três livros para recorrer em momentos de crise criativa (e um bônus!)

livros crise criativa

quando eu sentei para pensar em todos os posts que queria fazer nesse BEDA me deparei com aquela ansiedade típica de quem trabalha na área criativa: a minha cabeça ficou vazia, eu comecei a ofegar, senti um gelado na espinha. meu deusinho do céu, onde foram parar todas as minhas ideias? não achava nenhuma. zero. nada. radio silence.

daí eu tive que colocar em prática as minhas próprias dicas, respirar fundo, dar um passo para trás e pensar com carinho no que queria colocar no blog. quem vê de fora pode acreditar que é fácil encontrar ideias incríveis, já que eu escrevo o dia inteiro, e que não sofro de bloqueios criativos. mentira, sofro sim. muito. tem dia que o texto não sai nem com reza braba. eu tenho alguns truques para contornar isso (sair da frente do computador e dar uma volta é a que eu mais recorro no dia a dia), mas eu também uso muito os livros para encontrar aquele impulso.

basicamente, eu tenho três livros aos quais eu recorro nesses tempos de crise. são, inclusive, aqueles que eu leio e releio de tempos em tempos, porque são escritos por pessoas que eu admiro e que me motivam a tentar de novo e sair dessa nhaca. são eles:

1.girlboss, sophia amoruso

eu sei que a série Girlboss foi a maior polêmica de todas (eu não vi inteira e não curti muito o pouco que assisti), mas eu sou apaixonada com esse livro. além de achar a escrita da Sophia bem relacionável, eu amo as dicas de empreendedorismo que ela dá e como ela é pé no chão. no fundo, ela fala que a gente precisa trabalhar duro para conseguir o que quer (e num é que é isso mesmo?), e mesmo quando não está com saco para trabalhar, ela continua porque tem uma meta. esse é o livro do mês do Chá com Flor e tá sendo uma experiência incrível relê-lo em pleno mês de BEDA – mais motivação que isso, impossível! (e vai ter post sobre, claro!)
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2.roube como um artista, austin kleon

eu acho que não existe um livro que eu ame tanto nessa vida quanto Roube Como Um Artista. já falei muito sobre ele nesse post aqui e mantenho cada palavrinha que coloquei ali. o Austin é maravilhoso e ele te dá o caminho das pedras para você aprender a apreciar o trabalho dos outros e desenvolver o seu próprio. é tipo aquele meu post sobre encorajamento, mas com uma diagramação incrível, insights ainda mais maravilhosos e umas ilustrações de aquecer o coração. se você ainda não leu esse livro eu só posso dizer: PELO AMOR DE DEUS LEIA ESSE LIVRO. de nada.
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3.capture your style, aimee song

Aimee Song é a minha blogueira preferida do mundo inteiro e eu acho maravilhoso o que ela faz com o Instagram. o livro dela é todo focado nessa rede social, mas não significa que as dicas que estão ali não possam ser aplicadas pra tudo na vida. sério, o que ela fala sobre fazer as coisas com propósito e carinho é uma inspiração – é tudo o que eu defendo aqui, né? ela conta uma história com o que ela faz e isso eu acho o mais importante. fora que o livro é lindamente diagramado, tem várias das fotos maravilhosas que ela faz pro Insta no meio do caminho e ainda te dá exercícios para treinar em casa tudo o que ela ensina ali.
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livros crise criativa

 

bônus: o ano em que disse sim, shonda rhimes

ahhhh, o livro da Shonda. você já sabe como eu fiquei completamente apaixonada por esse livro e vou defendê-lo até o fim da minha vida. eu amei demais a forma como a autora escreve, como ela compartilha as histórias dela com a gente e, principalmente, como tudo o que ela mais quer com essa obra é mostrar que todo mundo é capaz de dizer ‘sim‘ e perder o medo de fazer as coisas que sempre sonhou, de ter uma vida maravilhosa, sabe? é uma leitura que virou obrigatória para mim: para os meses em que eu tô meio desmotivada, para lembrar da minha meta e do porque eu decidi fazer o que faço.
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eu tenho muito esse costume de recorrer aos livros que eu amo quando preciso de alguma ideia legal ou algum insight ou só de uma dose extra de inspiração para os dias que nada parece sair dessa minha cachola. bem como o Austin fala no livro dele: eu vou atrás das pessoas que me inspiram para ter ideias e desenvolver o meu trabalho – fora que anoto tudo no meu bullet journal, que vira também um grande arquivo de furtos e a minha fonte de inspiração mais palpável!

tem algum livro que te inspira muito? me indica nos comentários!

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para o dia que você quiser se machucar

para o dia que você quiser se machucar

solta essa faca e olha pra mim. pelo amor de Deus, sai de perto dessa borda. larga essa arma. respira fundo. ei, ei. olha aqui. eu sei o que tá passando no seu coração. eu sei o que você tá pensando. você tem tanta certeza, né? de que o mundo é um lugar sombrio e que não tem mais volta. é agora ou nunca, e você está pendendo cada vez mais para o agora.

se não é o fim, pelo menos essa é a desculpa perfeita para você sentir qualquer coisa que não seja a mão escura que esmaga o seu coração dia após dia. ver o vermelho do sangue parece muito mais convidativo do que continuar encarando o cinza dos seus dias. a tristeza. as lágrimas. você não aguenta mais chorar, não sabe o que fazer, pra onde correr, onde procurar ajuda. ajuda! ninguém te ajuda. parece que ninguém te nota, ninguém se importa. as pessoas estão muito preocupadas com o próprio umbigo pra olhar pra você.

você corta legumes imaginando o que aconteceria se a faca fosse um centímetro para o lado errado. se você tropeçasse agora na plataforma do metrô. se debruçasse o corpo um pouquinho a mais na sacada do prédio. pareceria um acidente. ninguém saberia a verdade. e você descansaria em paz.

porque é isso que você quer, num é? paz? que a sua cabeça pare com os pensamentos frenéticos e que você consiga respirar. você se sente sufocada e a possibilidade de machucar o próprio corpo é o único fiapo de controle que sobrou na vida. se nada mais, pelo menos você ainda tem escolha sobre o que quer fazer com esse corpo inútil. ninguém pode falar coisa alguma, a decisão é toda sua, no fim das contas.

você se sente sozinha. não consegue conversar com ninguém, ninguém te ouve. que a faca entre fundo, então, porque a dor de não ser vista e de encarar a tristeza do mundo é demais pra você. eu sei, eu sei bem. as lágrimas que me caem agora não me deixam mentir. eu conheço bem esse fundo de poço e, meu Deus, parece que não tem nada no planeta que faça essa dor parar. não tem luz no fim do túnel, é tudo uma ilusão e para o inferno com os otimistas. o que funcionou com os outros não vai funcionar com você. nunca funciona.

mas…

(e ainda bem que existe um ‘mas‘)

… você não tá sozinha. eu tô aqui com você. e eu sei que você consegue sentir a minha mão na sua e a minha respiração se confundindo com as batidas do seu coração. é, ele continua batendo, num ritmo constante, meio cansado dessa loucura toda. ele quer paz. assim como você.

olha pra mim. eu sei que no meio de todas as lágrimas você consegue me ver. a cor pode ser diferente, o formato do meu olho pode não ser igual ao seu – sempre me falaram que eu tinha olhos de mangá. mas olha bem. eu to aqui com você.

esquece tudo por um segundo. a dor. a confusão. o barulho frenético da cidade que não para nunca. as brigas que sempre acontecem na sala na hora do jantar. esquece o trabalho, a faculdade, as responsabilidades. por um segundo. só um segundo. larga a faca, solta a arma, se afasta da borda. respira fundo.

essa coisa confusa, essa massa sombria, ela não é você. ela te enche de medo, não te deixa ver o que tá bem na sua frente, ela te confunde e grita coisas sem sentido na sua orelha. ela parece tão real. mas ela não é você. aqui, nesse momento suspenso do tempo, você consegue ver que a gente tá junto? que tá tudo bem?

se você se machucar, eu vou sentir. eu sou saber. eu posso estar do outro lado do mundo, mas eu vou saber. porque eu e você… a gente é a mesma coisa. a vida que faz o seu coração martelar no peito é a mesma que a minha. não tem diferença, não tem distinção. é tudo uma vida só. e se você não cuidar bem dela, eu vou saber.

você acha que ninguém se importa, mas isso é mentira. eu me importo. eu tô te vendo sabe? eu entendo o que você tá sentindo e os pensamentos tóxicos que rodam a sua cabeça. eu sei como é. e eu sei também que tem saída.

você merece o mundo. merece o universo inteiro. merece você mesma de volta. a Terra e todas as suas tentações ficam até pequenas diante disso. da sua importância e de como é bom ter você por aqui. tem horas que parece o contrário, né? que todo mundo faz questão de te ter longe, mas não acredita na vozinha macabra que te diz o que fazer. ela quer que você se machuque, que você sofra mais e fique mais confusa até ninguém mais conseguir te ajudar a sair dessa zona.

mas, ó… a gente tá aqui agora. eu e você. você e eu. e eu sei o que os meus olhos estão te dizendo. que a gente é a mesma coisa, e que tudo bem você chorar, desabafar, achar que não tem mais força. eu confio que você consegue. eu confio que você vai achar a saída porque eu sei que você não tá sozinha. a gente pode fazer isso juntas.

essa vontade de se machucar, de morrer, eu sei o que é. ela é uma distração. ela é um sintoma de algo maior que você não consegue ver porque esses pensamentos malucos estão tirando a sua sanidade do caminho e colocando no lugar uma fantasia doida de que você merece sofrer. que merece passar por tudo isso e que faz parte chegar num ponto sem volta. que só assim as coisas todas vão se resolver. mas não vão. você não merece sofrer, meu amor. nunca mereceu, nunca vai merecer.

e eu sei. eu sei que você é livre pra fazer o que bem entender e que tudo parece conversa de maluco e nada do que eu falo faz muito sentido pra você. eu entendo que você só consegue ver através do túnel escuro e que o cinza do céu parece que nunca vai dar espaço pros raios do sol. mas eu me recuso a desistir de você. eu não vou desistir de você. porque você é importante.

e se tudo é mesmo uma escolha… bem, eu só posso esperar que você continue segurando na minha mão. que continue olhando nos meus olhos e buscando pela resposta que a gente vai encontrar juntas. eu espero que você escolha soltar essa arma. e eu espero que você escolha o amor.

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o maravilhoso poder do encorajamento

encorajamento

outro dia eu tava conversando com as meninas do trabalho sobre como é importante a gente valorizar o trampo dos outros. eu já percebi que o mundo inteiro funciona numa grande falha de comunicação – ninguém entende ninguém, ninguém escuta ninguém, e todo mundo acha que precisa se garantir de alguma forma -, e mesmo dentro de uma empresa que trabalha com comunicação, a gente tem uma grande dificuldade em ouvir, falar e encorajar uns aos outros.

ultimamente eu tenho percebido na internet esse movimento das pessoas se apoiarem mais (eu até usei o Twitter pra isso, lembra?) e acho que nunca quis tanto levantar uma bandeira. esqueça os movimentos sociais, a briga pela política, o que quer que seja: eu sinto que antes de qualquer coisa, a gente precisa aprender que o mundo não é uma grande competição e que a linha de chegada que a gente imagina todos os dias não existe.

é tão comum, sabe? a gente se comparar com a pessoa do lado, achar sempre que a grama do vizinho é mais verde que a nossa – e, de fato, com a internet fica fácil a gente acreditar que é isso mesmo, que tá todo mundo vivendo uma vida perfeita e maravilhosa (alô, farsa do Instagram!) e só a gente sofre. a gente acha que todo mundo tem tudo e a gente não tem nada. mesmo quando a gente tem tudo, consegue encontrar alguma coisa que tá faltando e que o outro parece ter. se não é dinheiro, é amor. se não é amor, é dinheiro. se não é nenhum desses dois, é fama. se não é fama, é beleza. e assim por diante, num eterno correr atrás da sobrevivência.

a pergunta que me apareceu na cabeça desde então é: o que é sucesso, afinal de contas? é ser melhor que os outros? é ter tudo o que você sempre sonhou? muito dinheiro no banco? uma casa própria? uma carreira estável? tudo isso parece tão pequeno comparado ao que eu quero pra mim… a resposta que eu cheguei, no fim das contas, foi muito simples: eu quero que as pessoas sejam felizes. isso é ser bem-sucedida. felicidade. não só minha, mas de todos.

poxa, mas isso é meio utópico, né? como é que todo mundo vai ser feliz ao mesmo tempo?‘. calma, pequeno gafanhoto. loucura é a gente achar que ter dias tristes é normal. todo mundo vai ser feliz, porque todo mundo merece ser feliz. se eu não consigo ajudar com a felicidade do mundo inteiro inteiro, que eu comece com as pessoas que me cercam. e qual a melhor forma de fazer isso do que encorajando essas pessoas a serem quem elas são?

eu lembro de uma época em que 90% dos pensamentos que passavam na minha cabeça eram de comparação. eu sou menos bonita que fulana, menos legal que ciclana, menos popular que beltrana. o tempo inteiro eu pensava em como as pessoas eram melhores do que eu, mais capazes do que eu, mais importantes do que eu. eu me sentia pequena, inútil. me sentia tão insignificante.

abrir esse blog foi um pedido de ajuda e um desabafo ao mesmo tempo. eu tava cansada de me comprar tanto e só queria me conectar com alguém. queria que alguém lesse o que eu escrevesse e pensasse ‘meu Deus, eu também me sinto assim! vamos nos ajudar a sair dessa‘. e aí o propósito do blog mudou, porque eu descobri a saída. e busco por ela todos os dias, é a minha meta. quando isso ficou claro na minha mente, você aí do outro lado percebeu e a gente começou a se ajudar – e aí você passou a me encorajar todos os dias a continuar com esse trabalho. é como eu comentei uma vez: eu deixei de fazer o blog por mim, pra fazer por você e pra você. só isso me motiva a escrever posts de sábado à noite, a fazer jornada tripla e pensar com tanto carinho em cada foto que eu posto no Instagram.

e isso me deixa tão inspirada, sabe? tão inspirada e tão grande. eu fico gigante. o seu encorajamento me deixa gigante. me lembra de mim. e isso só me mostrou como o meu encorajamento pode fazer a mesma coisa por outras pessoas. e sabe aquela dificuldade que eu comentei certa vez, de falar o quanto as pessoas são legais e o quanto eu curto o trabalho delas? sumiu.

sumiu porque eu entendi o quanto ficar buscando por elogios o tempo inteiro é cansativo – e mesmo que eles venham, você não sente que são verdadeiros ou que são pra você. mas quando é um encorajamento real, quando você se conecta com alguém que fez uma coisa incrível e você fala e comenta e ajuda a divulgar… nossa senhora, você cresce junto com essa pessoa e aí vocês duas ficam do tamanho do mundo inteiro. e aí a gente vai se ajudando, se dando as mãos e, meu Deus, onde é que a gente vai chegar com tudo isso, né?

não dá um comichão? num dá vontade de sair por aí mandando mensagens pras pessoas que você admira, chamando elas pra tomar um café pra entender como elas pensam, quem elas são de verdade? num dá vontade de pegar cada um daqueles links incríveis que você salvou numa pasta na sua barra de favoritos e sair divulgando por aí?

ai, essa nossa mania de achar que só pode divulgar o próprio trabalho porque o resto é competição é tão antigo, né? eu já pensei assim. e o nome disso é medo. medo de conseguir provar de alguma forma que eu era tão horrível quanto eu sempre imaginei e que seria excluída da sociedade por causa de toda essa minha falta de duroneza, como diria minha amiga Shonda.

suck it up, miga. o mundo não gira ao seu redor. você é incrível. a amiga do lado também. a que vive no outro canto do mundo também. e estamos todos atrás da mesma coisa: ser feliz. então, por que a gente não se ajuda, né?

por isso, só pra lembrar, algunas regrinhas de ouro pra encorajar as pessoas que você ama:

  1. faça críticas construtivas (e sempre com carinho)
  2. comente se você acha que tem algo legal a dizer (#sdv não encoraja ninguém)
  3. compartilhe um link maravilhoso (joga no Twitter, no Facebook)
  4. manda uma mensagem pro autor (taí um medo que eu superei esse ano)

no meio disso tudo, acho que o aprendizado mais preciso que eu tive – e que é super relacionado com isso – é não peça amor, entregue. eu me comparava e buscava elogios porque não me sentia amada. hoje sei o quanto eu recebo de amor o tempo inteiro e sei que preciso devolver isso pro mundo pra ele lembrar do amor também. encorajar as pessoas é só um dos jeitos em que eu percebi que isso é possível. ♥

em tempo, fica aqui o link do post incrível da miga Nicas, que falou sobre esse assunto maravilhosamente bem também.

me conta: como você encorajaria alguém que admira?

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ser jornalista é uma declaração de amor

jornalismo é uma declaração de amor

lá em maio eu participei de um evento de comunicação, inovação e tecnologia, o festival Path. foi um fim de semana incrível cheio de palestras maravilhosas (incluindo uma com a Jess e a Ari do Indiretas do Bem), mas a que me deixou mais encantada foi uma palestra chamada ‘o futuro do jornalismo é mais humano‘, em que o Denis Burgierman (ex-diretor de redação da Superinteressante e que agora tá no Nexo) e a Juliana Wallauer, do Mamilos, eram os convidados. eu juro que eu saí do painel com muito orgulho de ser jornalista.

tem quem diga que a minha profissão está morrendo – já até me falaram diretamente que eu serei substituída por um computador (alô, sensibilidade), mas eu confesso que nunca dei muita bola pra esses cavaleiros do apocalipse, por mais que as notícias de passaralhos (as demissões em massa) também me deixem com o coração apertadinho. eu sempre acreditei que estava fazendo algo importante – mesmo nos dias que só escrevia sobre o que as celebridades estavam fazendo por aí – e isso não mudou só porque, na teoria, o mercado de mídia está caindo aos pedaços.

na palestra com o Denis e a Juliana, eu fiquei maravilhada porque eles me deram uma esperança. querendo ou não, as pessoas sempre vão precisar do jornalismo. é uma profissão que leva pra todo mundo o que tá acontecendo de verdade por aí. por mais que as redes sociais façam isso muito bem, a gente ainda precisa de um editor para aprofundar e juntar todos os detalhes num lugar só, a gente precisa dele pra editar.

o problema é que, como a vida no mundo, o jornalismo representa exatamente o que as pessoa estão passando. e todo mundo perdeu a confiança. no jornalismo, no governo, nos outros. em si mesmo. isso é o que me deixa mais de coração partido. por um tempo, eu também deixei de confiar, e reaprender é um treino diário. não tem como virar essa chave de uma hora pra outra.

quando a gente se sente tão desesperançado, quando tudo parece tão errado, como é possível ter esperança de que as coisas vão melhorar? é bem impossível, né? mas, na real, não é não. o Denis disse, naquele sábado gelado de maio, que o sistema de imprensa como a  gente conhece hoje não funciona mais – e eu concordo. acho que a internet ainda é vista como um problema e tem muita empresa grande por aí que não soube desapegar do passado para entrar na nova era. e eu acho meio prepotente da nossa parte tentar adivinhar como vão ser as coisas daqui pra frente – eu não sei mesmo, vou ter que esperar elas acontecerem pra descobrir.

a Juliana parecia mais otimista (lembro muito bem que o Denis já chegou falando ‘eu não tenho ideia se o jornalismo tem futuro, nem se ele é mais humano‘), e trouxe um segundo ponto que eu achei o mais incrível de todos: o que o jornalismo (e o mundo, na verdade) precisa é de interesse. a gente tem que ter mais interesse no que tá rolando ao invés de só querer apontar o culpado de um lado ou de outro. todo mundo quer brigar no Facebook, mas ninguém quer entender como a outra pessoa pensa e porque ela pensa o que pensa.

isso bateu bem fundo no meu coraçãozinho jornalista. é isso mesmo. ninguém quer entender porque as pessoas pensam como pensam e porque o sistema todo tá do jeito que tá. todo mundo só quer achar um culpado, só quer encontrar um motivo pra brigar. e nesse meio tempo fica todo mundo correndo atrás do rabo sem saber pra onde correr, porque a sensação é que a coisa piora a cada dia.

quando eu escolhi ser jornalista eu lembro que fiz essa escolha porque queria mudar o mundo. hoje eu ainda quero – na verdade, hoje eu sei que vou -, e percebi que as palavras são a minha principal ferramenta para isso. é a forma que eu me comunico com você todos os dias, sabe? através dos meus textos, eu consigo colocar um pouquinho da minha meta em cada palavra e você sente um gostosinho no coração sempre que lê. o pulo do gato (sempre amei essa expressão) pra mim é conseguir fazer isso em todos os textos – os do blog, os que são pra trabalho, os que vão para as redes sociais…

cada dia mais eu sinto que consigo fazer isso, que uno um pouco do que o Denis falou com o que a Juliana defendeu tão fortemente, e ajudo a mudar o mundo, um texto por vez. o jornalismo me permite entrar em contato com um montão de gente todos os dias – as pessoas incríveis com quem eu trabalho, quem lê o que eu escrevo, as pessoas que eu entrevisto – e é uma rede de interesse que aumenta todos os dias.

ser jornalista é uma declaração de amor porque num momento em que todo mundo desistiu de acreditar nas palavras, eu prefiro continuar acreditando – já dizia Desmond Doss:

‘Com o mundo tão dedicado em se destruir por completo, não parece algo tão ruim eu querer colar algumas partes de volta no lugar’

(aliás, se você não assistiu Até o Último Homem, faça o favor de assistir nesse exato instante – eu espero você voltar)

com tanta informação falsa por aí, tanta notícia ruim, tanta notícia tendenciosa, qual o problema em querer colocar um pouco mais de amor nas informações que a gente precisa ter? qual o problema em querer se interessar pelos outros pra entender de verdade o que eles estão pensando, o que estão sentindo?

é, jornalismo é um exercício de interesse: de querer entender o outro ao invés de julgá-lo, de observar e analisar ao invés de sair por aí dando opiniões como se fossem balas juquinha (amo bala juquinha, gente) é repassar a verdade dos fatos e fazer quem tá do outro lado pensar e questionar a realidade em que vive.

pode ser uma visão meio ultra otimista – e até meio Pollyanna – das coisas, mas eu amo muito a minha profissão e gosto de acreditar que ela tem um propósito. amo passar horas escrevendo, amo correr atrás de fonte, amo cobrir evento louco, amo usar as palavras escritas para me comunicar com as pessoas. amo, amo, amo, amo. vai ver é por isso que pra mim não existe crise, não existe tempo feio, só existe o arquivo do Word aberto e o cursor piscando, esperando eu encontre as melhores palavras pra você lembrar um pouquinho de quem é.

e aí tanto faz se eu tô falando de moda, de política, de bullet journal ou de armário cápsula. só o que me importa, de verdade, é você terminar de ler o texto com o coração quentinho e a sensação de que entende um pouco mais do que antes a forma como o mundo funciona e como é que você se encaixa nesse contexto.

o jornalismo é ferramenta. o computador é ferramenta. a pauta é ferramenta. é tudo ferramenta pra meta que eu escolhi no meu coração e que cada dia fica mais clara. o jornalismo tá em crise? puxa, depende. o que você considera como ‘crise‘? se for falta de propósito, talvez você tenha razão. mas, nesse caso, eu sei que tá tudo bem comigo, porque o meu propósito vai muito bem, obrigado.

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5 dicas para desapegar das roupas que você não ama mais

desapegar das roupas

desapegar das roupas nunca foi um problema pra mim. pelo contrário, eu sempre tive bastante facilidade em tirar do armário aquilo que não queria mais. o moletom do meu ex-namorado que eu usava pra ficar em casa. aquela blusa tie-dye rosa que minha mãe me deu quando eu tinha 15 anos. o meu vestido de formatura da faculdade. tchau, goodbye, adiós, à bientot. nem pensava duas vezes.

quando comentei que a parte mais fácil do processo de refazer o guarda-roupa era limpar o armário, eu falei sério. para mim, o problema nunca foi tirar dali o que eu tinha que tirar ou o que eu sentia que não funcionava mais pra mim. o mais difícil, o mais complicado sempre foi conseguir repor o que eu tirava de lá.

sim, eu confesso que ainda tenho algumas camisetas de valor sentimental escondidas em uma gaveta intocável (e intocada) no armário. mas elas também estão com os dias contados. acho que já passou do tempo de eu deixar a camiseta que a minha sala do 3º ano fez pra formatura (beijo, 3H3!) juntando pó só porque eu tenho certeza que ‘um dia‘ ela vai ser usada (mentira, não vai). então, //comofaz pra desapegar como você, Maki? assim, ó:

1.eu estabeleço uma meta

e tudo – eu disse escrevi tudo – o que não faz parte dessa meta, vai embora. é mais ou menos assim: pra esse novo guarda-roupa, eu precisava de peças que me representassem de verdade, e queria muito que cada uma dessas roupas combinassem perfeitamente entre si. assim, tudo o que não entrava nesse âmbito, nessa meta, ia embora. eu nem pensava duas vezes. se não combinasse ou se não estivesse de acordo com a meta… tchau.

2.eu agradeço

cada peça teve o seu propósito na minha história. eu comprei por um motivo, eu achava que combinava comigo por um motivo, eu investi nela por um motivo, eu guardei por um motivo. eu consigo ser grata por cada uma das roupas que eu usei ao longo da vida, porque cada uma delas foi importante nesse meu processo – por mais que muitas vezes eu não tivesse noção nenhuma do que estava fazendo com o meu estilo. não é muito mais legal ficar feliz pelo tanto que você usufruiu de uma coisa ao invés de ficar triste de vê-la indo embora? eu acho que sim! falando nisso…

3.eu penso em quem pode usar aquilo também

toda vez que eu limpei o meu armário, eu separei uma penca de roupas pra vender e outra penca pra doar. é óbvio que, para as duas opções, eu só deixei em cada uma das pilhas as roupas que estavam em bom estado (não vale doar roupa manchada ou rasgada, né?) e sempre me deixou feliz saber que outras pessoas poderiam usufruir do que não me servia mais. um dos lenços que eu mais usei por ANOS foi comprado de uma amiga por R$15 – ela não queria mais e me vendeu. a minha jaqueta jeans preferida eu comprei num brechó, e um dos vestidos do meu armário que mais anda sozinho é um que uma outra amiga me doou também. a gente fica triste em tirar um negócio do armário, mas não pensa no quanto isso pode fazer outra pessoa feliz.

4. eu pratico o armário cápsula

é, não mais daquele jeito super engessado de antes, mas eu ainda mantenho o meu armário bem reduzido. o número de roupas que eu tenho é pequeno, então o desgaste de cada uma delas é maior. eu ainda não consegui fazer a transição completa para só comprar roupas de qualidade maior e de marcas que são independentes e bacanas (tá nos planos) ou só em brechós, mas o fato de eu rever o que tenho no armário com frequência tem me ajudado também nesse processo – e aí vai tudo ficando alinhado ainda mais com a meta.

5.eu me dou tempo para pensar

se tem uma peça de roupa que eu gosto bastante, mas que não uso tem um tempo, eu dou uma segunda chance. eu sigo bem à risca aquela regrinha do ‘se você não usa há 6 meses, então não vai usar mais‘ e também a do ‘se você não sente falta, é porque não precisava pra começo de conversa‘. uso muito essas duas filosofias pra me ajudar a desapegar das roupas porque ela é muito simples e verdadeira: não dá pra insistir num negócio que você gosta, mas não usa. no fim das contas, só vai ficar juntando pó no armário.

 

acho que é isso, viu? paciência é uma virtude mesmo, também pra esses momentos. se eu tô em dúvida, deixo a roupa ali no armário um tempinho, marinando, até que eu olho pra ela e me vem um clique: ‘é, não vai dar certo mesmo, hora de você fazer outra pessoa feliz‘. roupa não é descartável, sabe? tirar do guarda-roupa uma blusa que você amou muito um dia não significa jogá-la fora (a não ser que ela esteja toda estragada, né?), mas sim dar um novo propósito para esse tecido. no fim, eu faço o que preciso pra me sentir bem com as roupas que tenho e com a forma como visto – e tenho me sentido cada vez melhor! ♥

você tem algum segredo pra desapegar de roupas? me conta?

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