Por que desistir dos blogs é tão tentador?

Quando eu penso em internet, só me vem na mente coisas legais. Os fóruns que eu participei, as comunidades do Orkut que eu amava (‘Deve ser chato ser uma árvore’ – nunca mais esqueci dessa!), o Fotolog que eu já tive, os sites de fanfictions onde eu passei 99% da minha adolescência… Enfim, eu tenho muito carinho por essa tal internet.

Por que desistir dos blogs é tão tentador?

Acontece que eu sei também que o mundo online tem um lado obscuro que eu, ainda bem, consegui ficar longe por boa parte da minha vida na internê – salvo os eventuais comentários em páginas de notícias, que a gente sabe que não deve ler, mas lê mesmo assim. Recentemente, a Lominha, do Sernaiotto, que é uma referência em blogs – e principalmente, em conteúdo sobre blogs para blogs – fez um post falando que estava pensando em desistir desse mundo por causa dessa onda ~bad vibes~. E não à toa.

“As pessoas estão desaprendendo a ser gentis. É muito ódio gratuito, muita gente que acredita que você deve estar disponível, gente que critica sem conhecer as causas. Tá tudo muito frio entre os monitores, sabe? Atitudes que ninguém tomaria se estivesse ali, cara a cara, tomando um café”. A Lominha também acha que isso aconteceu porque a ideia de ganhar um ‘dinheiro fácil’ com a internet ganhou muito espaço na cabeça das pessoas e isso tirou um pouco a ‘humanidade’ das coisas.

“Tá tudo muito frio entre os monitores, sabe? Atitudes que ninguém tomaria se estivesse ali, cara a cara, tomando um café” – Loma, do Sernaiotto

Também, pudera. Não é de hoje que a gente vê blogs estourando da noite para o dia, Youtubers virando celebridades e aparecendo em outdoors de uma hora para a outra e muito dinheiro envolvido nessa brincadeira toda. Nesses casos, eu acho que a comparação é quase inevitável.

A Lominha me falou também uma coisa que eu achei muito interessante: a internet justa é uma ideia utópica. “Tudo que envolve pessoas e distintas opiniões tem conflitos”. E, realmente, isso é verdade. Opinião sempre vai gerar conflitos, e é impossível a gente impedir as pessoas de darem uma opinião sobre qualquer coisa (nem ditadura consegue). Mas, então, qual seria a saída desse mundinho obscuro?

Propósito.

Lembram quando eu falei que tudo o que você precisa pra fazer qualquer coisa é um propósito verdadeiro? Então. A Lominha também acha que os blogs mantêm o seu propósito: “Alguns blogs podem ter perdido o foco, ou foram o pontapé inicial para grandes projetos ou novas profissões. Mas o blog continua sendo aquele lugar que a gente compartilha experiências e faz amigos, mesmo que nem todo mundo o veja mais dessa forma”.

Quando eu comecei o Desancorando, saída de uma experiência não tão legal assim com um outro blog, que eu mantive por 5 anos, a ideia era justamente essa: fazer amigos. Criar um ambiente acolhedor pras pessoas conversarem sobre o que elas quisessem e que eu apenas levantaria a bola.

E, pensando assim, ficou muito mais fácil olhar para as coisas com um olhas mais carinhoso, porque era isso que eu procurava, e isso que eu queria – e ainda quero, todos os dias – proporcionar pra quem entra no blog.

É muito fácil a gente olhar pra uma tela que pisca e achar que não tem ninguém ali do outro lado, lendo o que a gente escreve. Mas isso é mentira. Tão mentira que não dá nem pra levar isso a sério quando a gente lê uma matéria num Uol da vida, por exemplo. Sempre tem alguém do outro lado da tela, seja escrevendo, editando, tirando fotos ou revisando um texto. E essa pessoa tem que ser levada em consideração.

Se a gente esquece que tem alguém do outro lado, trabalhando pra entregar uma coisa (qualquer coisa) que seja, então a gente está travando o fluxo natural das coisas. Entende?

Então, com tudo isso em mente, o que fazer com um blog em pleno 2016?

“Não busque seguidores, faça amigos. Não busque dinheiro, busque contatos. Não procure a perfeição, procure aprimorar o que você sabe. Com o tempo – e se o seu blog acabar – ficam os amigos, ficam as oportunidades e também ficam as suas habilidades bem aprimoradas em fotografia, texto, vídeo. Faça por você, compartilhe o que gosta e o resto, é lucro.”

Pronto, tá feito.

#ancoraemmim

Quem me acompanha no Instagram percebeu que, de uns tempos pra cá, eu comecei a postar umas fotos diferentes: eu de mãos dadas com várias pessoas queridas. A ideia começou meio sem querer: no final de março eu reciclei um workshop na Coexiste e uma das participantes levou esses balões incríveis com frases bem legais.

#ancoraemmim

Esses balões são parte do trabalho do artista e fotógrafo Felipe Morozini (@felipemorozini) e eu achei a ideia incrível. O balão que eu mais gostei dizia assim: ‘pega na minha mão e não solta’.

Gostei tanto, aliás, que logo em seguida tirei foto com um amigo, de mãos dadas, falando que ele tinha aceitado a sugestão, e achei a brincadeira tão legal que continuei. Foi o que me inspirou a fazer um dos meus posts preferidos do blog: 30 coisas que todo adulto pode fazer. Há algumas semanas, conversando sobre isso com outra pessoa querida, cheguei numa hashtag que eu poderia usar que tivesse a ver com o blog e também com a ideia: #ancoraemmim.

Não solta não, tá? Segura bem forte.

Uma foto publicada por Maki De Mingo (@desancorando) em

Sabe, tem horas que a gente fica tão perdida na nossa própria cabeça, que a gente esquece mesmo que quando a gente se relaciona, quando olha pro outro, quando recebe e demonstra um carinho, a gente volta a ficar mais em contato com a gente. Pra mim, é isso que esse ‘projeto’ (acho estranho falar isso, mas ok) representa pra mim. É uma forma de eu me lembrar quem eu sou, de mostrar como esse contato é importante. E, mais do que isso, é uma forma de mostrar que assim como eu confio a minha vida à essas pessoas, elas podem fazer o mesmo comigo.

Eu me comprometo a ser verdade sobre elas (e sobre vocês também) e de lembrá-las o tempo todo quem elas são. Publicar fotos assim é só uma forma de eu compartilhar esse sentimento com vocês que acompanham o blog. (e o Insta! Já tem mais de 800 pessoinhas lá! ♥)

Num mundo em que o ódio parece sempre ganhar, é importante a gente lembrar que a nossa natureza é o amor, e que compartilhar esse amor com todos, de forma que todo mundo lembre de quem é, é a nossa meta. Nada mais além disso importa, entende?

#ancoraemmim e me ensina tudo sobre a tal disponibilidade

Uma foto publicada por Maki De Mingo (@desancorando) em

Demorei pra fazer esse post (já são quase dois meses desde que eu postei a primeira foto) porque queria entender melhor o que era isso que eu tava fazendo, e a sensação que eu tô colocando em cada uma das fotos. E também pra estender o convite. Se você quiser participar também, é só usar a hashtag #ancoraemmim. Assim eu posso ver o que você postou também (e se quiser garantir que eu vou ver mesmo, me marca na foto, que aí não tem erro!). Tá bom?

O minimalismo está matando a sua espontaneidade

Já dizia minha avó (e continua dizendo, por sinal), que tudo em excesso faz mal. Eu já gosto de ir além: tudo o que limita faz mal. E quando falamos de limitação, a gente bem sabe que essa espécie peculiar chamada ser humano sabe muito bem como se limitar mais e mais.

Essa semana eu vi vários posts e vídeos falando sobre como deixar o Instagram com um feed mais harmônico, como criar um tema pro seu Instagram, como editar fotos pro seu Instagram. Se isso não é prova de que o Instagram está dominando o inconsciente coletivo, eu não sei o que é. Até comentei no Twitter que fiquei surpresa com a quantidade de posts sobre esse tema blogosfera/Youtube afora.

o minimalismo está matando a sua espontaneidade

Junto com isso, vi outros dois posts incríveis que me fizeram pensar sobre minimalismo: um da Babbee, que começou a conversa falando sobre o minimalismo nos layouts, e outro da Bessie, que ampliou a discussão levando o tema também para a decoração.

Você pode me perguntar: ‘mas qual a relação de Instagram e minimalismo?‘ Toda! Quantos tutoriais e textos sobre essa rede você já viu por aí que falam que menos é mais, pra apostar em fundo branco, em pontos de cor, em decoração minimal, em sei-lá-mais-o-quê, em 3 passos para ter fotos mais bonitas e afins.

Enquanto eu acho super legal você postar fotos bacanas, se isso, claro, servir a um propósito (de novo essa palavra que persegue quem lê o blog), não tem porque você se virar nos 30 pra tentar passar uma coisa que não é prática e que não representa a sua essência.

No Instagram do blog eu tento seguir um padrão das postagens porque ele foi criado com o intuito de ser uma extensão do blog. Ali eu coloco o mesmo carinho e cuidado que eu coloco por aqui. Como o blog é uma extensão da minha vida e eu já falei que aqui não existem segredos, eu percebi que esse Instagram tinha que virar o meu mesmo, se não eu estaria fazendo uma distinção entre o que é o blog e o que sou eu. E essa diferença não existe.

Sendo assim, eu gosto de seguir um certo padrão pra manter essa imagem e esse propósito. Mas isso não significa que eu fico obcecada em postar fotos só no estilo X ou Y. Se eu tirei uma foto que foge desse padrão e que passa a mensagem que eu quero passar eu vou postar independente de estar ‘de acordo‘ ou não.

Até comentei com a Gabi, em um post que ela fez sobre o assunto no Facebook (e acabei de ver que ela fez um post no Teoria sobre isso também!), que eu comecei a usar só um filtro no Instagram pra todas as fotos por preguiça de ficar pesquisando entre os mil que tem ali. Era mais fácil, entende?

E por mais que ter uma vida minimalista seja bacana, isso não significa que ela seja assim na prática. Meu quarto só é minimalista agora porque vocês não conseguem ver o armário abarrotado de livros e bugigangas que eu ainda não desencaixotei porque não comprei prateleiras (alô, enrolação!).

Ser minimalista é legal, mas ser espontâneo é muito mais! Quando a gente faz qualquer coisa na espontaneidade (e não confunda espontaneidade com imprudência ou com impulsos), quando a gente se permite um ato sincero, a resposta é muito mais incrível do que quando gente tenta passar uma coisa que não é.

Bem no basicão, sabe como surge uma tendência? Uma pessoa vê uma coisa legal, começa a usar/fazer, aí outras pessoas acham isso legal e começam a reproduzir esse comportamento/roupa/estilo/whatever. O problema é quando essa ~tendência~ (quem mais tem aversão à essa palavra?) vira uma regra: e aí todo mundo tem que fazer tal coisa PORQUE É ASSIM E PONTO.

Não, gente. Você não precisa ter um feed de Instagram harmônico. Você não precisa ter um feed só com fotos minimalistas com cabeças de Bambi metálicas e cruzinha na parede. Você não precisa ter um layout preto e branco com um header de aquarela e você, com certeza, não precisa comprar ou se desfazer de coisas que gosta pra adquirir um estilo de vida ‘minimalista‘. Eu, por exemplo, só tiro foto praticamente das mesmas canecas porque são as maiores que eu tenho e eu amo tomar um balde de chá logo de manhã. #truestorybro

Você é livre pra fazer o que você quiser. Não deixe que uma coisa que parece bonita tire a espontaneidade que vibra dentro de você. Se quiser ter um quarto bagunçado, tá tudo bem! Se quiser ter um quarto de Pinterest, tá tudo bem também! Se você quiser um Instagram perfeito-harmônico-só-tiro-fotos-com-fundo-branco ou se preferir um samba do crioulo doido, tá tudo ótimo. Isso não muda quem você é.

A gente tem que parar com essa mania de encontrar mais fatores pra limitar a nossa vida e esquecer que a real felicidade está em ser espontâneo (de novo, não tem nada a ver com impulso, ok?). Se eu tirar uma foto linda com as minhas amigas vou deixar de postar só porque ela não tá assim ou assado? Garanto que não!

Vamos parar de falar como as coisas ~tem que ser~ e aceitar que quando a gente faz qualquer coisa de um lugar verdadeiro, com uma sensação bacana, é muito mais gostoso. Porque ter um feed do Insta impecável ou um quarto minimalista digno de Casa Vogue não faz você feliz (nem hoje, nem nunca!).

O que faz você feliz é estar em contato com quem você é de verdade e usar de todas as ferramentas (seja um quarto bagunçado ou um feed do Insta, ou um layout P&B) pra ajudar as outras pessoas a entrarem em contato com isso também! Entendeu?

Você acha que o minimalismo está passando dos limites?

Vale a pena ter um blog em 2016?

Curiosamente (ou não), eu tenho lido muito sobre o futuro dos blogs. Claro, quem acompanha esse mundinho um mínimo sabe que a gente fala do ~futuro dos blogs~ quase todo mês, mas eu sinto que o discurso mudou bastante nos últimos tempos.

Todo mundo que tem acesso à internet tá ligado que o mundo está mudando. Ninguém mais quer sair comprando as coisas sem pensar um pouquinho antes (alô, armário cápsula) e essa coisa de propaganda em tudo o que é lugar está cansando bastante. As pessoas agora estão atrás de alma.

vale a pena ter um blog em 2016

Li um texto da Ale Garattoni (musa inspiradora mor) que fala justamente isso: como os leitores estão atrás de textos que sejam mais pessoais, que criem um relacionamento com quem escreve, sabe?

Quando eu criei o Desancorando, prometi pra mim mesma que não ia escrever textos se não tivessem alguma ligação comigo, de alguma forma. Se eu não pudesse dividir uma experiência junto. Claro, entre erros e acertos eu estou encontrando essa minha voz bem pessoal, que é o que eu mais gosto no blog. Acho que já cheguei a comentar que esse é um espaço sem segredos. Eu posso mentir aqui, sabe? (tipo a In Ha com os soluços dela em Pinocchio)

Claro, isso não quer dizer que você não possa ter algum tipo de renda vinda de um blog, ou que ele não possa se transformar no seu trabalho, mas, com certeza, acho que a época de criar blogs pra ser RYCA chegou ao fim, oficialmente.

Os trabalhos mais legais que eu tenho visto atualmente são aqueles que que tem uma pessoa de verdade por trás. Sabe essa coisa que eu falo sempre de ser você mesma e deixar as mentirinhas de lado? Tudo isso num nível bem mais profundo? Então, é isso.

Quando você tá numa sensação legal, quando você é sincera com quem você é com o que você faz, você naturalmente passa uma ideia de carinho e de relacionamento, entende? É diferente de você escrever um texto só pra ter um número X de likes no final do dia.

Pensando nisso, é válido fazer uma listinha de TUDO O QUE VOCÊ PRECISA PARA TER UM BLOG EM 2016:

1. um computador (ou um tablet, ou um celular, vai saber)
2. coisas para dizer.

FIM!

Acho que ainda hoje as pessoas ficam problematizando essa coisa de escrever um blog. Gente, é um blog! Você pode fazer tudo o que quiser com ele! Não tem obrigação nenhuma, sabe?

Momento filosofia: o blog é tipo uma metáfora pra vida. Quanto mais mentirinhas você coloca ali pra agradar os outros, menos você vai gostar do seu blog, das pessoas que comentam no seu blog, do que você ganha com o seu blog e de você mesma, por extensão.

Volta de novo praquilo do propósito: quando você tem uma meta verdadeira, tudo fica muito mais fácil de fazer. E natural também.

O que você acha dessa nova onda de blogs?

TAG: Bloggers Out and About

Tô tão emocionada! É a primeira vez que eu sou ‘desafiada’ para responder uma tag! A fofinha da Celle me convidou para responder a tag Bloggers Out And About (que também tem um grupo no Facebook). Eu fiquei feliz porque as perguntas são sobre viagens, um dos meus temas preferidos!

Tag Bloggers Out And About

1.Onde você nasceu?

Em São Paulo

2. Onde você mora hoje?

Aqui em São Paulo mesmo! Sou louca por essa cidade, nasci e cresci aqui.

3. Qual foi o destino da sua última viagem?

Fui pra Belo Horizonte na última semana! A casa da minha tia lá é um dos lugares mais lindos do planeta!

4. Qual é o destino da sua próxima viagem?

Não planejei nada (e também estou deixando as coisas rolarem), mas gostaria de ir para a Itália um dia.

5. Qual foi sua melhor viagem?

Ui, foram tantas que é difícil escolher uma só. Mas acho que a viagem que eu lembro com mais carinho foi a que eu fiz para Disney, como parte do ICP – o intercâmbio de trabalho que fiz lá.

6. Qual o lugar mais bonito que já visitou?

Outra pergunta bem difícil de responder… Acho que Nice, na França. Lembro até hoje da sensação de olhar o sol batendo no mar e na praia de pedrinhas! (lá a praia não tem areia!)

7.Que lugar você quer muito visitar?

Japão! É um sonho de infância fazer um mochilão por lá. Sou doida com a cultura japonesa e tenho um carinho especial pelas cerejeiras. Quero muito conhecer na época dos festivais de primavera!

8. Qual lugar você não tem tanta vontade assim de conhecer?

Hum… Eu sou dessas que quer conhecer o mundo inteiro, mas não tenho muita curiosidade em conhecer a América Central.

9. Onde você gostaria de estar agora?

Exatamente onde estou agora. Em casa, tomando um chazinho e respondendo essa tag. ♥

10. Onde é o seu “lar”, o lugar que você se sente mais feliz? E por quê?

O meu lar… Sou eu mesma. Faz sentido isso? No último ano, eu aprendi que o lugar em que eu me sinto mais feliz não é um lugar de verdade, mas sim um estado de consciência. Não tem como eu não ser feliz estando contato comigo mesma, com quem eu realmente sou, e é esse contato que eu quero manter por toda a existência. A felicidade está em mim e não em um lugar físico!

Vou taggear as donas Ká Lopez, Silmara, Bessie, Kênia e Gabi para responderem também essas perguntinhas sobre viagens. Estou curiosa pra saber um pouco mais sobre o sentimento wanderlust de vocês!

Qual o lugar mais bonito que você já visitou? Quero saber também!