o que ainda amo em blogs

o que eu mais vejo por aí são discussões sobre o futuro dos blogs. ‘mas será que em tempos de Youtube os blogs ainda tem espaço?‘, ‘vale a pena ter um blog em pleno 2017?‘, ‘quem é que tem paciência pra ler um blog hoje em dia?‘. as perguntas são infinitas.

eu comecei a blogar quando isso aqui tudo ainda era mato e confesso que sou muito suspeita para falar sobre o assunto. mas eu vi recentemente um vídeo da Bruna Vieira (sou fã ♥) que falava sobre o quanto o Depois dos Quinze era importante para ela e que ela não ia desistir de blogar só porque outras mídias pareciam estar crescendo cada vez mais. fiquei levemente emocionada, porque além de achar a Bruna incrível, eu sou muito defensora dos blogs e acho que esse espaço ainda tem muito a oferecer pras pessoas.

não é que eu odeie vídeos no Youtube, stories no Instagram ou qualquer outra coisa dessas – pelo contrário, eu consumo tudo isso também, mesmo que em menor escala. mas eu tenho um carinho muito grande pela palavra escrita e acho que ela pode ter tanto impacto quanto um vídeo ou uma foto – os livros são a maior prova disso, né? mas, pra quem quer mesmo saber porque eu amo tanto os blogs, vou compartilhar um pouco do que ainda me conquista nessas páginas.

1.conhecer pessoas diferentes

não tem nada que eu ache mais legal na internet do que a capacidade de nos apresentar pessoas tão diferentes da gente. foi através dos blogs que eu fiz algumas das minhas amigas mais próximas (tipo a Ká, do Hey Cute, que me aguenta há mais de oito anos). ainda hoje eu conheço muita gente maravilhosa por causa de blogs e adoro o jeito como a gente começa a conversar sobre um assunto pequenininho – um comentário num post ali, numa foto aqui – e de repente a gente tá compartilhando a vida inteira no Messenger e combinando de se encontrar pra tomar um café quando der. o que poderia ser melhor do que isso, né?

2.blogroll

ai, gente. sou tão fã de blogroll. sério, acho que é a coisa mais legal dos blogs da primeira geração, que hoje deu uma desaparecida, mas que eu faço questão de ter ainda. conheci milhares de blogs e de pessoas incríveis por causa dos blogrolls da vida e acho que, além de ser uma forma de você mostrar as páginas que ama acompanhar, é também um jeito de reconhecer o trabalho daquelas pessoas. poxa, imagina que legal você trabalhar duro no seu blog e perceber que pessoas que você admira te colocaram no blogroll dela?

3.descobrir coisas em comum

identificação é uma das palavras mais fortes quando se fala em blogs. pra mim, tudo é sempre a coisa mais incrível, mas acho que a mais incrível de verdade verdadeira é você gerar identificação com quem te lê. você fala de um tema que ama e vem alguém e diz que ama aquilo também. ou você conta como se sente depois de um dia ruim e percebe que não tá sozinha porque muita gente se sente assim também – olha só os comentários! a gente encontra coisas em comum com outras pessoas e isso vira um vínculo. e a gente pode usar esse vínculo pra lembrar que não tá só, que tem gente por aí que gosta das mesmas coisas e que sente tudo o que a gente sente também e que tem alguém, em algum lugar do planeta, que também tá lendo aquele livro russo sobre uma mocinha holandesa que precisa aprender a lidar com as dificuldades de um país tão fechado e tá achando a coisa mais maravilhosa do planeta – e, hey, vamos conversar sobre isso e talvez trocar algumas indicações de livros também.

4.textão (e outros formatos também)

mas não como os do Facebook, tá? hehe. como a auto-intitulada rainha dos textos, eu não consigo não amar um blog que faz um bom textão. que escreve bem, que arrasa nos argumentos e que, principalmente, faz tudo isso com carinho. mas, no geral, acho que os blogs são mais livres pra gente tentar formatos diferentes do que um vídeo, por exemplo. tem coisas que eu acho que só vão sair legais se for em texto. num sei, parece que no Youtube e no próprio Stories a gente fica presa a um formato e tem que se adaptar conforme os algoritmos mudam. um blog não depende tanto disso, né?

5.encontrar carinho

quando eu começo a achar que a maldade do mundo é real, depois de ver tantas críticas no Twitter ou histórias ruins nos portais de notícias, eu lembro que tem um montão de blogs por aí que fazem um trabalho incrível em disseminar o carinho. eles fazem cada foto com muito cuidado, pensam muito bem antes de escrever cada texto, cuidam pra deixar o seu espaço sempre muito bonito e arrumadinho. como não ter fé na humanidade depois disso?

6.dedicação

ter um blog parece fácil, né? você entra na internet, abre um wordpress e começa a escrever. pronto. só que não. tem que fazer a foto (ou escolher uma num banco de imagens) que traduza exatamente o que você quer dizer. ter certeza que não escreveu besteira e que o texto não tem errinhos (de vez em quando, eles ainda escapam). depois de publicar, tem que divulgar – Twitter, Facebook, Instagram… daí tem que alimentar as redes sociais com uma certa frequência também, pra não esquecerem do seu blog. tem que responder todos os comentários e menções. isso tudo fora o trabalho de todos os dias, ou as horas de estudo pra escola ou faculdade. é trabalho duro e demanda dedicação, e isso é o tipo de coisa que eu admiro MUITO nos blogs.

no fim das contas, tanto faz a plataforma que você usa pra se comunicar com as pessoas, a verdade é que dá pra usar qualquer vídeo no Youtube ou Stories do Insta pra indicar pessoas, fazer um ‘textão‘ ou encontrar carinho. é só tentar achar aquele formato que deixa o seu coração quentinho e que te anima, sabe? no meu caso, segue sendo os blogs. ♥

me conta o que você ainda ama em blogs?

banner beda desancorando

 

5 blogs que me inspiram a escrever (e um bônus)

quando eu fiz o post com dicas para escrever melhor, uma leitora (beijo, Carolina!) perguntou se eu não poderia compartilhar os blogs ou livros que me inspiram na escrita. enquanto os livros eu ainda vou ficar devendo (tô voltando com o hábito da leitura agora), os blogs eu posso falar com um pé nas costas, de olhos fechados.

essas fontes de inspiração mudam com o tempo – é por isso que eu gosto tanto da internet, você sempre acha um lugar novo para buscar aquela faísca de criatividade, a até os meus blogs favoritos variam de tempos em tempos. e, por mais que eu sinta que essa fagulha para escrever venha de mim mesma, existem alguns blogs que me inspiram a ter novas ideias e escrever melhor.

1.from roses

o from roses é o meu blog preferido DA VIDA. eu amo os posts da Rebecca, as ideias que ela têm e a forma como ela escreve. são textos leves e bem pessoais, sempre com uma proximidade grande com quem lê. é isso que eu sempre busco aqui no desancorando, sabe? essa conexão com você que está aí do outro lado da tela. as fotos que ela faz para o blog e o próprio Instagram também são maravilhosas e me inspiram a tentar fazer fotos diferentes também. mas, principalmente, eu amo as temáticas que ela aborda e como são desenvolvidas. essa é a minha maior fonte de inspiração, com certeza.

leitura recomendada: why i’m not a girlboss and that’s ok

2.hey cute

a Ká é minha amiga há tanto tempo que eu já nem lembro mais. nos últimos meses, ela voltou a postar no blog e eu fiquei super feliz, porque amo o jeito como ela escreve e as ideias que ela têm para posts. eu gosto do texto dela porque sempre tem opiniões muito fortes – não é que ela escreve textos polêmicos, mas, sim, que ela banca o que pensa e coloca toda essa vibe escorpiana dela (miga, um dia você tem que me ensinar sobre signos) nas palavras. é um texto que não passa despercebido.

leitura recomendada: estamos desconstruindo certas regrinhas de moda – finalmente

blogs que me inspiram

3.modices

o Modices já é quase um patrimônio da internet. eu conheço há tanto tempo que nem lembro mais quando ele entrou no meu feed a primeira vez (com certeza, na época a palavra ‘feed’ não existia ainda). o blog da Carla tem toda uma equipe que escreve junta, e apesar de cada texto ter uma autora, todos mantém um padrão de escrita que eu acho incrível. isso não é algo fácil de conseguir. é um texto leve, altamente opinativo e posicionado e que sempre busca essa ligação com a leitora.

leitura recomendada: aceitar elogios é normal ou falta de humanidade?

4.coffee & flowers

eu gosto taaaaanto do blog da Karine! quando você lê os posts dela, parece que ela tá sentadinha do seu lado explicando tudinho que o texto propõe. é muito próximo, sabe? é uma linguagem de amiga conversando com você na mesa de um café na Paulista num domingo à tarde. e gosto que ela coloca uns detalhes mais casuais (tipo um ‘muuuuuuuuuuito‘ e hashtags) de uma forma muito natural no texto. e as fotos são maravilhosas, né? nem comento.

leitura recomendada: mulheres na fotografia

5.leuxclair

amo a clarinha de paixão ♥ ela é mais uma das coisas deliciosas que a internet me trouxe. o que eu mais gosto na escrita dela é como ela evolui com o tempo – dá para perceber que ela se dedica, que ela lê com carinho o que escreve e tenta sempre melhorar para e pelos seus leitores. todo esse esforço compensa!

leitura recomendada: a boyish look

6.bônus: newsletters

sim, eu sei que uma newsletter não é um blog, mas eu tenho lido e assinado muitas! as principais, que eu abro sempre que aparecem na caixa de entrada, são as da Gabi Barboza (#voltaTeoriaCriativa!), da Stephanie Noelle, e da Duds. são textos bem pessoais, nem sempre sobre a mesma temática, mas que são gostosinhos de ler, sabe?

 

basicamente, é isso que eu tenho consumido de inspiração de texto ultimamente. eu tenho uma listinha de blogs favoritos que eu leio sempre, todos os dias, mas tem aqueles que eu volto vez ou outra quando preciso de uma inspiração extra para escrever. eu acho legal dizer, porém, que a minha maior inspiração é sempre lembrar do meu propósito, que a linguagem vem do jeitinho que ela tem que sair. mas quando até essa lembrança parece meio difícil, eu recorro à esses cantinhos cheios de amor na internet para me inspirar.

me conta quais blogs te inspiram ultimamente?

descobri porque aimee song é a minha blogueira favorita

apesar de ter um amor profundo pelos blogs, eu não tenho muito tempo para lê-los (shame on me – isso vai mudar). mas, por outro lado, eu sempre encontro tempo de sobra pra olhar o Instagram e uma das pessoas que eu mais gosto por lá é a Aimee Song.

se você não conhece a Aimee, precisa saber que ela é uma pessoa fofíssima, que ama moda e decoração e tem um blog incrível de looks do dia (entre outras coisas). ela também tem um dos feeds mais bonitos que eu já vi no Insta, o que justifica os 4,6 milhões de seguidores que ela tem por lá (até agora). então, quando ela lançou o seu livro, o Capture Your Style, que fala justamente sobre essa rede social, eu fui correndo comprar.

o livro é lindo por si só: ele tem uma capa e uma diagramação maravilhosa, além de várias das fotos que a própria Aimee já postou no Instagram. o que mais me chamou a atenção, porém, não foi isso, mas o tanto de carinho que tinha em cada página. fica na cara que a blogueira colocou muito de si em cada parágrafo.

ela faz praticamente um tratado sobre como montar um Instagram legal e que vai crescer o suficiente para transformar isso na sua profissão, e eu acho que já tem conteúdos demais na internet sobre esse assunto (a própria Aimee tem um vídeo muito mara sobre isso – clica aqui pra ver!). ao contrário, eu vou falar sobre como e porque descobri que a Aimee Song é a minha blogueira preferida com esse livro: ela gosta de contar histórias.

sabe quando você quer criar uma conexão com outra pessoa, mas não sabe muito bem como? daí você começa a puxar papo, você cria um diálogo e logo vocês estão falando sobre coisas que nunca imaginaram. isso é contar histórias: cada conversa que você tem com alguém é uma história que está se desenrolando naquele momento. eu amo fazer isso com a escrita, a Aimee faz o mesmo com as fotos que posta no Instagram.

capture your style aimee song

cada imagem que ela publica conta uma história e tem vezes que a gente esquece o quanto isso é bonito e como esse é um canal incrível de conexão. um exemplo disso também é que toda vez que eu penso no meu perfil do Instagram, me vem uma palavra na cabeça: aconchego.

eu quero que as pessoas sintam um carinho quando olham pras minhas fotos e a Aimee se sente da mesma maneira: para ela, não tem sentido postar uma foto se ela não conta uma história, ela não faz parte de um contexto e se ela não passa uma mensagem de cuidado(com ela mesma e com os outros). isso fica muito claro no livro.

a gente fica sempre tão preocupada em conseguir mais números, mais engajamento, mais seguidores, mais likes, que muitas vezes esquece o quanto é importante a mensagem que estamos passando com aquilo.

eu já falei muitas vezes sobre como tudo o que a gente faz tem uma mensagem (mesmo que ela seja inconsciente e a gente não entenda exatamente de onde ela vem) e escolher por uma mensagem de amor é sempre mais poderoso do que uma mensagem de ‘fiz isso aqui só pra conseguir likes‘. mesmo que o número de seguidores no primeiro caso não seja assim tão alto.

contar uma história com um blog, um canal no Youtube ou um feed do Instagram é a melhor forma que nós temos de criar uma conexão com quem acompanha a gente. gera uma identificação, um link, e a gente se encontra num lugar de um cuidar do outro.

quem ama a Aimee precisa ler esse livro (mesmo que não tenha interesse em crescer com o Instagram) só por causa do carinho que existe em casa página. dá pra sentir ela falando do seu lado, contando cada caso e dando cada aconselho ali, no seu quarto. vale a pena também para aprender um pouco mais sobre contar histórias e como é legal quando a gente tem uma mensagem verdadeira e querida para passar. você pode clicar aqui para comprar (e me ajudar a ganhar uns trocadinhos ♥)

aproveitando a deixa, se você não me segue no Instagram ainda dá tempo, é só clicar aqui. prometo que lá só tem carinho e amor!

você já leu o livro da aimee song? me conta o que achou?

‘não leia os comentários’: a vez que eu viralizei

viralizei. acho que esse é o sonho de todo jornalista da nova geração. escrever um texto que viraliza, que aparece em todas as redes sociais, recebe milhares de comentários e um alcance de mais de 100 mil pessoas no Facebook. eu consegui esse feito. escalei essa montanha, conquistei essa medalha de ouro.

viralizei. assisti uma série e escrevi um texto. pesquisei. li e reli sobre, conversei com pessoas, revi cenas, passei muito mal, pedi ajuda, chorei. terminei com a sensação de  nunca-jamais-em-hipótese-alguma quero que alguém no planeta Terra se sinta como eu me senti vendo aquela série. chorei de novo, li mais sobre, fiz pesquisas sobre a OMS e sobre o efeito Werther. passei 3 dias só com esse assunto na cabeça.

sentei no computador na segunda-feira. entendi que precisa ir por uma direção diferente, falar daquilo que não tinham falado ainda. escrevi. pesquisei mais, apaguei e escrevi de novo. o que eu senti escrevendo essa frase? raiva. não, apaga. não posso escrever esse texto sentindo raiva, preciso mudar de ideia. sentir raiva só vai alimentar a sensação que a série me vendeu (e eu comprei). pensei na morte, pensei nas vezes que eu tentei acabar com a minha própria vida e pensei que talvez essa não é uma ideia tão ruim, levando em conta a situação do mundo. parei, respirei fundo, lembrei de Deus. lembrei da minha missão no mundo, voltei a escrever com o coração tranquilo.

passei mais de cinco horas assim. escreve, apaga. muda essa frase, troca essa palavra. lê o texto anterior e vê se faz sentido. tá coerente? tá coerente, sim. manda pra equipe toda: ‘gente, lê isso aqui pra mim? me diz se faz sentido‘. ‘tá ótimo, Maki, pode publicar‘, ‘não esquece de linkar aquele texto sobre como identificar comportamentos suicidas‘, ‘escolhe uma foto que não seja da Hannah, já tem muito texto com imagem dela no site‘. tá bom, gente, brigada.

manda pra chefe: ‘chefe, tá aqui o texto, me diz se tá ok?‘. escolhe a foto, corta, coloca links, lê mais uma vez. acho que vou mudar. não, tá bom assim, não vou mexer mais. confia que tá bom. seu coração tá em paz? tá em paz. então publica. publiquei.

joga o texto no Facebook. em 10 minutos, mais de 100 reações e 50 comentários. os números de visualizações vão subindo… 100, 200, 300, 1000. meu Deus, o que que tá acontecendo? 100, 200, 300 comentários. mais de 4 mil visualizações em menos de uma hora e meia de publicação. o site sai do ar porque não aguenta esse tanto de gente junto no mesmo link ao mesmo tempo.

as mãos começam a tremer e o coração a pulsar forte. é inevitável querer ler os comentários. só críticas. ‘caça cliques!‘, ‘oportunista‘, ‘falou muita merda‘. ‘colunista bosta‘. tão fazendo comigo a mesma coisa que fizeram com a Hannah e ainda querem me dar lição de moral, falando que eu não entendi a série. hipócritas. será que eu não entendi mesmo ou será que as outras pessoas que não levaram a sério?

*não leia os comentários*não leia os comentários*não leia os comentários*. você é horrível mesmo, uma jornalista péssima. devia ter escrito o texto de outra maneira, talvez eu devesse ter usado outra palavra aqui, será que é melhor eu mudar esse parágrafo todo? não, para com isso, o texto tá bom, não adianta mexer agora. a equipe comemora, mais de 100 mil visualizações no fim do primeiro dia de publicação.

na minha cabeça, a dúvida continua: será que eu sou boa o suficiente? as pessoas não tão gostando, mas tem muita gente concordando em outros lugares. todo mundo me odeia, acho que fiz merda. para com isso, tá tudo certo. não, não, eles tão certos e eu tô errada. penso na morte e como talvez ela seja a única saída para o que eu tô sentindo. paro, respiro fundo, lembro de Deus.

agora é hora de fazer uma escolha: ou eu sigo alimentando a raiva que move o mundo ou desisto dela e pratico o perdão: nada disso importa de verdade, nada disso muda quem eu sou, as pessoas são amáveis e a minha função no mundo é cuidar de quem precisa de cuidado. só existem dois tipos de pessoas: as que entregam amor e as que estão pedindo amor. é hora de eu entregar e parar de pedir.

leio um comentário: ‘eu me amo, eu me perdoo‘. leio outro comentário: ‘eu desisto de sentir raiva para que todos sejamos salvos‘. leio mais um: ‘eu escolho sentir amor‘. eu escolho de novo e de novo e de novo. olho pra cena mais uma vez: meu Deus, obrigada por essa oportunidade incrível de escolher novamente e de desistir daquilo que não é a verdade sobre mim. leio o meu texto de novo: é isso mesmo, meu coração tá em paz. eu sei o trampo que fiz pra chegar até aqui. tá tudo bem comigo.

recebo mais comentários. alguns incríveis, outros também. mesmo aquilo que seria negativo agora eu vejo como uma chance de praticar o que eu vim ao mundo praticar: o perdão. comigo mesma, com o outro e, principalmente, com Deus. Deus, eu te perdoo pelas minhas ilusões, eu aceito o amor verdadeiro.

peço ajuda quando fica demais: ‘obrigada por me lembrar de quem eu sou‘. converso mais com as pessoas sobre isso. nossa, tô monotemática essa semana. ‘obrigada por lerem as minhas palavras‘. sempre, onde quer seja. obrigada.

só o relacionamento cura. e cura mesmo, fui atrás dele para curar a mente inquieta e insegura. é claro que tá insegura, você tá esquecida de novo! olha aqui, quem é você de verdade. você é amor, as pessoas são amor e elas precisam saber que essa lembrança é a saída que elas tanto buscam.

então, eu treino. treino mais e me lembro de novo. e toda vez que eu me lembro fica mais fácil pros outros lembrarem também. ei, você quer ajuda? pega aqui na minha mão. ué, não gostou do texto? tá tudo bem, opiniões são só isso, opiniões. no fundo, no fundo, não servem de nada. mas se você precisa delas, me permita usá-las para lembrar você de que tá tudo bem, que quem você é não muda e que nós vamos juntos até o último dia. até o sonho feliz, até a gente voltar pra casa. a gente tá com saudade mesmo.

ah, tanto faz o que você acha da série. ela é importante? puxa, é, pode-se dizer isso, sim. se eu gostei? puxa, sei lá. isso importa? ela me fez sentir coisas que desencadeou tantas outras que me trouxeram até aqui. então, sou grata. eu agradeço. e perdoo. ih, acho que não perdoei tanto assim, ainda tô sentindo uma coisinha chata no peito. para. respira fundo. ‘eu sou o amor perfeito de Deus‘. ‘nada disso muda quem eu sou‘. ‘eu sou importante‘. ‘eu tenho uma função no mundo‘. ‘eu quero entregar todo o amor que eu sou para lembrar os outros de quem eles são‘.

seguimos. eu topando aprender a cuidar. os outros topando serem cuidados.

quem lê blogs hoje em dia?

eu não lembro exatamente onde vi um comentário desses, mas outro dia apareceu na timeline do Facebook que os blogs estão morrendo e ninguém mais lê o que a gente escreve. que é tudo Youtube, que o que importa são os vídeos e como eles são feitos. que a escrita tá perdendo espaço pro visual e que é isso, é o fim.

de fato, escrever um blog em pleno 2017 parece um desafio e um pouco sem sentido – quem quer ler um textão quando tem tanto vídeo por aí? bem mais fácil apertar o play do que ler 1000 palavras sobre um assunto na internet. tem gente que nem passa do título, num é assim que funciona hoje em dia?

eu sempre fui muito apaixonada pela escrita, e ela já foi a minha maior alegria e maior tristeza ao mesmo tempo, você já sabe disso (se não, pode clicar aqui para saber do que eu tô falando). e, confesso, não tenho muita paciência para vídeos. esse é um dos motivos pra eu ter parado de gravar, há mais ou menos um ano e meio. eu até fazia vídeos pro blog, mas foi uma junção de zero paciência + não tô achando um formato legal que me fez desistir dessa ideia (por enquanto).

é muita ingenuidade nossa achar que só um formato é o ‘certo‘ e que só ele funciona. o Medium tá aí pra não me deixar mentir. mas assim como tem muitos blogs legais e blogs ruins, tem vídeos legais e vídeos ruins. e é bizarro a gente acreditar que todas as pessoas vão receber a nossa mensagem da mesma maneira e pelo menos formato (spoiler: não vão).

o que eu quero dizer com isso é: por que fazer qualquer coisa, se não por um motivo verdadeiro? hoje me caiu a ficha de que ainda existia um lugar de mim que escreve no blog por um benefício próprio, atrás de alguma coisa que eu acho que vai me fazer feliz. eu sei bem o que é isso: reconhecimento. receber o reconhecimento alheio ainda me parecia tentador.

ao mesmo tempo, eu tô vendo que isso não vai dar certo. não vai dar certo porque o que eu tô buscando não tem nada a ver com o blog, e sim com uma sensação. e esse é só um lugarzinho onde eu vou atrás disso.

acontece que eu já sei que eu tenho muita coisa pra entregar pra vocês. eu sei o quanto as pessoas vem aqui atrás de um bálsamo, de uma sensação gostosinha, de um abraço e uma xícara de chá. mas eu tava regulando a água e me limitando batidinhas nas costas à la Sheldon. mas não mais.

não mais porque as pessoas ainda leem blogs, sim. ainda existe um carinho por essas páginas criadas com tanto amor e tantas palavras pessoais. e também tem lugares pra vídeos. tem lugar pra todo mundo, gente. o que importa não é o que você faz, é como faz. com que sensação? o que você tá ensinando pro mundo toda vez que liga uma câmera ou escreve um textão?

pode ser raiva. pode ser rejeição. pode ser um pedido por reconhecimento. pode ser uma vontade de ser aceita. ou pode ser amor. você pode ensinar o amor e ser um ponto de luz num mundo tão, tão, escuro. eu tinha escolhido ficar em cima do muro. até descobrir que o ‘em cima do muronão existe: ou você escolhe por uma coisa ou por outra. eu tava escolhendo continuar pedindo ao invés de entregar.

mas eu quero ensinar amor. eu quero colocar pra rodar uma coisa que existe em mim e que pede todos os dias pra ser ouvida. é um alarme que toca incessantemente pedindo atenção, mas eu viro a cara e coloco uma música alta pra fingir que não tô ouvindo.

como é que você faz pra se distrair do seu alarme? tanto faz se você escreve, se grava, se desenha ou se canta. o que é que você tá ensinando quando faz o que faz? a boa notícia é que se você tava passando uma coisa que não acha que é legal, tá em tempo de mudar de ideia.

então, quem lê blogs hoje em dia? as justificativas podem ser muitas: quem não gosta de vídeo, quem é old school, quem é mais velho e não se dá bem com Youtube, quem também escreve blogs, quem ama ler. ou pode ser mais simples: quem tá atrás do que eu tenho pra entregar. e ponto final.

não é mais uma questão de ‘o que eu quero‘. tem gente precisando de mim. será que eu vou mesmo continuar regulando a água do chá quando tem alguém morrendo de frio na minha frente?

dá um arrepio só de pensar. diante disso, então, eu decido entregar tudo o que eu tenho pra salvar você que tá do outro lado da tela dessa sensação horrível que a gente tanto conhece. e mostrar que existe SIM um outro jeito de viver. e nessa a gente se ajuda e caminha junta pra esse lugar feliz.

o blog deixou de ser um projeto meu pra ser uma ferramenta pra vocês, pra quem precisa, pra quem quer mudar o que sente todo dia, quando acorda atrás do amor que tanto busca. eu decido aceitar a minha missão e ser uma referência.

eu me comprometo a aceitar o amor. e agora me comprometo a compartilhá-lo também.

tomar chá na xícara de café não tem graça, no fim das contas.