Diário #06

Tenho pensado muito sobre a imagem que vejo no espelho. E pensado mais ainda sobre a interpretação que tenho dela.

Sempre achei que me aceitava até que razoavelmente bem, nunca fiz sacrifícios para encontrar padrão de beleza algum, nem mesmo deixei de fazer coisas que gostava pelo bem de uma imagem que só se encontrava em capas de revistas altamente photoshopadas. Eu achava que isso significava que me conhecia bem e que sabia quem eu era.

Ledo engano.

espelhoFoto: Google Images

Conhecer a si mesmo é um trabalho que leva anos e, sim, muita ajuda. Percebi, dias desses, que realmente não me via no espelho. Eu olhava, mas não via. É a mesma diferença de ouvir e escutar. Você ouve, você vê, mas não absorve a mensagem transmitida.

Essa era (ainda é) a minha relação com o espelho. Se o meu reflexo está ali ou não, tanto faz quanto tanto fez. Eu não via. Às vezes, ainda não vejo. A distinção é tão difícil de fazer quanto parece. Aprender a se enxergar é trabalhoso e, muitas vezes, bastante doloroso. É, como disse, um processo que leva tempo e muita paciência. Tem horas que vai dar certo, outras que não e controlar a frustração é difícil. Até impossível, de vez em quando.

Mas, suspeito, esse é um caminho que muitos de nós temos que percorrer. Alguns tem mais facilidade em se aceitar (e essa é a frase chave), em se conhecer. Outros terão níveis diferentes de dificuldade e outros ainda passarão a vida inteira sem enxergar, com medo do que os espera do outro lado.

Eu decidi passar a ver. A me olhar no espelho e ficar feliz com a imagem que me encontra ali. Tem dias que eu me arrependo dessa decisão e prefiro colocar um lençol para esconder o reflexo. É menos doloroso. Mas – e isso é o mais legal de tudo – esses dias estão se tornando escassos. Passo a passo, eu encontro aquilo que gosto em mim mesma e, mais do que isso, aceito isso como parte de mim. Se eu quiser mudar… Tudo bem, isso faz parte. Mas se não, que eu esteja feliz com o jeito que sou, com quem eu sou, e que seja mais gentil comigo no processo.

É fácil enganar a si mesmo, fechar os olhos e criar, na cabeça, a imagem que queremos ver. Mas é muito difícil adaptar essa imagem à realidade. E mais difícil ainda entender que as expectativas que criamos sobre nós mesmos são altas e a maioria não será atingida, cria uma pressão grande demais e um coração partido em tantos pedacinhos que é quase impossível colá-los de volta. Quase.

Desejo a todos – e a mim mesma – a capacidade de nos olharmos de verdade no espelho.

TV: Jane The Virgin

Não sei se cheguei a comentar isso, mas algumas tags e posts que fiz no finado Manias de Moça vão aparecer por aqui aos poucos. Isso porque são temas que eu gosto muito e que quero continuar comentando por aqui.

Uma dessas Tags é a Séries e Filmes. Claro que, quem já acompanha o blog, sabe que eu já comentei sobre alguns filmes por aqui, especialmente voltados para figurinos e moda, mas isso não significa que eu não vá abordar o lado mais recreativo da coisa.

A fall season norte-americana, isto é, a temporada de estreias de séries de televisão nos Estados Unidos, trouxe um monte de programas novos pelos quais eu me apaixonei (alguns deles, aliás, já foram cancelados, para a minha tristeza eterna), e uma dessas novas atrações é Jane The Virgin.

Demorei para começar a assistir essa série, até porque, em um primeiro momento, não ouvi falar muito a respeito. Umas duas semanas depois da estreia, no entanto, tudo o que eu lia eram matérias e mais matérias sobre Jane The Virgin, e como a série, da emissora CW, era uma das melhores estreias da temporada. Acabei ficando muito curiosa e baixei os primeiros episódios para assistir.

Nem preciso dizer que me apaixonei de vez, né? Jane The Virgin é uma série muito legal porque tem um clima bem novelão mexicano. E não porque é parecida com Revenge, nada disso, mas porque a novela em si se passa em uma comunidade latina, tanto que uma das personagens só fala espanhol, apesar de no trailer ela falar inglês, e outra é, justamente, estrela de uma telenovela.

Como diz o nome, a série acompanha a vida da Jane, uma jovem virgem, de vinte e poucos anos, que tem um namorado fixo, trabalha como garçonete enquanto termina os estudos para ser professora e que foi inseminada por engano e está grávida. Isso, uma virgem grávida.

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A Jane é interpretada por Gina Rodriguez, e eu fiquei encantada com essa atriz, que consegue trazer a personagem à vida de um jeito incrível, cheia de caras e bocas. Aliás, a série e a atriz foram revelações tão boas que ambas estão indicadas ao Globo de Ouro de 2015, uma verdadeira vitória para a CW, que estava beeeeem longe das listas de indicados desde a sua fundação, em 2006.

O mais curioso de tudo é que a Jane está grávida de um playboy dono de hotel que, vejam só, foi o cara que partiu o coração dela anos atrás, quando os dois trocaram beijos calientes e ele, basicamente, foi um babaca depois disso.

Mais legal ainda é que no meio de tudo isso ainda tem uma ex-esposa vingativa, uma investigação sobre um cartel de drogas e um pai desconhecido que entra na vida da Jane para causar demais (e tudo isso em prol de atenção).

A série é muito viciante e eu amo o narrador, com suas piadinhas, e as ‘legendas‘ que sempre entram quando um personagem é reintroduzido ou quando algum comentário extra é necessário – e eles sempre são bem sarcásticos. Ainda, a série é bem otimista, apesar dos problemas da personagem principal, e muito sensível. É engraçado, mas em Jane The Virgin você nunca questiona porque os personagens agem como eles agem, você entende pelo contexto porque eles responderam de certa maneira a alguma coisa. Em outras séries eu tenho um pouco mais de dificuldade em perceber isso.

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Enfim, se você gosta de novelas, de romance e um pouquinho de comédia, a série foi feita para você! Se não, vale a pena ver pelo menos o piloto, o primeiro episódio, porque eu garanto que vai conquistar o seu coração (olha o drama!) logo na primeira meia hora!

Alguém já viu e gostou?

 

 

Três lições que aprendi viajando

Até hoje, eu tive a sorte de viajar bastante e conhecer lugares que vão ficar para sempre na minha memória. A maioria dessas viagens eu não fiz sozinha, sempre acompanhada de amigos ou familiares, e, apesar de falarem que a melhor maneira de aprender sobre si mesma é explorar o mundo sozinha, tirei muito desses meus passeios mundo afora.

viajarFoto: Google Images

Mais recentemente, passei algum tempo morando em Nice, na França, e acho que essa foi uma das viagens mais marcantes que já fiz. Nunca pensei tanto sobre mim mesma e o rumo que a minha vida estava tomando, sobre onde estava e para onde quero ir, onde quero chegar. Também, por muitos outros motivos, me deu um orgulho enorme passar quase cinco meses morando num lugar tão maravilhoso como aquele e aprender tanto sobre quem eu sou, mesmo que, desde então, eu tenha esquecido algumas coisas.

De qualquer maneira, viajar é um dos melhores ensinamentos da vida,  na minha opinião, e tem três lições que eu aprendi que gostaria de dividir aqui:

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Não importa o quanto você planeje, a verdade é que as coisas dão errado. Muitas vezes por erros humanos, nossos, outras por questões não podemos controlar. Mas é verdade. O melhor que se pode fazer em uma situação dessas é lidar com ela da melhor maneira possível e não deixar uma adversidade estragar um momento tão alegre. Uma vez, durante um mochilão pela Europa, eu e minha amiga não percebemos que saímos de Amsterdã para a Berlim um dia antes do previsto e, por isso, não tínhamos reservas no albergue. Tivemos que nos virar no 30 para arranjar um lugar para ficar aquela noite e convencer o gerente do lugar a nos aceitar uma noite antes. Erro nosso, mas aconteceu. Melhor aceitar e continuar em frente.

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Já que estamos falando sobre coisas que dão é errado, é bom deixar bem claro que não dá para controlar absolutamente tudo 24 horas por dia. É impossível. Ninguém no mundo tem essa capacidade, e, de vez em quando, você precisa simplesmente abrir mão de algumas coisas em prol de outras, muito maiores. Aprendi isso, principalmente, nessa minha temporada na França. Perceber que não tinha como eu viver o meu momento lá e controlar como as coisas estavam indo com a minha família no Brasil foi muito difícil, e passei noites em claro me preocupando por causa disso. Uma hora ou outra, no entanto, eu tive que deixar os problemas do Brasil no Brasil, e lidar, aos poucos, com os que eu tinha por lá. Em especial, quando você tenta controlar tudo o tempo inteiro, esquece que o mais importante é controlar a si mesma e ter noção das experiências que vive e das decisões que toma.

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O legal de viajar, ainda mais quando você faz uma viagem longa, é que você faz coisas que normalmente não faria quando está em casa, na sua cidade natal. Tipo visitar pontos turísticos, ir a museus para ver a arte, e não porque é um passeio obrigatório da escola, ir ao cinema sozinha, jantar em um restaurante sozinha, andar e andar e andar até não poder mais, sair com pessoas com quem você não seria amiga em situações ‘normais‘… A verdade é que quando somos tiradas da nossa ‘zona de conforto‘, percebemos que ela é muito menor do que acreditávamos, já que a facilidade em abrir mão de alguns medos por conta de uma ótima experiência em um lugar novo é muito fácil. É quase natural, na verdade. Caso contrário, todo mundo passaria o tempo todo trancado em um quarto de hotel, perdendo tempo precioso com medo de sair pela porta.

Engraçado como algumas dessas lições são bem maleáveis. A nossa zona de conforto pode voltar a ser o que hora na hora que desembarcamos em casa, mas outras coisas ficam para sempre. É a melhor sensação do mundo viajar e voltar com a certeza de que você conhece melhor os seus limites e as suas vontades e que se colocar em primeiro lugar, de vez em quando, é permitido sim e até mesmo necessário.

Vocês têm lições que aprenderam durante viagens também? É sempre legal perceber como cada um tira algum aprendizado diferente de uma experiência dessas.

Diário #05

Eu descobri esse meu carinho por moda até que bem cedo, mas não do jeito que as pessoas imaginam. Na verdade, eu costumava ser contra qualquer tipo de tendência, detestava as roupas que a minha mãe me mandava usar, mas gostava de me vestir de uma forma diferente, que de certa forma fizesse com que eu me destacasse (mesmo que, contraditoriamente, eu quisesse me esconder na multidão na maior parte do tempo).

No entanto, uma coisa que sempre foi constante é: nunca existiram muitas estampas no meu guarda-roupa. Nem muita cor. Preto sempre foi uma das minhas cores preferidas, assim como o branco e o cinza. Basicamente, são as cores que eu usei na maior parte desses meus 27 anos de vida.

Diz minha terapeuta que isso é um sinal claro de luto. Na época, achava que era o meu lado revoltado e pseudo-punk falando mais alto, mas, agora, talvez tenha que concordar com ela.

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De qualquer maneira, nos últimos tempos, vejam só, tenho fome de cores. Olho o meu guarda-roupa monocromático e tenho vontade de jogar tudo fora e começar do zero. Engraçado que nunca achei que fosse uma pessoa de estampas até abusar da minha boa vontade e comprar um quimono inteirinho estampado, tão colorido que até destoa ali, no meu armário pequeno, porém quase de um tom só.

Usei o tal quimono pela primeira vez dia desses e parecia que o mundo inteiro estava me olhando. Me senti exposta, sem que, exatamente, alguém tivesse notado a diferença. Talvez a diferença já estivesse em mim mesma e não exatamente na peça de roupa, mas, e juro pra vocês, senti que podia dominar o mundo usando aquele quimono colorido.

Mal comprei e já sei que essa vai ser a minha peça de roupa preferida dos próximos tempos. A primeira verdadeiramente colorida que eu já tive, entre outras em tons de vinho e azul escuro e bege, que eu jurava serem coloridas, mas que na verdade eram só um disfarce, um medo verdadeiro de que as pessoas olhassem a minha roupa colorida e falassem alguma coisa. Como um batom vermelho ao contrário. Mas acho que é mais fácil colocar um pouco de cor num lugar só do corpo, ali num ponto que dá para disfarçar e tirar a qualquer momento, do que em uma peça de roupa que não tem como trocar durante o dia. Coloca, corre porta fora e pronto. ali, exposto pra todo mundo ver.

Confesso que, ao contrário do que eu imaginei, gostei bastante da sensação. E já quero me sentir assim de novo amanhã. Sinto que esse quimono vai andar sozinho até o final do verão…

Filmes de moda e seus figurinos maravilhosos

Semana passada comentei um pouco sobre filmes que me ensinaram sobre moda, como As Patricinhas de Beverly Hills e The September Issue. O assunto ficou um pouco na minha cabeça durante a semana e, no sábado e domingo, quando não estava trabalhando!, aproveitei para rever mais alguns que eu adoro, principalmente por conta dos figurinos maravilhosos (na minha humilde opinião, claro!).

Alguns deles eu quis dividir com vocês, quem sabe a gente não tem um gosto semelhante, não é?

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Orgulho e Preconceito é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, e toda vez que eu assisto, fica encantada com o figurino. Sim, verdade, muitos falam do tal vestido verde que a Keira Knightley usa em Desejo e Reparação, mas tudo o que me vem na cabeça é a maravilhosidade do vestido branco que a Lizzie, personagem da Keira em Orgulho, usa para o baile na mansão do Bingley. Sonho com aquele vestido, gente, coisa mais linda que eu já vi! Aliás, o figurino aqui também foi tão elogiado que Jacqueline Durran foi indicada à um Oscar pelo design em 2006.

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Esse é um daqueles filmes que eu tenho fases: tem dias que amo, outros que detesto, mas uma constante é que eu sempre fico maravilhada pelo figurino de Maria Antonieta, todo feito em tons pastel, muitíssimo elaborado e até mesmo contando com alguns elementos fora de época, como o tênis All Star que, de algum modo, encontrou espaço no armário da então rainha da França. A Milena Canonero foi vencedora do Oscar de Melhor Figurino em 2007 por causa desse longa-metragem. Ou seja, vale muito a pena se deliciar com as criações incríveis dela para o filme.

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O Grande Gatsby foi um filme que me conquistou, antes de mais nada, porque foi dirigido pelo Baz Luhrmann, meu diretor de cinema preferido. A sua esposa, Catherin Martin, ficou encarregada do figurino, todo feito especialmente para o longa, e que contou com a ajuda de ninguém mais, ninguém menos, que Miuccia Prada. O legal é que, inicialmente, a Catherin usou peças do arquivo da Prada e da Miu Miu (a marca mais jovem da gigante da moda), para fazer um teste de filmagem e o resultado foi tão bom que ela chamou Miuccia para criar 40 looks para o filme. Nem preciso dizer que a parceria rendeu um Oscar para a Catherin por Melhor Figurino este ano, ?

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Vocês vão ter que me perdoar, mas quem nunca sonhou em ter um vestido como o da Rose/Kate Wisnlet em Titanic, que atire a primeira pedra! Eu tinha até a Barbie da Rose com o vestido de festa preto e vermelho que ela usa para o jantar com o Jack/Leo lindo DiCaprio e depois se acabava na festa da 3ra classe do navio. Coisa linda de viver. E, confesso, sempre quis usar um chapéu como aqueles da década 1910, apesar de nunca achar que fico bem com qualquer coisa na cabeça. A Deborah L. Scott ganhou o Oscar também por esse figurino, aliás. (PS: My Heart Will Go On começou a tocar em loop na minha cabeça na hora que eu digitei ‘Titanic‘ pela primeira vez! Rsrsrs)

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Sim, mais um filme de Baz Luhrmann, mas um figurino de Catherin Martin. Moulin Rouge é um daqueles filmes que eu posso ver um milhão de vezes seguidas e não enjoar, e só de pensar na Nicole Kidman naquela primeira cena com o corpete todo brilhante me faz suspirar pela maravilhosidade de tudo nesse filme. Sou completamente apaixonada pela história da Satine e do Christian e o figurino incrível cria todo o ambiente do filme de maneira esplendorosa (babo ovo, sim!). Ah, e a Catherin ganhou o Oscar por esse figurino também, ou seja: é demais!

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O nome já diz tudo, ? Não poderia deixar de citar a musa, a diva, a minha maior inspiração de moda do planeta: Audrey Hepburn. Ô, mulher incrível e cheia de graça, gente! No filme, também um da minha lista de favoritos, ela usa o vestidinho preto mais lindo, que ficou eternizado no mundo da moda e criou uma das tendências mais atemporais do ramo: o pretinho básico. Claro que o vestido dela, desenhando pelo próprio fundador da marca Givenchy, Hubert de Givenchy, não tinha nada de básico, mas até hoje é lembrado como um dos figurinos mais marcantes do cinema. Impossível não ligar pretinho básico à Holly Golightly.

O que vocês acharam da lista? Têm algum figurino preferido que não entrou para a minha eleição? Só de escrever sobre esses já deu vontade de ver todos os filmes de novo e ficar pirando nas roupas! Pode isso?