como não enlouquecer trabalhando sozinha

se você acompanha o desancorando há um tempo, sabe que eu trabalho de casa porque sou freela. eu sou bem apaixonada por essa vida e todas as suas emoções (alô, expediente de 12 horas), mas confesso que foi todo um processo pra me adaptar a trabalhar “sozinha

coloquei o “sozinha” assim, entre aspas, porque dificilmente eu estou sozinha. eu tenho chefes e colegas de trabalho com quem converso diariamente, mas fica tudo no âmbito do virtual. a gente faz reunião por videoconferência (muito moderno, se você quiser saber a minha opinião), conversa pelo Slack o dia inteiro, às vezes eu tenho umas reuniões presenciais… mas, sim, a maior parte do tempo sou euzinha dependendo de mim mesma pra me motivar a trabalhar.

eu fui demitida do meu trabalho ~tradicional~ em junho (ou julho?) de 2015 – e foi a melhor coisa que me aconteceu, porque já não estava dando certo. eu já tinha alguns freelas naquela época e percebi que queria mesmo seguir com essa vida, ter essa flexibilidade de horários e tentar o máximo de experiência que eu poderia conseguir, escrevendo pra vários lugares diferentes (outra coisa que eu consegui!).

mas o mais difícil foi estabelecer o ritmo e não ficar completamente maluca, conversando com as paredes ou estabelecendo longos diálogos com a cachorrinha da casa da minha mãe, a Olivia. (nessa parte, eu fui totalmente má-sucedida porque conversava com ela diariamente sobre tudo o que vinha na minha cabeça).

foi um treino e eu custei um pouco a pegar o ritmo. hoje já estou totalmente acostumada e já sei quando preciso mudar de ambiente e o que fazer pra não me sentir tão só (eu ainda não citei propósito nesse post, né? então: propósito!). pensei em dividir algumas coisas com você:

1.mudar de ambiente de vez em quando

quando eu morava na casa da minha mãe, eu peguei o costume de ir trabalhar no Starbucks que ficava a algumas quadras dali uma ou duas vezes na semana. era bom mudar de ambiente, ver gente e comer uma coisinha gostosa. fora que, quando eu tava bem predisposta a procrastinar horrores, ir para outro lugar me coloca no modo foco total. afinal, eu saí de casa só pra fazer isso, né? agora que moro com outras pessoas e em outro bairro, eu mantenho a tradição. duas vezes na semana vou trabalhar lá no prédio da Coexiste, em algum cafézinho de bairro que tem por aqui (minha nova paixão – encontrar lugares diferentes pra passar a tarde escrevendo). quando preciso trabalhar de final de semana, costumo ir pra Paulista e sentar num Starbucks por lá mesmo – faço tipo o que as pessoas fazem num dia normal: pego ônibus, levo mala e cuia e remonto meu escritório. é sempre bom sair das quatro paredes de sempre.

2.nunca, jamais, em hipótese alguma trabalhar da cama

essa regra eu estabeleci logo nos primeiros dias que comecei o homeoffice. percebi logo de cara a tentação de trabalhar deitada na cama, jogada entre as cobertas. mas isso é horrível por dois motivos: 1) você fica muito preguiçosa e com vontade de passar o dia todo dormindo; e 2) faz miséria com a sua coluna. coisa de vó, eu sei, mas é verdade. então, a cama está totalmente fora de cogitação. a única exceção é quando eu coloco o laptop na cama pra ver um filme ou alguma coisa assim antes de dormir. fora isso, eu preciso sentar na escrivaninha, na cadeira de trabalho, pra fazer as minhas tarefas.

3. ter uma rotina tipo a das pessoas que trabalham fora

eu acordo às 07h todos os dias. tomo banho, me arrumo (coloco roupa de verdade e não um pijama ou roupa de ficar em casa), tomo café da manhã e aí sento na mesa pra começar a trabalhar por volta de 08h30 ou 09h, depende do dia. esse ‘trabalho‘ inclui fazer coisas do blog ou algum freela que eu preciso resolver antes do meu trabalho fixo, que começa às 10h. tem dias que eu aproveito esse tempo extra pra ler ou pra me atualizar no mundo, ver meus MVs de kpop (amo) ou fazer fotos pros posts. varia bastante. mas a norma é sempre começar mais ou menos no mesmo horário e fazer todo esse processinho. eu fecho a lojinha às 19h, saio do computador e me arrumo pro treino ou pras aulas que faço à noite.

4.conversar com alguém

é normal eu ficar tão envolvida no trabalho que passo horas e horas sem falar com ninguém. daí vem aquela dorzinha no coração e aquela vozinha na cabeça me falando ‘meu Deus, eu tô muito abandonada aqui em casa‘. nessas horas eu paro, faço uma pausa, chamo uma amiga pra conversar na internet mesmo, desço pra conversar com o porteiro aqui do prédio (faço muito isso), dou uma volta no quarteirão… eu saio da minha cabeça pra olhar pra fora e lembrar que essa história de que eu tô sozinha é mentira.

5.aliás, fazer intervalinhos

trabalhar de casa tem dessas: o ~cliente~ acha que você não tem hora pra terminar de trabalhar e você sai emendando um trampo no outro até que são 23h e você não levantou da cadeira nem uma vez. eu ando pecando um pouquinho na parte dos intervalos, ultimamente (mas pretendo corrigir isso esse mês!), mas eles são a coisa mais importante, principalmente pra você sair dessa visão tão fechada de que não tem ninguém por perto. fisicamente, pode até ser isso mesmo, mas a solidão só existe na mente. quando a gente tá muito apegada aos próprios pensamentos, é fácil mesmo achar que tá completamente sozinha no mundo, quer você seja freela ou não.

6.música!

preciso mesmo falar o quanto a música é importante nesse processo todo? não, né? acho que já falei muito disso por aqui. mas música é o que me move, é o que me deixa focada e o que me ajuda a não enlouquecer 90% do tempo.

pra mim, a parte mais difícil foi ficar tanto tempo dentro do meu quarto. por isso eu uso qualquer oportunidade que posso pra sair dele, dar uma volta, ver outras pessoas e mudar um pouco de ambiente. hoje em dia, tudo isso é mais tranquilo, e apesar de ter os meus momentos de ‘meu Deus, quero quebrar as paredes desse quarto com uma marreta‘, eu já sei como sair rapidinho dessa sensação.

você trabalha sozinha? o que te ajuda a não ficar maluca?

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o que ainda amo em blogs

o que eu mais vejo por aí são discussões sobre o futuro dos blogs. ‘mas será que em tempos de Youtube os blogs ainda tem espaço?‘, ‘vale a pena ter um blog em pleno 2017?‘, ‘quem é que tem paciência pra ler um blog hoje em dia?‘. as perguntas são infinitas.

eu comecei a blogar quando isso aqui tudo ainda era mato e confesso que sou muito suspeita para falar sobre o assunto. mas eu vi recentemente um vídeo da Bruna Vieira (sou fã ♥) que falava sobre o quanto o Depois dos Quinze era importante para ela e que ela não ia desistir de blogar só porque outras mídias pareciam estar crescendo cada vez mais. fiquei levemente emocionada, porque além de achar a Bruna incrível, eu sou muito defensora dos blogs e acho que esse espaço ainda tem muito a oferecer pras pessoas.

não é que eu odeie vídeos no Youtube, stories no Instagram ou qualquer outra coisa dessas – pelo contrário, eu consumo tudo isso também, mesmo que em menor escala. mas eu tenho um carinho muito grande pela palavra escrita e acho que ela pode ter tanto impacto quanto um vídeo ou uma foto – os livros são a maior prova disso, né? mas, pra quem quer mesmo saber porque eu amo tanto os blogs, vou compartilhar um pouco do que ainda me conquista nessas páginas.

1.conhecer pessoas diferentes

não tem nada que eu ache mais legal na internet do que a capacidade de nos apresentar pessoas tão diferentes da gente. foi através dos blogs que eu fiz algumas das minhas amigas mais próximas (tipo a Ká, do Hey Cute, que me aguenta há mais de oito anos). ainda hoje eu conheço muita gente maravilhosa por causa de blogs e adoro o jeito como a gente começa a conversar sobre um assunto pequenininho – um comentário num post ali, numa foto aqui – e de repente a gente tá compartilhando a vida inteira no Messenger e combinando de se encontrar pra tomar um café quando der. o que poderia ser melhor do que isso, né?

2.blogroll

ai, gente. sou tão fã de blogroll. sério, acho que é a coisa mais legal dos blogs da primeira geração, que hoje deu uma desaparecida, mas que eu faço questão de ter ainda. conheci milhares de blogs e de pessoas incríveis por causa dos blogrolls da vida e acho que, além de ser uma forma de você mostrar as páginas que ama acompanhar, é também um jeito de reconhecer o trabalho daquelas pessoas. poxa, imagina que legal você trabalhar duro no seu blog e perceber que pessoas que você admira te colocaram no blogroll dela?

3.descobrir coisas em comum

identificação é uma das palavras mais fortes quando se fala em blogs. pra mim, tudo é sempre a coisa mais incrível, mas acho que a mais incrível de verdade verdadeira é você gerar identificação com quem te lê. você fala de um tema que ama e vem alguém e diz que ama aquilo também. ou você conta como se sente depois de um dia ruim e percebe que não tá sozinha porque muita gente se sente assim também – olha só os comentários! a gente encontra coisas em comum com outras pessoas e isso vira um vínculo. e a gente pode usar esse vínculo pra lembrar que não tá só, que tem gente por aí que gosta das mesmas coisas e que sente tudo o que a gente sente também e que tem alguém, em algum lugar do planeta, que também tá lendo aquele livro russo sobre uma mocinha holandesa que precisa aprender a lidar com as dificuldades de um país tão fechado e tá achando a coisa mais maravilhosa do planeta – e, hey, vamos conversar sobre isso e talvez trocar algumas indicações de livros também.

4.textão (e outros formatos também)

mas não como os do Facebook, tá? hehe. como a auto-intitulada rainha dos textos, eu não consigo não amar um blog que faz um bom textão. que escreve bem, que arrasa nos argumentos e que, principalmente, faz tudo isso com carinho. mas, no geral, acho que os blogs são mais livres pra gente tentar formatos diferentes do que um vídeo, por exemplo. tem coisas que eu acho que só vão sair legais se for em texto. num sei, parece que no Youtube e no próprio Stories a gente fica presa a um formato e tem que se adaptar conforme os algoritmos mudam. um blog não depende tanto disso, né?

5.encontrar carinho

quando eu começo a achar que a maldade do mundo é real, depois de ver tantas críticas no Twitter ou histórias ruins nos portais de notícias, eu lembro que tem um montão de blogs por aí que fazem um trabalho incrível em disseminar o carinho. eles fazem cada foto com muito cuidado, pensam muito bem antes de escrever cada texto, cuidam pra deixar o seu espaço sempre muito bonito e arrumadinho. como não ter fé na humanidade depois disso?

6.dedicação

ter um blog parece fácil, né? você entra na internet, abre um wordpress e começa a escrever. pronto. só que não. tem que fazer a foto (ou escolher uma num banco de imagens) que traduza exatamente o que você quer dizer. ter certeza que não escreveu besteira e que o texto não tem errinhos (de vez em quando, eles ainda escapam). depois de publicar, tem que divulgar – Twitter, Facebook, Instagram… daí tem que alimentar as redes sociais com uma certa frequência também, pra não esquecerem do seu blog. tem que responder todos os comentários e menções. isso tudo fora o trabalho de todos os dias, ou as horas de estudo pra escola ou faculdade. é trabalho duro e demanda dedicação, e isso é o tipo de coisa que eu admiro MUITO nos blogs.

no fim das contas, tanto faz a plataforma que você usa pra se comunicar com as pessoas, a verdade é que dá pra usar qualquer vídeo no Youtube ou Stories do Insta pra indicar pessoas, fazer um ‘textão‘ ou encontrar carinho. é só tentar achar aquele formato que deixa o seu coração quentinho e que te anima, sabe? no meu caso, segue sendo os blogs. ♥

me conta o que você ainda ama em blogs?

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por que o kpop me deixa tão feliz?

eu não consigo pensar num dia sequer em que não ouvi música. acho que foram poucas as ocasiões em que eu topava ficar longe dos fones de ouvido e das minhas playlists intermináveis. tem mais ou menos um ano que o kpop começou a entrar na minha rotina também, e não tenho dúvidas de que essas músicas são as que eu mais escuto atualmente.

eu não dava nada para kpop e confesso que achava até meio brega (quer dizer, pra que esse tanto de menino dançando junto, gente?), mas já que eu decidi me afundar de vez no mundo dos dramas, ficou difícil ignorar as trilhas sonoras incríveis e não pesquisar mais sobre os grupos. eu comecei com os mais clássicos, tipo BIGBANG, e fui conhecendo alguns outros aos pouquinhos. preciso deixar registrado aqui que a Gabbs é a grande ”’culpada”‘ por me ~influenciar digitalmente~ a acompanhar uns 10 grupos diferentes, descobrir os meus preferidos e ter umas cinco playlists no Spotify que eu escuto diariamente.

eu tinha muito essa mania de ouvir músicas tristes (beijo, Adele!) o dia inteiro e é óbvio que isso era só um reflexo do que eu sentia. hoje, muita coisa mudou e o que eu mais quero é mostrar o tempo inteiro como tô feliz e como os outros podem se sentir assim também. a música é só mais uma forma de expressar isso, e o kpop me deixa muito feliz. vou explicar porquê:

1.as músicas são muito animadas

é claro que também tem as baladas, as músicas românticas e os cantores mais low key (como em qualquer lugar do mundo), que fazem músicas profundas e emocionantes. mas o que eu mais curto no kpop são as canções super animadas e que me dão vontade de dançar na cadeira (normalmente é o que eu faço). te desafio a ouvir Hola Hola, do KARD, e não sentir vontade de fazer uma mistura de dança latina com street.

2.os grupos são incríveis

eu sei que tem muita sujeira no mundo da música coreana, tanto quanto na música ocidental. é difícil saber tudo o que acontece com essas pessoas e o quanto que elas são exploradas sem acompanhar de perto cada uma delas, mas eu sei que isso existe. ainda assim, eu fico com o coração muito quentinho quando percebo o quanto alguns grupos são unidos e o quanto eles se divertem com o que fazem. acho que Winner é a maior prova disso (e um dos meus grupos preferidos). se você assistir às últimas apresentações deles, dá para ver o quanto eles gostam do que fazem, como se divertem no palco e fazem uma música que eles amam. isso me deixa muito feliz também.

3.a língua muda, mas o amor é o mesmo

a gente sempre acha estranho quando vê alguma coisa de uma cultura diferente da nossa, até perceber que, seja em português ou coreano, as pessoas estão sempre atrás da mesma coisa: amor. as músicas falam disso, os grupos sempre expressam o tanto que amam os fãs, e é muito fácil distinguir aqueles que entram nesse ramo porque amam mesmo e sabem que tem alguma coisa para entregar para as pessoas – isso fica óbvio nas interações e apresentações dos grupos. Monsta X é o meu ultimate por causa disso. sou viciada nos vídeos deles, porque, além de muito talentosos, dá pra ver o quanto eles se curtem e curtem os fãs sempre que lançam uma música ou fazem uma live.

apaixonada por esse clipe mistura de verão-com-os-migos e publi hehe

4.dá pra conhecer muita gente legal

e não é só grupo de música não, viu? eu comecei a fazer muitas amizades por causa do kpop (e dos dramas também!), e acho que isso é o mais legal de tudo. compartilhar esse carinho e os surtos pelo comeback dos grupos com as pessoas vira uma forma da gente criar vínculos e fazer parte um das vidas dos outros. o kpop acaba virando uma ferramenta (cêis sabem que eu amo essa palavra, né?) pra gente se relacionar, sabe?

agora, como eu sei que você vai me perguntar, os grupos que eu acompanho de pertinho e que amo demais são (sem ordem de preferência):

  1. MonstaX
  2. Winner
  3. Seventeen
  4. KARD
  5. Blackpink
  6. GOT7
  7. BIGBANG
  8. BTS

e tem também o Jay Park que não é de grupo nenhum (mas era do 2PM) e tem uma fatia do meu coração só pra ele.

você gosta de kpop? quais grupos você acompanha?

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diário #91 – sobre ser forte e ter força

eu sempre tive uma certeza maluca de que era uma pessoa fraca. por mais que eu me exercitasse, que fizesse academia e anos de balé, a ideia de que eu era frágil dificilmente saía da minha cabeça. e não era só uma fraqueza física, mas emocional também.

sabe quando você se faz de difícil, tenta mostrar que é uma pessoa forte, mas qualquer levantada de voz já te deixa com o olho cheio d’água? pois é. eu era assim. qualquer coisinha me fazia chorar, qualquer peso extra me deixava com os braços tremendo, qualquer sustinho e eu saia correndo pra me esconder embaixo da cama. eu nunca serviria pra ser protagonista de filme de terror e com certeza seria uma das primeiras a morrer num apocalipse zumbi.

é, ‘forte’ nunca foi uma palavra que eu usaria pra me descrever. ‘frágil’, ‘sensível’, ‘sentimental’… essas são mais de acordo com quem eu era. na verdade, não deixam de ser eufemismos que eu inventei para a palavra ‘fraca’. fraca de coração, de corpo e de espírito. o tipo de pessoa que não dura muito tempo no mundo, que não aguenta os monstros que vê fora da janela e que passa os seus dias trancadas no quarto, com medo da vida que passa lá fora.

outro dia, eu estava no banho depois do treino e levei um susto comigo mesma. eu procurei na minha cabeça onde tava aquela ideia de pessoa fraca e me surpreendi quando não a encontrei em canto nenhum. não tava mais lá. sumiu. eu poderia dizer que tem tudo a ver com os treinos pesados que eu faço três vezes na semana, e os músculos que eu ganhei não me deixam mentir. meu corpo nunca foi tão forte.

poderia dizer também que foi a minha nova alimentação, que dá pro meu corpo o que ele precisa pra funcionar bem e que me deixa cheia de energia – e isso é verdade também, mas seria reduzir toda essa recém-encontrada força a coisas que são minúsculas comparadas ao amor que eu sinto diariamente pela vida.

não, a minha força não tem nada a ver com o meu corpo, com o que eu como ou com o quanto eu treino. mas também não tem absolutamente nada a ver com a tal da resiliência, essa capacidade humana de se adaptar e resistir. nada disso. não é superação. não é o aprendizado com as dificuldades que me deixaram com a casca mais grossa e coração mais escuro. pelo contrário, foi a desistência.

em algum momento dessa jornada, eu desisti. desisti de me defender, de atacar, de achar que o mundo tá contra mim e que eu sou só mais um pontinho entre 7 bilhões. é fácil se sentir fraca e insignificante quando você pensa na suposta grandiosidade do mundo, com todas as suas responsabilidades e dificuldades.

mas eu desisti. desisti de achar que o mundo é responsável pela minha alegria e que eu sou a maior vítima que o planeta já viu. vítima das pessoas, das circunstâncias e da minha própria fraqueza. como se eu andasse descontrolada por aí todos os dias, sem saber pra onde ia ou o que fazia. e era mais ou menos essa a sensação mesmo.

desistir me mostrou a força que eu sempre tive, mas que deixava entuchada num canto escuro da minha mente, contando pra mim mesma que a força não existia e que a minha fraqueza era real. mas era só um engano da visão que maltratava o meu coração. desisti de dizer que eu era fraca e me vi forte. e, como num passe de mágica, o meu corpo começou a mostrar o quão forte eu sou de verdade. eu sou grande, eu sou gigante, eu cresço cada vez que me permito desistir um pouco mais das mentiras que contei sobre mim.

eu caminho, agora, com pernas fortes e o corpo ereto, não mais me escondendo do mundo, mas pronta pra desbravar cada um dos seus quatro cantos, gritando a plenos pulmões para quem quiser ouvir que desistir do que a gente pensa sobre a gente é o segredo da felicidade. porque é mesmo. e aqui está o meu sorriso forte para provar.

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a gente precisa parar de ser tão obcecado com produtividade

dia desses, eu tava lendo os meus emails e percebi que era o segundo ou terceiro dia seguido que recebia do Medium textos sobre produtividade e como produzir mais e melhor. ok, eu entendo que esses textos foram selecionados com base no que eu tenho costume de ler, mas fiquei pensando em como as pessoas são obcecadas por produtividade.

eu tive uma chefe que costumava contar quantas matérias eu escrevia num dia. eu trabalhava num sistema de meio período na época, e se fizesse menos de 10 textos no meu horário, alguma coisa estava errada. como resultado, eu desenvolvi o hábito de escrever muito rápido só para conseguir bater essa expectativa. no fim do expediente, eu sempre me sentia muito cansada e sabia que o nível de foco que eu tinha era muito baixo: eu precisava me colocar num modo automático, se não o conteúdo não saía. pode-se dizer que eu era altamente produtiva (mas a que custo, né?)

dois anos depois, eu levo a rapidez do teclado comigo, e quem me acompanha no Twitter sabe que os problemas de foco não cessaram só porque eu deixei de escrever esse tanto de coisa em tão pouco tempo. parece que eu preciso sempre encontrar formas e métodos de escrever melhor, de produzir mais, de acabar com a procrastinação…

por mais que eu ainda passe muito tempo pesquisando sobre agulhas de crochê na internet, sendo que nem crochê eu faço, eu percebi essa semana que essa falta de foco tem pouquíssimo a ver com a minha organização. tipo, eu sou a rainha do bullet journal, gente, organização é o que não falta por aqui.

é falta de propósito mesmo.

eu percebi que toda vez que não sei porque tô fazendo as coisas que preciso fazer, eu fico confusa, meio perdida, sem saber o que fazer, desmotivada, e assistir pela milésima vez o clipe de Really Really no Youtube parece muito mais interessante do que a minha lista de tarefas.

tá, quando a cabeça tá muito maluca, eu consegui desenvolver alguns truquezinhos para me ajudar a focar de novo. a música tem sido a minha principal ajuda. eu ando tentando dividir o meu dia em blocos de horário também, mas não sei até que ponto isso está funcionando. mas acho que, o principal, é saber se eu estou seguindo o meu propósito ou  não.

é tipo quando a gente fica tentando usar milhares de aplicativos de organização diferentes e nenhum funciona. daí a gente tenta mais um e não dá certo. daí a gente pesquisa sobre bullet journal e também não se adapta muito bem. daí volta para os aplicativos. e a gente fica obcecada em pesquisar sobre produtividade e como se organizar e esquece da parte mais importante, que é produzir.

na hora que eu percebi isso, foi como uma tijolada na cara. mas, gente, é claro! eu só preciso parar de me preocupar em ser produtiva e produzir. o ‘como‘, tanto faz. é mais a questão de colocar a mão na massa que me incomodava tanto. e eu não colocava. e achava desculpas do porquê eu não cumpria as minhas tarefas. quando, na real, eu só precisava me fazer duas perguntas:

1.o que diabos eu tô fazendo?

2. por que diabos eu tô fazendo isso?

essa semana, essas duas perguntinhas foram tipo as minhas âncoras. tava lá bem de boa pesquisando sobre as ações russas durante a Segunda Guerra Mundial… OPA, que que eu tô fazendo? por que eu tô fazendo isso? e minha mente voltava automaticamente pra minha meta e pra minha função. e o trabalho fluiu mais fácil. é um exercício, né? e você se sente meio maluca das ideias tendo essa conversa com você mesma. não ajuda muito o fato de que eu sou altamente expressiva quando tô no computador e gesticulo como se ele fosse me responder a qualquer instante (imagine as conversas que eu já tive com as impressoras…). nessas horas, todas essas dicas de organização e produtividade entram apenas como uma ferramenta para eu cumprir a minha meta, mas não são o meu foco.

eu percebi também que fui diretamente afetada pelo flood de informação que a internet grita na nossa cara todos os dias e senti, mais uma vez, a  necessidade de dar um passo pra trás e selecionar melhor o que eu consumo e quando consumo (ainda mais em mês de BEDA, com tanto texto incrível pra ler, né?).

cada um desenvolve o seu próprio método de ser mais produtivo, mas nenhum vai ser tão eficiente quanto o propósito. fazer as coisas com amor, lembrar do porquê e pensar em quem recebe o nosso trabalho (qualquer que seja ele, em maior ou menos escala) é e sempre será a maior motivação que eu tenho.

você sente que é produtiva? o que te motiva a fazer o que faz?