a solução surge da necessidade (ou: como o blog começou)

o desancorando nasceu na sala de imprensa do SPFW. o ano era 2014 e eu estava completamente perdida. não conseguia tirar da cabeça a ideia de que eu precisava de um lugar para extravasar, para compartilhar com as pessoas coisas eu parecia não ter outro lugar para falar.

eu blogo desde que tudo isso aqui era mato e, antes desse, tive um blog por 5 anos chamado Manias de Moça. era um blog de moda e beleza que eu tentei fazer dar certo por muito tempo e na hora que eu mais precisava, senti que ele me deixou na mão. não daria mais certo entre nós. eu precisava começar do zero. eu sempre fui muito fã de recomeços, a ponto de achar que recomeçar a vida (literalmente) seria a melhor saída para o meu problema.

eu lembro de ter algum tempo entre um desfile e outro e a cobertura estava meio fraca aquele ano. então sentei no computador para matar o tempo e não me segurei. abri o WordPress, registrei um blog novo… e deletei alguns minutos depois. daí fiz esse mesmo processo algumas vezes até gostar de um nome – sempre a parte mais difícil.

não vou saber dizer de onde veio a ideia de desancorando (lembro que eu pesquisei no Google pra saber se a palavra existia – e existe, significa que o navio está levantando âncora -, mas lembro bem da sensação: era um misto de sentimentos entre encontrar um lugar para firmar os pés e deixar para trás tudo aquilo que me fazia mal. ancorar e desancorar.

a minha conexão com as palavras, até por profissão, sempre me acalentou. era como se eu tirasse um peso do peito e aliviasse o nó da garganta. curiosamente, eu nunca consegui manter um diário por mais do que algumas semanas depois de crescida. escrever para a internet pareceu mais fácil.

é mais ou menos a mesma coisa com o jornalismo. não lembro quando me apaixonei pela profissão, só que escrever sempre foi o meu futuro. não conseguia me ver muito longe disso, mesmo eu tendo insistido em virar advogada por um tempo (obviamente, não deu certo). pareceu a escolha mais lógica, já que escrever era o que eu sabia fazer de melhor e a escrita sempre me confortou.

como o blog começou

no meio de um ambiente que, hoje eu sei, não tem nada a ver com o blog, ele nasceu como uma esperança. na real, ele foi uma solução. eu tinha uma necessidade de colocar para fora coisas que me sentia confortável falando com as pessoas que eu conheço. vai ver o segredo era mesmo jogar tudo para a internet me dizer o que fazer (se bem que ela não parece saber muito bem o que quer da vida também).

“I know that love is just a shout into the void, and that oblivion is inevitable” – Augustus Waters

eu amo aquela frase de A Culpa é das Estrelas em que o Augustus se declara para a Hazel na Holanda, e ele diz que sabe que “o amor é só um grito no vazio e o esquecimento é inevitável”, mas que ele a ama mesmo assim. porque parece que é verdade. a gente joga as coisas pro mundo e espera ver o que vem de volta. foi mais ou menos isso que eu fiz no blog (mas nunca fui tão vidrada em ser esquecida quanto o Gus).

eu já sei bem que o amor não é só um grito no vazio, ele é parte de mim, de quem eu sou e colocá-lo no mundo é uma forma de lembrar as outras pessoas que nós somos iguais. o desancorando acabou se tornando uma ferramenta pra isso, e eu sou grata por cada post que eu fiz e cada comentário que recebi de volta.

outro dia, lá no Instagram, eu perguntei o que você aí do outro lado da tela gostaria de ler por aqui e a fofinha da Laysla comentou que queria saber como tudo começou nesse espacinho. na hora que bati o olho nessa sugestão hoje, me veio um sorriso no rosto e uma vontade de contar pra você o começo de tudo… foi divertido lembrar do momento que o blog surgiu, num lugar tão frenético, agitado e maluco como a sala de imprensa de um São Paulo Fashion Week.

mas dizem que é assim que funciona, né? quando as coisas estão no ápice da loucura, a gente sai em busca de uma salvação real. é fácil pra mim dizer que o blog foi essa minha pontinha de salvação.

eu quero saber de você: por que você começou um blog / canal no youtube? como foi?

5 lições que eu aprendi sobre amor e internet

eu criei um hábito muito traiçoeiro, tempos atrás, de entrar nas redes sociais a cada cinco minutos, no intervalo entre uma tarefa e outro no trabalho. hábito esse que por lado era importante e, por outro, muito exagerado: eu preciso ficar de olho no que está rolando no mundo, mas também não tem necessidade de ficar colada no Twitter 24 horas por dia. como a minha carga de trabalho diminuiu, e eu fiquei meio ‘ociosa’ (mentira, porque não tenho nada que achar que tô sem coisa pra fazer), e achando que é ok perder mil horas nas redes.

daí, olhando pra toda a bagunça que tá rolando nos últimos dias e levando em conta a experiência que eu tive quando um texto meu viralizou, eu me peguei pensando (bem Carrie Bradshaw mesmo) como é fácil a gente sentir raiva do que tá lendo. eu vejo as mensagens em caps no Facebook e já imagino as pessoas gritando, cheias de raiva, falando a torto e a direito as suas opiniões, pra todo mundo ouvir (quer dizer, ler). no Twitter, em momentos de crise, o riso rola solto, mas a raivinha tá lá também, meio escondida, a tal da indignação.

longe de mim dizer que todo mundo tem que ser  um poço de positividade online – a gente já sabe muito que as coisas não funcionam assim nesse mundão. mas, ao mesmo tempo, eu precisei olhar para o que eu estava sentindo e tomar uma decisão: ou eu continuava alimentando esse hábito e, de quebra, essa raiva, ou então eu desistia desse sentimento e passava a adotar uma postura de observadora. eu comecei a olhar mais e falar menos e, quando falo, penso muito bem antes de escrever.

eu comento o tempo todo sobre como a gente tem que colocar mais amor e compreensão na internet e isso não muda em momentos assim. na verdade, foi bem um lembrete de como eu estava me deixando influenciar por essa sensação e aprendendo a alimentar essa raiva basal que a gente sente toda vez que vê uma notícia de política no jornal. isso tudo não significa que a gente tem que deixar de prestar atenção no que está rolando, mas não deixar essa vibe virar uma norma (o que é muito comum, né?). dito isso, toda essa experiência me fez aprender algumas coisinhas:

1.comentários são combustível de raiva

não tô falando de comentários como os que eu recebo no blog (muito amorzinho ♥) ou então aqueles dos nossos amigos e pessoas com quem conversamos online. tô falando dos comentários de portais de notícia mesmo. eu já falei um pouquinho sobre isso no texto sobre a minha matéria de 13 Reasons Why (clica aqui pra ler), mas é sempre bom lembrar o quanto ler os comentários automaticamente coloca a gente numa posição de ataque e defesa (que, no fundo, são a mesma coisa): a gente briga para defender o nosso lado, o outro briga para defender o dele.

2.positividade atrai positividade

eu sempre ri daquela história d’O Segredo até o dia que estava assistindo o documentário sobre e pensei ‘nossa, queria muito um doce‘ – e lá veio minha mãe com uma panela de brigadeiro cinco minutos depois. é um exemplo bem tosco e muito superficial, mas é assim que a coisa funciona: se você despeja raiva, a raiva vem atrás de você. positividade atrai positividade, amor atrai amor e assim vai.

3.a internet legal é a gente que faz

não tem como eu só querer ver coisa linda e incrível na internet o tempo inteiro. eu posso fazer o máximo para não me expor a coisas que me façam mal, mas a real é que é a maneira como eu vou lidar com as coisas ‘ruins’ que importam. ok aparecer uma notícia polêmica na timeline, mas eu vou engajar numa briga, numa raiva ao ler o texto ou eu vou observar o que tá rolando, entender os fatos e seguir em frente? pois é.

4.a gente tem que lembrar que tem alguém do outro lado da tela

o foda da internet é que a gente esquece mesmo que tá falando com outras pessoas, sem vê-las. por isso parece que todo mundo tá gritando no escuro, sem saber exatamente com quem tá falando ou então quem tá lendo o que você escreve. dizem por aí que palavras doem mais que armas e a gente sai distribuindo coisas ruins o tempo inteiro, achando que não tem ninguém lendo e ninguém absorvendo o que a gente tá falando. é muita ingenuidade nossa achar que ninguém observa o que gente faz.

5.a gente tem que se olhar com mais carinho

a gente é crente que as pessoas se enxergam, se veem, mas na real não é isso o que acontece. cada um tá lutando contra os próprios demônios, tentando entender as próprias loucuras e isso fica muito claro quando você começa a perceber o tanto que coisa triste e nociva que tem online. quando a gente se interessa em entender porque o outro pensa como pensa, como ele pensa e porquê pensa, fica mais fácil de sacar que tudo tem um motivo, uma história por trás. e aí a gente sente compaixão. e quer ajudar e não atacar, entende?

a gente é e sempre vai ser livre para pensar e dizer o que bem entende, onde quer que seja, mas que que custa a gente fazer isso com um pouco mais de carinho, com um pouco mais de amor? por que insistir em reclamar e brigar quando a gente pode tentar fazer diferente e mostrar pros outros que o mundo não é um lugar tão horrível quanto a gente imagina?

me conta uma coisa: como você faria para colocar mais amor na internet?

descobri porque aimee song é a minha blogueira favorita

apesar de ter um amor profundo pelos blogs, eu não tenho muito tempo para lê-los (shame on me – isso vai mudar). mas, por outro lado, eu sempre encontro tempo de sobra pra olhar o Instagram e uma das pessoas que eu mais gosto por lá é a Aimee Song.

se você não conhece a Aimee, precisa saber que ela é uma pessoa fofíssima, que ama moda e decoração e tem um blog incrível de looks do dia (entre outras coisas). ela também tem um dos feeds mais bonitos que eu já vi no Insta, o que justifica os 4,6 milhões de seguidores que ela tem por lá (até agora). então, quando ela lançou o seu livro, o Capture Your Style, que fala justamente sobre essa rede social, eu fui correndo comprar.

o livro é lindo por si só: ele tem uma capa e uma diagramação maravilhosa, além de várias das fotos que a própria Aimee já postou no Instagram. o que mais me chamou a atenção, porém, não foi isso, mas o tanto de carinho que tinha em cada página. fica na cara que a blogueira colocou muito de si em cada parágrafo.

ela faz praticamente um tratado sobre como montar um Instagram legal e que vai crescer o suficiente para transformar isso na sua profissão, e eu acho que já tem conteúdos demais na internet sobre esse assunto (a própria Aimee tem um vídeo muito mara sobre isso – clica aqui pra ver!). ao contrário, eu vou falar sobre como e porque descobri que a Aimee Song é a minha blogueira preferida com esse livro: ela gosta de contar histórias.

sabe quando você quer criar uma conexão com outra pessoa, mas não sabe muito bem como? daí você começa a puxar papo, você cria um diálogo e logo vocês estão falando sobre coisas que nunca imaginaram. isso é contar histórias: cada conversa que você tem com alguém é uma história que está se desenrolando naquele momento. eu amo fazer isso com a escrita, a Aimee faz o mesmo com as fotos que posta no Instagram.

capture your style aimee song

cada imagem que ela publica conta uma história e tem vezes que a gente esquece o quanto isso é bonito e como esse é um canal incrível de conexão. um exemplo disso também é que toda vez que eu penso no meu perfil do Instagram, me vem uma palavra na cabeça: aconchego.

eu quero que as pessoas sintam um carinho quando olham pras minhas fotos e a Aimee se sente da mesma maneira: para ela, não tem sentido postar uma foto se ela não conta uma história, ela não faz parte de um contexto e se ela não passa uma mensagem de cuidado(com ela mesma e com os outros). isso fica muito claro no livro.

a gente fica sempre tão preocupada em conseguir mais números, mais engajamento, mais seguidores, mais likes, que muitas vezes esquece o quanto é importante a mensagem que estamos passando com aquilo.

eu já falei muitas vezes sobre como tudo o que a gente faz tem uma mensagem (mesmo que ela seja inconsciente e a gente não entenda exatamente de onde ela vem) e escolher por uma mensagem de amor é sempre mais poderoso do que uma mensagem de ‘fiz isso aqui só pra conseguir likes‘. mesmo que o número de seguidores no primeiro caso não seja assim tão alto.

contar uma história com um blog, um canal no Youtube ou um feed do Instagram é a melhor forma que nós temos de criar uma conexão com quem acompanha a gente. gera uma identificação, um link, e a gente se encontra num lugar de um cuidar do outro.

quem ama a Aimee precisa ler esse livro (mesmo que não tenha interesse em crescer com o Instagram) só por causa do carinho que existe em casa página. dá pra sentir ela falando do seu lado, contando cada caso e dando cada aconselho ali, no seu quarto. vale a pena também para aprender um pouco mais sobre contar histórias e como é legal quando a gente tem uma mensagem verdadeira e querida para passar. você pode clicar aqui para comprar (e me ajudar a ganhar uns trocadinhos ♥)

aproveitando a deixa, se você não me segue no Instagram ainda dá tempo, é só clicar aqui. prometo que lá só tem carinho e amor!

você já leu o livro da aimee song? me conta o que achou?

‘não leia os comentários’: a vez que eu viralizei

viralizei. acho que esse é o sonho de todo jornalista da nova geração. escrever um texto que viraliza, que aparece em todas as redes sociais, recebe milhares de comentários e um alcance de mais de 100 mil pessoas no Facebook. eu consegui esse feito. escalei essa montanha, conquistei essa medalha de ouro.

viralizei. assisti uma série e escrevi um texto. pesquisei. li e reli sobre, conversei com pessoas, revi cenas, passei muito mal, pedi ajuda, chorei. terminei com a sensação de  nunca-jamais-em-hipótese-alguma quero que alguém no planeta Terra se sinta como eu me senti vendo aquela série. chorei de novo, li mais sobre, fiz pesquisas sobre a OMS e sobre o efeito Werther. passei 3 dias só com esse assunto na cabeça.

sentei no computador na segunda-feira. entendi que precisa ir por uma direção diferente, falar daquilo que não tinham falado ainda. escrevi. pesquisei mais, apaguei e escrevi de novo. o que eu senti escrevendo essa frase? raiva. não, apaga. não posso escrever esse texto sentindo raiva, preciso mudar de ideia. sentir raiva só vai alimentar a sensação que a série me vendeu (e eu comprei). pensei na morte, pensei nas vezes que eu tentei acabar com a minha própria vida e pensei que talvez essa não é uma ideia tão ruim, levando em conta a situação do mundo. parei, respirei fundo, lembrei de Deus. lembrei da minha missão no mundo, voltei a escrever com o coração tranquilo.

passei mais de cinco horas assim. escreve, apaga. muda essa frase, troca essa palavra. lê o texto anterior e vê se faz sentido. tá coerente? tá coerente, sim. manda pra equipe toda: ‘gente, lê isso aqui pra mim? me diz se faz sentido‘. ‘tá ótimo, Maki, pode publicar‘, ‘não esquece de linkar aquele texto sobre como identificar comportamentos suicidas‘, ‘escolhe uma foto que não seja da Hannah, já tem muito texto com imagem dela no site‘. tá bom, gente, brigada.

manda pra chefe: ‘chefe, tá aqui o texto, me diz se tá ok?‘. escolhe a foto, corta, coloca links, lê mais uma vez. acho que vou mudar. não, tá bom assim, não vou mexer mais. confia que tá bom. seu coração tá em paz? tá em paz. então publica. publiquei.

joga o texto no Facebook. em 10 minutos, mais de 100 reações e 50 comentários. os números de visualizações vão subindo… 100, 200, 300, 1000. meu Deus, o que que tá acontecendo? 100, 200, 300 comentários. mais de 4 mil visualizações em menos de uma hora e meia de publicação. o site sai do ar porque não aguenta esse tanto de gente junto no mesmo link ao mesmo tempo.

as mãos começam a tremer e o coração a pulsar forte. é inevitável querer ler os comentários. só críticas. ‘caça cliques!‘, ‘oportunista‘, ‘falou muita merda‘. ‘colunista bosta‘. tão fazendo comigo a mesma coisa que fizeram com a Hannah e ainda querem me dar lição de moral, falando que eu não entendi a série. hipócritas. será que eu não entendi mesmo ou será que as outras pessoas que não levaram a sério?

*não leia os comentários*não leia os comentários*não leia os comentários*. você é horrível mesmo, uma jornalista péssima. devia ter escrito o texto de outra maneira, talvez eu devesse ter usado outra palavra aqui, será que é melhor eu mudar esse parágrafo todo? não, para com isso, o texto tá bom, não adianta mexer agora. a equipe comemora, mais de 100 mil visualizações no fim do primeiro dia de publicação.

na minha cabeça, a dúvida continua: será que eu sou boa o suficiente? as pessoas não tão gostando, mas tem muita gente concordando em outros lugares. todo mundo me odeia, acho que fiz merda. para com isso, tá tudo certo. não, não, eles tão certos e eu tô errada. penso na morte e como talvez ela seja a única saída para o que eu tô sentindo. paro, respiro fundo, lembro de Deus.

agora é hora de fazer uma escolha: ou eu sigo alimentando a raiva que move o mundo ou desisto dela e pratico o perdão: nada disso importa de verdade, nada disso muda quem eu sou, as pessoas são amáveis e a minha função no mundo é cuidar de quem precisa de cuidado. só existem dois tipos de pessoas: as que entregam amor e as que estão pedindo amor. é hora de eu entregar e parar de pedir.

leio um comentário: ‘eu me amo, eu me perdoo‘. leio outro comentário: ‘eu desisto de sentir raiva para que todos sejamos salvos‘. leio mais um: ‘eu escolho sentir amor‘. eu escolho de novo e de novo e de novo. olho pra cena mais uma vez: meu Deus, obrigada por essa oportunidade incrível de escolher novamente e de desistir daquilo que não é a verdade sobre mim. leio o meu texto de novo: é isso mesmo, meu coração tá em paz. eu sei o trampo que fiz pra chegar até aqui. tá tudo bem comigo.

recebo mais comentários. alguns incríveis, outros também. mesmo aquilo que seria negativo agora eu vejo como uma chance de praticar o que eu vim ao mundo praticar: o perdão. comigo mesma, com o outro e, principalmente, com Deus. Deus, eu te perdoo pelas minhas ilusões, eu aceito o amor verdadeiro.

peço ajuda quando fica demais: ‘obrigada por me lembrar de quem eu sou‘. converso mais com as pessoas sobre isso. nossa, tô monotemática essa semana. ‘obrigada por lerem as minhas palavras‘. sempre, onde quer seja. obrigada.

só o relacionamento cura. e cura mesmo, fui atrás dele para curar a mente inquieta e insegura. é claro que tá insegura, você tá esquecida de novo! olha aqui, quem é você de verdade. você é amor, as pessoas são amor e elas precisam saber que essa lembrança é a saída que elas tanto buscam.

então, eu treino. treino mais e me lembro de novo. e toda vez que eu me lembro fica mais fácil pros outros lembrarem também. ei, você quer ajuda? pega aqui na minha mão. ué, não gostou do texto? tá tudo bem, opiniões são só isso, opiniões. no fundo, no fundo, não servem de nada. mas se você precisa delas, me permita usá-las para lembrar você de que tá tudo bem, que quem você é não muda e que nós vamos juntos até o último dia. até o sonho feliz, até a gente voltar pra casa. a gente tá com saudade mesmo.

ah, tanto faz o que você acha da série. ela é importante? puxa, é, pode-se dizer isso, sim. se eu gostei? puxa, sei lá. isso importa? ela me fez sentir coisas que desencadeou tantas outras que me trouxeram até aqui. então, sou grata. eu agradeço. e perdoo. ih, acho que não perdoei tanto assim, ainda tô sentindo uma coisinha chata no peito. para. respira fundo. ‘eu sou o amor perfeito de Deus‘. ‘nada disso muda quem eu sou‘. ‘eu sou importante‘. ‘eu tenho uma função no mundo‘. ‘eu quero entregar todo o amor que eu sou para lembrar os outros de quem eles são‘.

seguimos. eu topando aprender a cuidar. os outros topando serem cuidados.

quem lê blogs hoje em dia?

eu não lembro exatamente onde vi um comentário desses, mas outro dia apareceu na timeline do Facebook que os blogs estão morrendo e ninguém mais lê o que a gente escreve. que é tudo Youtube, que o que importa são os vídeos e como eles são feitos. que a escrita tá perdendo espaço pro visual e que é isso, é o fim.

de fato, escrever um blog em pleno 2017 parece um desafio e um pouco sem sentido – quem quer ler um textão quando tem tanto vídeo por aí? bem mais fácil apertar o play do que ler 1000 palavras sobre um assunto na internet. tem gente que nem passa do título, num é assim que funciona hoje em dia?

eu sempre fui muito apaixonada pela escrita, e ela já foi a minha maior alegria e maior tristeza ao mesmo tempo, você já sabe disso (se não, pode clicar aqui para saber do que eu tô falando). e, confesso, não tenho muita paciência para vídeos. esse é um dos motivos pra eu ter parado de gravar, há mais ou menos um ano e meio. eu até fazia vídeos pro blog, mas foi uma junção de zero paciência + não tô achando um formato legal que me fez desistir dessa ideia (por enquanto).

é muita ingenuidade nossa achar que só um formato é o ‘certo‘ e que só ele funciona. o Medium tá aí pra não me deixar mentir. mas assim como tem muitos blogs legais e blogs ruins, tem vídeos legais e vídeos ruins. e é bizarro a gente acreditar que todas as pessoas vão receber a nossa mensagem da mesma maneira e pelo menos formato (spoiler: não vão).

o que eu quero dizer com isso é: por que fazer qualquer coisa, se não por um motivo verdadeiro? hoje me caiu a ficha de que ainda existia um lugar de mim que escreve no blog por um benefício próprio, atrás de alguma coisa que eu acho que vai me fazer feliz. eu sei bem o que é isso: reconhecimento. receber o reconhecimento alheio ainda me parecia tentador.

ao mesmo tempo, eu tô vendo que isso não vai dar certo. não vai dar certo porque o que eu tô buscando não tem nada a ver com o blog, e sim com uma sensação. e esse é só um lugarzinho onde eu vou atrás disso.

acontece que eu já sei que eu tenho muita coisa pra entregar pra vocês. eu sei o quanto as pessoas vem aqui atrás de um bálsamo, de uma sensação gostosinha, de um abraço e uma xícara de chá. mas eu tava regulando a água e me limitando batidinhas nas costas à la Sheldon. mas não mais.

não mais porque as pessoas ainda leem blogs, sim. ainda existe um carinho por essas páginas criadas com tanto amor e tantas palavras pessoais. e também tem lugares pra vídeos. tem lugar pra todo mundo, gente. o que importa não é o que você faz, é como faz. com que sensação? o que você tá ensinando pro mundo toda vez que liga uma câmera ou escreve um textão?

pode ser raiva. pode ser rejeição. pode ser um pedido por reconhecimento. pode ser uma vontade de ser aceita. ou pode ser amor. você pode ensinar o amor e ser um ponto de luz num mundo tão, tão, escuro. eu tinha escolhido ficar em cima do muro. até descobrir que o ‘em cima do muronão existe: ou você escolhe por uma coisa ou por outra. eu tava escolhendo continuar pedindo ao invés de entregar.

mas eu quero ensinar amor. eu quero colocar pra rodar uma coisa que existe em mim e que pede todos os dias pra ser ouvida. é um alarme que toca incessantemente pedindo atenção, mas eu viro a cara e coloco uma música alta pra fingir que não tô ouvindo.

como é que você faz pra se distrair do seu alarme? tanto faz se você escreve, se grava, se desenha ou se canta. o que é que você tá ensinando quando faz o que faz? a boa notícia é que se você tava passando uma coisa que não acha que é legal, tá em tempo de mudar de ideia.

então, quem lê blogs hoje em dia? as justificativas podem ser muitas: quem não gosta de vídeo, quem é old school, quem é mais velho e não se dá bem com Youtube, quem também escreve blogs, quem ama ler. ou pode ser mais simples: quem tá atrás do que eu tenho pra entregar. e ponto final.

não é mais uma questão de ‘o que eu quero‘. tem gente precisando de mim. será que eu vou mesmo continuar regulando a água do chá quando tem alguém morrendo de frio na minha frente?

dá um arrepio só de pensar. diante disso, então, eu decido entregar tudo o que eu tenho pra salvar você que tá do outro lado da tela dessa sensação horrível que a gente tanto conhece. e mostrar que existe SIM um outro jeito de viver. e nessa a gente se ajuda e caminha junta pra esse lugar feliz.

o blog deixou de ser um projeto meu pra ser uma ferramenta pra vocês, pra quem precisa, pra quem quer mudar o que sente todo dia, quando acorda atrás do amor que tanto busca. eu decido aceitar a minha missão e ser uma referência.

eu me comprometo a aceitar o amor. e agora me comprometo a compartilhá-lo também.

tomar chá na xícara de café não tem graça, no fim das contas.