diário #91 – sobre ser forte e ter força

eu sempre tive uma certeza maluca de que era uma pessoa fraca. por mais que eu me exercitasse, que fizesse academia e anos de balé, a ideia de que eu era frágil dificilmente saía da minha cabeça. e não era só uma fraqueza física, mas emocional também.

sabe quando você se faz de difícil, tenta mostrar que é uma pessoa forte, mas qualquer levantada de voz já te deixa com o olho cheio d’água? pois é. eu era assim. qualquer coisinha me fazia chorar, qualquer peso extra me deixava com os braços tremendo, qualquer sustinho e eu saia correndo pra me esconder embaixo da cama. eu nunca serviria pra ser protagonista de filme de terror e com certeza seria uma das primeiras a morrer num apocalipse zumbi.

é, ‘forte’ nunca foi uma palavra que eu usaria pra me descrever. ‘frágil’, ‘sensível’, ‘sentimental’… essas são mais de acordo com quem eu era. na verdade, não deixam de ser eufemismos que eu inventei para a palavra ‘fraca’. fraca de coração, de corpo e de espírito. o tipo de pessoa que não dura muito tempo no mundo, que não aguenta os monstros que vê fora da janela e que passa os seus dias trancadas no quarto, com medo da vida que passa lá fora.

outro dia, eu estava no banho depois do treino e levei um susto comigo mesma. eu procurei na minha cabeça onde tava aquela ideia de pessoa fraca e me surpreendi quando não a encontrei em canto nenhum. não tava mais lá. sumiu. eu poderia dizer que tem tudo a ver com os treinos pesados que eu faço três vezes na semana, e os músculos que eu ganhei não me deixam mentir. meu corpo nunca foi tão forte.

poderia dizer também que foi a minha nova alimentação, que dá pro meu corpo o que ele precisa pra funcionar bem e que me deixa cheia de energia – e isso é verdade também, mas seria reduzir toda essa recém-encontrada força a coisas que são minúsculas comparadas ao amor que eu sinto diariamente pela vida.

não, a minha força não tem nada a ver com o meu corpo, com o que eu como ou com o quanto eu treino. mas também não tem absolutamente nada a ver com a tal da resiliência, essa capacidade humana de se adaptar e resistir. nada disso. não é superação. não é o aprendizado com as dificuldades que me deixaram com a casca mais grossa e coração mais escuro. pelo contrário, foi a desistência.

em algum momento dessa jornada, eu desisti. desisti de me defender, de atacar, de achar que o mundo tá contra mim e que eu sou só mais um pontinho entre 7 bilhões. é fácil se sentir fraca e insignificante quando você pensa na suposta grandiosidade do mundo, com todas as suas responsabilidades e dificuldades.

mas eu desisti. desisti de achar que o mundo é responsável pela minha alegria e que eu sou a maior vítima que o planeta já viu. vítima das pessoas, das circunstâncias e da minha própria fraqueza. como se eu andasse descontrolada por aí todos os dias, sem saber pra onde ia ou o que fazia. e era mais ou menos essa a sensação mesmo.

desistir me mostrou a força que eu sempre tive, mas que deixava entuchada num canto escuro da minha mente, contando pra mim mesma que a força não existia e que a minha fraqueza era real. mas era só um engano da visão que maltratava o meu coração. desisti de dizer que eu era fraca e me vi forte. e, como num passe de mágica, o meu corpo começou a mostrar o quão forte eu sou de verdade. eu sou grande, eu sou gigante, eu cresço cada vez que me permito desistir um pouco mais das mentiras que contei sobre mim.

eu caminho, agora, com pernas fortes e o corpo ereto, não mais me escondendo do mundo, mas pronta pra desbravar cada um dos seus quatro cantos, gritando a plenos pulmões para quem quiser ouvir que desistir do que a gente pensa sobre a gente é o segredo da felicidade. porque é mesmo. e aqui está o meu sorriso forte para provar.

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diário #90 – a nossa vida é uma declaração de amor

encosta a sua testa na minha e sente a minha respiração fazer carinho na sua boca. a nossa vida é uma eterna declaração de amor, que não sai do hoje, não vê o passado e jamais imagina o futuro. entrelaça os seus dedos nos meus e sente o calor das minhas mãos nas suas, e percebe que ele é igual. assim, tão perto, a gente não consegue mais dizer onde eu termino e você começa, e todas as linhas e formas perdem o sentido, os contornos se dissolvem, e as imagens que os nossos olhos projetam deixam de existir.
mas eu e você… ahhh, a gente existe. existe em uma redoma de carinho que não tem começo nem fim, que engloba tudo e nada ao mesmo tempo, que vê só o que precisa ser visto e desconhece as lágrimas humanas. não sabe o que é sofrer, não entende a dor e não vê sentido na guerra. a nossa vida é uma declaração de amor porque a cada segundo dessa coisa doida chamada tempo faz o que pode com as ferramentas que têm para lembrar do quanto somos felizes. olha só, que loucura, a gente se esqueceu da felicidade.
se esqueceu e passa os dias dias tateando no escuro, confundindo formas supostamente concretas com monstros imaginários, buscando alegria onde sempre encontraremos tristeza, esperando que o mundo resolva o nó que nós mesmos demos no peito. silenciamos o coração na chance minúscula de que o cérebro saiba o caminho, apenas para perceber que ele é tão perdido quanto os nossos passos desconexos.
eu me vejo nos seus olhos, porque mesmo com íris tão diferentes e únicas, eu reconheço a minha vida na sua e isso faz o meu coração cantar músicas que eu nem imaginava que ele saberia. o seu abraço é seguro não porque me mantém no lugar, protegida daquilo que o mundo teme, mas porque me lembra que a segurança vem de outro lugar, de um lugar feliz, da nossa casa. de onde a gente veio e de onde nunca saiu. o nosso amor é a lembrança de que estamos e estivemos sempre em casa.
seus lábios são melodia e a sua voz representa as batidas do meu coração. às vezes, um simples verso faz o corpo pegar fogo, porque cada acorde é uma lembrança viva da vida que percorre as minhas veias, que movimenta os meus pulmões, que faz as bochechares corarem e que dá som às risadas. vida. cada dia mais viva, cada dia mais linda, cada dia mais eu. e você. e nós todos.
às vezes, as palavras não são necessárias. por Deus, tem horas que elas nem mesmo conseguem traduzir o silêncio da mente e o transbordar do coração. é impossível, impensável, ilógico. é irreal. as palavras falham porque o seu toque e o seu olhar e o seu sorriso e o seu carinho me levam de volta pro céu, de onde eu vim e de onde nunca saí.
a nossa vida é uma declaração de amor. em que cada gesto representa a verdade da vida. você me ensina e eu aprendo. e eu ensino e outro aprende. e a gente forma uma corrente, em que as mãos dadas se tornam mais fortes do que as facas, as armas, as doenças. a ganância. o medo. se tornam mais fortes que a morte, porque declarações de amor são eternas. são orações que passam de geração em geração, até as que gerações não existam mais e tudo o que a gente se lembra é do calor. do carinho. da vida. e do amor.

diário #89 – os 12 reais mais bonitinhos que eu já vi

tava conversando com a Duds, a Celle e a Babee outro dia sobre essa coisa de transformar blog / canal de Youtube em um trabalho ‘de verdade‘. eu sempre achei muito maluco como isso acontece e, confesso, até meio mágico. aproveitei a deixa para ver a minha página de afiliados da Amazon: tenho o perfil para usar os links quando falar de algum livro ou produto que ache legal aqui no blog e ganhar uns trocadinhos. não esperava nada quando abri o meu perfil.

o susto veio quando eu vi o saldo: R$ 12,13. cinco produtos vendidos. soltei um berro (real). COMO ASSIM eu fiz 12 reais num site de afiliados? o motivo era o post sobre o livro da Shonda Rhimes (essa maravilhosa), e tudo ficou bem real para mim. eu escrevi uma coisa sobre um livro que amei, as pessoas gostaram e quiserem comprar o livro também. e clicaram no link que eu coloquei lá. e compraram alguma coisa (que eu espero que seja o livro da Shonda, porque você merece essa maravilhosidade na sua vida). CINCO LIVROS. 12 REAIS. eu ganhei 12 reais. graças à você que me lê. você confiou em mim o suficiente pra clicar num link que eu coloquei no blog. e comprar um negócio que eu falei que era legal. isso não é a coisa mais incrível que você já leu na vida?

fui automaticamente transportada para o dia que escrevi sobre o texto da Sarah Cooper e quando eu percebi que não me levo a sério o suficiente. eu fiquei bem incrédula no quanto as pessoas (CINCO PESSOAS!) confiam em mim e no que eu escrevo, e no quanto isso é legal e, hey!, como isso pode se tornar uma coisa divertida que me ajuda a pagar umas contas de vez em quando.

eu criei um negócio da minha cabeça, escrevi com o meu coração e vocês gostaram. e isso teve uma resposta, teve uma reação, teve um retorno. dessa vez foi no formato de 12 reais. muitas vezes, vem na forma de um e-mail carinhoso ou de uma mensagem no Instagram (e ambos eu vivo esquecendo de responder, tsc tsc). a gratidão aparece de jeitos que a nunca consegue imaginar.

isso me mostrou também outra coisa: é muito poderoso essa coisa de escrever pra internet. a gente acha que ninguém lê a gente, que os blogs estão ‘morrendo’ e que ninguém se importa. mas as pessoas prestam atenção, e se elas confiam em você, elas vão seguir o caminho que você indicar.

no fim, acho que tudo isso diz respeito à confiança mesmo. é muito maluco pensar que você pode nunca ter me visto na vida, mas confia no que eu falo. ao mesmo tempo eu digo com toda certeza do mundo: pode confiar, porque eu sei muito bem pra onde estou indo. e, se você quiser, pode vir junto. às vezes, a nossa caminhada dura um post só. às vezes é só do tamanho de um tuíte, outra de um livro que você comprou porque eu indiquei. mas eu percebi que o meu caminho não muda, eu vou sempre andar em direção a um lugar que deixe a gente com o coração quentinho e em paz.

essa virou a minha régua. aqui eu tô mais perto ou mais distante do coração quentinho? distante, então vamos voltar e tentar de novo. e agora? tô mais perto, yes! e agora? ixi, tô em dúvida, vou tentar aqui e se não der eu volto. ou sigo em frente. é tipo um jogo de ‘quente ou frio‘. no fim, eu tô fazendo exatamente o que o Neil Gaiman (esse maravilhoso) falou no discurso mais incrível que eu já ouvi na vida.

Algo que funcionou para mim foi imaginar que o lugar aonde eu gostaria de chegar […] era uma montanha. […] E eu sabia que, contanto que continuasse caminhando na direção da montanha, ficaria bem. Quando eu não tinha certeza nenhuma do que fazer, parava e ponderava se aquele caminho me aproximaria ou me afastaria da montanha. – Neil Gaiman

então vamos juntos, sabe? vamos em busca desse lugar feliz. pode ser que um dia você me dê 12 reais por um texto meu. pode ser que me mande um e-mail que me faça chorar (acontece mais vezes do que gostaria de admitir), pode ser que a gente se abrace depois de se trombar na rua sem querer. pode ser que o blog vire meu trabalho e passe a pagar todas as minhas contas. pode ser que ele continue um hobby. pode ser muitas coisas. mas a única certeza que eu tenho é que você pode confiar em mim. eu sei pra onde tô indo. e, começando a me levar mais a sério, eu sei que posso te levar junto comigo também.

 

diário #88 – confiança não é mágica

não sei como esse texto parou no meu feed – ou se eu saí atrás dele no Google depois de ver alguma referência sobre – mas eu li e reli várias vezes Do You Take Yourself Seriously? da Sarah Cooper. fiquei com frases dele na cabeça. guardei o link na minha pasta de inspirações e pensei ‘meu Deus, esse texto sou eu todinha‘.

eu não sei explicar muito bem, mas a identificação foi instantânea. acho que todo mundo já se sentiu assim uma vez ou outra – fora, claro, as pessoas que se levam a sério. eu, no caso, nunca fiz parte desse grupo seleto. chame de síndrome de vítima, de introversão, timidez, baixa autoestima ou o que seja. eu sempre tive muito clara na minha cabeça a ideia de que nada do que eu fazia era bom o suficiente.

se eu tinha uma ideia, a vontade de colocá-la num potinho e esconde-la embaixo de um colchão era automática. deixa ela ali, pra ninguém ver. melhor do que ter que lidar com as críticas depois. e eu já sei que nem é uma ideia tão bom assim. então, fica aí bem quietinha. não solta um pio e vamos fingir que você nunca existiu.

mas ela sempre esteve lá. aquela ideia. ela ficava marinando no fundo do meu cérebro gritando baixinho ‘ei, dá atenção pra mim, eu sou legal!‘ e você continuava ignorando. até que aparecia alguém mais confiante que você e colocava a mesma ideia em prática com metade do esforço que você teria.

maldita. por que ela conseguiu e eu não? onde foi que eu errei? essa ideia é minha! tudo bem, ela tem mais recursos. mais fãs, mais curtidas, mais apoio. mais equipamento. e, vamos combinar, ela fez melhor também. mas ainda assim, essa ideia era minha.

se apenas eu tivesse uma confiança como a dela.

mas não é assim que as coisas funcionam, sabe? confiança não é mágica que aparece de um dia para o outro em pílulas cor-de-rosa para você tomar e sair por aí fazendo a pose da Mulher Maravilha e escrevendo roteiros para grandes séries de televisão (posso ou não ter sido altamente influenciada por Shonda Rhimes nesse parágrafo). é algo construído.

a gente passa tanto tempo pensando mal de si mesma que parece um pecado aprender a confiar no que a gente faz. parece errado, sujo. parece que não pode e que uma hora ou outra vão descobrir que a gente é uma fraude e que não merece os louros pelo nosso trabalho duro.

isso começa muito antes de tirar um projeto do papel e é muito maior do que isso também. é entender que a gente é importante, indispensável (porque é mesmo). que a gente tem uma função no mundo e que tudo o que a gente colocar aqui vai ter um efeito. é lembrar de fazer as coisas com carinho pelos outros e por nós mesmos, porque é bom e é melhor do que ficar soltando raiva em comentários no Facebook. porque é mais próximo do que a gente é de verdade, sabe?

é saber que tudo o que a gente faz importa porque é um lembrete pra quem também se esqueceu. é confiar que a pessoa vai se lembrar. que ela é importante, que ela é boa, que ela não precisa se comparar com ninguém e que tá tudo bem com ela. é um ciclo, sabe?

a gente confia no que é de verdade, faz uma coisa legal que lembra as pessoas disso também e confia mais. e faz mais. e confia mais e faz mais e confia mais e…

… e assim por diante. mas tudo começa com você. lembrando de quem você é. da sua importância e da sua existência. e que ela é muito maior do que qualquer comparação meia boca que você possa fazer com o sucesso dos outros.

diário #87 – uma conversa com meu eu lírico

o que a gente diz quando fala consigo mesmo? ‘oi?’ ‘bom dia?’ ‘como vai você?’ essa última é bem redundante. eu mesma deveria saber como as coisas estão indo. conversaria mais vezes com você se não fosse uma perda de tempo, 90% das vezes. os outros 10% a gente até consegue ter uma conversa amigável e se entender. mas só de vez em quando, nos poucos encontros em que você decidiu ser bonzinho.

eu andei pensando muito em você. quer dizer, em mim mesma. ah, sei lá. andei pensando muito. não que isso seja novidade, eu sempre penso demais. mas andei pensando sobre essa nossa relação e que talvez eu esteja cansada disso tudo. afinal, pra quê? pra que a gente gasta tanto tempo tentando entender você quando a gente bem sabe que você não quer ser entendido?

eu lembro que quando era mais nova, vinham uns pensamentos loucos na minha cabeça. do tipo ‘eu sou incrível’, ‘eu sei que eu consigo’ e ‘eu sou livre’. fiquei horas acordada no domingo pensando onde esses pensamentos foram parar e em que momento da minha puberdade eles sumiram por completo para serem substituídos por outros de autodepreciação. ‘você não merece’, ‘você não vale nada’, ‘você não é bonita’.

quando foi que eu achei pela primeira vez que deveria ficar sozinha pra sempre e que o mundo não valia a pena? por que eu pensei nisso? quando foi que a gente se desentendeu ao ponto de eu dar mais atenção pra você do que pra mim mesma e ficar focada nas milhares de palavras maldosas que você me dizia diariamente? não sei. também não sei se faz sentido querer saber disso agora. são águas passas que, querendo ou não, me ajudaram a chegar onde cheguei.

ainda assim… você me fez pensar. me perguntar por que. por que a gente faz o que faz? qual o propósito disso tudo? pra quê eu quero ficar mais 40, 50 anos num mundo cruel e hostil matando um leão por dia e esperando que as coisas ‘deem certo’? por que eu preciso aprender coisas e me especializar e saber cada dia mais e trabalhar e ganhar e dinheiro… pra quê? qual o sentido disso tudo?

você não sabe a resposta, é claro. mais do que qualquer coisa, acho que você quer manter esse loop de perguntas eterno até que eu desista de encontrar uma resposta e stick to the status quo. pronto, agora eu lavo as minhas mãos, acabou por aqui, você venceu. eu me entrego.

é isso que você quer, né? você quer que eu desista, que eu deixe tudo no seu devido lugar, que eu ouça os seus gritos e sinta pena. que eu chore com você. que eu sofra junto e me identifique com os seus medos e inseguranças. você quer que eu não tenha propósito, que eu continue perdida. pra você é mais negócio do que se eu achar uma saída pra essa bagunça.

então, não. eu não vou parar de perguntar. eu preciso saber o porquê. por que eu vim pra cá? o que que eu tô fazendo aqui? qual a minha função? se não é você quem vai me responder, não tem problema. eu espero uma força maior me mandar um sinal. eu juro de pé junto que vou ficar de olhos abertos, atenta, só esperando. eu sei que a resposta vem uma hora ou outra, ela tem que vir.

se não… se não você ganha. e eu me afundo de novo nas dúvidas, nas inseguranças, nos ‘eu não consigo‘ e ‘não aguento mais ficar sozinha‘. nos dias trancados no meu quarto, deitada na cama sem saber pra onde ir, pra quem correr. sem saber que eu posso pedir ajuda.  sem nem achar que a ajuda vai vir. assim você corre livre, e eu fico presa nessa jaula que você criou, mudando a corrente de um pé para o outro só pra parecer que eu tô seguindo em frente.

não, obrigada. eu dispenso. passei anos dando ouvidos pra você. e onde é que isso me levou? onde me levaria? será que eu ainda estaria aqui se tivesse seguido os seus conselhos? algo me diz que não. pode esquecer, não adianta implorar. eu não te quero mais.

por um lado, eu sei que a gente é a mesma coisa, e não tem nada que me separe de você – nem é isso que eu quero. eu só… cansei. cansei de você e das suas mentiras. cansei da sua manipulação, do seu controle. do seu desejo inato de machucar e tentar fazer melhor que todo mundo. de me usar pra se defender.

cansei. cansei mesmo. chega. eu tô exausta desse joguinho manipulador que não dá em nada. cansada de não conseguir ouvir outra coisa a não ser as suas reclamações. você é a melhor definição de disco quebrado que o mundo já viu.

você não sabe o que é amor. nem tente me ensinar. por você eu passei tantos anos longe disso que a minha garganta fica travada só de lembrar. eu sei, pode ser que tenha um pouco de raiva nesse discurso, mas se eu não colocar isso pra fora, eu explodo. mas você precisa saber. precisa mesmo. às vezes, a gente só percebe que tá fazendo alguma coisa errada quando alguém conta. aí fica escancarado. fica na cara, aí não dá pra evitar mais.

talvez você queria ignorar isso tudo e continuar gritando na minha cabeça. talvez você comece a planejar a sua vingança silenciosamente. talvez, se eu treinar bastante e se não der brecha, você desapareça. só talvez. eu espero que sim. e eu espero que seja logo. porque eu cansei de você me dizendo o que fazer, sem me contar qual vai ser o resultado final. agora eu vou tomar as minhas decisões sem você, mas nunca sozinha. esse relacionamento abusivo acabou.

passar bem. esse é o meu último contato com aquilo que não me acrescenta, e o meu primeiro vislumbre do que é ser livre de verdade. felizmente, eu vou seguir esse caminho sem você.