‘eu não tenho roupa pro SPFW’

spfw
o ~look do dia~ do SPFW

essa semana é uma semana daquelas. tem SPFW. tem andar de um lado pro outro. tem reencontrar pessoas queridas nos corredores da Bienal. tem muita dessa loucurinha que ninguém entende porque eu amo, mas eu amo, sim. mas como eu uso o que aparece na minha frente pra treinar aquele lugarzinho mágico do ‘eu sou o que eu sou e nada mais‘, me vi muito representada quando uma pessoa que eu gosto muito falou na maior naturalidade ‘eu não tenho roupa pra ir no SPFW‘.

pouts, sim. eu já estive aí. na verdade, eu morei aí e fui eleita presidente daí pelos últimos 29 anos, mais ou menos. e se você lê o blog e sabe que eu tô refazendo o meu armário inteiro sabe que eu tenho brigado muito com esse lugar – mas uma briga pacífica, do tipo ‘ei, cara, vamos parar com isso e nos entender de uma vez, tá bom?‘. tá bom.

corta a cena e tô eu lá nos corredores da Bienal com uma roupinha que eu gostei muito, confortável, gostosinha, usando os tênis da Adidas que grudaram mais do meu pé e que eu não planejo tirar dali tão cedo. e o tempo todo que eu andei por lá eu só pensava uma coisa: MEU DEUS SERÁ QUE A MINHA ROUPA TÁ LEGAL? 

pois é, eu não estive a salvo dos pensamentos de comparação, mas preciso ser sincera e dizer que fiz um treinamento muito pesado pra não me deixar levar por eles e confirmar todas aquelas coisas horríveis que eu penso sobre mim. not today, satan, já diria a internet.

o ponto a que eu quero chegar é: seja a moça super produzida que posa pros fotógrafos, seja euzinha com as minhas roupas básicas e confortáveis e maquiagem super simples, será que a gente não tá dando significado demais pra uma coisa que não deveria ter tanto significado assim?

eu fico pensando em como é importante eu usar roupas que me representem, mas isso não pode vir de um lugar ‘quero ser estilosa‘, mas, sim, ‘quero que as pessoas olhem pra mim e se sintam bem‘. sabe? que elas percebam o meu nível de conforto e vejam nisso uma oportunidade para buscarem se sentir assim também. tem que ser num lugar de função.

era muito fácil eu chegar lá no lugar do evento e passar a tarde inteira me sentindo mal, porque, em algum lugar de mim, eu tinha essa certeza de que não me encaixo, de que não sou descolada o suficiente ou bonita o suficiente ou importante o suficiente para estar ali. é muito fácil a gente ver uma menina estilosa na rua e pensar ‘queria ser assim, olha só como eu não sou assim‘.

a diferença é quando a gente passa a olhar pra moda, pras roupas, como uma forma de expressão. e não é difícil, né? tipo, dá pra dizer muito sobre uma pessoa só pelo jeito como ela se veste. é uma comunicação como qualquer outra, o que importa é o que você quer comunicar. me vem muito na cabeça o quanto eu quero que as pessoas se sintam confortáveis perto de mim, como eu quero ser a representação de um porto seguro, uma referência de que dá pra se sentir bem sempre, sabe? e será que eu vou conseguir isso usando roupas que não me deixam assim? acho que não, né?

e nada de distorcer o que eu tô falando, hein? isso não quer dizer que você precisa tacar fogo nos seus sapatos de salto e jogar no lixo todas as suas maquiagens. é encontrar aquele ponto em que você se sente confortável, você se sente bem. e isso passa pros outros também, entende?

fora que a roupa deixa de ser uma roupa e passa a ser uma ferramenta. ela vai me ajudar a comunicar uma coisa que te alcança e vai ser legal pra você também. ela me ajuda a passar a mensagem que eu preciso, sabe?

sei lá. eu fui pro SPFW, senti milhares de coisas, mas tentei manter em mente esse treino. em olhar pras pessoas que cruzavam comigo com carinho e focar no que importa de verdade: o relacionamento que a gente tá construindo junto. se o meu look tava de acordo com o que as revistas dizem que é legal ou não… ah, honestamente, eu acho que não me importo mais.

banner beda desancorando

como o amor vai salvar o mundo

o amor vai salvar o mundo

parece que o mundo não tem solução. que as coisas só pioram. que cada dia fica mais difícil. é mais violento, mais corrupto, mais sujo. mais triste. as pessoas ficam mais cínicas, mais casca grossa, mais insensíveis. é todo mundo matando um leão por dia. e quem não mata, bem, sempre tem a segunda opção.

teve um dia desses que eu parei pra me perguntar como diabos a gente vai sair dessa cilada. sério. eu olhei em volta, olhei pras coisas horríveis que eu ainda penso, pro medo que todo mundo sente e me perguntei: como é que a gente vai sair dessa? como? parece que não tem saída.

a resposta veio algumas (poucas) horas depois, quando eu recebi um abraço apertado e fui lembrada da solução. sabe quando você tá num dia estressante e para um segundo, e percebe o quanto o seu corpo tá tenso, todo doendo, todo encolhido? e aí você relaxa, respira fundo e repara que tá tudo certo? foi tipo isso. foi um acalento, foi um aconchego, foi uma certeza. o amor vai salvar o mundo.

não tem nada de romântico. de poético. apesar de ser a coisa mais linda que qualquer um de nós vai ver. na verdade, é muito prático. a única saída pra essa loucura toda é o amor. tem uma raivinha que a gente vai alimentando dia após dia e que nem parece que tá ali até você sair chutando a rua sem motivo e gritando ‘FILHO DA PUTA‘ no trânsito pra meio quarteirão ouvir. no meio do caminho, qualquer que seja ele, a gente esqueceu que do outro lado tem alguém igual a gente, que tá perdido igual.

as pessoas tão perdidas. elas se sentem sozinhas. elas têm medo. elas não sabem o que fazer com as próprias vidas, porque aprendem desde novinhas que o dinheiro é mais importante e que a gente tem que sacrificar tudo que é bom pra ser feliz em algum ponto do futuro. vai saber se é daqui 10 ou 50 anos. mas tá sempre lá na frente.

as pessoas esqueceram de se olhar. de perguntar sinceramente se tá tudo bem e de ter curiosidade em ouvir a resposta. elas têm certeza que já sabem. elas têm certeza também que todos temos coisas mais importantes para fazer do que ouvir os lamentos alheios. eu já pensei assim também. mas não venha me dizer que você não sente o coração apertar quando vira as costas e não fica pra dar um carinho que seja em quem pensou que você tava no clima de ouvir o que ela tinha a dizer.

vai dizer que você já não foi a pessoa contando com a boa vontade alheia e que ficou na mão também. sorriu ao invés de chorar. que deixou de falar que gostava ou que tava triste. que não ligou por medo de incomodar. que não saiu de casa porque achou que não seria bem-vinda. que quis voltar antes pra casa porque tinha certeza que ficar sozinha vendo Netflix era melhor. não venha me dizer que você não chegou em casa e pensou que tava se sentindo solitária. eu sei que você entende bem o que é isso.

e no meio dessa loucura toda, dos boletos a pagar, da fatura que só aumenta, da solidão e das garrafas de vinho bebidas às pressas no fim de semana, parece que não tem pra onde correr e que a esperança morreu, afinal.

como faz pra encontrar a esperança no mundo? como faz pra gente ser a esperança do mundo? desistindo da raiva, oras. e aprendendo a viver no amor. simples assim. como 2 + 2. como tomar picolé de limão no verão. como apertar o botão soneca quando você sabe que tá atrasada pro trabalho. como abraçar alguém que a gente gosta e não vê tem um tempão.

como faz pra gente ser a esperança do mundo, meu Deus? talvez a gente comece colocando um pouquinho de amor onde é mais fácil pra gente, sabe? num carinho com aquela pessoa querida. num trabalho que a gente curte muito fazer. numa foto bonitinha que a gente clicou pro Instagram. vale colocar até na hora de montar as marmitas todas pra semana ou de dar bom dia pro motorista do ônibus. essa coisa de pensar em grandes gestos de amor é démodé e dá trabalho. o amor é simples, é natural e não pede licença. ele não limita e não determina. ele não escolhe. ele é de todo mundo.

e vai salvar o mundo. o amor vai salvar o mundo porque ele vem chegando assim. devagarzinho. tem horas que você nem percebe. quando vê, PLUFT, já foi. daí você tá sorrindo de orelha a orelha e nem sabe muito bem o que rolou. você tomou o sorvete mais delicioso do mundo inteiro ou tirou a foto mais incrível de todas e solta um ‘nossa, nunca mais isso vai acontecer de novo‘. verdade, não vai mesmo. porque da próxima vez vai ser outro sorvete mais delicioso do mundo e outra foto mais incrível de todas – não tem nada a ver com a foto ou o sorvete, sabe, mas com o amor que tá ali. e a vida fica bonita de novo, entende?

de novo. porque ela sempre foi bonita. sempre vai ser. a gente só esqueceu. ô, menina. só não esquece a cabeça porque tá presa no pescoço. tipo assim. exatamente assim. só que numa escala um pouco maior, que faz a gente duvidar que tem jeito. que dá pra distribuir amor pra quem fecha a gente na marginal (e olha que eu nem sei dirigir) ou que usa a camiseta do time inimigo (também não gosto de futebol). mas tem ponto de partida. tem saída, minha gente.

é o amor que vai salvar o mundo. só o amor. políticas públicas parecem vitais, mas não cuidam da mente doente. cuidar do meio ambiente não é mais importante do que mostrar que as pessoas são confiáveis e que a gente não precisa ter medo de quem tá sentado do nosso lado no ônibus. isso são detalhes, a gente tem que olhar a big picture, o quadro geral das coisas, o contexto. e dentro do contexto, o mundo será curado à medida que a gente se abrir pro amor.

mas vai demorar, Maki? tá doendo agora. eu preciso de ajuda agora‘. então, toma aqui, ué. toma um abraço. um carinho. um cafuné. toma uma xícara de chá. respira fundo. a gente tá junto nessa. você não tá sozinho. não tá no escuro. tá tudo bem. a gente vai salvar o mundo. e se você ainda tem medo de dar esse passo, não tem problema. eu começo amando você.

banner beda desancorando

o ponto de partida do meu novo guarda-roupa

paleta de cores

lembra quando eu disse que eu ia recomeçar o meu guarda-roupa, né? então, a parte mais difícil pra mim, depois de fazer a limpa no armário, era saber por onde começar essa nova fase. eu não tinha noção do que fazer e pedi ajuda pra algumas pessoas. a Clarinha foi uma delas, e enquanto a gente batia papo no Messenger, ela comentou que o mais importante, para ela, era pensar na paleta de cores: ela começou a prestar atenção nas referências que separava no Pinterest e no que ela mais gostava em cada foto salva. no fim, o que ela curtia mesmo não eram as peças em si, mas as cores em cada foto.

comecei a pesquisar sobre paletas de cores e como montar uma para mim. claro, esse trabalho foi todo amador e eu fiz essa paleta lendo um pouco sobre os tons de pele frios e quentes, paleta de inverno e outras coisas. o site das meninas do Oficina de Estilo foi uma mão na roda nessa hora e o da Gabriela Ganem também. com essas leituras e pesquisas todas, eu cheguei na seguinte paleta de cores pra mim:

paleta de cores

pronto, só cores que eu adoro, que uso muito e que tem aquela cara de aconchego e outono que eu tanto amo. confesso que fiquei mega animada a hora que vi a paleta pronta, porque era exatamente o que eu queria: cores com as quais eu me relaciono, que combinam entre si e que me deixam confortável. sendo tão branquinha, todo mundo diz que cores fortes ficam bem pra mim, mas a verdade é que eu nunca me senti bem usando um amarelão ou um verde bem chamativo, sabe? gosto das cores mais discretas, eu me sinto mais eu.

inverno e suas roupas delicinhas ❤

A post shared by maki de mingo (@desancorando) on

eu percebi que escolher uma paleta de cores foi essencial pra eu começar a ir atrás do que queria no meu armário. sem ela, era muito fácil eu sair comprando peças aleatórias, só para perceber depois que elas não combinavam muito bem ou que não funcionavam juntas. mas sabendo que eu sempre vou trabalhar em cima dessa paleta, tudo ficou muito mais fácil. a partir dela, eu soube o que deixar no meu armário e como complementar o que eu já tinha com o que eu precisava. se você perceber, nas últimas (poucas) fotos de looks que eu coloquei no Instagram, essa paleta predominou 100% e eu nunca me senti tão feliz e confortável com o que eu uso. parece que agora a coisa toda encaixou, sabe?

represente a alegria 😄

A post shared by maki de mingo (@desancorando) on

dentre tantas milhares de opções de cor, saber as que eu mais gosto, as que funcionam para mim e que melhor combinam com o meu estilo de vida (e de roupa) foi incrível mesmo – e parece básico pensar nisso primeiro, né? mas eu sempre focava nas peças de roupa que via no Pinterest e queria igual, e nunca nas cores que mais combinavam comigo.

🌞

A post shared by maki de mingo (@desancorando) on

é óbvio que eu ficava frustrada assim. eu nunca vou conseguir peças idênticas às das meninas que eu vejo lá na outra rede social, e mesmo que encontre, com certeza elas não vão cair do mesmo jeito no meu corpo. focar numa paleta de cores me deu um ponto de partida para buscar peças de roupas que eu gosto e que me deixam confortável, sabe? daí meus looks tão ficando assim, todos gostosinhos e com a minha carinha mesmo.

você tem uma paleta de cores pro seu armário?

banner beda desancorando

como colocar mais amor no que você faz

como colocar mais amor

cinco minutos no Facebook são o suficiente pra perceber que as pessoas não colocam muito amor no que escrevem por ali. no Twitter também. e se fica tão claro que as redes sociais são tipo a válvula de escape do dia a dia, já dá para ter uma ideia do que acontece com as outras coisas que a gente faz por aí, né?

tem tempo que eu parei de destilar ódio ~pelas redes~ (e fora delas também) porque percebi que simplesmente não vale a pena. não faz parte de quem eu sou de verdade, não me define e, usando termos bem simples de explicar, é um karma ruim. não no sentido de ‘eu vou pagar por isso na próxima vida‘, mas do tipo ‘eu vou pagar por isso daqui cinco minutos quando bater o joelho na quina da mesa ou derrubar o celular na privada‘. do tipo o que a gente recebe de volta quase que imediatamente os efeitos do que sente. é desse tipo de karma que eu tô falando.

reverter isso é um trampo: eu preciso primeiro entrar em contato com quem eu sou de verdade, pra entender que essa raiva não faz parte de mim. e aí começar a atuar desse lugar ‘novo‘ (que de novo não tem nada). é uma mudança de postura, sabe? de posicionamento. e aí colocar amor nas coisas fica fácil, porque eu só tô expandindo o que eu já sou, colocando pra fora tudo o que tá dentro de mim.

enquanto a gente treina nesse vai e volta constante em busca de viver a verdade sobre quem a gente é, tem algumas coisinhas que podem ajudar a gente a lembrar desse posicionamento de distribuir amor por aí. é um listão cheio de gatilhos do amor pra gente ter sempre à mão, sabe? tipo assim:

1.pensar em quem tá lendo o que a gente escreve;
2.pensar duas vezes antes de clicar no botão enviar no email / comentário /tuíte;
3. olhar no olho da outra pessoa com quem a gente tá falando;
4.parar pra pensar no que a gente tá sentindo na hora de digitar aquele texto / relatório / email;
5.prestar atenção: a gente tá ouvindo mesmo o que o outro tá contando?;
6.tentar não viajar na hora do banho e cuidar do corpo com carinho (e não no automático);
7.ouvir a música de verdade, e não se imaginar cantando – tem uma mensagem em cada acorde;
8.dar um abraço apertado quanto pedirem;
9.pensar nas pessoas que vão usufruir do nosso trabalho (tem um montão de gente, eu aposto);
10.não pensar no que a gente quer, mas tentar entender o que o outro está pedindo;
11.fazer uma pausa quando tudo parecer demais – nada que uma xícara de chá não resolva;
12.acalmar o nosso coração antes de conversar com qualquer pessoa;
13.falando nisso, não assumir que tem alguma coisa errada na hora de falar com alguém;
14.ser gentil (com a gente mesma e com os outros);
15.na dúvida, escolher amar. 

eu falo que o amor é uma escolha e eu sei que isso parece conversa de maluco, filosofia de filme da Disney ou aquelas teorias vazias sobre a vida que a gente insiste em repetir por aí. mas não tem nada disso (mesmo). amar é uma escolha que a gente pode fazer de novo o tempo inteiro – tudo bem se você cair do cavalo de vez em quando, a boa notícia é que a cela continua ali e você pode subir de novo se quiser. é assim. uma escolha entre amar ou continuar colocando raiva no mundo (e no corpo e nos outros). olhando assim, nem fica difícil, né?

banner beda desancorando

5 dicas para desapegar das roupas que você não ama mais

desapegar das roupas

desapegar das roupas nunca foi um problema pra mim. pelo contrário, eu sempre tive bastante facilidade em tirar do armário aquilo que não queria mais. o moletom do meu ex-namorado que eu usava pra ficar em casa. aquela blusa tie-dye rosa que minha mãe me deu quando eu tinha 15 anos. o meu vestido de formatura da faculdade. tchau, goodbye, adiós, à bientot. nem pensava duas vezes.

quando comentei que a parte mais fácil do processo de refazer o guarda-roupa era limpar o armário, eu falei sério. para mim, o problema nunca foi tirar dali o que eu tinha que tirar ou o que eu sentia que não funcionava mais pra mim. o mais difícil, o mais complicado sempre foi conseguir repor o que eu tirava de lá.

sim, eu confesso que ainda tenho algumas camisetas de valor sentimental escondidas em uma gaveta intocável (e intocada) no armário. mas elas também estão com os dias contados. acho que já passou do tempo de eu deixar a camiseta que a minha sala do 3º ano fez pra formatura (beijo, 3H3!) juntando pó só porque eu tenho certeza que ‘um dia‘ ela vai ser usada (mentira, não vai). então, //comofaz pra desapegar como você, Maki? assim, ó:

1.eu estabeleço uma meta

e tudo – eu disse escrevi tudo – o que não faz parte dessa meta, vai embora. é mais ou menos assim: pra esse novo guarda-roupa, eu precisava de peças que me representassem de verdade, e queria muito que cada uma dessas roupas combinassem perfeitamente entre si. assim, tudo o que não entrava nesse âmbito, nessa meta, ia embora. eu nem pensava duas vezes. se não combinasse ou se não estivesse de acordo com a meta… tchau.

2.eu agradeço

cada peça teve o seu propósito na minha história. eu comprei por um motivo, eu achava que combinava comigo por um motivo, eu investi nela por um motivo, eu guardei por um motivo. eu consigo ser grata por cada uma das roupas que eu usei ao longo da vida, porque cada uma delas foi importante nesse meu processo – por mais que muitas vezes eu não tivesse noção nenhuma do que estava fazendo com o meu estilo. não é muito mais legal ficar feliz pelo tanto que você usufruiu de uma coisa ao invés de ficar triste de vê-la indo embora? eu acho que sim! falando nisso…

3.eu penso em quem pode usar aquilo também

toda vez que eu limpei o meu armário, eu separei uma penca de roupas pra vender e outra penca pra doar. é óbvio que, para as duas opções, eu só deixei em cada uma das pilhas as roupas que estavam em bom estado (não vale doar roupa manchada ou rasgada, né?) e sempre me deixou feliz saber que outras pessoas poderiam usufruir do que não me servia mais. um dos lenços que eu mais usei por ANOS foi comprado de uma amiga por R$15 – ela não queria mais e me vendeu. a minha jaqueta jeans preferida eu comprei num brechó, e um dos vestidos do meu armário que mais anda sozinho é um que uma outra amiga me doou também. a gente fica triste em tirar um negócio do armário, mas não pensa no quanto isso pode fazer outra pessoa feliz.

4. eu pratico o armário cápsula

é, não mais daquele jeito super engessado de antes, mas eu ainda mantenho o meu armário bem reduzido. o número de roupas que eu tenho é pequeno, então o desgaste de cada uma delas é maior. eu ainda não consegui fazer a transição completa para só comprar roupas de qualidade maior e de marcas que são independentes e bacanas (tá nos planos) ou só em brechós, mas o fato de eu rever o que tenho no armário com frequência tem me ajudado também nesse processo – e aí vai tudo ficando alinhado ainda mais com a meta.

5.eu me dou tempo para pensar

se tem uma peça de roupa que eu gosto bastante, mas que não uso tem um tempo, eu dou uma segunda chance. eu sigo bem à risca aquela regrinha do ‘se você não usa há 6 meses, então não vai usar mais‘ e também a do ‘se você não sente falta, é porque não precisava pra começo de conversa‘. uso muito essas duas filosofias pra me ajudar a desapegar das roupas porque ela é muito simples e verdadeira: não dá pra insistir num negócio que você gosta, mas não usa. no fim das contas, só vai ficar juntando pó no armário.

 

acho que é isso, viu? paciência é uma virtude mesmo, também pra esses momentos. se eu tô em dúvida, deixo a roupa ali no armário um tempinho, marinando, até que eu olho pra ela e me vem um clique: ‘é, não vai dar certo mesmo, hora de você fazer outra pessoa feliz‘. roupa não é descartável, sabe? tirar do guarda-roupa uma blusa que você amou muito um dia não significa jogá-la fora (a não ser que ela esteja toda estragada, né?), mas sim dar um novo propósito para esse tecido. no fim, eu faço o que preciso pra me sentir bem com as roupas que tenho e com a forma como visto – e tenho me sentido cada vez melhor! ♥

você tem algum segredo pra desapegar de roupas? me conta?

banner beda desancorando