por que o kpop me deixa tão feliz?

eu não consigo pensar num dia sequer em que não ouvi música. acho que foram poucas as ocasiões em que eu topava ficar longe dos fones de ouvido e das minhas playlists intermináveis. tem mais ou menos um ano que o kpop começou a entrar na minha rotina também, e não tenho dúvidas de que essas músicas são as que eu mais escuto atualmente.

eu não dava nada para kpop e confesso que achava até meio brega (quer dizer, pra que esse tanto de menino dançando junto, gente?), mas já que eu decidi me afundar de vez no mundo dos dramas, ficou difícil ignorar as trilhas sonoras incríveis e não pesquisar mais sobre os grupos. eu comecei com os mais clássicos, tipo BIGBANG, e fui conhecendo alguns outros aos pouquinhos. preciso deixar registrado aqui que a Gabbs é a grande ”’culpada”‘ por me ~influenciar digitalmente~ a acompanhar uns 10 grupos diferentes, descobrir os meus preferidos e ter umas cinco playlists no Spotify que eu escuto diariamente.

eu tinha muito essa mania de ouvir músicas tristes (beijo, Adele!) o dia inteiro e é óbvio que isso era só um reflexo do que eu sentia. hoje, muita coisa mudou e o que eu mais quero é mostrar o tempo inteiro como tô feliz e como os outros podem se sentir assim também. a música é só mais uma forma de expressar isso, e o kpop me deixa muito feliz. vou explicar porquê:

1.as músicas são muito animadas

é claro que também tem as baladas, as músicas românticas e os cantores mais low key (como em qualquer lugar do mundo), que fazem músicas profundas e emocionantes. mas o que eu mais curto no kpop são as canções super animadas e que me dão vontade de dançar na cadeira (normalmente é o que eu faço). te desafio a ouvir Hola Hola, do KARD, e não sentir vontade de fazer uma mistura de dança latina com street.

2.os grupos são incríveis

eu sei que tem muita sujeira no mundo da música coreana, tanto quanto na música ocidental. é difícil saber tudo o que acontece com essas pessoas e o quanto que elas são exploradas sem acompanhar de perto cada uma delas, mas eu sei que isso existe. ainda assim, eu fico com o coração muito quentinho quando percebo o quanto alguns grupos são unidos e o quanto eles se divertem com o que fazem. acho que Winner é a maior prova disso (e um dos meus grupos preferidos). se você assistir às últimas apresentações deles, dá para ver o quanto eles gostam do que fazem, como se divertem no palco e fazem uma música que eles amam. isso me deixa muito feliz também.

3.a língua muda, mas o amor é o mesmo

a gente sempre acha estranho quando vê alguma coisa de uma cultura diferente da nossa, até perceber que, seja em português ou coreano, as pessoas estão sempre atrás da mesma coisa: amor. as músicas falam disso, os grupos sempre expressam o tanto que amam os fãs, e é muito fácil distinguir aqueles que entram nesse ramo porque amam mesmo e sabem que tem alguma coisa para entregar para as pessoas – isso fica óbvio nas interações e apresentações dos grupos. Monsta X é o meu ultimate por causa disso. sou viciada nos vídeos deles, porque, além de muito talentosos, dá pra ver o quanto eles se curtem e curtem os fãs sempre que lançam uma música ou fazem uma live.

apaixonada por esse clipe mistura de verão-com-os-migos e publi hehe

4.dá pra conhecer muita gente legal

e não é só grupo de música não, viu? eu comecei a fazer muitas amizades por causa do kpop (e dos dramas também!), e acho que isso é o mais legal de tudo. compartilhar esse carinho e os surtos pelo comeback dos grupos com as pessoas vira uma forma da gente criar vínculos e fazer parte um das vidas dos outros. o kpop acaba virando uma ferramenta (cêis sabem que eu amo essa palavra, né?) pra gente se relacionar, sabe?

agora, como eu sei que você vai me perguntar, os grupos que eu acompanho de pertinho e que amo demais são (sem ordem de preferência):

  1. MonstaX
  2. Winner
  3. Seventeen
  4. KARD
  5. Blackpink
  6. GOT7
  7. BIGBANG
  8. BTS

e tem também o Jay Park que não é de grupo nenhum (mas era do 2PM) e tem uma fatia do meu coração só pra ele.

você gosta de kpop? quais grupos você acompanha?

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diário #91 – sobre ser forte e ter força

eu sempre tive uma certeza maluca de que era uma pessoa fraca. por mais que eu me exercitasse, que fizesse academia e anos de balé, a ideia de que eu era frágil dificilmente saía da minha cabeça. e não era só uma fraqueza física, mas emocional também.

sabe quando você se faz de difícil, tenta mostrar que é uma pessoa forte, mas qualquer levantada de voz já te deixa com o olho cheio d’água? pois é. eu era assim. qualquer coisinha me fazia chorar, qualquer peso extra me deixava com os braços tremendo, qualquer sustinho e eu saia correndo pra me esconder embaixo da cama. eu nunca serviria pra ser protagonista de filme de terror e com certeza seria uma das primeiras a morrer num apocalipse zumbi.

é, ‘forte’ nunca foi uma palavra que eu usaria pra me descrever. ‘frágil’, ‘sensível’, ‘sentimental’… essas são mais de acordo com quem eu era. na verdade, não deixam de ser eufemismos que eu inventei para a palavra ‘fraca’. fraca de coração, de corpo e de espírito. o tipo de pessoa que não dura muito tempo no mundo, que não aguenta os monstros que vê fora da janela e que passa os seus dias trancadas no quarto, com medo da vida que passa lá fora.

outro dia, eu estava no banho depois do treino e levei um susto comigo mesma. eu procurei na minha cabeça onde tava aquela ideia de pessoa fraca e me surpreendi quando não a encontrei em canto nenhum. não tava mais lá. sumiu. eu poderia dizer que tem tudo a ver com os treinos pesados que eu faço três vezes na semana, e os músculos que eu ganhei não me deixam mentir. meu corpo nunca foi tão forte.

poderia dizer também que foi a minha nova alimentação, que dá pro meu corpo o que ele precisa pra funcionar bem e que me deixa cheia de energia – e isso é verdade também, mas seria reduzir toda essa recém-encontrada força a coisas que são minúsculas comparadas ao amor que eu sinto diariamente pela vida.

não, a minha força não tem nada a ver com o meu corpo, com o que eu como ou com o quanto eu treino. mas também não tem absolutamente nada a ver com a tal da resiliência, essa capacidade humana de se adaptar e resistir. nada disso. não é superação. não é o aprendizado com as dificuldades que me deixaram com a casca mais grossa e coração mais escuro. pelo contrário, foi a desistência.

em algum momento dessa jornada, eu desisti. desisti de me defender, de atacar, de achar que o mundo tá contra mim e que eu sou só mais um pontinho entre 7 bilhões. é fácil se sentir fraca e insignificante quando você pensa na suposta grandiosidade do mundo, com todas as suas responsabilidades e dificuldades.

mas eu desisti. desisti de achar que o mundo é responsável pela minha alegria e que eu sou a maior vítima que o planeta já viu. vítima das pessoas, das circunstâncias e da minha própria fraqueza. como se eu andasse descontrolada por aí todos os dias, sem saber pra onde ia ou o que fazia. e era mais ou menos essa a sensação mesmo.

desistir me mostrou a força que eu sempre tive, mas que deixava entuchada num canto escuro da minha mente, contando pra mim mesma que a força não existia e que a minha fraqueza era real. mas era só um engano da visão que maltratava o meu coração. desisti de dizer que eu era fraca e me vi forte. e, como num passe de mágica, o meu corpo começou a mostrar o quão forte eu sou de verdade. eu sou grande, eu sou gigante, eu cresço cada vez que me permito desistir um pouco mais das mentiras que contei sobre mim.

eu caminho, agora, com pernas fortes e o corpo ereto, não mais me escondendo do mundo, mas pronta pra desbravar cada um dos seus quatro cantos, gritando a plenos pulmões para quem quiser ouvir que desistir do que a gente pensa sobre a gente é o segredo da felicidade. porque é mesmo. e aqui está o meu sorriso forte para provar.

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a gente precisa parar de ser tão obcecado com produtividade

dia desses, eu tava lendo os meus emails e percebi que era o segundo ou terceiro dia seguido que recebia do Medium textos sobre produtividade e como produzir mais e melhor. ok, eu entendo que esses textos foram selecionados com base no que eu tenho costume de ler, mas fiquei pensando em como as pessoas são obcecadas por produtividade.

eu tive uma chefe que costumava contar quantas matérias eu escrevia num dia. eu trabalhava num sistema de meio período na época, e se fizesse menos de 10 textos no meu horário, alguma coisa estava errada. como resultado, eu desenvolvi o hábito de escrever muito rápido só para conseguir bater essa expectativa. no fim do expediente, eu sempre me sentia muito cansada e sabia que o nível de foco que eu tinha era muito baixo: eu precisava me colocar num modo automático, se não o conteúdo não saía. pode-se dizer que eu era altamente produtiva (mas a que custo, né?)

dois anos depois, eu levo a rapidez do teclado comigo, e quem me acompanha no Twitter sabe que os problemas de foco não cessaram só porque eu deixei de escrever esse tanto de coisa em tão pouco tempo. parece que eu preciso sempre encontrar formas e métodos de escrever melhor, de produzir mais, de acabar com a procrastinação…

por mais que eu ainda passe muito tempo pesquisando sobre agulhas de crochê na internet, sendo que nem crochê eu faço, eu percebi essa semana que essa falta de foco tem pouquíssimo a ver com a minha organização. tipo, eu sou a rainha do bullet journal, gente, organização é o que não falta por aqui.

é falta de propósito mesmo.

eu percebi que toda vez que não sei porque tô fazendo as coisas que preciso fazer, eu fico confusa, meio perdida, sem saber o que fazer, desmotivada, e assistir pela milésima vez o clipe de Really Really no Youtube parece muito mais interessante do que a minha lista de tarefas.

tá, quando a cabeça tá muito maluca, eu consegui desenvolver alguns truquezinhos para me ajudar a focar de novo. a música tem sido a minha principal ajuda. eu ando tentando dividir o meu dia em blocos de horário também, mas não sei até que ponto isso está funcionando. mas acho que, o principal, é saber se eu estou seguindo o meu propósito ou  não.

é tipo quando a gente fica tentando usar milhares de aplicativos de organização diferentes e nenhum funciona. daí a gente tenta mais um e não dá certo. daí a gente pesquisa sobre bullet journal e também não se adapta muito bem. daí volta para os aplicativos. e a gente fica obcecada em pesquisar sobre produtividade e como se organizar e esquece da parte mais importante, que é produzir.

na hora que eu percebi isso, foi como uma tijolada na cara. mas, gente, é claro! eu só preciso parar de me preocupar em ser produtiva e produzir. o ‘como‘, tanto faz. é mais a questão de colocar a mão na massa que me incomodava tanto. e eu não colocava. e achava desculpas do porquê eu não cumpria as minhas tarefas. quando, na real, eu só precisava me fazer duas perguntas:

1.o que diabos eu tô fazendo?

2. por que diabos eu tô fazendo isso?

essa semana, essas duas perguntinhas foram tipo as minhas âncoras. tava lá bem de boa pesquisando sobre as ações russas durante a Segunda Guerra Mundial… OPA, que que eu tô fazendo? por que eu tô fazendo isso? e minha mente voltava automaticamente pra minha meta e pra minha função. e o trabalho fluiu mais fácil. é um exercício, né? e você se sente meio maluca das ideias tendo essa conversa com você mesma. não ajuda muito o fato de que eu sou altamente expressiva quando tô no computador e gesticulo como se ele fosse me responder a qualquer instante (imagine as conversas que eu já tive com as impressoras…). nessas horas, todas essas dicas de organização e produtividade entram apenas como uma ferramenta para eu cumprir a minha meta, mas não são o meu foco.

eu percebi também que fui diretamente afetada pelo flood de informação que a internet grita na nossa cara todos os dias e senti, mais uma vez, a  necessidade de dar um passo pra trás e selecionar melhor o que eu consumo e quando consumo (ainda mais em mês de BEDA, com tanto texto incrível pra ler, né?).

cada um desenvolve o seu próprio método de ser mais produtivo, mas nenhum vai ser tão eficiente quanto o propósito. fazer as coisas com amor, lembrar do porquê e pensar em quem recebe o nosso trabalho (qualquer que seja ele, em maior ou menos escala) é e sempre será a maior motivação que eu tenho.

você sente que é produtiva? o que te motiva a fazer o que faz?

onde foi parar o amor em três coroas negras?

no final de agosto, quando eu, a Karine, a Clarinha e a Gabi (o Chá de Flor tá crescendo!) decidimos ler Três Coroas Negras, da Kendare Blake, eu não sabia o que esperar. vi muita gente comentando sobre esse livro nas redes sociais, e blogueiras que eu acompanho falaram sobre ele também.

tinha muito tempo que eu não lia um livro de ficção, que dirá YA, e não imaginava que ele poderia ser do jeito que é. passado o choque com aquele final (sério, gente, o que fazer com aquele final?), eu fiquei em dúvida se curti ou não a leitura. confesso que achei o começo um pouco arrastado e confuso (são muitos personagens de uma vez só) e algumas partes da trama bem fracas, com um ar um pouco forçado. curiosamente, o livro me fez pensar sobre muitas coisas que não a própria história.

é assim: Três Coroas Negras se passa em um mundo fictício onde trigêmeas nascem de tempos em tempos para disputar a coroa do reino. uma das irmãs é naturalista (ela lida com a natureza, plantações, animais, etc), outra é elemental (ela controla os quatro elementos, o ar, o fogo, a terra e a água) e uma envenenadora (ela é imune a venenos e sabe manipulá-los muito bem). as três são criadas separadamente e quando alcançam os 16 anos, elas precisam matar umas às outras pelo trono. uma das irmãs deve matar as outras duas para se tornar rainha. pesado, eu sei.

eu enrolei muito para ler o livro porque percebi que a minha tolerância para violência está muito baixa. quando a gente começa a entrar em contato com a vida, com o amor, fica mais difícil aceitar de boa que as pessoas se odeiam. que elas guerreiam. dá pra entender o que acontece e o que se passa na cabeça de pessoas que estão tão próximas disso, mas eu percebi que a vida que eu levo hoje é tão distante dessa realidade que eu não aguento contato com essas ideias por muito tempo. a raiva, a vingança, o medo… são sensações que eu não sinto mais com frequência (e, quando sinto, não dura muito tempo) e a minha meta é chegar num ponto em que elas simplesmente não tenham espaço nenhum no meu dia a dia.

por isso, a pergunta que ficou na minha cabeça enquanto lia esse livro é: onde está o amor nessa história? ele simplesmente não está lá. o livro conta com algumas passagens românticas, mas acho que dificilmente o que acontece ali tem qualquer coisa a ver com o amor. acho que a Arsinoe é a personagem que mais se aproxima disso – ela é irredutível no que acredita e no quer proteger.

mas tudo o que acontece nesse livro tem a ver com vingança. tudo. as meninas se odeiam porque elas sabem que essa é a única forma de sobreviver. elas sofrem a vida inteira tentando desenvolver as suas dádivas. elas são isoladas do resto do mundo, elas são ‘obrigadas‘ a passar por rituais maldosos e elas precisam encontrar uma maneira de provar que são melhores umas que as outras. não existe meio termo. a cada página elas alimentam uma raiva que se torna o principal motivador para quererem a coroa.

sabe, a situação das três irmãs parece muito distante da gente, mas a gente encontra um motivo para alimentar a raiva todos os dias. e a gente nem percebe, porque parece natural. parece comum você sentir um nervosinho no trânsito, ficar irritado porque aquele e-mail não chegou, bufar porque o metrô parou entre uma estação ou outra.

a gente dá uma migalha por dia pra essas coisas, achando que não tem consequência nenhuma na nossa vida. mas tem. assim como teve pra Arsinoe. assim como teve pra Kat também. e aí parece que o mundo tá contra a gente, quando o que acontece é apenas o resultado do nosso investimento. se você investe na raiva, o que vai aparecer de volta pra você? mais raiva, claro!

a conclusão que eu cheguei é que, querendo ou não, essas meninas vão precisar desistir dessa raiva toda em algum momento (pelo menos, é isso que eu espero que aconteça). se quiserem resolver a sua condição juntas, no mínimo, é isso que tem que acontecer. caso contrário, é impossível.

Três Coroas Negras é uma história bem interessante. não é a minha preferida, mas prendeu a minha atenção. precisei, porém, me colocar só como observadora, não me envolver tanto com o que acontecia entre uma página e outra, pra não me sentir mal depois de ler. fiquei tentada a procurar as continuações em inglês só para saber como tudo isso termina. mas acho que tem leituras mais gostosas para fazer. dá para comprar o livro na Amazon clicando aqui (e você me ajuda – lembra do post sobre os 12 reais? ♥).

você já leu Três Coroas Negras? o que achou?

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dá pra fugir da farsa da vida perfeita do Instagram?

algumas pessoas me marcaram e mandaram para mim um vídeo da Karol Pinheiro que me fez pensar muito (e foi até a inspiração para o título deste post). apesar de algumas ressalvas, eu curti o conteúdo porque tocou num ponto que eu sempre refleti bastante: será que dá pra gente ficar longe dessa sensação de que não vive uma vida incrível, como a gente vê o tempo inteiro no Instagram? parece impossível, né? e às vezes que me martirizei porque o feed do meu não era maravilhoso não me deixam mentir que eu já sofri desse mal também.

eu já senti FOMO, já chorei por ver fotos incríveis de amigas minhas lá na rede social e até já pensei em deletar tudo de tão mal que me sentia toda vez que abria o Instagram e começava a passear pelo meu feed. também já senti muita raiva vendo a (pseudo) vida desses ~influenciadores~, que viajam milhões de vezes por mês, ganham outros milhões de coisas e ainda estão sempre com cabelo e peles perfeitas. também já fui viciada a ponto de passar horas atualizando a página e perder muito mais tempo checando o perfil alheio do que me ocupando com a minha própria vida (confissão: tem vezes que eu ainda caio nessa cilada).

mas (e aí entra um grande MAS) eu terminei de ver o vídeo da Karol e percebi que, hey, eu não me sinto mais assim. e, nossa, que libertador foi perceber que hoje eu consigo abrir o meu feed e não me sentir mal comigo mesma. aliás, até parei para perceber que o meu próprio feed está do jeitinho que eu sempre sonhei que ele fosse. e não é que eu transcendi as redes ou que aprendi a conviver com esse flood de informação que fica martelando na nossa cabeça o dia inteiro. nada disso.

eu mudei de meta.

lembra quando eu falei sobre fazer um blog pros outros? então. o meu Instagram não é feito pra mim, mas pra quem me segue. cada foto que eu coloco ali é uma conexão minha com você que me acompanha. eu faço a foto com carinho, eu penso na legenda com amor e eu clico em publicar lembrando sempre que quem olhar aquela foto vai se relacionar comigo de alguma maneira. eu busco uma conexão. é claro que na hora de fazer uma foto eu penso na composição, penso na luz e nos elementos que estão ali. mas, principalmente, eu penso no que eu estou sentindo quando clico em ‘publicar’.

a minha meta com o Instagram não é postar a foto mais bonita do castelo da Disney ou o prato mais fotografável do restaurante. é me relacionar com você que me acompanha. eu quero passar uma sensação – e se o feedback que eu tenho recebido é qualquer prova, eu estou sendo muito bem-sucedida nessa meta.

vida perfeita do intagram

a partir daí, qualquer foto que eu vejo no Instagram me mostra uma tentativa de relacionamento. qualquer rede social é um recorte da nossa vida, é impossível a gente postar absolutamente tudo o tempo inteiro (se bem que gente que tenta, né?) e acho que isso nem é o objetivo. a verdade é que as redes sociais vieram para suprir uma necessidade das pessoas, e o que a gente faz com elas é que importa. a gente só passou a colocar na internet uma necessidade de ser aceita, de ser legal, de ser reconhecida de alguma forma.

daí, é óbvio que só colocar coisas bonitas na rede e tentar fazer um feed perfeito vira uma meta, né?

mas se a gente olhar para cada foto como uma tentativa de relacionamento… puxa, tem tanta coisa que a gente pode entender com isso! a gente pode olhar para um ‘feed perfeito‘ e perceber como aquela pessoa quer ser reconhecida pelo seu esforço. como ela acha que se encaixar num padrão é essencial pra felicidade dela. como, talvez, recriar o estilo de alguém grande nas redes pode ser o caminho pra ela conseguir esse reconhecimento. no fundo, o que ela tá buscando é amor.

eu já postei foto sem maquiagem (na verdade, a maioria das fotos que eu posto é de cara lavada ou só com um pouquinho de delineador e blush), já publiquei foto de um dia no outro, já planejei feed, já tirei milhões de fotos pra escolher a melhor pra postar. mas eu fiz tudo isso com um sorriso no rosto e o coração quentinho, porque o tempo inteiro pensei no que seria mais legal pra passar pra você a sensação que quero passar.

então, respondendo a pergunta do título, tem um jeito da gente fugir dessa farsa toda e dessa sensação horrível que a gente fica quando passa muito tempo olhando o Instagram ou qualquer rede social. a gente só precisa mudar de meta.

fácil, né?

é, na teoria é muito mais fácil do que na prática, e eu sei o trampo que foi para chegar até aqui. é um treino diário, que eu faço a cada minuto que me lembro, e um reforço constante do porque eu faço o que faço. postar todos os dias no Instagram pode ser difícil pra quem trabalha de casa e não muda muito de cenário, ou para quem tem uma carga de trampo tão pesada quanto a minha, mas eu sempre tento fazer o possível para criar um conteúdo que me deixe mais perto de você.

a saída, talvez, seja justamente buscar essa conexão. a gente acha que ‘ser real‘ é falar que tá mal em dia que tá mal, é falar que brigou com o namorado antes de publicar a foto fofinha da reconciliação, é mostrar que tem photoshop pra apagar a espinha naquela selfie mara que você fez. não é não. ser real é colocar na prática o que você é o tempo inteiro – é ser fiel ao seu coração, a quem comanda essa máquina maluca que a gente chama de corpo e que usa pra se expressar. a honestidade pode aparecer de muitos jeitos diferentes – um textão no Facebook, um tuíte fofinho ou uma foto com legenda super sincera no Insta -, mas ela vai sempre estar presente em tudo o que você faz se você para e pensa no que está sentindo na hora de apertar o ‘publicar’.

se você busca uma conexão, um relacionamento com quem te segue, tanto faz se a foto tem filtro ou não, se foi feita em Paris ou em São Paulo. a pessoa vai sentir o que você colocou ali na hora que o clique aparecer no feed. é cansativo esse esforço constante de parecer cool e super na moda, a gente não consegue sustentar essa vibe sem que ela tenha consequências (a gente se ataca tanto quanto mente…).

a resposta pra nossa felicidade não tá no número de likes que recebeu na última foto postada. nem no número de comentários e engajamento daquele post. tá no interesse que a gente tem no próximo e no quanto tá a fim de ser honesta e sincera 100% do tempo. tá no quanto a gente quer se abrir pra se relacionar com as pessoas, sabe?

parar de mentir não é só falar o que você pensa e sente o tempo inteiro, é desistir de contar mentiras sobre quem você é, seja com uma foto no Instagram ou com uma roupa tendência do momento que você jamais usaria em ocasiões normais.

cada foto pode ser um ato de carinho. cada tuíte, um jeito da gente ficar mais perto. e aí tanto faz se eu tô em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Coreia ou no Japão. você vai junto comigo sempre. a realidade tá em parar de querer ser aquilo que você não é, e isso reflete em tudo – da foto que você faz na frete da Torre Eiffel até o clique arrumadinho do seu #bulletjournal.

o que você acha que precisa parar de fazer pra ser mais real nas redes?

 

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