o maravilhoso poder do encorajamento

encorajamento

outro dia eu tava conversando com as meninas do trabalho sobre como é importante a gente valorizar o trampo dos outros. eu já percebi que o mundo inteiro funciona numa grande falha de comunicação – ninguém entende ninguém, ninguém escuta ninguém, e todo mundo acha que precisa se garantir de alguma forma -, e mesmo dentro de uma empresa que trabalha com comunicação, a gente tem uma grande dificuldade em ouvir, falar e encorajar uns aos outros.

ultimamente eu tenho percebido na internet esse movimento das pessoas se apoiarem mais (eu até usei o Twitter pra isso, lembra?) e acho que nunca quis tanto levantar uma bandeira. esqueça os movimentos sociais, a briga pela política, o que quer que seja: eu sinto que antes de qualquer coisa, a gente precisa aprender que o mundo não é uma grande competição e que a linha de chegada que a gente imagina todos os dias não existe.

é tão comum, sabe? a gente se comparar com a pessoa do lado, achar sempre que a grama do vizinho é mais verde que a nossa – e, de fato, com a internet fica fácil a gente acreditar que é isso mesmo, que tá todo mundo vivendo uma vida perfeita e maravilhosa (alô, farsa do Instagram!) e só a gente sofre. a gente acha que todo mundo tem tudo e a gente não tem nada. mesmo quando a gente tem tudo, consegue encontrar alguma coisa que tá faltando e que o outro parece ter. se não é dinheiro, é amor. se não é amor, é dinheiro. se não é nenhum desses dois, é fama. se não é fama, é beleza. e assim por diante, num eterno correr atrás da sobrevivência.

a pergunta que me apareceu na cabeça desde então é: o que é sucesso, afinal de contas? é ser melhor que os outros? é ter tudo o que você sempre sonhou? muito dinheiro no banco? uma casa própria? uma carreira estável? tudo isso parece tão pequeno comparado ao que eu quero pra mim… a resposta que eu cheguei, no fim das contas, foi muito simples: eu quero que as pessoas sejam felizes. isso é ser bem-sucedida. felicidade. não só minha, mas de todos.

poxa, mas isso é meio utópico, né? como é que todo mundo vai ser feliz ao mesmo tempo?‘. calma, pequeno gafanhoto. loucura é a gente achar que ter dias tristes é normal. todo mundo vai ser feliz, porque todo mundo merece ser feliz. se eu não consigo ajudar com a felicidade do mundo inteiro inteiro, que eu comece com as pessoas que me cercam. e qual a melhor forma de fazer isso do que encorajando essas pessoas a serem quem elas são?

eu lembro de uma época em que 90% dos pensamentos que passavam na minha cabeça eram de comparação. eu sou menos bonita que fulana, menos legal que ciclana, menos popular que beltrana. o tempo inteiro eu pensava em como as pessoas eram melhores do que eu, mais capazes do que eu, mais importantes do que eu. eu me sentia pequena, inútil. me sentia tão insignificante.

abrir esse blog foi um pedido de ajuda e um desabafo ao mesmo tempo. eu tava cansada de me comprar tanto e só queria me conectar com alguém. queria que alguém lesse o que eu escrevesse e pensasse ‘meu Deus, eu também me sinto assim! vamos nos ajudar a sair dessa‘. e aí o propósito do blog mudou, porque eu descobri a saída. e busco por ela todos os dias, é a minha meta. quando isso ficou claro na minha mente, você aí do outro lado percebeu e a gente começou a se ajudar – e aí você passou a me encorajar todos os dias a continuar com esse trabalho. é como eu comentei uma vez: eu deixei de fazer o blog por mim, pra fazer por você e pra você. só isso me motiva a escrever posts de sábado à noite, a fazer jornada tripla e pensar com tanto carinho em cada foto que eu posto no Instagram.

e isso me deixa tão inspirada, sabe? tão inspirada e tão grande. eu fico gigante. o seu encorajamento me deixa gigante. me lembra de mim. e isso só me mostrou como o meu encorajamento pode fazer a mesma coisa por outras pessoas. e sabe aquela dificuldade que eu comentei certa vez, de falar o quanto as pessoas são legais e o quanto eu curto o trabalho delas? sumiu.

sumiu porque eu entendi o quanto ficar buscando por elogios o tempo inteiro é cansativo – e mesmo que eles venham, você não sente que são verdadeiros ou que são pra você. mas quando é um encorajamento real, quando você se conecta com alguém que fez uma coisa incrível e você fala e comenta e ajuda a divulgar… nossa senhora, você cresce junto com essa pessoa e aí vocês duas ficam do tamanho do mundo inteiro. e aí a gente vai se ajudando, se dando as mãos e, meu Deus, onde é que a gente vai chegar com tudo isso, né?

não dá um comichão? num dá vontade de sair por aí mandando mensagens pras pessoas que você admira, chamando elas pra tomar um café pra entender como elas pensam, quem elas são de verdade? num dá vontade de pegar cada um daqueles links incríveis que você salvou numa pasta na sua barra de favoritos e sair divulgando por aí?

ai, essa nossa mania de achar que só pode divulgar o próprio trabalho porque o resto é competição é tão antigo, né? eu já pensei assim. e o nome disso é medo. medo de conseguir provar de alguma forma que eu era tão horrível quanto eu sempre imaginei e que seria excluída da sociedade por causa de toda essa minha falta de duroneza, como diria minha amiga Shonda.

suck it up, miga. o mundo não gira ao seu redor. você é incrível. a amiga do lado também. a que vive no outro canto do mundo também. e estamos todos atrás da mesma coisa: ser feliz. então, por que a gente não se ajuda, né?

por isso, só pra lembrar, algunas regrinhas de ouro pra encorajar as pessoas que você ama:

  1. faça críticas construtivas (e sempre com carinho)
  2. comente se você acha que tem algo legal a dizer (#sdv não encoraja ninguém)
  3. compartilhe um link maravilhoso (joga no Twitter, no Facebook)
  4. manda uma mensagem pro autor (taí um medo que eu superei esse ano)

no meio disso tudo, acho que o aprendizado mais preciso que eu tive – e que é super relacionado com isso – é não peça amor, entregue. eu me comparava e buscava elogios porque não me sentia amada. hoje sei o quanto eu recebo de amor o tempo inteiro e sei que preciso devolver isso pro mundo pra ele lembrar do amor também. encorajar as pessoas é só um dos jeitos em que eu percebi que isso é possível. ♥

em tempo, fica aqui o link do post incrível da miga Nicas, que falou sobre esse assunto maravilhosamente bem também.

me conta: como você encorajaria alguém que admira?

banner beda desancorando

os perfis que eu amo acompanhar no Instagram

perfis instagram

o Instagram pode ter todos os problemas do mundo (e a gente já conversou um pouco sobre isso nesse post aqui, né?), mas também tem muita coisa legal, muita gente bacana que a gente pode seguir e acompanhar de perto. criando esse post, eu percebi que nunca parei para pensar exatamente em quem eu amo seguir por ali – é tanta gente incrível que às vezes a gente fica meio confusa, né?

eu gosto de ter um feed cheio de coisas inspiradoras e de good vibes, e de treinar aquele olhar diferente, de tentar entender o que cada pessoa pensa quando coloca uma foto numa rede social como o Insta. e dá pra fazer isso sim, e não usar isso como desculpa pra gente ficar se comparando com os outros, mas pra conhecer as outras pessoas e ficar com o coração quentinho, ajudando a criar esse ciclo de carinho, sabe?

então, separei algumas continhas que eu sinto que tem esse papel, e que me inspiram diariamente. olha só:

@mourajo

pode enaltecer a Jo? eu conheci o blog dela desde que ela começou o desafio de ficar um ano sem Zara e usava a página como uma forma de expor o que ela tava sentindo com essa mudança de estilo de vida e aqueles looks incríveis com tudo o que ela já tinha no armário. amo o insta dela porque ela é hiper sincera no que faz, tem um estilo maravilhoso e que é muito uma fonte de inspiração e não tem medo de se mostrar, sabe? ele coloca ali os looks diferentões que usa, expõe os cabelos brancos, mostra o dia que tá tomando água de coco numa praia paradisíaca e quando tá sem maquiagem e com aquela cara de sono pós-fim de semana. amo demais ♥

@melinwonderland

ai, gente. a mel ♥. só tenho amores por ela, sério. é um dos feeds que mais me inspira e eu adoro tudo o que ela posta ali. tem muito carinho envolvido no que ela faz, entende? dá pra sentir em cada clique. e eu acho incrível o quanto ela se dedica às fotos que ela faz. a mel pode não se definir assim, mas ela é uma artista. fora que é fofíssima e eu amo assistir aos stories que ela faz também.

@boho_berry

amantes dos bujos, uni-vos. quem é ~do ramo~ com certeza conhece a Kara. ela é referência quando o assunto é bullet journal e o bujo dela é uma verdadeira obra de arte. tem dias que eu fico pensando o tanto de tempo que ela leva pra montar um dia que seja naquele caderninho, porque é cada desenho lindo que ela faz!

@gbbrbs

A pessoa não pode ver uma parede bonita. 💕 // 📷 @mateusdsss #guiadaxugar

A post shared by Gabi Barbosa (@gbbrbs) on

a gabi é uma amiga do coração e eu adoro o feed dela. acho tão sincero… tem coisas que ela curte, coisas que ela tá fazendo, coisas que inspiram ela e um monte de outros conteúdos bacanas (fora os looks maravilhosos que ela monta ♥). sou fãzoca mesmo.

@karinebrrt

a Karine é uma fotógrafa muito talentosa e o Instagram dela é cheio de carinho. dá pra perceber em cada foto como ela melhora com o tempo, como ela ama um olhar sincero das pessoas e como ela tem um apreço por cada imagem que faz. sou maluca com as fotos dela e a considero uma das pessoas mais talentosas que eu conheço, #realoficial.

@lulooca

pode ter ilustradora também? pode, sim! adoro as ilustras da lulooca porque são fofíssimas, mega coloridas e tudo com uma carinha de aconchego que eu acho maravilhosa. fora que ela também é a louca do kpop e vive fazendo stories com algumas músicas que eu amo e grupos que acompanho também (a gente até já conversou sobre isso por mensagem lá!).

@rechcamila

Camila é outra pessoa com um feed me faz babar. cada foto é linda, é tudo cheio dela, cheio de personalidade, com looks incríveis que eu uso como referência muitas vezes. fora que ela é divertidíssima e faz uns Stories que eu racho de rir!

@blogdomath

pensa num feed dos sonhos. esse é o Insta do Math. menina, que homem talentoso! ele trabalha com decoração e design e cada foto que ele posta é uma obra de arte. fora que eu sou completamente apaixonada com o cachorrinho dele, o Sushi. coisa mais delícia, gente.

 

tem muita gente bacana que eu sigo, mas essas são algumas das que eu acompanho de pertinho, que eu amo curtir e comentar, com quem eu interajo por lá. são pessoas que tão sempre fazendo de tudo pra criar um conteúdo impecável e que tenha muita entrega, muito de si.

quem você ama acompanhar no Instagram?

banner beda desancorando

o que ainda amo em blogs

o que eu mais vejo por aí são discussões sobre o futuro dos blogs. ‘mas será que em tempos de Youtube os blogs ainda tem espaço?‘, ‘vale a pena ter um blog em pleno 2017?‘, ‘quem é que tem paciência pra ler um blog hoje em dia?‘. as perguntas são infinitas.

eu comecei a blogar quando isso aqui tudo ainda era mato e confesso que sou muito suspeita para falar sobre o assunto. mas eu vi recentemente um vídeo da Bruna Vieira (sou fã ♥) que falava sobre o quanto o Depois dos Quinze era importante para ela e que ela não ia desistir de blogar só porque outras mídias pareciam estar crescendo cada vez mais. fiquei levemente emocionada, porque além de achar a Bruna incrível, eu sou muito defensora dos blogs e acho que esse espaço ainda tem muito a oferecer pras pessoas.

não é que eu odeie vídeos no Youtube, stories no Instagram ou qualquer outra coisa dessas – pelo contrário, eu consumo tudo isso também, mesmo que em menor escala. mas eu tenho um carinho muito grande pela palavra escrita e acho que ela pode ter tanto impacto quanto um vídeo ou uma foto – os livros são a maior prova disso, né? mas, pra quem quer mesmo saber porque eu amo tanto os blogs, vou compartilhar um pouco do que ainda me conquista nessas páginas.

1.conhecer pessoas diferentes

não tem nada que eu ache mais legal na internet do que a capacidade de nos apresentar pessoas tão diferentes da gente. foi através dos blogs que eu fiz algumas das minhas amigas mais próximas (tipo a Ká, do Hey Cute, que me aguenta há mais de oito anos). ainda hoje eu conheço muita gente maravilhosa por causa de blogs e adoro o jeito como a gente começa a conversar sobre um assunto pequenininho – um comentário num post ali, numa foto aqui – e de repente a gente tá compartilhando a vida inteira no Messenger e combinando de se encontrar pra tomar um café quando der. o que poderia ser melhor do que isso, né?

2.blogroll

ai, gente. sou tão fã de blogroll. sério, acho que é a coisa mais legal dos blogs da primeira geração, que hoje deu uma desaparecida, mas que eu faço questão de ter ainda. conheci milhares de blogs e de pessoas incríveis por causa dos blogrolls da vida e acho que, além de ser uma forma de você mostrar as páginas que ama acompanhar, é também um jeito de reconhecer o trabalho daquelas pessoas. poxa, imagina que legal você trabalhar duro no seu blog e perceber que pessoas que você admira te colocaram no blogroll dela?

3.descobrir coisas em comum

identificação é uma das palavras mais fortes quando se fala em blogs. pra mim, tudo é sempre a coisa mais incrível, mas acho que a mais incrível de verdade verdadeira é você gerar identificação com quem te lê. você fala de um tema que ama e vem alguém e diz que ama aquilo também. ou você conta como se sente depois de um dia ruim e percebe que não tá sozinha porque muita gente se sente assim também – olha só os comentários! a gente encontra coisas em comum com outras pessoas e isso vira um vínculo. e a gente pode usar esse vínculo pra lembrar que não tá só, que tem gente por aí que gosta das mesmas coisas e que sente tudo o que a gente sente também e que tem alguém, em algum lugar do planeta, que também tá lendo aquele livro russo sobre uma mocinha holandesa que precisa aprender a lidar com as dificuldades de um país tão fechado e tá achando a coisa mais maravilhosa do planeta – e, hey, vamos conversar sobre isso e talvez trocar algumas indicações de livros também.

4.textão (e outros formatos também)

mas não como os do Facebook, tá? hehe. como a auto-intitulada rainha dos textos, eu não consigo não amar um blog que faz um bom textão. que escreve bem, que arrasa nos argumentos e que, principalmente, faz tudo isso com carinho. mas, no geral, acho que os blogs são mais livres pra gente tentar formatos diferentes do que um vídeo, por exemplo. tem coisas que eu acho que só vão sair legais se for em texto. num sei, parece que no Youtube e no próprio Stories a gente fica presa a um formato e tem que se adaptar conforme os algoritmos mudam. um blog não depende tanto disso, né?

5.encontrar carinho

quando eu começo a achar que a maldade do mundo é real, depois de ver tantas críticas no Twitter ou histórias ruins nos portais de notícias, eu lembro que tem um montão de blogs por aí que fazem um trabalho incrível em disseminar o carinho. eles fazem cada foto com muito cuidado, pensam muito bem antes de escrever cada texto, cuidam pra deixar o seu espaço sempre muito bonito e arrumadinho. como não ter fé na humanidade depois disso?

6.dedicação

ter um blog parece fácil, né? você entra na internet, abre um wordpress e começa a escrever. pronto. só que não. tem que fazer a foto (ou escolher uma num banco de imagens) que traduza exatamente o que você quer dizer. ter certeza que não escreveu besteira e que o texto não tem errinhos (de vez em quando, eles ainda escapam). depois de publicar, tem que divulgar – Twitter, Facebook, Instagram… daí tem que alimentar as redes sociais com uma certa frequência também, pra não esquecerem do seu blog. tem que responder todos os comentários e menções. isso tudo fora o trabalho de todos os dias, ou as horas de estudo pra escola ou faculdade. é trabalho duro e demanda dedicação, e isso é o tipo de coisa que eu admiro MUITO nos blogs.

no fim das contas, tanto faz a plataforma que você usa pra se comunicar com as pessoas, a verdade é que dá pra usar qualquer vídeo no Youtube ou Stories do Insta pra indicar pessoas, fazer um ‘textão‘ ou encontrar carinho. é só tentar achar aquele formato que deixa o seu coração quentinho e que te anima, sabe? no meu caso, segue sendo os blogs. ♥

me conta o que você ainda ama em blogs?

banner beda desancorando

 

dá pra fugir da farsa da vida perfeita do Instagram?

algumas pessoas me marcaram e mandaram para mim um vídeo da Karol Pinheiro que me fez pensar muito (e foi até a inspiração para o título deste post). apesar de algumas ressalvas, eu curti o conteúdo porque tocou num ponto que eu sempre refleti bastante: será que dá pra gente ficar longe dessa sensação de que não vive uma vida incrível, como a gente vê o tempo inteiro no Instagram? parece impossível, né? e às vezes que me martirizei porque o feed do meu não era maravilhoso não me deixam mentir que eu já sofri desse mal também.

eu já senti FOMO, já chorei por ver fotos incríveis de amigas minhas lá na rede social e até já pensei em deletar tudo de tão mal que me sentia toda vez que abria o Instagram e começava a passear pelo meu feed. também já senti muita raiva vendo a (pseudo) vida desses ~influenciadores~, que viajam milhões de vezes por mês, ganham outros milhões de coisas e ainda estão sempre com cabelo e peles perfeitas. também já fui viciada a ponto de passar horas atualizando a página e perder muito mais tempo checando o perfil alheio do que me ocupando com a minha própria vida (confissão: tem vezes que eu ainda caio nessa cilada).

mas (e aí entra um grande MAS) eu terminei de ver o vídeo da Karol e percebi que, hey, eu não me sinto mais assim. e, nossa, que libertador foi perceber que hoje eu consigo abrir o meu feed e não me sentir mal comigo mesma. aliás, até parei para perceber que o meu próprio feed está do jeitinho que eu sempre sonhei que ele fosse. e não é que eu transcendi as redes ou que aprendi a conviver com esse flood de informação que fica martelando na nossa cabeça o dia inteiro. nada disso.

eu mudei de meta.

lembra quando eu falei sobre fazer um blog pros outros? então. o meu Instagram não é feito pra mim, mas pra quem me segue. cada foto que eu coloco ali é uma conexão minha com você que me acompanha. eu faço a foto com carinho, eu penso na legenda com amor e eu clico em publicar lembrando sempre que quem olhar aquela foto vai se relacionar comigo de alguma maneira. eu busco uma conexão. é claro que na hora de fazer uma foto eu penso na composição, penso na luz e nos elementos que estão ali. mas, principalmente, eu penso no que eu estou sentindo quando clico em ‘publicar’.

a minha meta com o Instagram não é postar a foto mais bonita do castelo da Disney ou o prato mais fotografável do restaurante. é me relacionar com você que me acompanha. eu quero passar uma sensação – e se o feedback que eu tenho recebido é qualquer prova, eu estou sendo muito bem-sucedida nessa meta.

vida perfeita do intagram

a partir daí, qualquer foto que eu vejo no Instagram me mostra uma tentativa de relacionamento. qualquer rede social é um recorte da nossa vida, é impossível a gente postar absolutamente tudo o tempo inteiro (se bem que gente que tenta, né?) e acho que isso nem é o objetivo. a verdade é que as redes sociais vieram para suprir uma necessidade das pessoas, e o que a gente faz com elas é que importa. a gente só passou a colocar na internet uma necessidade de ser aceita, de ser legal, de ser reconhecida de alguma forma.

daí, é óbvio que só colocar coisas bonitas na rede e tentar fazer um feed perfeito vira uma meta, né?

mas se a gente olhar para cada foto como uma tentativa de relacionamento… puxa, tem tanta coisa que a gente pode entender com isso! a gente pode olhar para um ‘feed perfeito‘ e perceber como aquela pessoa quer ser reconhecida pelo seu esforço. como ela acha que se encaixar num padrão é essencial pra felicidade dela. como, talvez, recriar o estilo de alguém grande nas redes pode ser o caminho pra ela conseguir esse reconhecimento. no fundo, o que ela tá buscando é amor.

eu já postei foto sem maquiagem (na verdade, a maioria das fotos que eu posto é de cara lavada ou só com um pouquinho de delineador e blush), já publiquei foto de um dia no outro, já planejei feed, já tirei milhões de fotos pra escolher a melhor pra postar. mas eu fiz tudo isso com um sorriso no rosto e o coração quentinho, porque o tempo inteiro pensei no que seria mais legal pra passar pra você a sensação que quero passar.

então, respondendo a pergunta do título, tem um jeito da gente fugir dessa farsa toda e dessa sensação horrível que a gente fica quando passa muito tempo olhando o Instagram ou qualquer rede social. a gente só precisa mudar de meta.

fácil, né?

é, na teoria é muito mais fácil do que na prática, e eu sei o trampo que foi para chegar até aqui. é um treino diário, que eu faço a cada minuto que me lembro, e um reforço constante do porque eu faço o que faço. postar todos os dias no Instagram pode ser difícil pra quem trabalha de casa e não muda muito de cenário, ou para quem tem uma carga de trampo tão pesada quanto a minha, mas eu sempre tento fazer o possível para criar um conteúdo que me deixe mais perto de você.

a saída, talvez, seja justamente buscar essa conexão. a gente acha que ‘ser real‘ é falar que tá mal em dia que tá mal, é falar que brigou com o namorado antes de publicar a foto fofinha da reconciliação, é mostrar que tem photoshop pra apagar a espinha naquela selfie mara que você fez. não é não. ser real é colocar na prática o que você é o tempo inteiro – é ser fiel ao seu coração, a quem comanda essa máquina maluca que a gente chama de corpo e que usa pra se expressar. a honestidade pode aparecer de muitos jeitos diferentes – um textão no Facebook, um tuíte fofinho ou uma foto com legenda super sincera no Insta -, mas ela vai sempre estar presente em tudo o que você faz se você para e pensa no que está sentindo na hora de apertar o ‘publicar’.

se você busca uma conexão, um relacionamento com quem te segue, tanto faz se a foto tem filtro ou não, se foi feita em Paris ou em São Paulo. a pessoa vai sentir o que você colocou ali na hora que o clique aparecer no feed. é cansativo esse esforço constante de parecer cool e super na moda, a gente não consegue sustentar essa vibe sem que ela tenha consequências (a gente se ataca tanto quanto mente…).

a resposta pra nossa felicidade não tá no número de likes que recebeu na última foto postada. nem no número de comentários e engajamento daquele post. tá no interesse que a gente tem no próximo e no quanto tá a fim de ser honesta e sincera 100% do tempo. tá no quanto a gente quer se abrir pra se relacionar com as pessoas, sabe?

parar de mentir não é só falar o que você pensa e sente o tempo inteiro, é desistir de contar mentiras sobre quem você é, seja com uma foto no Instagram ou com uma roupa tendência do momento que você jamais usaria em ocasiões normais.

cada foto pode ser um ato de carinho. cada tuíte, um jeito da gente ficar mais perto. e aí tanto faz se eu tô em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Coreia ou no Japão. você vai junto comigo sempre. a realidade tá em parar de querer ser aquilo que você não é, e isso reflete em tudo – da foto que você faz na frete da Torre Eiffel até o clique arrumadinho do seu #bulletjournal.

o que você acha que precisa parar de fazer pra ser mais real nas redes?

 

banner beda desancorando

o segredo é não fazer um blog pra você

essas últimas duas semanas, eu fui bombardeada (no bom sentido) de informações sobre influenciadores, youtubers e blogueiros. uma das vantagens da minha profissão é que vez ou outra eu posso falar com esses produtores de conteúdo para uma matéria e extrair deles o máximo que eu posso (pensando um pouquinho em tudo que eu gostaria de saber também, confesso).

falei com pessoas que admiro, outras com quem não tinha tanto contato e acho que, depois de tantos milhões de anos fazendo blogs e escrevendo pra internet, eu descobri o segredo para criar um blog / canal no youtube / perfil no Instagram de sucesso: não fazer por você.

parece óbvio, né? pra mim não era. pensando em todas as vezes que eu comecei um blog, em que eu abri um perfil no Insta ou que eu fazia um comentário no Twitter, eu sempre pensava em mim: em como isso seria interessante pra mim, no que eu ganharia com tudo isso. eu. eu eu eu eu eu eu. era tudo sobre mim.

mas, conversando com esse tanto de gente legal (tipo o Erick, vocês precisam conhecer o Erick ♥) eu parei para olhar toda a minha trajetória na internet e cheguei a conclusão que o desancorando só virou esse monte aconchegante de coisas lindas porque eu parei de escrever pra mim. eu comecei a escrever o que eu queria compartilhar com você, que me lê aí do outro lado da tela, e conversar diretamente com você.

eu lembro dos dias que passava horas pensando em como poderia ficar famosa com blog, como poderia ganhar dinheiro com isso, e obcecava com posts que eu jamais escreveria (porque não acreditava em mim). mas, agora, escrever é fácil, é gostoso. é obrigatório e uma das melhores partes do meu dia. porque eu escrevo pra você que me lê.

demorou mais de 10 anos para entender que seja na internet, seja fora dela, a gente só é bem-sucedida quando compartilha um sentimento verdadeiro com as pessoas. quando cria aquela conexão que faz a pessoa voltar pra casa pensando ‘caramba, que dia INCRÍVEL‘, ou passar horas na barra de rolagem se perguntando: ‘mas como eu não conhecia esse blog antes? *insira o seu melhor emoji indignado aqui*

é por isso que a internet sempre vai ter espaço pra todo mundo, porque cada pessoa quer compartilhar uma coisa diferente. o mais importante (e talvez o mais difícil) é você saber o que você quer compartilhar. o resto vira, como dizem por aí, resto. o retorno sempre vem pra quem compartilha uma coisa legal e faz com o coração.

tenho pensado muito nisso porque o blog tem me trazido uma felicidade imensa. e eu percebi que agora eu faço por cada mensagem sua que eu recebo, porque eu sei que no meio de tantos cantos obscuros da internet (e da vida), o desancorando pode ser um pontinho de luz que ilumina o seu dia.

e aí, tanto faz quem ainda lê blogs hoje em dia ou se vale mesmo a pena ter um blog no ano em que o Youtube mais cresceu no Brasil. tanto faz a plataforma, sabe? eu faria tudinho de novo, igualzinho eu fiz, só pra ser esse pontinho mais uma vez. e vou continuar fazendo pra esse pontinho crescer e a gente virar uma bola de luz tão grande quanto o sol.

não sei explicar muito bem porque eu decidi escrever esse texto, mas eu fico pensando no tanto de gente que às vezes comenta que queria fazer um blog mas desiste, que não quer abrir aquele canal no Youtube porque acha que não tem chance, que desiste do Instagram porque ninguém curte as fotos… e me veio muito na mente, de novo e de novo, a importância de fazer isso pelos outros, de compartilhar. fazer isso só por mim não adianta mais, não vale a pena, não é legal. por mim eu fecho a lojinha e passo os meus dias vendo doramas, escondida no quarto.

mas por você… ahhhhh, por você eu falo de tudo aqui. escrevo post de madrugada. tiro foto na hora do almoço. lembro de postar no Instagram às dez da noite. faço um stories ou outro de vez em quando, até gravo uns vídeos bonitinhos pra animar o seu dia e te ajudar com o bullet journal. trabalho de final de semana. escrevo até não conseguir olhar mais pra tela do computador. deleto textos inteiros e começo do zero pra sair na sensação certa. só pra você entrar aqui e sentir aquele quentinho no coração de novo.

quer fazer um blog? faça! mas faça pra compartilhar, pra dividir com as pessoas as coisas que você ama, pra espalhar carinho pelas redes sociais. quer fazer um canal no Youtube? comece agora! pode ser com o celular mesmo, só pensa direitinho no que você quer ensinar pras pessoas.

daí fica tão fácil quanto esquentar a água pro chá da tarde. tão divertido quanto dançar kpop na sala de casa. tão gostoso quanto um abraço apertado depois de um dia difícil. vira cuidado. e vocês já sabem o que eu penso sobre cuidado, né?

me conta o que você quer compartilhar na internet?