15 coisas que eu gosto de fazer quando me sinto meio estranha

falando sobre dias tristes, eu ainda tenho aqueles momentos que acordo me sentindo toda errada. isso sempre me coloca de frente com uma decisão importante: eu vou continuar me sentindo assim ou vou mudar de ideia e ter um dia bom? às vezes, eu ainda insisto em falar mal de mim mesma e escolho ficar esquisita. mas agora já é mais comum eu optar por ficar bem e feliz, ter um dia gostoso, em que eu compartilho coisas gostosas com as pessoas e que trabalho de coração aberto.

eu já percebi que, nos dias que a gente não acorda bem, é muito fácil ficar assim meio perdida, sem saber o que fazer, sempre esperando que a coisa toda se resolva sozinha. essa é uma escolha muito do coração, sabe? não é que fazer alguma coisa vai melhorar o que você sente, é escolher melhorar que vai tornar essa atividade gostosinha, um incentivo pra manter essa decisão pelo resto do dia. e, se tem uma coisa que eu aprendi, é que sair da nossa caixinha, desse nosso isolamento, é sempre o primeiro passo pra isso, entende?

dito isso, o que eu costumo fazer quando tô em sentindo meio estranha? alguma dessas coisas, ó:

  1. ligo pra alguém que pode me ajudar
  2. eu peço por um abraço
  3. eu converso com alguém próximo sobre o que eu tô sentindo
  4. saio de casa e vou trabalhar em algum outro lugar, com mais gente
  5. revejo um filme que me deixa com uma sensação gostosinha (já viram A Vida Secreta de Walter Mitty?)
  6. ouço uma playlist com músicas animadas (a minha preferida do momento é essa aqui, de kpop)
  7. cozinho alguma coisa gostosa pra alguém que eu amo (ou pra mim mesma)
  8. tomo um café (e faço aquela pausa pra rever o que eu tô sentindo)
  9. passo um tempo no sol
  10. tomo um sorvete!
  11. releio passagens do meu livro preferido (Anna e o Beijo Francês, te amo ♥)
  12. toco um pouco de ukulele
  13. observo o movimento da rua da janela
  14. escrevo no meu bullet journal
  15. me dou tempo pra decidir

não tem uma receita pra gente ficar bem, sabe? é olhar pro nosso coração e buscar aquele lugarzinho de paz. de carinho com a gente mesma, em que a gente fica com a mente tranquila e consegue focar de novo no que é importante. com certeza, parar de dar atenção pra esses pensamentos tristes e meio estranhos é a melhor coisa a fazer pra não dar corda nessa coisa esquisita que fica seguindo a gente o dia inteiro. ah, e lembrar que a gente nunca tá sozinha ajuda também, né?

me conta o que você faz pra sair de um dia esquisito?

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diário #91 – sobre ser forte e ter força

eu sempre tive uma certeza maluca de que era uma pessoa fraca. por mais que eu me exercitasse, que fizesse academia e anos de balé, a ideia de que eu era frágil dificilmente saía da minha cabeça. e não era só uma fraqueza física, mas emocional também.

sabe quando você se faz de difícil, tenta mostrar que é uma pessoa forte, mas qualquer levantada de voz já te deixa com o olho cheio d’água? pois é. eu era assim. qualquer coisinha me fazia chorar, qualquer peso extra me deixava com os braços tremendo, qualquer sustinho e eu saia correndo pra me esconder embaixo da cama. eu nunca serviria pra ser protagonista de filme de terror e com certeza seria uma das primeiras a morrer num apocalipse zumbi.

é, ‘forte’ nunca foi uma palavra que eu usaria pra me descrever. ‘frágil’, ‘sensível’, ‘sentimental’… essas são mais de acordo com quem eu era. na verdade, não deixam de ser eufemismos que eu inventei para a palavra ‘fraca’. fraca de coração, de corpo e de espírito. o tipo de pessoa que não dura muito tempo no mundo, que não aguenta os monstros que vê fora da janela e que passa os seus dias trancadas no quarto, com medo da vida que passa lá fora.

outro dia, eu estava no banho depois do treino e levei um susto comigo mesma. eu procurei na minha cabeça onde tava aquela ideia de pessoa fraca e me surpreendi quando não a encontrei em canto nenhum. não tava mais lá. sumiu. eu poderia dizer que tem tudo a ver com os treinos pesados que eu faço três vezes na semana, e os músculos que eu ganhei não me deixam mentir. meu corpo nunca foi tão forte.

poderia dizer também que foi a minha nova alimentação, que dá pro meu corpo o que ele precisa pra funcionar bem e que me deixa cheia de energia – e isso é verdade também, mas seria reduzir toda essa recém-encontrada força a coisas que são minúsculas comparadas ao amor que eu sinto diariamente pela vida.

não, a minha força não tem nada a ver com o meu corpo, com o que eu como ou com o quanto eu treino. mas também não tem absolutamente nada a ver com a tal da resiliência, essa capacidade humana de se adaptar e resistir. nada disso. não é superação. não é o aprendizado com as dificuldades que me deixaram com a casca mais grossa e coração mais escuro. pelo contrário, foi a desistência.

em algum momento dessa jornada, eu desisti. desisti de me defender, de atacar, de achar que o mundo tá contra mim e que eu sou só mais um pontinho entre 7 bilhões. é fácil se sentir fraca e insignificante quando você pensa na suposta grandiosidade do mundo, com todas as suas responsabilidades e dificuldades.

mas eu desisti. desisti de achar que o mundo é responsável pela minha alegria e que eu sou a maior vítima que o planeta já viu. vítima das pessoas, das circunstâncias e da minha própria fraqueza. como se eu andasse descontrolada por aí todos os dias, sem saber pra onde ia ou o que fazia. e era mais ou menos essa a sensação mesmo.

desistir me mostrou a força que eu sempre tive, mas que deixava entuchada num canto escuro da minha mente, contando pra mim mesma que a força não existia e que a minha fraqueza era real. mas era só um engano da visão que maltratava o meu coração. desisti de dizer que eu era fraca e me vi forte. e, como num passe de mágica, o meu corpo começou a mostrar o quão forte eu sou de verdade. eu sou grande, eu sou gigante, eu cresço cada vez que me permito desistir um pouco mais das mentiras que contei sobre mim.

eu caminho, agora, com pernas fortes e o corpo ereto, não mais me escondendo do mundo, mas pronta pra desbravar cada um dos seus quatro cantos, gritando a plenos pulmões para quem quiser ouvir que desistir do que a gente pensa sobre a gente é o segredo da felicidade. porque é mesmo. e aqui está o meu sorriso forte para provar.

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diário #90 – a nossa vida é uma declaração de amor

encosta a sua testa na minha e sente a minha respiração fazer carinho na sua boca. a nossa vida é uma eterna declaração de amor, que não sai do hoje, não vê o passado e jamais imagina o futuro. entrelaça os seus dedos nos meus e sente o calor das minhas mãos nas suas, e percebe que ele é igual. assim, tão perto, a gente não consegue mais dizer onde eu termino e você começa, e todas as linhas e formas perdem o sentido, os contornos se dissolvem, e as imagens que os nossos olhos projetam deixam de existir.
mas eu e você… ahhh, a gente existe. existe em uma redoma de carinho que não tem começo nem fim, que engloba tudo e nada ao mesmo tempo, que vê só o que precisa ser visto e desconhece as lágrimas humanas. não sabe o que é sofrer, não entende a dor e não vê sentido na guerra. a nossa vida é uma declaração de amor porque a cada segundo dessa coisa doida chamada tempo faz o que pode com as ferramentas que têm para lembrar do quanto somos felizes. olha só, que loucura, a gente se esqueceu da felicidade.
se esqueceu e passa os dias dias tateando no escuro, confundindo formas supostamente concretas com monstros imaginários, buscando alegria onde sempre encontraremos tristeza, esperando que o mundo resolva o nó que nós mesmos demos no peito. silenciamos o coração na chance minúscula de que o cérebro saiba o caminho, apenas para perceber que ele é tão perdido quanto os nossos passos desconexos.
eu me vejo nos seus olhos, porque mesmo com íris tão diferentes e únicas, eu reconheço a minha vida na sua e isso faz o meu coração cantar músicas que eu nem imaginava que ele saberia. o seu abraço é seguro não porque me mantém no lugar, protegida daquilo que o mundo teme, mas porque me lembra que a segurança vem de outro lugar, de um lugar feliz, da nossa casa. de onde a gente veio e de onde nunca saiu. o nosso amor é a lembrança de que estamos e estivemos sempre em casa.
seus lábios são melodia e a sua voz representa as batidas do meu coração. às vezes, um simples verso faz o corpo pegar fogo, porque cada acorde é uma lembrança viva da vida que percorre as minhas veias, que movimenta os meus pulmões, que faz as bochechares corarem e que dá som às risadas. vida. cada dia mais viva, cada dia mais linda, cada dia mais eu. e você. e nós todos.
às vezes, as palavras não são necessárias. por Deus, tem horas que elas nem mesmo conseguem traduzir o silêncio da mente e o transbordar do coração. é impossível, impensável, ilógico. é irreal. as palavras falham porque o seu toque e o seu olhar e o seu sorriso e o seu carinho me levam de volta pro céu, de onde eu vim e de onde nunca saí.
a nossa vida é uma declaração de amor. em que cada gesto representa a verdade da vida. você me ensina e eu aprendo. e eu ensino e outro aprende. e a gente forma uma corrente, em que as mãos dadas se tornam mais fortes do que as facas, as armas, as doenças. a ganância. o medo. se tornam mais fortes que a morte, porque declarações de amor são eternas. são orações que passam de geração em geração, até as que gerações não existam mais e tudo o que a gente se lembra é do calor. do carinho. da vida. e do amor.

como eu coloco exercícios no dia a dia

eu acho que nunca vou esquecer da vez que li Madame Charme, da Jennifer L. Scott, e o quanto esse livro me marcou. foi com ele que aprendi, pela primeira vez, o conceito de armário cápsula, porque ali a autora falava sobre como os franceses não tinham essa mania que a gente tem de abarrotar o armário com roupas que a gente não precisa.

esse livro também me ensinou sobre um outro conceito que eu nunca tinha visto antes. ele fala sobre a importância de colocar os exercícios físicos no seu dia a dia. é claro que fazer algum tipo de atividade física com frequência (tipo eu, que treino três vezes na semana) é muito importante, mas você não precisa pensar nisso só na hora que está se arrumando para ir na academia.

basicamente, a autora explicava que os franceses têm esse visual mais magro e em forma porque eles têm esse costume de se exercitar com coisas do dia a dia. e, quando eu morei lá na França, percebi que isso era verdade mesmo – principalmente porque muitos dos prédios não têm elevador, você precisa subir e descer de escada (eu subia seis lances todos os dias).

assim como começar a cuidar da alimentação é uma questão de cuidado e carinho, comigo mesma e com os outros, manter o corpo ativo também. um corpo saudável é uma ferramenta muito importante para cumprir a minha missão no mundo e, querendo ou não, ele fica muito melhor quando está sempre ativo.

colocar exercícios no seu dia a dia não significa que você precisa sair por aí fazendo maratonas diárias ou então levantando pesos nas horas vagas. é só uma questão de lembrar de usar o seu corpo quando você tem a oportunidade. e dá pra fazer isso de várias maneiras:

exercícios no dia a dia

você pode começar andando mais

eu não dirijo, então tudo o que eu faço é ou a pé ou de transporte público. mas eu confesso que com o surgimento de uber, cabify e afins, eu comecei a boicotar um pouco esse projeto para ir de carro toda vez que eu saía de casa. além de pesar no bolso, isso não fazia muito bem para a minha saúde. eu fico muito tempo trabalhando sentada e andar um pouco durante o dia, ter esse movimento de ir até o ponto de ônibus, pegar o transporte, andar até o destino e tals era uma forma de me exercitar e algo que me fazia movimentar o corpo. eu mudei esse hábito e comecei a me programar para andar mais. me organizei para não precisar pegar um carro toda vez que saio (só mais à noite ou voltando para casa tarde) e tenho me proposto a ir trabalhar mais em outros lugares. sair andando pelo bairro, além de ser um delícia é um exercício (e sob o sol de inverno é a coisa mais gostosa do mundo).

e optar pelas escadas também

eu moro no primeiro andar e tenho a ~sorte~ de morar num prédio sem elevador. ou seja, obrigatoriamente eu tenho que pegar as escadas. subir um lance de escada pode não parecer muito, mas é um baita exercício (principalmente se você tá com o computador na mochila). fora isso eu tento também optar pelas escadas sempre que posso e deixar a preguiça de lado, tipo saindo do metrô ou quando preciso subir um ou dois andares em algum prédio comercial (faço sempre). eu treino com frequência, mas isso não significa que eu preciso ser mega preguiçosa todos os ouros dias da semana, né?

a gente pode também alongar um pouquinho

sempre me falam sobre a importância do alongamento para quem fica muitas horas sentada, e eu sempre esqueço desse exercício tão gostosinho. alongamento é exercício, sim, e ajuda com a circulação, a elasticidade, força e resistência do corpo (ou seja, só coisa importante). eu tirei o último fim de semana para organizar o meu dia e coloquei um descanso de meia hora para, além de tomar meu cházinho, alongar as costas, pernas e os punhos e até descansar um pouquinho a vista. vamos fazer isso juntas?

a gente subestima bastante o bem que faz andar um pouquinho todos os dias ou então subir um lance de escadas vez ou outra (até carregar aquela sacola de compras com as frutas da semana). é mais uma forma de você pensar em como manter o seu corpo ativo e funcionando sempre. pra mim, dá super certo e é uma maneira de desconectar também – alô, cabeça sempre maluca e que tá o dia inteiro ligada nas redes sociais.

você tem o costume de colocar exercícios no seu dia a dia? me conta como?

carta aberta para a maki de 15 anos

querida Maki,

acho que o melhor que eu posso fazer, ao começar esta carta, é dizer um obrigada de coração cheio. repleto. pleno. transbordando. obrigada porque, olhando de onde eu vejo agora, eu sei que você não desistiu, que você seguiu em frente e que você, acima de tudo, persistiu. lembrando de você, acho que essa é a melhor coisa que eu posso dizer.

vou ser muito sincera e dizer que não me lembro muito de você. não lembro onde a gente estava em 2002. era sétima ou oitava série? a minha memória a respeito do passado me trai mais vezes do que gostaria de admitir. a raiva de mim mesma me cegou tanto que mais de uma vez me peguei pensando que eu não tenho lembranças de quando era mais nova. mentira, claro.

Maki,  do alto dos seus 15 anos, você está pensando em poucas coisas além de ler todos os livros que vê pela frente, ouvir os CDs gravados com músicas do Blink 182, Sum41 e Good Charlotte e estudar o máximo que pode para ir bem nas provas. o primeiro beijo ainda está um ano de distância (mas os crushes já são muitos – se bem que naquela época eles eram chamados apenas de ‘paqueras’).

você tá naquele meio do caminho. entre ser criança e adulta. o que eu posso adiantar é que a sensação de não querer crescer nunca vai embora e o seu lado criança vai com você firme e forte até os (quase) 30, onde me encontro agora. fique tranquila, o seu coração inocente vem junto comigo. você não perdeu a arte de sonhar, mas segue firme na incapacidade de pensar no futuro.

eu sei que você já passou por bastante coisa. a sua vida é confortável. seus pais estão juntos, seu irmão (ainda) é alegre, mas você encontrou demônios para lutar contra com todas as suas forças. conheço bem a nossa mente e sei as coisas ruins que você pensava – apesar da sua veia otimista pulsar tão forte.

você está à beira de uma mudança. no seu futuro – que já é meu passado – você vai passar por momentos difíceis. você vai chorar muito. você vai pensar em desistir muitas vezes – e quase vai ser bem-sucedida em uma delas. você vai sentir as supostas injustiças da vida em cada fio de cabelo, em cada crise nervosa e em cada lágrima. você vai achar que o mundo é cruel e que a melhor saída é você ficar no seu quarto lendo fanfictions de Harry Potter e ouvindo os CDs do McFly. você vai escrever muito para colocar para fora o que sente, vai tentar cortar os pulsos com a tesoura da cozinha (e desistir com a lâmina gelada já tocando a pele). você vai passar muitas e muitas horas chorando, encolhida, sentada no chão do banheiro de casa.

mas tudo bem. acho que essa é a segunda coisa que eu preciso falar: tá tudo bem com você. pode não parecer, levando em consideração o quadro triste e sombrio que eu pintei nos parágrafos acima, mas você tá bem. não tem nada errado. fica tranquila, a vida não é tão cruel quanto você pensa – e essa lição vai chegar em breve.

o meu primeiro impulso escrevendo essa carta seria dizer para você mudar tudo. para não se esconder, para enfrentar cada palavra que cortou esse seu coraçãozinho – e que começou a vida vermelho vibrante e todo redondinho, mas que vai se tornar uma massa sem forma e escura, quase sem vida, até voltar a ser o que era. saiba que isso é necessário e que você precisa passar por isso para chegar até mim. então, mais uma vez, eu agradeço a sua já tão grande coragem, de enfrentar tudo isso e, mais uma vez, não desistir.

eu sei que você se sente sozinha. que sente que é inútil e que as suas poucas amigas parecem não sentir a sua falta. mas isso tudo é invenção da sua cabeça. você é tão importante para elas quanto elas para você. cada uma dessas pessoas maravilhosas vão te ajudar nessa jornada. lembre-se de segurar na mão delas quando elas oferecerem. e só porque você se sentiu assim um dia, não significa que precisa manter isso pra sempre, viu?

eu sei que a superficialidade é algo que te incomoda muito – infelizmente, a gente ainda está aprendendo o que fazer com ela -, mas saiba que ela vai ser essencial para o treino que vai mudar a sua vida. preste atenção nela como eu sei que você vai prestar.

eu sei também que você sonha muito. continue sonhando. sonhe alto. invente histórias na sua cabeça o quanto quiser. eu sei que muitas vezes essas imaginações são a única coisa que te seguram no mundo. tudo bem você se aproveitar delas por agora. ande de um lado para o outro com o Discman na mochila e muitas ideias na cabeça. sonhe com um mundo melhor e uma vida mais divertida. por agora, eu sei que isso é tudo o que você pode fazer para ter certeza que está viva. é a única ligação que você consegue ter com a existência, então sonhe.

ouça as suas músicas tristes e chore lendo as letras no computador. leia todas as fanfics que puder, ande pela cidade com seus mangás de Sakura Card Captor e ouça de novo e de novo os seus álbuns preferidos da Avril Lavigne. acho que a terceira coisa que eu quero dizer com essa carta é: continue fazendo tudo o que faz agora. não mude nada. não seja mais nem menos. seja o que você é agora. tá tudo bem com a forma como a sua vida está caminhando.

as coisas vão complicar. você vai passar por momentos em que a escuridão vai parecer completa e, muitas vezes, esses momentos vão ser uma lembrança feliz, de tempos mais leves, e você vai revisitá-los de novo e de novo quando precisar de conforto. compre todos os All Star que quiser de todas as cores. use as milhares de pulseiras neon que você comprou iguais as da sua prima. sinta medo de ir mal na escola e de conversar com os seus pais. isso vai ser importante no futuro.

eu gostaria de dizer para você não se culpar. mas até isso eu sei que não vale a pena fazer diferente. talvez, se eu pudesse, eu diria apenas pra você lembrar de olhar em volta e agradecer de vez em quando. por estar viva, por ter tudo o que você tem e pelas pessoas que estão na sua vida. mas, sabe, isso você vai fazer naturalmente em algum momento nesse caminho. os dias ensolarados serão uma dádiva aos seus olhos (mesmo você detestando o verão).

que essa carta seja, então, um bálsamo. um lembrete de que você está bem quando a vida no mundo parecer demais e que, mesmo quando tudo parecer perdido, uma luzinha de esperança vai te guiar para onde você precisa ir. confie que você vai chegar lá, mesmo que, aos 15 anos, você não tenha ideia de onde ‘lá’ é. não se esqueça da sua risada, do seu sorriso, das fotos no pátio da escola e da viagem para Angra dos Reis. um dia, você vai olhar para cada um desses momentos e ficar com o coração emocionado, porque finalmente lembrou de quem você é de verdade. cada foto será uma memória presente e você vai se reconhecer em cada uma delas depois de tanto tempo perdida. e vai agradecer, como eu estou fazendo agora.

Maki, obrigada por não desistir e por me trazer até aqui. olhar pra você é a maior prova de que o tempo não existe e que a gente continua a mesma coisa – a gente só se perdeu no meio do caminho, antes de lembrar do porque a gente insistia em olhar pro céu azul e pensar que a vida é perfeita. (spoiler: ela é mesmo)

com carinho,

a Maki de 2017

foto: Luísa Chequer Fotografia