser, pode saber mais sobre ela aqui), mas eu prefiro não entrar muito nesse tópico porque prefiro comentar sobre outra coisa: independentemente de ser autista, o Early confia.

o que a síndrome dele trouxe à tona foi apenas uma propensão maior a sair numa cruzada em busca do irmão perdido, usando a história do número Pi (isso mesmo, aquele aparentemente infinito com sequências numéricas que não se repetem e começa com 3,14…) como base – mas a confiança que ele tinha de que o irmão estava vivo era tão inquebrantável que o Jackie percebeu nisso uma oportunidade de não ficar mais sozinho.

ai, gente, esse livro é de uma delicadeza, sabe? você meio que de fica de cara com evolução da história, porque parece que é só mais um romance sobre amizade, só que não. a história de Pi se mescla com a realidade (ou seria o contrário?) e em apenas uma semana os dois meninos vivem uma aventura que mudou a vida dos dois pra sempre. não é que eles se divertiram e agora têm histórias pra contar, mas essa peripécia (eu amo essa palavra) toda acabou mudando a forma como eles pensam. pro Jackie, que se considerava um menino covarde, foi perceber que ele era muito mais corajoso do que imaginava, o suficiente pra pedir ajuda do pai militar quando isso foi necessário. o suficiente pra entender que ele não tava vendo o contexto e julgou as ações do pai sem nem saber como ele se sentia.

pro Early, isso quis dizer que ele precisou aprender a prestar mais atenção em alguém que nem sempre pensava como ele, e a compreender que as coisas não acontecem do jeito que criou na mente dele – mas também, que é possível rever cada cena com calma e encontrar outra saída. essa confiança, que os dois compartilharam, gerou mudanças que iam muito além de uma busca pela floresta.

se tem uma coisa que eu amei também nesse livro, é como o Early tem uma capacidade surreal de confiar não só na sua meta, mas em todas as pessoas que ele encontra pelo caminho. todo mundo era uma história a ser ouvida e tinha uma história pra contar. ele fazia perguntas, e isso parecia um problema, mas na verdade é a solução de todos os conflitos, porque ele tentava entender. ele não se dá bem com ironias e não trabalha com metáforas – tudo tem que ser muito preto no branco – e, sendo bem sincera, ele não tem aquele melindre todo que a gente que não compartilha dessa síndrome tem: ele pergunta na lata, sem nem pensar duas vezes e não se preocupa com as perguntas que tem para fazer, ele só quer entender o que está vendo.

não sei, a minha experiência com esse livro foi incrível e o desfecho é tão amarradinho, sem ser piegas ou clichê, que me deixou meio chorosa enquanto eu voltada pro médico de Uber hoje de manhã. tô meio atrasada na leitura, verdade, mas ainda assim fiz questão de terminar de ler tudo direitinho, exatamente como eu tinha combinado com as meninas no clube do livro, porque ele me pegou de um jeito que não é sempre que acontece.

fiquei com vontade de ouvir Billie Holiday nos dias de chuva, de aprender sobre as constelações e sair andando pelas trilhas na floresta, vendo o que eu vou encontrar por aí. me deu vontade de escutar ainda mais as histórias das pessoas, de sair fazendo perguntas e de confiar.

AH, É VERDADE. tinha mais uma coisa que eu queria falar sobre isso. abundância. sabe o que eu achei mais maluco de tudo nesse livro? assim, o Jackie e o Early nunca sentiram falta de nada. sabe? tipo, tudo o que eles precisavam aparecia pra eles no momento certo pra atingirem a meta. eles não sentiram falta de nada porque não faltou nada em nenhum momento. e é isso que acontece quando a gente confia em quem a gente é de verdade e na nossa meta verdeira: a gente vive em abundância, porque absolutamente tudo é uma ferramenta pra gente atingir o nosso objetivo. achei tão incrível, mas tão incrível que tô meio boba até agora com isso.

enfim, Em Algum Lugar nas Estrelas é um livro maravilhoso e eu recomendo MUITO que você leia, de verdade. é impossível não se emocionar com a história e procurar por um abracinho depois, porque é impactante mesmo.

você já leu esse livro? curtiu?

ah, e lembrando que você pode ler com a gente os livros de maio do infinistante: Para Poder Viver, da Yeonmi Park, e K-Pop: Manual de Sobrevivência, da Babi Dewet, Érica Imenes e Natália Pak. pra receber sempre os e-mail do clubinho, não esquece de se inscrever na nossa newsletter e acompanhar a gente pelo Twitter, tá bom?

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Escrito pelaMaki
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6 Comentários
  1. Larissa Zorzenone  em maio 03, 2018

    Olá
    EU tenho muita vontade de ler esse livro. A primeira vez que vi sobre ele, foi num vídeo da Mel e já li a resenha linda dela. Parece ser um livro de uma simplicidade e delicadeza incríveis. Um dia ainda o leio.
    Beijos

    Vidas em Preto e Branco

    • Maki  em maio 05, 2018

      leia, Larissa! você vai amar demais!

  2. Emy  em maio 03, 2018

    Eu já leria esse livro pela capa, sim. (haha sou dessas que compra livro pela capa, ué)
    Mas, lendo sua resenha sobre ele, fiquei um pouco emocionada e talvez eu o queira ainda mais agora!

    Um beijo!

    Meraki | Emy Teranishi

    • Maki  em maio 05, 2018

      EU TAMBÉM, EMY! e leia mesmo, você não vai se arrepender!

  3. Dalva  em maio 03, 2018

    Que delícia de texto e já me empolguei para ler esse livro, tô precisando de uma leitura assim… Mas vou catar no Kindle heheheh Seu blog é tão gostoso de ler 🙂

    • Maki  em maio 05, 2018

      leia, Dalva! você vai amar!