afinal, o que é um habit tracker?

há um tempo, eu estava conversando com uma amiga sobre bullet journal e ela comentou comigo que não conseguia entender o que era o tal habit tracker. para mim, que uso o bujo há quase dois anos, parecia óbvio, e eu nunca pensei muito em explicar sobre ele aqui. mas ela me lembrou que só porque eu sei o que é um habit tracker, não significa que todo mundo saiba.

touché.

então, vamos entender melhor o que é um habit tracker hoje. basicamente, um habit tracker é um sistema para você controlar os seus hábitos. eu acho ‘controlar‘ uma palavra estranha e que não se encaixa muito bem aqui, mas é o mais próximo que eu consegui encontrar em sentido. você usa o seu bullet journal, uma planilha no Excel ou um aplicativo no seu celular para acompanhar hábitos que você gostaria de colocar na sua rotina.

por exemplo: desde que fui ao nutricionista, eu comecei a tomar vários suplementos diferentes (vitaminas, proteína depois dos treinos etc). coloquei ‘suplementos’ e ‘proteína’ no meu habit tracker para saber quando eu estou mesmo fazendo isso e quanto estou esquecendo. na verdade, essa é uma forma apenas de você saber o que está e o que não está fazendo, e quando. o hábito só vai existir se você fizer mesmo.

vamos supor que você quer começar a acordar mais cedo. você pode estabelecer um horário (vamos colocar 06h30) e anotar no seu bullet journal: acordar todos os dias às 06h30. daí você marca ali os dias que isso rolou mesmo e deixa em branco os que não conseguiu. é mais ou menos como aquele sistema de corrente que o Jerry Seinfeld tanto fala: você tenta fazer um hábito todos os dias, sem quebrar a corrente (ou seja, sem pular nenhum) até que ele vire parte da sua rotina, algo que você faz sem pensar.

para isso, é importante saber que hábitos você vai colocar no seu tracker. seja offline ou online, você precisa escolher atividades que quer fazer de verdade e que você se sinta motivada a cumprir. não é produtivo você querer acordar todos os dias às 06h se o seu trabalho exige que você fique acordada até às 02h da manhã com frequência. assim como não vale colocar lá ‘ir na academia todos os dias‘ se você odeia academia. pense em atividades que você quer ter no seu dia e que vão te deixar com aquele quentinho coração, sabe? se você fala francês, mas não tem estudado nada (alô, euzinha toda) pode colocar ali ‘estudar meia hora de francês‘ ou ‘ouvir um podcast em francês por dia‘ para exercitar esse músculo, sabe?

habit tracker

o mais importante não é como você vai acompanhar esse hábito, mas qual hábito você quer acompanhar. no meu habit tracker, além de coisas como o blog e quando eu posto no Instagram, também coloquei uma linha para leitura e outra para uber. no primeiro caso, eu comecei um clube do livro e queria acompanhar melhor quando estava separando tempo para ler e quando não estava. no segundo, eu abusei da cota de uber mensal (e minha fatura estava um absurdo) e achei melhor colocar ali uma linha para saber quando eu estava usando esse serviço. foi um jeito também de eu lembrar de colocar mais exercícios no meu dia a dia.

o que eu percebi é que quanto mais específico o hábito, melhor. isso é algo que vou incorporar no meu habit tracker do mês que vem. só colocar ‘ler‘ é muito vago. criar um hábito tem tudo a ver com frequência, periodicidade, então é mais produtivo eu escrever ‘ler 15 minutos antes de dormir‘ e tentar fazer isso até que vire rotina, entende?

essa é uma ferramenta muito versátil, como tudo no bullet journal. tem gente que usa para anotar o humor e pequenas tarefas que são difíceis para pessoas depressivas, como ‘levantar da cama‘ ou ‘escovar os dentes‘. você pode usar para anotar os dias que não tomou refrigerante, quando não gastou dinheiro, quando meditou… você que escolhe. mas lembre que essas precisam ser tarefas que você quer transformar em hábitos: coisas que fazem parte do seu dia a dia. depois de um tempo, você pode tirar essas linhas do seu tracker e substituí-las por outras coisas. ou você pode continuar acompanhando o que faz diariamente.

o que você precisa pensar, sempre, é em como tornar os seus dias melhores para você (e não para o que as pessoas acham que é melhor pra você). o bujo é uma terapia e não uma cobrança. é um jeito de você se organizar e saber como usar melhor o seu tempo em nome da sua missão, sabe? não vale criar um tracker para se cobrar todos os dias de coisas que você deveria ter feito e não fez. precisa combinar com o que você quer para você e quais as suas necessidades diárias, ok?

ah, uma dica de ouro: na hora de pensar em novos hábitos, lembre-se de escolher um ou dois no máximo para mudar. de preferência, hábitos que não briguem entre si. você precisa conseguir se concentrar nesse novo hábito para torná-lo parte da sua rotina e de nada adianta você querer acordar cedo todos os dias e ir para a academia logo cedo se ainda não tem nenhum dos dois hábitos firmados, entende?

algumas ideias do que você pode colocar no seu habit tracker:

  • hora de acordar;
  • hora de dormir;
  • se você tomou os seus 2 litros de água;
  • se você postou no blog;
  • se leu um capítulo de algum livro;
  • se estudou para uma prova ou curso que você faz;
  • se você fez hidratação no cabelo / máscara no rosto;
  • se você fez a cama;
  • se você comeu fora;
  • se  você usou uber / cabify / táxi;
  • se você tomou café;
  • se foi para a academia / fez uma atividade física que gosta;
  • se você comeu fast food.

e aqui tem um mural incrível com um monte de inspiração para o seu bullet journal que eu criei lá no Pinterest, ó:

você usa o habit tracker no seu bujo? me conta o que você anota nele? 

como eu monto o meu bullet journal

há algumas semanas (meses? anos? nem lembro mais!) eu mostrei um passo a passo para fazer o bullet journal e como eu montava o meu – tinham fotos detalhadas e tudo mais. no último final de semana eu sai enlouquecida por são paulo atrás de um caderno novo (quem viu meu drama no Twitter?) porque percebi que o antigo não teria páginas o suficiente para o mês.

então, decidi registrar em vídeo todo esse processo de ‘montagem’ de um novo bujo. mais ou menos como o plan with me que eu fiz no começo do ano, mas mais longo (deu 7 minutos de vídeo dessa vez!) e com mais coisinhas. algumas considerações importantes:

  1. eu deixei as páginas em branco, só ‘montadas’ mesmo porque tinham informações pessoais que eu não ia registrar em vídeo , né? preenchi tudo depois ♥;
  2. vocês vão perceber que eu vou e volto muito nas páginas, mas eu vou completando as coisas conforme acho ‘mais fácil’: primeiro faço os títulos, depois volto para fazer as legendas e assim vai;
  3. as canetas que eu usei estão na descrição do vídeo, mas você podem saber mais sobre elas clicando nesse link;
  4. prometo que da próxima vez coloco menos baderna na mesa pra ficar mais fácil de ver o que importa!

e, aqui em baixo, a lista de collections que eu montei:

  1. index;
  2. dados;
  3. senhas;
  4. legenda;
  5. leituras;
  6. tv e cinema;
  7. future log;
  8. calendário junho;
  9. metas, tarefas e tracker de junho;
  10. desancorando (ou: coisas do blog);
  11. finanças de junho;
  12. pautas a fazer para o trabalho;
  13. memórias;
  14. daily log de junho.

é isso! se você quiser se inscrever no canal, pode clicar no botãozinho aí em baixo, pra acompanhar mais vídeos que eu postar por lá! ah, e se você tiver alguma dúvida, é só deixar nos comentários, tá bom?

 

me diz o que você acha desse tipo de vídeo?

‘eu não sei fazer igual’ não é desculpa (ou: a saga do bullet journal)

todas as vezes que eu comentei com alguém sobre o bullet journal ou então que fiz posts sobre o assunto, tinha gente que comentava dizendo que não daria uma chance pra esse método de organização porque não tinha o ‘talento’ que a gente via tão bem nas fotos do Pinterest.

o que a gente (eu inclusa) insiste em ignorar – e que eu até comentei no Twitter hoje – é a nossa capacidade de melhorar com o tempo e o treino. parece que a gente tem que nascer fazendo tudo brilhantemente e se tiver uma linha fora do lugar, o trabalho é uma merda e não merece ser reconhecido.

bujo antes e depois

assim como eu escrevi muito nessa vida para escrever bem, as minhas técnicas com o bullet journal foram melhorando com o passar dos meses. em pouco mais de um ano e meio usando esse método, a mudança do meu primeiro bujo para o mais recente (o quarto) é gritante! parece que era uma outra pessoa que fazia aqueles quadradinhos grandes e escrevia de um jeito meio torno com canetas que manchavam a página.

vocês conseguem identificar qual é qual? quem me acompanha no Instagram já deve saber que o caderno que está à direita é o meu bujo atual – logo o que está à esquerda é o primeiro, que eu comecei em novembro de 2015. as fotos foram feitas das primeiras páginas principais, o calendário do mês e o daily log, para vocês terem uma ideia de comparação.

bujo antes e depois

antes eu consigo ver que os traços saiam meio duros e sem fluidez, vindos de uma mão bem insegura. hoje não. eu já consigo fazer letterings (essas brincadeiras com fontes e letras cursivas) com facilidade e sinto que já desenvolvi o meu estilo. hoje em dia é bem gostoso fazer isso, como uma terapia. eu coloco palavras que estão na minha mente no papel e brinco com cores e formatos. é divertido e muito gostoso de fazer.

é mais ou menos a mesma coisa que dizer que você ‘não tem recursos‘ pra fazer alguma coisa. é uma das piores coisas de ser perfeccionista: se você não tem o material perfeito ou o traço mais incrível de todos, não adianta nem tentar. tudo besteira da nossa cabeça, claro.

bujo antes e depois

acho que o meu bullet journal é a melhor prova de que a gente melhora com o tempo – a mão fica mais firme, os traços mais claros, o propósito mais certo na mente, e as coisas perdem essa pressão toda que a gente acha que elas precisam ter. dá pra ser leve, sabe?

se você alguma vez achou que não conseguiria fazer um bujo porque não sabe fazer essas coisas ‘bonitas’, para com isso, menina! é treino e meta: lembra do que você quer fazer com o seu faça! a prática leva à perfeição e tals.

todas as canetas que eu uso no meu bujo

muita gente me pergunta quais são as canetas que eu uso no meu bullet journal. por mais que eu ainda esteja em busca das canetas perfeitas (sonho meu) eu cheguei num consenso sobre algumas que tem sido boas o suficiente para fazer tudo o que eu quero/preciso com o meu bujo.

a questão das canetas parece mesmo um problema: por causa da gramatura (o peso) das folhas, é muito comum a tinta passar para o outro lado e a página ficar manchada. aí você escreve na parte de trás e fica tudo meio estranho, meio borrão, meio arte abstrata. e aí a gente se irrita e tem vontade de fazer um fogo cerimonial com o caderninho (quem nunca).

mas antes que a gente comece um hábito de incendiar os nossos bullet journals, o melhor conselho que eu posso dar é: faça testes. eu testei muitas canetas antes de achar uma que ficasse de acordo com o que eu tinha em mente – e ainda assim não estou 100% satisfeita. o truque é ter paciência e ir buscando a melhor caneta para o seu tipo de caderno e para o que você quer.

eu, por exemplo, já desisti de usar as canetas Stabilo que tenho aqui em casa. por mais que ache as cores lindas, elas sempre vazam na folha e o resultado não fica legal. prefiro usar para um detalhe de vez em quando, mas, no geral, as canetas que tenho usado são essas aqui:

canetas bujo

Uni PN Fine Line 0.05

eu amo escrita fina. minha letra é muito redonda e ‘grande’, então quanto mais fina a caneta, mais legível e bonita ela fica. até agora, a 00.5 é a caneta que ficou melhor para esse propósito, mas por ser uma caneta de desenho, é normal a força de escrever avariar a ponta e ela começar a falhar. foi um trampo medir a força na mão para não estragar a ponta e conseguir escrever direitinho. tem dado certo. me recomendaram usar a 0.1, que não dá esse problema, e acho que esse vai ser o meu próximo teste!

Sakura Pigma Micron 02

originalmente, eu tinha comprado essa caneta para escrever normalmente, mas ela é beeem mais grossa que a Uni 0.05. agora, eu uso mais para fazer quotes nas páginas, títulos e outros detalhes maiores no meu bujo.

lapiseira Pentel 0.3mm

como eu disse ali em cima, eu amo escrita fina e o mesmo vale na hora de escrever à lápis/lapiseira. usava muito a 0.3 na época da escola e segue sendo a minha preferida até hoje. escrita fininha e mais leve, sem marcar a página se precisar apagar.

canetas bujo

Tombow ABT 620, 451 e N65

a Tombow é super famosa: é uma caneta pincel, muito usada para fazer lettering e outros trabalhos artísticos. eu amo porque as cores são mais leves, ela não mancha a folha do outro lado e dá para brincar bastante com as duas pontas diferentes (uma é pincel a outra lembra as canetinhas esferográficas que a gente usava quando era mais nova). tenho três cores e acho o suficiente. consigo brincar bastante e colorir um pouquinho o meu bujo.

canetas bujo

marcadores de texto Pilot Lumi Color e Oval

tenho três marcadores de texto diferentes porque uso cada um com funções diferentes. o amarelo é para datas, o rosa é para coisas importantes que eu preciso lembrar  e o azul eu uso às vezes como um complemento às canetas Tombow. dessas três, a única que eu uso todos os dias é a rosa, porque uso como um alerta de coisas importantes – como sou uma pessoa bem visual, ter uma cor ‘gritando’ comigo ajuda.

 

isso não significa que eu levo essas canetas todas comigo o tempo inteiro. não, não. normalmente eu faço tudo com a Uni e a minha lapiseira e depois complemento com as cores e outros detalhes. na hora de montar o meu dia, por exemplo, eu sou muito básica e preciso de praticidade. se não a coisa perde a mão e, principalmente, o propósito.

que tipo de canetas você usa no seu bujo? me conta?

plan with me: março ° 2017

depois de muito pensar sobre o assunto, de tentar fazer um vídeo desses em fevereiro (e falhar), eu (finalmente) fiz um plan with me fechei os olhos e publiquei. quem acompanha o blog desde o comecinho sabe que eu costumava fazer vídeos, láaaaaa atrás, mas acabei fazendo a louca e deletando tudo o que tinha no canal porque não tava combinando mais comigo. era hora de começar diferente (se é que eu ia começar alguma coisa).

então, com o resumaki de fevereiro eu reinaugurei essa coisa de fazer vídeos (porém sem nenhum tipo de promessa), mais para mostrar algumas coisinhas que podem não ficar assim tão didáticas em texto. se você quer me ver escrevendo a lápis e depois passando caneta por cima por quase cinco minutos, então dá o play aí embaixo:

e se você, por algum acaso, quiser se inscrever no canal, pode clicar aqui:

 algumas coisinhas que eu acho que podem ser ditas sobre o vídeo (e o meu processo de organização):
  1. eu sempre faço tudo a lápis primeiro, porque dá pra corrigir se eu errar (ainda assim eu erro algumas coisas, principalmente na hora de fazer os calendários – sempre faço pelo menos uma das linhas no lugar errado);
  2. eu sou bem básica mesmo. para mim, cada página precisa ser funcional e sem grandes firulas, por isso vou no mais simples: um título uma linha de Tombow e é isso;
  3. por motivos óbvios, as partes de metas, tarefas e finanças eu deixei para completar depois.

tem alguma dúvida sobre o vídeo e esse processo? me conta aí nos comentários! ♥