o que ainda amo em blogs

o que eu mais vejo por aí são discussões sobre o futuro dos blogs. ‘mas será que em tempos de Youtube os blogs ainda tem espaço?‘, ‘vale a pena ter um blog em pleno 2017?‘, ‘quem é que tem paciência pra ler um blog hoje em dia?‘. as perguntas são infinitas.

eu comecei a blogar quando isso aqui tudo ainda era mato e confesso que sou muito suspeita para falar sobre o assunto. mas eu vi recentemente um vídeo da Bruna Vieira (sou fã ♥) que falava sobre o quanto o Depois dos Quinze era importante para ela e que ela não ia desistir de blogar só porque outras mídias pareciam estar crescendo cada vez mais. fiquei levemente emocionada, porque além de achar a Bruna incrível, eu sou muito defensora dos blogs e acho que esse espaço ainda tem muito a oferecer pras pessoas.

não é que eu odeie vídeos no Youtube, stories no Instagram ou qualquer outra coisa dessas – pelo contrário, eu consumo tudo isso também, mesmo que em menor escala. mas eu tenho um carinho muito grande pela palavra escrita e acho que ela pode ter tanto impacto quanto um vídeo ou uma foto – os livros são a maior prova disso, né? mas, pra quem quer mesmo saber porque eu amo tanto os blogs, vou compartilhar um pouco do que ainda me conquista nessas páginas.

1.conhecer pessoas diferentes

não tem nada que eu ache mais legal na internet do que a capacidade de nos apresentar pessoas tão diferentes da gente. foi através dos blogs que eu fiz algumas das minhas amigas mais próximas (tipo a Ká, do Hey Cute, que me aguenta há mais de oito anos). ainda hoje eu conheço muita gente maravilhosa por causa de blogs e adoro o jeito como a gente começa a conversar sobre um assunto pequenininho – um comentário num post ali, numa foto aqui – e de repente a gente tá compartilhando a vida inteira no Messenger e combinando de se encontrar pra tomar um café quando der. o que poderia ser melhor do que isso, né?

2.blogroll

ai, gente. sou tão fã de blogroll. sério, acho que é a coisa mais legal dos blogs da primeira geração, que hoje deu uma desaparecida, mas que eu faço questão de ter ainda. conheci milhares de blogs e de pessoas incríveis por causa dos blogrolls da vida e acho que, além de ser uma forma de você mostrar as páginas que ama acompanhar, é também um jeito de reconhecer o trabalho daquelas pessoas. poxa, imagina que legal você trabalhar duro no seu blog e perceber que pessoas que você admira te colocaram no blogroll dela?

3.descobrir coisas em comum

identificação é uma das palavras mais fortes quando se fala em blogs. pra mim, tudo é sempre a coisa mais incrível, mas acho que a mais incrível de verdade verdadeira é você gerar identificação com quem te lê. você fala de um tema que ama e vem alguém e diz que ama aquilo também. ou você conta como se sente depois de um dia ruim e percebe que não tá sozinha porque muita gente se sente assim também – olha só os comentários! a gente encontra coisas em comum com outras pessoas e isso vira um vínculo. e a gente pode usar esse vínculo pra lembrar que não tá só, que tem gente por aí que gosta das mesmas coisas e que sente tudo o que a gente sente também e que tem alguém, em algum lugar do planeta, que também tá lendo aquele livro russo sobre uma mocinha holandesa que precisa aprender a lidar com as dificuldades de um país tão fechado e tá achando a coisa mais maravilhosa do planeta – e, hey, vamos conversar sobre isso e talvez trocar algumas indicações de livros também.

4.textão (e outros formatos também)

mas não como os do Facebook, tá? hehe. como a auto-intitulada rainha dos textos, eu não consigo não amar um blog que faz um bom textão. que escreve bem, que arrasa nos argumentos e que, principalmente, faz tudo isso com carinho. mas, no geral, acho que os blogs são mais livres pra gente tentar formatos diferentes do que um vídeo, por exemplo. tem coisas que eu acho que só vão sair legais se for em texto. num sei, parece que no Youtube e no próprio Stories a gente fica presa a um formato e tem que se adaptar conforme os algoritmos mudam. um blog não depende tanto disso, né?

5.encontrar carinho

quando eu começo a achar que a maldade do mundo é real, depois de ver tantas críticas no Twitter ou histórias ruins nos portais de notícias, eu lembro que tem um montão de blogs por aí que fazem um trabalho incrível em disseminar o carinho. eles fazem cada foto com muito cuidado, pensam muito bem antes de escrever cada texto, cuidam pra deixar o seu espaço sempre muito bonito e arrumadinho. como não ter fé na humanidade depois disso?

6.dedicação

ter um blog parece fácil, né? você entra na internet, abre um wordpress e começa a escrever. pronto. só que não. tem que fazer a foto (ou escolher uma num banco de imagens) que traduza exatamente o que você quer dizer. ter certeza que não escreveu besteira e que o texto não tem errinhos (de vez em quando, eles ainda escapam). depois de publicar, tem que divulgar – Twitter, Facebook, Instagram… daí tem que alimentar as redes sociais com uma certa frequência também, pra não esquecerem do seu blog. tem que responder todos os comentários e menções. isso tudo fora o trabalho de todos os dias, ou as horas de estudo pra escola ou faculdade. é trabalho duro e demanda dedicação, e isso é o tipo de coisa que eu admiro MUITO nos blogs.

no fim das contas, tanto faz a plataforma que você usa pra se comunicar com as pessoas, a verdade é que dá pra usar qualquer vídeo no Youtube ou Stories do Insta pra indicar pessoas, fazer um ‘textão‘ ou encontrar carinho. é só tentar achar aquele formato que deixa o seu coração quentinho e que te anima, sabe? no meu caso, segue sendo os blogs. ♥

me conta o que você ainda ama em blogs?

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dá pra fugir da farsa da vida perfeita do Instagram?

algumas pessoas me marcaram e mandaram para mim um vídeo da Karol Pinheiro que me fez pensar muito (e foi até a inspiração para o título deste post). apesar de algumas ressalvas, eu curti o conteúdo porque tocou num ponto que eu sempre refleti bastante: será que dá pra gente ficar longe dessa sensação de que não vive uma vida incrível, como a gente vê o tempo inteiro no Instagram? parece impossível, né? e às vezes que me martirizei porque o feed do meu não era maravilhoso não me deixam mentir que eu já sofri desse mal também.

eu já senti FOMO, já chorei por ver fotos incríveis de amigas minhas lá na rede social e até já pensei em deletar tudo de tão mal que me sentia toda vez que abria o Instagram e começava a passear pelo meu feed. também já senti muita raiva vendo a (pseudo) vida desses ~influenciadores~, que viajam milhões de vezes por mês, ganham outros milhões de coisas e ainda estão sempre com cabelo e peles perfeitas. também já fui viciada a ponto de passar horas atualizando a página e perder muito mais tempo checando o perfil alheio do que me ocupando com a minha própria vida (confissão: tem vezes que eu ainda caio nessa cilada).

mas (e aí entra um grande MAS) eu terminei de ver o vídeo da Karol e percebi que, hey, eu não me sinto mais assim. e, nossa, que libertador foi perceber que hoje eu consigo abrir o meu feed e não me sentir mal comigo mesma. aliás, até parei para perceber que o meu próprio feed está do jeitinho que eu sempre sonhei que ele fosse. e não é que eu transcendi as redes ou que aprendi a conviver com esse flood de informação que fica martelando na nossa cabeça o dia inteiro. nada disso.

eu mudei de meta.

lembra quando eu falei sobre fazer um blog pros outros? então. o meu Instagram não é feito pra mim, mas pra quem me segue. cada foto que eu coloco ali é uma conexão minha com você que me acompanha. eu faço a foto com carinho, eu penso na legenda com amor e eu clico em publicar lembrando sempre que quem olhar aquela foto vai se relacionar comigo de alguma maneira. eu busco uma conexão. é claro que na hora de fazer uma foto eu penso na composição, penso na luz e nos elementos que estão ali. mas, principalmente, eu penso no que eu estou sentindo quando clico em ‘publicar’.

a minha meta com o Instagram não é postar a foto mais bonita do castelo da Disney ou o prato mais fotografável do restaurante. é me relacionar com você que me acompanha. eu quero passar uma sensação – e se o feedback que eu tenho recebido é qualquer prova, eu estou sendo muito bem-sucedida nessa meta.

vida perfeita do intagram

a partir daí, qualquer foto que eu vejo no Instagram me mostra uma tentativa de relacionamento. qualquer rede social é um recorte da nossa vida, é impossível a gente postar absolutamente tudo o tempo inteiro (se bem que gente que tenta, né?) e acho que isso nem é o objetivo. a verdade é que as redes sociais vieram para suprir uma necessidade das pessoas, e o que a gente faz com elas é que importa. a gente só passou a colocar na internet uma necessidade de ser aceita, de ser legal, de ser reconhecida de alguma forma.

daí, é óbvio que só colocar coisas bonitas na rede e tentar fazer um feed perfeito vira uma meta, né?

mas se a gente olhar para cada foto como uma tentativa de relacionamento… puxa, tem tanta coisa que a gente pode entender com isso! a gente pode olhar para um ‘feed perfeito‘ e perceber como aquela pessoa quer ser reconhecida pelo seu esforço. como ela acha que se encaixar num padrão é essencial pra felicidade dela. como, talvez, recriar o estilo de alguém grande nas redes pode ser o caminho pra ela conseguir esse reconhecimento. no fundo, o que ela tá buscando é amor.

eu já postei foto sem maquiagem (na verdade, a maioria das fotos que eu posto é de cara lavada ou só com um pouquinho de delineador e blush), já publiquei foto de um dia no outro, já planejei feed, já tirei milhões de fotos pra escolher a melhor pra postar. mas eu fiz tudo isso com um sorriso no rosto e o coração quentinho, porque o tempo inteiro pensei no que seria mais legal pra passar pra você a sensação que quero passar.

então, respondendo a pergunta do título, tem um jeito da gente fugir dessa farsa toda e dessa sensação horrível que a gente fica quando passa muito tempo olhando o Instagram ou qualquer rede social. a gente só precisa mudar de meta.

fácil, né?

é, na teoria é muito mais fácil do que na prática, e eu sei o trampo que foi para chegar até aqui. é um treino diário, que eu faço a cada minuto que me lembro, e um reforço constante do porque eu faço o que faço. postar todos os dias no Instagram pode ser difícil pra quem trabalha de casa e não muda muito de cenário, ou para quem tem uma carga de trampo tão pesada quanto a minha, mas eu sempre tento fazer o possível para criar um conteúdo que me deixe mais perto de você.

a saída, talvez, seja justamente buscar essa conexão. a gente acha que ‘ser real‘ é falar que tá mal em dia que tá mal, é falar que brigou com o namorado antes de publicar a foto fofinha da reconciliação, é mostrar que tem photoshop pra apagar a espinha naquela selfie mara que você fez. não é não. ser real é colocar na prática o que você é o tempo inteiro – é ser fiel ao seu coração, a quem comanda essa máquina maluca que a gente chama de corpo e que usa pra se expressar. a honestidade pode aparecer de muitos jeitos diferentes – um textão no Facebook, um tuíte fofinho ou uma foto com legenda super sincera no Insta -, mas ela vai sempre estar presente em tudo o que você faz se você para e pensa no que está sentindo na hora de apertar o ‘publicar’.

se você busca uma conexão, um relacionamento com quem te segue, tanto faz se a foto tem filtro ou não, se foi feita em Paris ou em São Paulo. a pessoa vai sentir o que você colocou ali na hora que o clique aparecer no feed. é cansativo esse esforço constante de parecer cool e super na moda, a gente não consegue sustentar essa vibe sem que ela tenha consequências (a gente se ataca tanto quanto mente…).

a resposta pra nossa felicidade não tá no número de likes que recebeu na última foto postada. nem no número de comentários e engajamento daquele post. tá no interesse que a gente tem no próximo e no quanto tá a fim de ser honesta e sincera 100% do tempo. tá no quanto a gente quer se abrir pra se relacionar com as pessoas, sabe?

parar de mentir não é só falar o que você pensa e sente o tempo inteiro, é desistir de contar mentiras sobre quem você é, seja com uma foto no Instagram ou com uma roupa tendência do momento que você jamais usaria em ocasiões normais.

cada foto pode ser um ato de carinho. cada tuíte, um jeito da gente ficar mais perto. e aí tanto faz se eu tô em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Coreia ou no Japão. você vai junto comigo sempre. a realidade tá em parar de querer ser aquilo que você não é, e isso reflete em tudo – da foto que você faz na frete da Torre Eiffel até o clique arrumadinho do seu #bulletjournal.

o que você acha que precisa parar de fazer pra ser mais real nas redes?

 

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o segredo é não fazer um blog pra você

essas últimas duas semanas, eu fui bombardeada (no bom sentido) de informações sobre influenciadores, youtubers e blogueiros. uma das vantagens da minha profissão é que vez ou outra eu posso falar com esses produtores de conteúdo para uma matéria e extrair deles o máximo que eu posso (pensando um pouquinho em tudo que eu gostaria de saber também, confesso).

falei com pessoas que admiro, outras com quem não tinha tanto contato e acho que, depois de tantos milhões de anos fazendo blogs e escrevendo pra internet, eu descobri o segredo para criar um blog / canal no youtube / perfil no Instagram de sucesso: não fazer por você.

parece óbvio, né? pra mim não era. pensando em todas as vezes que eu comecei um blog, em que eu abri um perfil no Insta ou que eu fazia um comentário no Twitter, eu sempre pensava em mim: em como isso seria interessante pra mim, no que eu ganharia com tudo isso. eu. eu eu eu eu eu eu. era tudo sobre mim.

mas, conversando com esse tanto de gente legal (tipo o Erick, vocês precisam conhecer o Erick ♥) eu parei para olhar toda a minha trajetória na internet e cheguei a conclusão que o desancorando só virou esse monte aconchegante de coisas lindas porque eu parei de escrever pra mim. eu comecei a escrever o que eu queria compartilhar com você, que me lê aí do outro lado da tela, e conversar diretamente com você.

eu lembro dos dias que passava horas pensando em como poderia ficar famosa com blog, como poderia ganhar dinheiro com isso, e obcecava com posts que eu jamais escreveria (porque não acreditava em mim). mas, agora, escrever é fácil, é gostoso. é obrigatório e uma das melhores partes do meu dia. porque eu escrevo pra você que me lê.

demorou mais de 10 anos para entender que seja na internet, seja fora dela, a gente só é bem-sucedida quando compartilha um sentimento verdadeiro com as pessoas. quando cria aquela conexão que faz a pessoa voltar pra casa pensando ‘caramba, que dia INCRÍVEL‘, ou passar horas na barra de rolagem se perguntando: ‘mas como eu não conhecia esse blog antes? *insira o seu melhor emoji indignado aqui*

é por isso que a internet sempre vai ter espaço pra todo mundo, porque cada pessoa quer compartilhar uma coisa diferente. o mais importante (e talvez o mais difícil) é você saber o que você quer compartilhar. o resto vira, como dizem por aí, resto. o retorno sempre vem pra quem compartilha uma coisa legal e faz com o coração.

tenho pensado muito nisso porque o blog tem me trazido uma felicidade imensa. e eu percebi que agora eu faço por cada mensagem sua que eu recebo, porque eu sei que no meio de tantos cantos obscuros da internet (e da vida), o desancorando pode ser um pontinho de luz que ilumina o seu dia.

e aí, tanto faz quem ainda lê blogs hoje em dia ou se vale mesmo a pena ter um blog no ano em que o Youtube mais cresceu no Brasil. tanto faz a plataforma, sabe? eu faria tudinho de novo, igualzinho eu fiz, só pra ser esse pontinho mais uma vez. e vou continuar fazendo pra esse pontinho crescer e a gente virar uma bola de luz tão grande quanto o sol.

não sei explicar muito bem porque eu decidi escrever esse texto, mas eu fico pensando no tanto de gente que às vezes comenta que queria fazer um blog mas desiste, que não quer abrir aquele canal no Youtube porque acha que não tem chance, que desiste do Instagram porque ninguém curte as fotos… e me veio muito na mente, de novo e de novo, a importância de fazer isso pelos outros, de compartilhar. fazer isso só por mim não adianta mais, não vale a pena, não é legal. por mim eu fecho a lojinha e passo os meus dias vendo doramas, escondida no quarto.

mas por você… ahhhhh, por você eu falo de tudo aqui. escrevo post de madrugada. tiro foto na hora do almoço. lembro de postar no Instagram às dez da noite. faço um stories ou outro de vez em quando, até gravo uns vídeos bonitinhos pra animar o seu dia e te ajudar com o bullet journal. trabalho de final de semana. escrevo até não conseguir olhar mais pra tela do computador. deleto textos inteiros e começo do zero pra sair na sensação certa. só pra você entrar aqui e sentir aquele quentinho no coração de novo.

quer fazer um blog? faça! mas faça pra compartilhar, pra dividir com as pessoas as coisas que você ama, pra espalhar carinho pelas redes sociais. quer fazer um canal no Youtube? comece agora! pode ser com o celular mesmo, só pensa direitinho no que você quer ensinar pras pessoas.

daí fica tão fácil quanto esquentar a água pro chá da tarde. tão divertido quanto dançar kpop na sala de casa. tão gostoso quanto um abraço apertado depois de um dia difícil. vira cuidado. e vocês já sabem o que eu penso sobre cuidado, né?

me conta o que você quer compartilhar na internet?

 

limpar o armário é sempre a parte mais fácil do processo

depois que eu falei que ia recomeçar o meu guarda-roupa comentei no stories do Instagram que estava levando esse processo todo a sério – e tô mesmo. mas tem uma coisa que ficou martelando na minha cabeça desde que eu comecei toda essa história: a parte mais fácil é sempre limpar o armário.

eu acho que todo mundo sente aquela preguiça só de pensar em ter que tirar tudo de dentro do guarda-roupa e fazer a tal da seleção do que ‘vai-fica-vende-doa‘, mas essa é mesmo a parte mais fácil. na verdade, eu não pensei duas vezes na hora de tirar o que não queria mais e decidir o que ainda tem uma vida útil para mim. no melhor estilo Marie Kondo (e Emily Gilmore), percebi bem facinho o que ‘brings me joy‘ e o que tinha que ser passado adiante.

o maior problema, pra mim, é encontrar a disposição (e coragem) para sair em busca das roupas que eu quero e preciso. tem, claro, a questão da grana: mesmo com um dinheirinho separado especificamente para isso, o coraçãozinho fica cheio de medo de gastar. imagina se eu preciso disso depois? como faz? como fica? o estômago gela só de pensar (então, não penso).

mas tem outra coisa também. tem aquela vontadinha de ficar só com o que sobrou. de reclamar do shopping cheio no final de semana e que comprar pela internet não é tão legal assim – não dá pra experimentar, né?, e quem tem tempo (e saco) de ficar tirando medida pra comparar com as do produto? ai, que paúra

é um lugarzinho bem sutil. aquela vozinha no fundo da nossa mente que fica falando ‘ah, deixa isso pra depois‘. ‘esse fim de semana tem aquele churrasco com a galera…‘, ‘ah, não, hoje eu preciso descansar…‘, ‘vish, fazer isso em dia de semana? impossível, não tenho tempo‘. e aí se passam semanas e você está usando a mesma calça jeans a cinco dias porque tirou todas as outras do armário na limpa (true story, bro).

limpar o armário

limpar o armário é fácil. agora repor o que você tirou… mil coisas entram na frente, outras tantas são mais importantes e você sente um certo conforto em reclamar que não tem o que vestir toda vez que abre o guarda-roupa. daí você passa na Forever 21 compra 5 blusinhas que não vai usar nunca ou não combinam com nada que você tem e o ciclo recomeça. que doidera, né?

a gente joga o nosso estilo lá pro fundo daquela gaveta de meias finas que você nunca usou e deixa lá, juntando aquele cheiro de naftalina insuportável, esperando que a coisa se resolva sozinha. mas a gente releva a importância de se vestir de um jeito que a gosta e que faça a gente se sentir bem. essa PENDÊNCIA fica ocupando a nossa mente e você sente uma dorzinha no peito toda vez que olha pro armário e vê as roupas que sobraram ficando cada vez mais puídas pelo uso frenético. e quando essas darem os últimos suspiros, como é que a gente faz? simples: não faz.

ouvi muitas vezes essa semana que a moda é uma forma de expressão. uma que a gente sempre pensa por último, que usa com os propósitos errados ou sem propósito nenhum, que usa pra se esconder e pra falar mal da gente. ‘você achou essa roupa bonita? imagina, ela tá dois tamanhos maior e cheia de buraco na barra… eu não fico bem em nada do que tenho em casa‘.

tudo o que a gente usa passa uma mensagem e tudo que passa uma mensagem é importante! só depende da mensagem que você quer passar. eu fiquei muito tempo usando as roupas pra me esconder do mundo, pra ser invisível, até pra contar pros outros que tava de luto por mim mesma. mas, sabe como é, o propósito mudou e o armário tem que mudar junto.

mas cadê a disposição pra isso? tá gritando num cantinho escuro da minha mente confusa, pedindo pra ser ouvida enquanto eu sigo presa em ideias velhas de que não sirvo pra ter um estilo legal, ter roupas bonitas e que me façam sentir bem, que passem a sensação de aconchego que eu tanto amo e busco colocar em cada vírgula que escrevo aqui no blog.

o jeito é fazer uma sessão-de-compras-de-emergência: separa um dia. sábado. convida as amigas pra ir junto. ih, pronto, agora não tem jeito mais. até combinei lugar e horário com as pessoas. pensa nas referências, na paleta de cores. força, foco e fé. respira fundo. e vai.

5 blogs que me inspiram a escrever (e um bônus)

quando eu fiz o post com dicas para escrever melhor, uma leitora (beijo, Carolina!) perguntou se eu não poderia compartilhar os blogs ou livros que me inspiram na escrita. enquanto os livros eu ainda vou ficar devendo (tô voltando com o hábito da leitura agora), os blogs eu posso falar com um pé nas costas, de olhos fechados.

essas fontes de inspiração mudam com o tempo – é por isso que eu gosto tanto da internet, você sempre acha um lugar novo para buscar aquela faísca de criatividade, a até os meus blogs favoritos variam de tempos em tempos. e, por mais que eu sinta que essa fagulha para escrever venha de mim mesma, existem alguns blogs que me inspiram a ter novas ideias e escrever melhor.

1.from roses

o from roses é o meu blog preferido DA VIDA. eu amo os posts da Rebecca, as ideias que ela têm e a forma como ela escreve. são textos leves e bem pessoais, sempre com uma proximidade grande com quem lê. é isso que eu sempre busco aqui no desancorando, sabe? essa conexão com você que está aí do outro lado da tela. as fotos que ela faz para o blog e o próprio Instagram também são maravilhosas e me inspiram a tentar fazer fotos diferentes também. mas, principalmente, eu amo as temáticas que ela aborda e como são desenvolvidas. essa é a minha maior fonte de inspiração, com certeza.

leitura recomendada: why i’m not a girlboss and that’s ok

2.hey cute

a Ká é minha amiga há tanto tempo que eu já nem lembro mais. nos últimos meses, ela voltou a postar no blog e eu fiquei super feliz, porque amo o jeito como ela escreve e as ideias que ela têm para posts. eu gosto do texto dela porque sempre tem opiniões muito fortes – não é que ela escreve textos polêmicos, mas, sim, que ela banca o que pensa e coloca toda essa vibe escorpiana dela (miga, um dia você tem que me ensinar sobre signos) nas palavras. é um texto que não passa despercebido.

leitura recomendada: estamos desconstruindo certas regrinhas de moda – finalmente

blogs que me inspiram

3.modices

o Modices já é quase um patrimônio da internet. eu conheço há tanto tempo que nem lembro mais quando ele entrou no meu feed a primeira vez (com certeza, na época a palavra ‘feed’ não existia ainda). o blog da Carla tem toda uma equipe que escreve junta, e apesar de cada texto ter uma autora, todos mantém um padrão de escrita que eu acho incrível. isso não é algo fácil de conseguir. é um texto leve, altamente opinativo e posicionado e que sempre busca essa ligação com a leitora.

leitura recomendada: aceitar elogios é normal ou falta de humanidade?

4.coffee & flowers

eu gosto taaaaanto do blog da Karine! quando você lê os posts dela, parece que ela tá sentadinha do seu lado explicando tudinho que o texto propõe. é muito próximo, sabe? é uma linguagem de amiga conversando com você na mesa de um café na Paulista num domingo à tarde. e gosto que ela coloca uns detalhes mais casuais (tipo um ‘muuuuuuuuuuito‘ e hashtags) de uma forma muito natural no texto. e as fotos são maravilhosas, né? nem comento.

leitura recomendada: mulheres na fotografia

5.leuxclair

amo a clarinha de paixão ♥ ela é mais uma das coisas deliciosas que a internet me trouxe. o que eu mais gosto na escrita dela é como ela evolui com o tempo – dá para perceber que ela se dedica, que ela lê com carinho o que escreve e tenta sempre melhorar para e pelos seus leitores. todo esse esforço compensa!

leitura recomendada: a boyish look

6.bônus: newsletters

sim, eu sei que uma newsletter não é um blog, mas eu tenho lido e assinado muitas! as principais, que eu abro sempre que aparecem na caixa de entrada, são as da Gabi Barboza (#voltaTeoriaCriativa!), da Stephanie Noelle, e da Duds. são textos bem pessoais, nem sempre sobre a mesma temática, mas que são gostosinhos de ler, sabe?

 

basicamente, é isso que eu tenho consumido de inspiração de texto ultimamente. eu tenho uma listinha de blogs favoritos que eu leio sempre, todos os dias, mas tem aqueles que eu volto vez ou outra quando preciso de uma inspiração extra para escrever. eu acho legal dizer, porém, que a minha maior inspiração é sempre lembrar do meu propósito, que a linguagem vem do jeitinho que ela tem que sair. mas quando até essa lembrança parece meio difícil, eu recorro à esses cantinhos cheios de amor na internet para me inspirar.

me conta quais blogs te inspiram ultimamente?