resumaki #11 – novembro

resumaki de novembro

eu queria que vocês conseguissem sentir um pouquinho do que eu sinto todos os dias… mas, pensando bem, eu acho que dá por aqui, né?

um pouquinho sobre novembro…

nossa, novembro foi um mês tão cheio de carinho, sabe? tão cheio de amor… já começou com uma viagem incrível pra praia no feriado do dia 2. tinha tanto tempo que eu não entrava no mar, tanto mesmo, que tomei um susto com o quão gostoso é se refrescar depois de um tempão debaixo do sol. aliás, como é bom tomar sol, gente, sentir o calorzinho na pele, secar a água do mar deitada na cadeira, tomar sorvete de limão e comer isca de peixe. só façam que nem a amiguinha aqui e passem muito protetor solar, ok? ah, e não façam como a amiguinha também, que esqueceu o chapéu e queimou o couro cabeludo inteiro.

teve cafés deliciosos cheio de conversas incríveis com pessoas que eu amo, e eu acho que transformei em uma meta pessoal conhecer todos os lugares fofinhos dessa cidade e fazer fotos de cima das minhas xícaras de cappucino e das coisinhas gostosas que eu como no meio do caminho. tem dado certo até agora.

eu ainda acho meio difícil acreditar que isso aconteceu mesmo, mas eu fui no show do Coldplay e foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. eu acho que nunca assisti um show com tanto amor envolvido, com tanto apreço pelo público, com tanta entrega… minha nossa, tem horas que eu ainda fecho os olhos e vejo aquele mar de gente com as pulseirinhas coloridas cantando Fix You e me dá vontade de chorar… falando nisso, você chegou a ler a minha newsletter sobre esse show? escrevi aos prantos, confesso. (ah, se você nem sabia que eu tinha uma newsletter, dá pra se inscrever aqui ó).

foi um mês de muito trabalho (muito mesmo) que renderam umas fotos em lindonas no processo. de almoços acompanhados de pessoas queridas e muitos sorrisos. foi inclusive o mês que eu consegui voltar a ler definitivamente, graças à uma dica da fofinha da Mel (brigada, Melzinha ♥). foi um mês em que fez 20 graus em plena primavera e eu tive mais alguns dias pra sair de botinhas por aí.

teve um dia incrível no Brooklin Coletivo em que eu passei a noite inteira conversando com as pessoas da minha vida, dançando muito e cantando a plenos pulmões músicas que eu nem conhecia tão bem assim. foi um mês cheio de permissão – eu me permiti viver mais, amar mais, sorrir mais. ser mais leve, como eu sou de verdade. e como você é também.

… e algumas coisinhas que valem a pena compartilhar

um post que amei escrever: amorzices: como recuperar o amor pela blogosfera?

um post que amei ler: por que eu blogo?, do e agora, isadora?

um livro: The Little Book of Skincare, Charlotte Cho

uma pessoa: a Mel, que é sempre um docinho e uma inspiração

uma música: ‘there’s a light that you give me when I’m in shadow’

e eu tenho certeza que dezembro vai ser tão incrível quanto. e você?

 

52 pontos: como funciona a legenda do diário em tópicos

como funciona a legenda de um diário em tópicos?

são tantas perguntas envolvendo um diário em tópicos, que a gente pode passar horas falando sobre isso e ainda assim vai ficar com cara de tela azul do Windows na hora de sentar com o caderno e a caneta na mão. depois do índice, outra pergunta muito comum e que gera essa sensação de ‘PAN!’ é: como funciona a legenda? se a gente levar em consideração o modelo original, criado pelo mozão Ryder Carroll, é até bem fácil de entender:

legenda diário em tópicos

não é difícil, né? a questão é: muita gente acaba vendo aquelas inspirações (maravilhosas) do Pinterest e cria uma legenda com 33 mil itens diferentes, um sistema de cores, alguns detalhes extras (como um asterisco para tarefas importantes) e assim por diante… você consegue perceber que isso fica confuso só de ler o parágrafo, não é?

assim como o índice, a legenda do seu diário em tópicos precisa ser funcional – algo que você bata o olho e consiga identificar a informação que você precisa. a questão da legenda é um pouco mais delicada, porque ela é a base para todo o sistema de diário em tópicos. se você cria muitos símbolos e se perde nos seus significados, todo o sistema desanda.

então, na hora de pensar na legenda e nos símbolos que você vai usar para identificar as suas tarefas, tem que ser uma coisa fácil de usar. a única diferença da legenda do Ryder pra minha, a que eu uso no meu diário, é que eu coloco um coração no lugar do travessão para as notas e pensamentos (sim, sou dessas), eu não uso o sinal ‘<’ e tenho dois indicadores extras: um (*) antes de tarefas importantes, um (?) antes de tarefas que precisam de uma pesquisa ou serem confirmadas. uma tarefa que é cancelada, ganha um risco em cima. ou seja, se eu vou escrever alguma coisa no meu diário com esse sistema, fica mais ou menos assim:

legenda diário em tópicos maki

quando eu olho um dia do meu bullet journal, eu já sei exatamente o que cada um desses símbolos significa e a importância que eles têm no meu dia a dia. aí, fica fácil, entende? porque eu olho, eu sei o que é, eu faço, e pronto!

não tem muito segredo. você pode usar um quadradinho ao invés da bolinha, para indicar uma tarefa? pode. pode pintar de colorido ao invés de fazer um X, pra mostrar que aquilo foi feito? pode também. mas o principal é você ter alguns (poucos, hein?) símbolos-chave que vão ajudar na sua organização. não adianta criar uma lista com mil símbolos diferentes, se você não vai saber qual usar para cada coisa e precisar olhar a legenda o tempo inteiro para saber o que aquilo significa.

onde entra o sistema de cores nessa?

você já deve ter visto no Pinterest ou no Tumblr que algumas pessoas colocam assuntos separados por cores. estudos é azul, trabalho é vermelho, e coisas relacionadas à casa é verde. essas cores são um complemento à sua legenda. isso significa que você ainda vai usar todos os símbolos que você definiu ali em cima, mas vai acompanhar esses símbolos com cores diferentes pra identificar mais rápido de qual área da sua vida é cada tarefa.

vamos colocar isso um pouco mais na prática?  quando você escrever o seu dia, ele vai ficar mais ou menos assim, se você usar a legenda com o sistema de cores:

legenda sistema de cores diário em tópicos

entendeu? a partir daí, tem uma infinidade de coisas que você pode fazer com esse sistema de cores. você pode colocar as tarefas com esses tons no seu calendário do mês, no seu planejamento mensal, fazer uma divisão na sua página para cada cor, agrupar tarefas por cores… vixi, eu poderia ficar o dia inteiro falando sobre isso.

mas o principal é: você ter uma legenda que funciona para você e que você consegue usar com facilidade e aí escolher algumas cores pra te ajudar a deixar tudo mais claro. daí não tem erro, entendeu? ah, e eu nem preciso dizer que você não é obrigada a usar o sistema de cores, né? usa quem quer e só se for ajudar mesmo.

se você quiser me mostrar a sua legenda, pode postar uma foto no Instagram usando a hashtag #meus52. vai ser incrível saber como você decidiu montar a sua!

ficou alguma dúvida? deixa a sua pergunta aí nos comentários!

esse post faz parte do projeto 52 pontos. você pode ver os outros textos clicando aqui

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if this is love, then love is easy

love is easy mcfly

o ano era 2006 e a Maki do cursinho tinha acabado de descobrir uma banda britânica maravilhosa chamada McFly. as músicas tocavam em loop no CD gravado naquele computador antigo e eram alternadas apenas com algumas outras canções que insistiam que ela jamais sairia da fase emo.

eu já deveria suspeitar que as coisas não estavam bem naquela época. um dia, eu coloquei um dos meus CDs mais depressivos pra tocar e sentei no chão do banheiro. o volume tava alto, eu mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos e as minhas mãos tremiam muitos: o meu desejo era sumir do planeta. eis que, de repente, começa a tocar I’ll Be Ok. uma música do McFly que fala sobre ficar tudo bem nos momentos mais sombrios. ali, eu tive certeza que não era a minha hora e, principalmente, que eu não tinha motivos pra me machucar, e me agarrei naquela música com todas as forças pra sair daquela posição.

desde então, eu passei a acompanhar essa banda sempre. todos os dias eu ouvia um álbum. eu decorei os clipes. eu sabia todas as letras. e eu acompanhei cada um dos membros nos momentos mais importantes da vida. quando o Tom casou e deu aquele discurso lindo. quando o Harry pediu a namorada em casamento também. quando o Dougie foi pra rehab. quando o Danny participou de um reality de ópera. e no meio de tudo isso veio uma música que, pra mim, é a essência do McFly: Love is Easy. a estrela principal desse post.

não consigo colocar em palavras o tanto que eu amo essa música e o que ela significa pra mim. quando ouvi pela primeira vez, ela me fez tão feliz que passei a semana seguinte cantando em loop pela casa. talvez, porque foi uma música feita pensando nos fãs. talvez porque ela fala a verdade e o amor é mesmo fácil.

mas é o tipo de música que me faz sentir bem. por algum motivo, eu sempre volto pra ela, de tempos em tempos, e passo algum tempo vendo como cada um deles tava feliz nesse clipe. eles se divertiram de verdade, sabe? lembrando da história de cada um e da banda, e oferecendo um presente pras pessoas que acompanham eles há tanto tempo. eu me senti representada. me senti junto deles. fiquei até me perguntando de onde veio a ideia de usar uma frase de A Felicidade Não se Compra, um filme de 1946, no meio da música.

talvez, eu ame tanto Love Is Easy porque é uma das poucas que eu já ouvi que fala de amor de uma forma tão feliz. tão alegre. tão sincera, sabe? no meio dos ‘do ro do ro ro do‘ eles dizem que o amor completa. que ele é fácil. eles me ensinam o quanto se amam, entre si mesmos, e o quanto amam as pessoas que estiveram sempre junto deles, mesmo que não fisicamente.

tô iludida esperando sexto álbum? (que aparentemente eles já gravaram, mas não lançam nunca?) tô, sim. mas tanto faz, sabe? tanto faz, porque eles me deram uma baita lição do que é o amor, quando eu ainda não tinha noção do que ele era de verdade. quando ainda tava perdida nas minhas ideias sobre mim e o que eu achava do mundo.

eu sempre fiquei impressionada com a capacidade do McFly de falar de assuntos sérios de uma forma otimista, dando uma saída, sabe? mostrando um caminho, um sentimento, uma solução. as músicas deles sempre tiveram uma cara de solução pra mim. que alguma coisa tinha sido resolvida, que eles encontraram a resposta pro que estavam cantando, que até a solidão tinha jeito. então, sim, eu gosto muito de McFly e eu gosto mais ainda dessa música, que pra mim tem essa carinha aí: de coisa feita com o coração.

e mal sabia eu que, tantos anos depois, eu aprenderia a viver exatamente como a música diz. a minha grama é verde. eu fiz o céu ficar azul. eu escuto as flores conversando. e eu até vejo tudo como se fosse a primeira vez. e é tão, tão, feliz. é alegre. e me dá vontade de sair por aí tocando um ukulele e cantando do do ro do ro ro do.

A simple equation
With no complications
To leave you confused
If this is love, love, love
Hmm it’s the easiest thing to do

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quando virou legal odiar as pessoas?

sobre odiar as pessoas

tava andando pelo Twitter ontem e me deparei com uma imagem do Homer Simpson (?) toda editada e com uma camiseta que dizia assim “eu odeio pessoas com foto de anime coreanos”. fiquei intrigada. não é a primeira vez que vejo alguém comentando que não gosta dessa ‘galera‘ que é fã de kpop e coloca as fotos do ídolo no perfil.

eu poderia ter passado em branco por isso, não fosse também uma conversa com a Duds no feriado sobre como as pessoas transformaram o ‘odiar a Taylor Swift‘ num esporte. dai eu passei por uma aula também que falou sobre o quanto a gente não se abre pra conhecer as coisas e solta um alto e sonoro ‘NÃO‘ pra tudo que a gente acha que não combina com a gente, sem nem conhecer. você já deve ter concluído que eu não dormi muito essa noite, né?

porque, sim, eu andei pensando sobre tudo isso e como a gente transformou o não gostar das coisas em moda. é cool dizer que odeia alguém e ir contra o movimento. é divertido gongar a pessoa X no Twitter. é ‘bacana’ dizer que não tem paciência pra quem gosta de música coreana e fica colocando foto de caras com cabelos coloridos e coroas de flores nas redes sociais.

eu, a Mel e a Lominha começamos um movimento de trazer mais amor pra internet (que não é inédito, diga-se de passagem, mas é muito importante), e eu não consegui não fazer uma relação com o que eu tenho visto. porque tem um detalhe importante nessa equação toda que pode passar despercebido e que as pessoas ignoram: “tudo o que eu sinto diante do que vejo é tudo o que sinto por mim mesmo“.

essa frase me acertou como um soco no estômago. um copo de água gelada jogado na cara. o barulho de um trovão numa noite 100% silenciosa. foi um susto que não deveria exatamente me assustar. porque é verdade.

tudo o que eu sinto diante do que vejo é tudo o que sinto por mim mesmo. se sinto raiva, essa raiva é de mim. se sinto tristeza, é de mim, é comigo. se tô feliz, é comigo também. e não digo um ‘comigo‘ no melhor estilo ‘eu sou o centro do universo e tudo gira ao meu redor‘ (apesar da mecânica da coisa ser assim mesmo), mas porque é muito ingênuo da nossa parte achar de verdade que as coisas que a gente vive tem um efeito no que a gente sente (spoiler: não tem).

é a gente, sabe? a gente sentindo coisas, a gente experienciando coisas, a gente entendendo como isso tudo funciona. e é a gente sentindo uma raiva por causa da pessoa X que usa a foto de um ídolo coreano no Twitter e a gente que fica irritada porque a Taylor Swift tá lançando uma música shade. é a gente sentindo raiva. e essa raiva não tem nada a ver com kpop ou a música da Taylor, e tudo a ver com o que gente sente pela gente mesma.

e nessa brincadeira a gente fica perpetuando raiva e distribuindo ódio por aí, ensinando pra tudo mundo que, na verdade, a gente se odeia e não sabe muito bem o que fazer com isso. fica presa nessa nhaca e vai sendo levada por esse buraco cada vez mais.

sobre odiar as pessoas

e isso cria uma intolerância, sabe? um ‘não quero – não gosto – sai daqui‘ que afasta a gente das pessoas. a gente não se permite conhecer, não se permite entender, e fica fechada numa caixinha que a gente mesma criou, sentindo coisas sobre a gente mesma, sem saber como sair.

num dá um aperto no coração só de pensar? o ar num faltou aí também?

ao mesmo tempo… num dá um comichão de começar a se perguntar ‘mas por quê?’. ‘odeio isso – mas por quê?‘. ‘não gosto daquilo – mas por quê?‘. ‘não quero isso – mas por quê?‘. parece esquisito a gente duvidar das nossas certezas, até descobrir que se privava de uma coisa super legal só porque colocou na cabeça que era chato. (eu já contei a história do mamão? eu passei a vida inteira dizendo que odiava mamão – hoje como com canela e é uma das partes mais gostosas do meu dia).

quando foi que odiar as coisas virou legal? quando foi que dizer que a gente odeia coisas virou legal? e ficar reforçando essa coisa de ‘ei, vamos nos juntar aqui porque a gente odeia as mesmas coisas e temos muito a dizer sobre isso‘. não, gente. a gente tá falando mal da gente assim. tá se maltratando. e tá ignorando que essa raivinha não é com os sete caras que dançam e cantam em coreano (amo), mas com a gente. a raiva é da gente. e o trabalho tem que ser um de reversão: de lembrar que a gente é gostável. que as pessoas ficam felizes em ter a gente na vida delas. e que a gente é livre pra se unir no que é gostosinho e não no que faz mal.

e nessa postura a gente assume que é assim e vai ensinando pras outras pessoas que elas são assim também. porque no fundo, é tudo a mesma coisa, né? eu e você, você e eu. a gente só brinca que é separado, de vez em quando.

sei lá, talvez eu precise dormir mais e parar de pensar tanto sobre coisas que vejo na internet.

ou talvez, só talvez, eu possa usar a própria internet pra lembrar todo mundo que a gente se ama e que não gostar de qualquer coisa é muito démodé.

o que eu e Anna Oliphant temos em comum

anna e o beijo francês

se você me perguntar, eu não vou saber dizer quando foi que Anna e o Beijo Francês apareceu na minha vida a primeira vez. teve uma época, há alguns anos, que eu criei um hábito de passar horas andando pelas livrarias da Av. Paulista (a Livraria Cultura do Conjunto Nacional sempre foi uma preferida) e levar de volta para casa um livro novo.

tudo o que lembro é que li esse livro da Stephanie Perkins em menos de três dias, porque ele conquistou o meu coração completamente. acho que ninguém nunca entendeu exatamente porque Anna e o Beijo Francês foi tão marcante para mim – afinal, é um livro young adult água com açúcar, um romance que deixa o coração quentinho e nada mais -, mas na fase em que eu estava, ele conversou muito comigo.

eu me vi na Anna muitas vezes. a menina que não sabia muito como fazer amizades, que se apaixona pelo cara com um sotaque bonitinho e nutre um amor platônico que só acontece na cabeça dela por muito mais tempo do que deveria ser permitido por lei. eu achava, como ela, que era injustiçada e vítima de coisas que eu mesma causei. eu chorava muito e guardava ressentimentos e fazia coisas que não queria tanto assim pra provar um ponto.

enfim, Anna e eu éramos muito parecidas.

ela também tinha uma necessidade de pertencimento que eu sempre busquei. chegando em Paris, ela se sentiu perdida, meio sem saber o que fazer e querendo voltar pra casa. eu sempre tive esse desejo de voltar pra casa também (mesmo sem saber o que ‘casa‘ significava) e queria só me sentir aceita pelas pessoas ao meu redor. era uma necessidade de saber que tá tudo bem, sabe?

anna e o beijo francês

quando eu morei na França, passei um fim de semana em Paris com duas amigas e tinha uma única condição: eu precisava ir até Catedral de Notre-Dame tirar uma foto no Point Zéro, o local de onde saem todas as principais estradas da França, e fazer um pedido como o da Anna: ‘que se dane. deixe os fatos decidirem. eu desejo o que é melhor para mim‘. direto ao ponto. ainda bem, meu desejo se realizou e hoje eu vivo aprendendo todos os dias a escolher o que é melhor para mim – porque também é o melhor para todos.

naquele momento, em cima daquela estrela no meio da calçada do pátio da catedral, cercada de turistas que tentavam entender o que eu estava fazendo (e, obviamente, fizeram a mesma coisa depois de mim), eu me senti conectada com essa personagem e a sua realidade, que apesar de já estar bem longe da minha (eu já não era mais aluna colegial quando li esse livro a primeira vez), representava tudo o que eu sentia.

eu me senti feliz, sabe? de poder colocar os pézinhos na estrela e fazer o meu pedido de buscar o que é melhor pra mim pro universo. verdade seja dita, assim como a Anna, eu estava cansada de pensar no que eu queria e não queria e de tentar descobrir sozinha qual caminho eu deveria seguir. melhor deixar o universo decidir e esperar que eu esteja atenta o suficiente pra ver o sinal néon que ele coloca na minha frente toda vez que eu erro a rota.

anna e o beijo francês
eu e minhas botinhas surradas no Point Zéro, em 2014

hoje eu sei que não foi o universo que decidiu coisa alguma, mas eu que escolhi melhorar. já comentei que tava no meio do meu processo depressivo quando fiz essa viagem e que lembro de boa parte dela com o coração pesado – a dor que eu sentia era tamanha que passar um mês inteiro só na minha casa em Nice, mal saindo para as aulas, parecia totalmente aceitável.

mas, naquele momento, quando eu lembrei da Anna de pé ali, no seu primeiro passeio pela Cidade Luz, e o St. Clair dando às boas vindas pra ela em Paris, eu me senti confortada e esperançosa. talvez as coisas não estejam bem mesmo, mas, pelo menos, a Anna me ensinou que quando a gente se abre pra entender os outros, a gente percebe coisas que nunca viu antes e isso deixa a gente em paz. foi o que aconteceu com ela e comigo também.

ainda hoje eu reservo um tempo no ano pra reler esse livro – e toda vez é uma leitura diferente. cada novo virar de página eu descubro um detalhe da escrita da Stephanie que torna a história tão envolvente. cada vez que eu vejo a Anna se abrindo pra essa experiência de viver num país novo, eu me lembro dos desafios que eu mesma enfrentei e como mudei de lá para cá. não tem nada a ver com amadurecimento e tudo a ver com abertura: pra olhar pra fora da minha cabeça e entender que o mundo não gira a minha volta e que as pessoas precisam de mim tanto quanto eu preciso delas. e nisso a gente se ajuda e se fortalece, sabe?

e, nisso, a gente entende de verdade o que significa soltar um ‘eu desejo o que é melhor pra mim‘ pro universo. por que ele tá ouvindo, viu? e se o pedido for sincero, a resposta vem.

anna e o beijo francês

se você quiser dividir um pouquinho desse amor pela Anna (e por Paris!) comigo, pode comprar Anna e o Beijo Francês clicando aqui.

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