Diário #05

Eu descobri esse meu carinho por moda até que bem cedo, mas não do jeito que as pessoas imaginam. Na verdade, eu costumava ser contra qualquer tipo de tendência, detestava as roupas que a minha mãe me mandava usar, mas gostava de me vestir de uma forma diferente, que de certa forma fizesse com que eu me destacasse (mesmo que, contraditoriamente, eu quisesse me esconder na multidão na maior parte do tempo).

No entanto, uma coisa que sempre foi constante é: nunca existiram muitas estampas no meu guarda-roupa. Nem muita cor. Preto sempre foi uma das minhas cores preferidas, assim como o branco e o cinza. Basicamente, são as cores que eu usei na maior parte desses meus 27 anos de vida.

Diz minha terapeuta que isso é um sinal claro de luto. Na época, achava que era o meu lado revoltado e pseudo-punk falando mais alto, mas, agora, talvez tenha que concordar com ela.

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De qualquer maneira, nos últimos tempos, vejam só, tenho fome de cores. Olho o meu guarda-roupa monocromático e tenho vontade de jogar tudo fora e começar do zero. Engraçado que nunca achei que fosse uma pessoa de estampas até abusar da minha boa vontade e comprar um quimono inteirinho estampado, tão colorido que até destoa ali, no meu armário pequeno, porém quase de um tom só.

Usei o tal quimono pela primeira vez dia desses e parecia que o mundo inteiro estava me olhando. Me senti exposta, sem que, exatamente, alguém tivesse notado a diferença. Talvez a diferença já estivesse em mim mesma e não exatamente na peça de roupa, mas, e juro pra vocês, senti que podia dominar o mundo usando aquele quimono colorido.

Mal comprei e já sei que essa vai ser a minha peça de roupa preferida dos próximos tempos. A primeira verdadeiramente colorida que eu já tive, entre outras em tons de vinho e azul escuro e bege, que eu jurava serem coloridas, mas que na verdade eram só um disfarce, um medo verdadeiro de que as pessoas olhassem a minha roupa colorida e falassem alguma coisa. Como um batom vermelho ao contrário. Mas acho que é mais fácil colocar um pouco de cor num lugar só do corpo, ali num ponto que dá para disfarçar e tirar a qualquer momento, do que em uma peça de roupa que não tem como trocar durante o dia. Coloca, corre porta fora e pronto. ali, exposto pra todo mundo ver.

Confesso que, ao contrário do que eu imaginei, gostei bastante da sensação. E já quero me sentir assim de novo amanhã. Sinto que esse quimono vai andar sozinho até o final do verão…

Filmes de moda e seus figurinos maravilhosos

Semana passada comentei um pouco sobre filmes que me ensinaram sobre moda, como As Patricinhas de Beverly Hills e The September Issue. O assunto ficou um pouco na minha cabeça durante a semana e, no sábado e domingo, quando não estava trabalhando!, aproveitei para rever mais alguns que eu adoro, principalmente por conta dos figurinos maravilhosos (na minha humilde opinião, claro!).

Alguns deles eu quis dividir com vocês, quem sabe a gente não tem um gosto semelhante, não é?

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Orgulho e Preconceito é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, e toda vez que eu assisto, fica encantada com o figurino. Sim, verdade, muitos falam do tal vestido verde que a Keira Knightley usa em Desejo e Reparação, mas tudo o que me vem na cabeça é a maravilhosidade do vestido branco que a Lizzie, personagem da Keira em Orgulho, usa para o baile na mansão do Bingley. Sonho com aquele vestido, gente, coisa mais linda que eu já vi! Aliás, o figurino aqui também foi tão elogiado que Jacqueline Durran foi indicada à um Oscar pelo design em 2006.

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Esse é um daqueles filmes que eu tenho fases: tem dias que amo, outros que detesto, mas uma constante é que eu sempre fico maravilhada pelo figurino de Maria Antonieta, todo feito em tons pastel, muitíssimo elaborado e até mesmo contando com alguns elementos fora de época, como o tênis All Star que, de algum modo, encontrou espaço no armário da então rainha da França. A Milena Canonero foi vencedora do Oscar de Melhor Figurino em 2007 por causa desse longa-metragem. Ou seja, vale muito a pena se deliciar com as criações incríveis dela para o filme.

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O Grande Gatsby foi um filme que me conquistou, antes de mais nada, porque foi dirigido pelo Baz Luhrmann, meu diretor de cinema preferido. A sua esposa, Catherin Martin, ficou encarregada do figurino, todo feito especialmente para o longa, e que contou com a ajuda de ninguém mais, ninguém menos, que Miuccia Prada. O legal é que, inicialmente, a Catherin usou peças do arquivo da Prada e da Miu Miu (a marca mais jovem da gigante da moda), para fazer um teste de filmagem e o resultado foi tão bom que ela chamou Miuccia para criar 40 looks para o filme. Nem preciso dizer que a parceria rendeu um Oscar para a Catherin por Melhor Figurino este ano, ?

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Vocês vão ter que me perdoar, mas quem nunca sonhou em ter um vestido como o da Rose/Kate Wisnlet em Titanic, que atire a primeira pedra! Eu tinha até a Barbie da Rose com o vestido de festa preto e vermelho que ela usa para o jantar com o Jack/Leo lindo DiCaprio e depois se acabava na festa da 3ra classe do navio. Coisa linda de viver. E, confesso, sempre quis usar um chapéu como aqueles da década 1910, apesar de nunca achar que fico bem com qualquer coisa na cabeça. A Deborah L. Scott ganhou o Oscar também por esse figurino, aliás. (PS: My Heart Will Go On começou a tocar em loop na minha cabeça na hora que eu digitei ‘Titanic‘ pela primeira vez! Rsrsrs)

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Sim, mais um filme de Baz Luhrmann, mas um figurino de Catherin Martin. Moulin Rouge é um daqueles filmes que eu posso ver um milhão de vezes seguidas e não enjoar, e só de pensar na Nicole Kidman naquela primeira cena com o corpete todo brilhante me faz suspirar pela maravilhosidade de tudo nesse filme. Sou completamente apaixonada pela história da Satine e do Christian e o figurino incrível cria todo o ambiente do filme de maneira esplendorosa (babo ovo, sim!). Ah, e a Catherin ganhou o Oscar por esse figurino também, ou seja: é demais!

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O nome já diz tudo, ? Não poderia deixar de citar a musa, a diva, a minha maior inspiração de moda do planeta: Audrey Hepburn. Ô, mulher incrível e cheia de graça, gente! No filme, também um da minha lista de favoritos, ela usa o vestidinho preto mais lindo, que ficou eternizado no mundo da moda e criou uma das tendências mais atemporais do ramo: o pretinho básico. Claro que o vestido dela, desenhando pelo próprio fundador da marca Givenchy, Hubert de Givenchy, não tinha nada de básico, mas até hoje é lembrado como um dos figurinos mais marcantes do cinema. Impossível não ligar pretinho básico à Holly Golightly.

O que vocês acharam da lista? Têm algum figurino preferido que não entrou para a minha eleição? Só de escrever sobre esses já deu vontade de ver todos os filmes de novo e ficar pirando nas roupas! Pode isso?

Beleza: bob hair, o queridinho da vez

Quando eu era mais nova, morria de inveja das amiguinhas do colégio porque o que reinava naquela época era o cabelo compridão. Mas compridão meeeesmo, super lindo e volumoso, tipo modelo da Victoria’s Secret. Por motivos de genética, nunca consegui ter esse cabelo e acho que essa é uma das minhas maiores frustrações de beleza da adolescência.

bob-hair-1Foto: Instagram Lauren Conrad

Problemas do passado resolvidos, decidi cortar o cabelo, curtinho mesmo, no ano passado por questões de saúde (que serão explicadas mais para frente), e desde então, tenho visto um milhão de referências desses cortes por aí! É aquela coisa: você compra um carro prata e, de repente, só vê carro prata para tudo quanto é lado! Parece que atrai!

Eu trabalho muito em contato com o ramo das celebridades, então é de se esperar que a maioria das minhas referências venha de lá, e o tal do bob hair, como tem sido chamado esse corte, meio que na metade do caminho entre o queixo e os ombros, está fazendo a cabeça das famosas (e a minha também, já que apaixonada por ele!).

bob-hair-2Foto: Google Images

O meu preferido, com certeza, é o original mesmo, mais curtinho, quase na altura do queixo e que pode ser  usado mais bagunçadinho, tipo a Karlie Kloss, ou lisão, como a Keira Knightley. Eu, particularmente, estou usando o meu cabelo mais bagunçado, meio natural, porque a escova acabou com o bichinho! penando para fazer ele voltar à antiga glória!

bob-hair-3Foto: Google Images

Outro corte que tem feito muito sucesso é a versão mais longa do bob, o long bob (duh!), que, basicamente, é um corte mais na altura do ombro. O que, querendo ou não, também parece um meio do caminho para o cabelão das meninas do meu colégio (#sdds escola!). O meu preferido, nessa categoria, com certeza é o da Alexa Chung, meu maior sonho capilar do momento.

bob-hair-4Foto: Google Images

Claro que tenho que entender que meu cabelo talvez nunca fique tão lindão assim pelo simples motivo de que não tenho cabelo o suficiente para esse tanto de volume (obrigada, de novo, genética!). Mas tudo bem, tenho amado bem o meu cabelo curtinho (dá para ver no post sobre o batom vermelho!).

O que vocês acham desse corte? Tenho visto cada vez mais e amando os diferentes looks! Querendo muito, aliás, ver o corte da Lauren Conrad de frente. Pelo o que eu vi, ela ainda não mostrou direito!

 

Diário #04

Tinha um outro tema para o Diário de hoje, mas levando em conta a notícia do dia – que diz que 48% dos jovens acham errado mulher sair sem o namorado – pensei em uma nova rota para o texto do dia.

Eu estou solteira há algum tempo e, de verdade, já tive momentos em que achei isso um saco e outros em que adorei. Estou num desses momentos em que adoro estar solteira porque sei que tenho muitas coisas, em um nível emocional e pessoal, para trabalhar no momento, e não sei se seria melhor companhia. É algo pelo qual eu preciso passar e superar sozinha. Isso, claro, não desmerece o fato de que eu sou não obrigada a ter alguém só porque, na cabeça dos outros, é ‘errado‘ eu sair de casa sem namorado. Mesmo se tivesse um nunca, jamais, deixaria de fazer programas sem ele só porque ele não pode ou não quer ir.

feminismoFoto: Hello Giggles

Mas, dito isso, eu fico pensando: estamos em pleno 2015 (dezembro já pode ser considerado 2015, ?), e ainda existem pessoas, jovens além do mais, que acreditam que mulheres precisam de um guarda. Porque, basicamente, é isso: um guarda para proteger a jovem mulher dos perigos do mundo; ó, o sexo frágil.

E mais, desses pesquisados (2.046, no total), 68% acreditam que é errado a mulher ir para a cama no primeiro encontro. Ao mesmo tempo, 96% dessas pessoas acham que o Brasil é um país machista, porém, obviamente, não veem o machismo incrustado nas próprias opiniões.

Eu, há muito tempo, aprendi que cada um é dono do próprio corpo e faz com ele o que quiser. Cada um sabe de si. A minha amiga pode não gostar de dormir com um cara num primeiro encontro e eu sim ou vice-versa. A escolha não é de ninguém a não ser da mulher. Opiniões diferentes existirão sempre, mas a igualdade de escolhas, de gêneros, não. O que isso significa? Que tudo bem o cara transar no primeiro encontro, mas deusolivre a mulher fazer o mesmo.

Isso quer dizer também que tudo bem o cara sair com os amigos, ir pra balada, pro boteco ou pra qualquer lugar sem a namorada. Agora se for a mulher… Tá aprontando, com certeza. Por isso o feminismo é tão importante: ele defende que homens e mulheres são iguais e não devem ser tratados de forma diferente por conta do seu gênero.

Até quando vamos ter essa visão absurda de que as mulheres são inferiores aos homens e, por isso, precisam seguir uma certa cartilha de regras para ser uma ‘mulher respeitável‘. Gente, estamos no século XXI, não no XVIII. Deixem os pensamentos machistas, misóginos e sexistas para trás.

Ando pensando e lendo muito sobre o assunto, e cada vez mais acredito na luta pela igualdade de gênero. Mais do que isso, acredito demais na ideia da sororidade, e que as mulheres têm que se unir – no sentido de mostrar apoio umas às outras – ao invés de julgar a coleguinha do lado porque ela não seguiu o padrão tão disseminado pelos homens e por elas mesmas.

Levando em conta que mais da metade das pessoas da pesquisa acima citada são do sexo feminino (1.029 mulheres e 1.017 homens) essa noção de união é cada vez mais urgente. E, verdade, os homens também tem que se juntar a essa causa, não é exclusividade nossa! Empatia é palavra chave aqui, e, claro, ela serve para muitas outras causas que são igualmente importantes.

Eu, como mulher, tenho o direito de sair com quem eu quiser, quando quiser, beber o quanto quiser na balada, usar saia curta, blusa decotada, sem que isso acarrete em qualquer tipo de assédio. O meu corpo não é domínio público, assim como as minhas escolhas.

Bora mudar esse pensamento aí, pessoal, tá ficando feio.

Dois filmes que me ensinaram sobre moda

Há alguns dias, a do Hey Cute! (beijos, amiga linda!) publicou um post muito legal sobre tudo o que precisamos aprender com o filme O Diabo Veste Prada, que é um dos meus preferidos. Revi o filme no final de semana, além de alguns outros que, curiosamente, também são mais ligados à moda, e separei dois que, eu acredito, me mostraram muito sobre esse mercado que eu gosto tanto.

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O documentário The September Issue é praticamente indispensável para quem pensa em trabalhar com jornalismo de moda. Isso porque, na minha humilde opinião, acaba com vários clichês a respeito da área, além de reforçar alguns outros que nós já conhecemos muito bem. O filme segue a produção da edição de setembro, a mais importante do ano para as revistas de moda – por conta do grande número de anunciantes -, da Vogue norte-americana, comandada por Anna Wintour. Ela é uma das mulheres mais poderosas do ramo e apesar de, sim, ter seus momentos de glamour, com festas badaladíssimas, primeiras filas de desfiles e encontros com estilistas, ela trabalha muito para fazer a revista sair do jeitinho que ela quer. Verdade, ela é conhecida como a mulher de gelo do ramo, mas vamos combinar que ela não chegaria a lugar nenhum se não tivesse um certo padrão de exigência? E ela não é a única que trabalha muito, viu? Entre editoriais que precisam ser refeitos porque não ficaram bons, até fotos que contaram com uma produção mega complicada e são tiradas da revista na última hora, além do estresse do fechamento de uma publicação tão importante, é impressionante ver como esse pessoal trabalha – muito mesmo! – para que você receba a revista lindinha em casa. Na hora de ler, parece que foi muito fácil, mas o número de profissionais, viagens, reuniões e discussões que aconteceram até ela ser impressa é mil vezes maior do que a gente imagina. Realmente, o glamour é muito menor do que se pensa, e a quantidade de trabalho mil vezes maior.

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Sim, eu sei, As Patricinhas de Beverly Hills não é exatamente um filme sobre moda ou uma revista de moda, porém foi um dos meus primeiros contatos mais conscientes com essa área e me mostrou como a imagem é importante. Verdade, as personagens do filme se preocupam com a aparência para manter o lugar como populares no colégio, mas isso, gente, é uma coisa que se leva para a vida: cuidar da aparência é importantíssimo, porque, querendo ou não, é o seu cartão de visitas mais visível. Isso não quer dizer que você tem que ser uma pessoa louca com moda, que usa todas as últimas tendências e todos os produtos de beleza do mundo, mas, sim, que é importante você pensar no estilo que mais combina com você e com a profissão que você quer seguir.
Outra coisa que o filme me mostrou é que você pode ter quantas roupas quiser no armário, de quaisquer estampas ou cores, mas um bom e velho vestidinho básico, monocromático, nunca falha. É o caso do Calvin Klein que Cher usa e que é famosos até hoje e também do pretinho básico de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (outro filme maravilhoso!).

Esses dois filmes também fazem parte da minha lista de preferidos e que, de verdade, revejo de tempos em tempos não só porque gosto, mas também porque é muito fácil esquecer o que uma vez eles me ensinaram (afinal, é tanta informação o tempo inteiro que não tem como guardar tudo para sempre). Para quem quer trabalhar em uma revista de moda (como eu!) entender um pouco melhor o seu funcionamento é muito legal, até porque, a maior parte da minha experiência é com web.
E, verdade, me identifico bem com o estilo da Cher de As Patricinhas. Não a parte dos conjuntinhos xadrez (pelo menos, não mais e não tanto assim), mas adoro uma peça mais basiquinha e clássica. Aliás, tô percebendo cada vez mais que sou bem normcore nesse aspecto.

Tem alguns filmes que vocês se identificam como esses dois?