quando foi que vestir roupas ficou tão divertido?

divertido vestir

essa semana eu me peguei mega feliz na hora de trocar de roupa de manhã. lembro de pensar ‘nossa, o que eu posso vestir hoje que vai fazer todo mundo se sentir bem?‘. daí, pronto! dois minutos e tava com o lookinho montado, exibindo essa belezinha pelas ruas do Alto da Lapa.

eu não sei quando foi que isso aconteceu, mas desde que eu decidir refazer o meu guarda-roupa, o ato de me vestir ficou divertido. eu fico animada ao pensar nas roupas que posso colocar, nas combinações que consigo fazer com o que tenho no armário e como essa roupa que eu vou pôr pode funcionar como uma forma de passar uma sensação gostosinha pras pessoas.

e sabe o que é mais legal? isso não tem nada a ver com as roupas em si.

é claro que teve uma mudança enorme na forma como eu me visto. hoje, as roupas que eu tenho no meu guarda-roupa representam muito mais quem eu sou – e isso tem muito a ver com a escolha de uma paleta de cores que me representasse 100%. a melhor decisão que eu fiz foi começar por esse ponto.

mas tem uma outra coisa que é a seguinte: a partir do momento que eu me proponho a colocar um propósito na minha forma de vestir, tudo fica mais fácil e essa tarefinha do dia a dia fica leve, sabe? ela fica divertida e eu faço com prazer. poxa, é mega divertido escolher o que eu vou vestir de manhã, porque tem um propósito envolvido. tem coisa mais legal do que essa?

tipo, eu lembro de uma época (não tão distante assim), em que procurar uma roupa no meu guarda-roupa era um martírio. era difícil, eu detestava tudo o que tinha ali dentro, nada me caía bem… e é engraçado perceber como isso não existe mais na minha cabeça. essa ideia de que a moda é difícil, de que me vestir é complicado, de que eu não tenho roupa pra sair no fim de semana… sabe essas coisas malucas que a gente pensa às vezes? pois é, sumiram.

e, meu Deus, como é divertido pensar no tipo de roupa que eu quero usar hoje, no sapato que eu vou colocar, na forma que vou fazer a minha maquiagem… nada sai do básico e minimalista, mas não deixa de ser divertido e não deixa de ser feito com carinho. porque tem um propósito. e ele segue sendo fazer as pessoas se sentirem aconchegadas e confortáveis. e, olha, parece que tem funcionado muito bem, viu?

é divertido vestir

o resultado desse experimento é que eu tenho me sentindo tão bem com as roupas que eu tô usando que eu fico animada pensando que no dia seguinte eu posso fazer isso de novo. não é maluco?

mas… ao mesmo, tempo, não é a coisa mais maravilhosa, a descoberta mais genial do planeta, perceber que a gente pode transformar uma coisa tão banal do dia a dia em algo divertido? NÃO É? tipo, todo mundo troca de roupa várias vezes na semana, milhares de vezes no ano, e faz isso de um lugar tão automático que vira uma coisa meio comum, meio sem graça, meio blé.

mas aí… MAS AÍ… a gente transforma uma coisa banal em uma tarefa cheia de carinho e entrega. e quando a gente se encontra na rua, você olha pra minha roupa e percebe uma sensação, você sente um quentinho no fundo do seu coração, porque eu me vesti pra fazer você se sentir bem também. não é maravilhoso, isso?

eu me sinto tão feliz com a minha roupinha bonitinha que você se sente feliz também. a gente compartilha uma coisa juntas que ninguém sabe explicar muito bem o que é, mas que tá lá. não dá pra definir em palavras.

toda vez que eu acordo disposta a colocar o meu propósito também nas minhas roupinhas, no que eu uso no dia a dia, na forma que eu passo o corretivo e o blush, eu considero você parte da minha vida e a gente faz esse trampo ‘tão banal‘ juntas. não tem como não ficar divertido assim. fisicamente, a gente pode estar a um planeta de distância uma da outra, mas na sensação a gente segue juntas e é isso que importa de verdade.

a gente acha que tem uma fórmula mágica pra se vestir bem, pra se sentir incrível com uma roupa, mas não tem. porque não existe bem e mal, sabe, existe uma sensação: a forma como você se sente quando coloca cada uma das roupas que tem no armário é o que você vai passar pras pessoas quando encontrar com elas vestida com aquela peça.

se você estiver desconfortável, se sentindo meio estranha, não se sentindo você, as pessoas vão perceber. pode ser que você faça a melhor poker face do mundo, mas elas vão sentir uma coisa esquisitinha que não vão saber pontuar – e você vai terminar o dia não tão feliz assim, achando que tudo poderia ter sido melhor, e vai passar por um alívio danado ao tirar a tal roupa chegando em casa. mas se você se sente confortável e gostosinha com o que tá vestindo… minha nossa, aí é outra conversa totalmente diferente.

enfim, um pequeno (grande) desabafo sobre como tem sido legal me vestir todas as manhãs e pensar que as roupas que eu uso podem ter um efeito no mundo, não pela forma que têm, mas pela sensação que eu tenho todos os dias quando vou escolher o que visto. pode ser um ato de carinho tão maravilhoso quanto cuidar da alimentação, né?

o que você sente quando se veste pela manhã? já parou pra pensar nisso?

sobre amores (e dias cheios de permissões)

sobre amores

eu não sei se você sabe o quanto dá pra gente ser feliz. uma hora você olha em volta, percebe o tanto de gente que te ama e tem aquela sensação de pertencimento que faz o coração cantar e os fogos de artifício mentais explodirem felizmente no céu. é uma festa que ninguém vê, mas todo mundo sente, que te faz encolher os ombros e sorrir feito besta olhando pro outro lado, só pras pessoas não acharem que você é maluca.

nem dá pra dizer que foi de repente. veio vindo aos pouquinhos e você percebeu os sinais, um por um. um sorriso aqui, um olhar ali, um abraço… e quando você se dá conta, tá sentada numa mesa com outras 12 pessoas comendo uma macarronada improvisada e com vontade de chorar de tão gostoso que tá. você olha ao redor e vê, entre um gole de café é uma mordida de bolo de rolo, que você nunca esteve tão contente e que provavelmente esse é o momento mais feliz da sua vida.
fica tão cristalino quanto um copo de água. a gente não precisa de um amor só pra ser feliz. a gente precisa DO amor. único, inabalável e eterno. esqueça o romance, deixe de lado as fantasias sobre príncipes encantados e felizes para sempre. esse momento é o que te salva do alto da torre, esses sorrisos que abrem as grades da prisão que você mesma criou, esses abraços que te jogam a escada para sair do fundo do poço. e foi tudo escolha sua. você topou, entende? topou estar ali, no meio daquela gente toda, sendo banhada de amor.
você até tenta acompanhar as conversas, mas são muitas ao mesmo tempo. ali discutem alguma coisa sobre o Airbnb. aqui falam sobre produtos para cabelos cacheados. lá do outro lado da mesa conversam sobre a cobertura do bolo, o melhor brigadeiro que aquelas pessoas já comeram. você tenta participar de todas: dá um palpite aqui e acolá, ri um pouquinho, aparece no Stories de alguém e acha graça do jeito que aquela pessoa coloca a água na xícara de café artesanal. tudo vira uma música, cada som, cada bater dos talheres nos pratos, cada arrastar de cadeira.
sobre amores
o sorriso não vai embora nunca. vocês andam juntos pelas ruas da cidade, mesmo que cada um tenha seguido o seu caminho. eles estão com você em cada batida do teclado enquanto você trabalha, em cada palavra escrita no caderno rebuscado. em cada post, em cada foto, em cada legenda do Instagram.
porque você permitiu. você topou. você aceitou. você tava lá e aceitou fazer parte disso. você aceitou ser feliz e agora está um passo mais próxima de uma vida alegre. porque ela já é alegre, você só esqueceu de olhar direito. se confundiu com óculos de lentes esfumaçadas que não te deixam enxergar nem um palmo na sua frente.
mas o importante é o que importa, e você se permitiu sair sem óculos dessa vez. você olhou em volta, pra todas as cores vibrantes da vida e percebeu que tudo isso faz parte de você. e um pedaço de bolo deixa de ser um pedaço de bolo, uma xícara de café deixa de ser uma xícara de café e uma macarronada deixa de ser uma macarronada. é tudo música, é tudo vida, é tudo amor.
a gente acha que é sobre as coisas, sabe? eu amo isso, eu amo aquilo, eu amo aquela pessoa, agora amo essa… a gente pensa que é sobre status de Facebook, sobre programar coisas e comprar tantas outras, mas não é. porque tudo isso some diante da presença do amor.
e a gente ama, viu? ah, ama. é que a gente se esquece mesmo, e coloca outras coisas no lugar só porque acha que não ama. ô, menina, larga a mão de ser besta. o amor tá aí dentro só esperando você se permitir soltar ele por aí. a própria ursinha carinhosa espalhando arco-íris e unicórnios por todos os lados, vendo tudo com olhos mais brandos e um sorriso no rosto. e de clichê isso não tem nada. muito menos de brega. muito menos de errado. tá tudo certo, viu? pode amar à vontade. tá liberado.
e sentindo tudo isso a gente olha pra trás e fica se perguntando porque passou tanto tempo se privando do amor. das pessoas. você diz que odeia todo mundo no Twitter, mas morde a língua quando percebe que isso não é verdade. que sem elas você nem saberia o que fazer da sua vida. dá um nervoso no estômago só de pensar em ficar sem ninguém, né?
dá pra gente ser muito feliz. e pode, sabe? pode trabalhar feliz, pegar o ônibus feliz, andar de Uber feliz, ouvir música feliz, até comer jiló feliz (a confirmar, né?). porque não é o jiló, ou o ônibus, ou o carro super caro, ou a viagem pra Paris que vai fazer a gente se sentir assim. é o amor. sempre ele. toda vez ele. pra toda eternidade ele.
e aí… se você passou um dia inteiro andando pelo bairro e comendo coisas gostosas, ou se trabalhou até tarde e foi dormir depois das três da manhã… tudo vai parecer a mesma coisa e tudo vai ter a mesma sensação porque é amor, entende? e só existe uma forma de amor.
esse post faz parte de um projeto de blogagem coletiva chamado Day by Day. tem um monte de gente maravilhosa participando, olha só: 

sobre girlboss e a importância de ser realista

girlboss

em agosto, o livro do Chá com Flor (o clube do livro que eu criei com a Karine e a Clarinha) foi Girlboss, da Sophia Amoruso. eu já tinha lido algumas vezes antes e ele é um dos meus preferidos pros períodos de falta de inspiração e bloqueio criativo, e foi muito legal ler mais uma vez o que a autora tem a dizer, em uma fase diferente da vida e com outras coisas em mente.

eu não vou entrar no mérito da série produzida pela Netflix, porque não vi a temporada inteira e, honestamente, não senti que o programa retratou minimamente quem a Sophia é de verdade – e nem acho que esse era o objetivo. mas eu posso dizer que, depois de ler Girlboss de novo, eu sigo gostando muito dela.

eu jamais vou saber como ela é mesmo, a não ser que passe a conviver diariamente e aprenda sobre como ela pensa e como funciona, mas o que ela passa no livro são lições muito palpáveis sobre a experiência que ela teve e a visão de mundo que ela aprendeu. verdade, ela ficou muito rica meio de repente e faz questão de falar sobre isso várias vezes no livro, mas o que eu gostei de tirar de lição dali agora foi a importância de ser realista.

sabe quando a Shonda fala no livro dela que as pessoas que sonham e ficam imaginando dificilmente conquistam o que querem? (é uma parte do discurso que ela fez numa universidade) pois bem, a Sophia fala muito disso também. basicamente, ela te conta nos mínimos detalhes como preferiu mil vezes fazer alguma coisa a ficar sonhando com a vida perfeita e é por isso que a empresa dela deu certo (na época, pelo menos… hoje em dia a gente sabe que a Nasty Gal faliu).

e eu gosto disso, sabe? a Sophia não perdeu os dias dela se comparando com as pessoas. ela não duvidou do que ela poderia fazer (só procrastinou muito pra encontrar alguma coisa que ela gostasse de verdade), ela só foi lá e fez. e trabalhou muito e trabalhou duro. ela olhou pra uma demanda e cumpriu. ela pensou nos detalhes, ela fez com carinho, ela foi atenta e ouviu o feedback. é por isso que do dia pra noite o negócio dela cresceu tanto que ela precisou mudar a empresa de lugar num espaço curtíssimo de tempo. ela não deu trela pro auto-boicote.

tá, concordo que a Sophia pode parecer meio agressiva na forma como encara a própria vida e o negócio que ela criou. mas não deixa de ser uma visão mais realista do que a que eu tinha sobre os blogs, por exemplo. sabe essa coisa de você ficar imaginando e fantasiando sobre como uma coisa pode ser, ao invés de simplesmente fazer o que você acha que quer fazer e que pode ser legal? é tipo isso.

lendo Girlboss, eu me lembrei de todas as vezes que me boicotei e que deixei as minhas inseguranças levarem o melhor de mim. não penso nisso com pesar, mas com gratidão – é sempre bom deixar claro. tudo o que eu vivi aconteceu exatamente como deveria acontecer porque eu precisava chegar onde estou agora. e eu não me arrependo de nada.

mas não deixa de ser interessante olhar para trás e falar ‘minha nossa, como eu pude alimentar tanto esse bichinho chato, né?‘. é tipo um sinal de alerta, uma sirene me lembrando pra não fazer isso de novo, pra ficar esperta e focar no que eu posso entregar, na demanda que eu vejo e que sei que posso ajudar(se você tem dúvidas, essa demanda é o amor).

eu gosto da Sophia porque, mesmo parecendo meio agressiva e super assertiva, ela te incentiva a parar de melindre, entende? ela é tipo aquela amiga que vive falando ‘miga, só faz o que você quer‘, mas você insiste em não ouvir porque continua achando que não é capaz. no fim, é uma escolha nossa querer ou não ouvir o conselho (seja da amiga ou da Sophia).

ser realista tem muito a ver com ser presente. com manter a cabeça no lugar e olhar para cada cena com olhos de primeira vez: você observa, identifica a demanda e aí faz o que precisa ser feito para atendê-la. não tem muito essa coisa de ‘isso eu faço, isso eu não faço‘. não. é fazer tudo. tudo, tudo, tudo. desde que esteja de acordo com a sua meta.

o livro me fez pensar muito nisso, sabe? o quanto eu estou disposta a ser realista e fazer o que for preciso pra atingir a minha meta. pra fechar o meu objetivo de uma vez por todas e olhar só pra ele daqui pra frente. parece tão mais fácil querer que o mundo resolva isso pra mim, sabe?  mas isso não vai acontecer. quem tem que tomar essa decisão sou eu. sempre vai ser assim.

então é isso. Girlboss me fez olhar de novo pra como é legal a gente ser realista e colocar a mão na massa pra atingir um objetivo. e como essa é a fase que eu tô agora. de fazer tudo, absolutamente tudo, com uma meta em mente e seguir a tal montanha no Neil Gaiman. é me fazer de novo e de novo a pergunta ‘isso me deixa mais próxima ou mais distante do topo da montanha?‘ e lembrar de sempre, sempre, sempre, colocar doses cavalares de amor e carinho no que eu faço – porque o resultado vem, independentemente da forma que tome.

resumindo: Girlboss é uma leitura que eu recomendo muito se você precisa de um pouquinho de incentivo pra dar esse pulo e ainda tem umas dicas incríveis sobre mercado de trabalho que eu já coloquei em prática várias vezes (principalmente as sobre carta de apresentação pra currículos!). e dá pra comprar baratinho na Amazon clicando aqui (e você ainda me ajuda a ganhar uns trocados!).

você já leu Girlboss? o que achou do livro? 

‘eu não tenho roupa pro SPFW’

spfw
o ~look do dia~ do SPFW

essa semana é uma semana daquelas. tem SPFW. tem andar de um lado pro outro. tem reencontrar pessoas queridas nos corredores da Bienal. tem muita dessa loucurinha que ninguém entende porque eu amo, mas eu amo, sim. mas como eu uso o que aparece na minha frente pra treinar aquele lugarzinho mágico do ‘eu sou o que eu sou e nada mais‘, me vi muito representada quando uma pessoa que eu gosto muito falou na maior naturalidade ‘eu não tenho roupa pra ir no SPFW‘.

pouts, sim. eu já estive aí. na verdade, eu morei aí e fui eleita presidente daí pelos últimos 29 anos, mais ou menos. e se você lê o blog e sabe que eu tô refazendo o meu armário inteiro sabe que eu tenho brigado muito com esse lugar – mas uma briga pacífica, do tipo ‘ei, cara, vamos parar com isso e nos entender de uma vez, tá bom?‘. tá bom.

corta a cena e tô eu lá nos corredores da Bienal com uma roupinha que eu gostei muito, confortável, gostosinha, usando os tênis da Adidas que grudaram mais do meu pé e que eu não planejo tirar dali tão cedo. e o tempo todo que eu andei por lá eu só pensava uma coisa: MEU DEUS SERÁ QUE A MINHA ROUPA TÁ LEGAL? 

pois é, eu não estive a salvo dos pensamentos de comparação, mas preciso ser sincera e dizer que fiz um treinamento muito pesado pra não me deixar levar por eles e confirmar todas aquelas coisas horríveis que eu penso sobre mim. not today, satan, já diria a internet.

o ponto a que eu quero chegar é: seja a moça super produzida que posa pros fotógrafos, seja euzinha com as minhas roupas básicas e confortáveis e maquiagem super simples, será que a gente não tá dando significado demais pra uma coisa que não deveria ter tanto significado assim?

eu fico pensando em como é importante eu usar roupas que me representem, mas isso não pode vir de um lugar ‘quero ser estilosa‘, mas, sim, ‘quero que as pessoas olhem pra mim e se sintam bem‘. sabe? que elas percebam o meu nível de conforto e vejam nisso uma oportunidade para buscarem se sentir assim também. tem que ser num lugar de função.

era muito fácil eu chegar lá no lugar do evento e passar a tarde inteira me sentindo mal, porque, em algum lugar de mim, eu tinha essa certeza de que não me encaixo, de que não sou descolada o suficiente ou bonita o suficiente ou importante o suficiente para estar ali. é muito fácil a gente ver uma menina estilosa na rua e pensar ‘queria ser assim, olha só como eu não sou assim‘.

a diferença é quando a gente passa a olhar pra moda, pras roupas, como uma forma de expressão. e não é difícil, né? tipo, dá pra dizer muito sobre uma pessoa só pelo jeito como ela se veste. é uma comunicação como qualquer outra, o que importa é o que você quer comunicar. me vem muito na cabeça o quanto eu quero que as pessoas se sintam confortáveis perto de mim, como eu quero ser a representação de um porto seguro, uma referência de que dá pra se sentir bem sempre, sabe? e será que eu vou conseguir isso usando roupas que não me deixam assim? acho que não, né?

e nada de distorcer o que eu tô falando, hein? isso não quer dizer que você precisa tacar fogo nos seus sapatos de salto e jogar no lixo todas as suas maquiagens. é encontrar aquele ponto em que você se sente confortável, você se sente bem. e isso passa pros outros também, entende?

fora que a roupa deixa de ser uma roupa e passa a ser uma ferramenta. ela vai me ajudar a comunicar uma coisa que te alcança e vai ser legal pra você também. ela me ajuda a passar a mensagem que eu preciso, sabe?

sei lá. eu fui pro SPFW, senti milhares de coisas, mas tentei manter em mente esse treino. em olhar pras pessoas que cruzavam comigo com carinho e focar no que importa de verdade: o relacionamento que a gente tá construindo junto. se o meu look tava de acordo com o que as revistas dizem que é legal ou não… ah, honestamente, eu acho que não me importo mais.

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como o amor vai salvar o mundo

o amor vai salvar o mundo

parece que o mundo não tem solução. que as coisas só pioram. que cada dia fica mais difícil. é mais violento, mais corrupto, mais sujo. mais triste. as pessoas ficam mais cínicas, mais casca grossa, mais insensíveis. é todo mundo matando um leão por dia. e quem não mata, bem, sempre tem a segunda opção.

teve um dia desses que eu parei pra me perguntar como diabos a gente vai sair dessa cilada. sério. eu olhei em volta, olhei pras coisas horríveis que eu ainda penso, pro medo que todo mundo sente e me perguntei: como é que a gente vai sair dessa? como? parece que não tem saída.

a resposta veio algumas (poucas) horas depois, quando eu recebi um abraço apertado e fui lembrada da solução. sabe quando você tá num dia estressante e para um segundo, e percebe o quanto o seu corpo tá tenso, todo doendo, todo encolhido? e aí você relaxa, respira fundo e repara que tá tudo certo? foi tipo isso. foi um acalento, foi um aconchego, foi uma certeza. o amor vai salvar o mundo.

não tem nada de romântico. de poético. apesar de ser a coisa mais linda que qualquer um de nós vai ver. na verdade, é muito prático. a única saída pra essa loucura toda é o amor. tem uma raivinha que a gente vai alimentando dia após dia e que nem parece que tá ali até você sair chutando a rua sem motivo e gritando ‘FILHO DA PUTA‘ no trânsito pra meio quarteirão ouvir. no meio do caminho, qualquer que seja ele, a gente esqueceu que do outro lado tem alguém igual a gente, que tá perdido igual.

as pessoas tão perdidas. elas se sentem sozinhas. elas têm medo. elas não sabem o que fazer com as próprias vidas, porque aprendem desde novinhas que o dinheiro é mais importante e que a gente tem que sacrificar tudo que é bom pra ser feliz em algum ponto do futuro. vai saber se é daqui 10 ou 50 anos. mas tá sempre lá na frente.

as pessoas esqueceram de se olhar. de perguntar sinceramente se tá tudo bem e de ter curiosidade em ouvir a resposta. elas têm certeza que já sabem. elas têm certeza também que todos temos coisas mais importantes para fazer do que ouvir os lamentos alheios. eu já pensei assim também. mas não venha me dizer que você não sente o coração apertar quando vira as costas e não fica pra dar um carinho que seja em quem pensou que você tava no clima de ouvir o que ela tinha a dizer.

vai dizer que você já não foi a pessoa contando com a boa vontade alheia e que ficou na mão também. sorriu ao invés de chorar. que deixou de falar que gostava ou que tava triste. que não ligou por medo de incomodar. que não saiu de casa porque achou que não seria bem-vinda. que quis voltar antes pra casa porque tinha certeza que ficar sozinha vendo Netflix era melhor. não venha me dizer que você não chegou em casa e pensou que tava se sentindo solitária. eu sei que você entende bem o que é isso.

e no meio dessa loucura toda, dos boletos a pagar, da fatura que só aumenta, da solidão e das garrafas de vinho bebidas às pressas no fim de semana, parece que não tem pra onde correr e que a esperança morreu, afinal.

como faz pra encontrar a esperança no mundo? como faz pra gente ser a esperança do mundo? desistindo da raiva, oras. e aprendendo a viver no amor. simples assim. como 2 + 2. como tomar picolé de limão no verão. como apertar o botão soneca quando você sabe que tá atrasada pro trabalho. como abraçar alguém que a gente gosta e não vê tem um tempão.

como faz pra gente ser a esperança do mundo, meu Deus? talvez a gente comece colocando um pouquinho de amor onde é mais fácil pra gente, sabe? num carinho com aquela pessoa querida. num trabalho que a gente curte muito fazer. numa foto bonitinha que a gente clicou pro Instagram. vale colocar até na hora de montar as marmitas todas pra semana ou de dar bom dia pro motorista do ônibus. essa coisa de pensar em grandes gestos de amor é démodé e dá trabalho. o amor é simples, é natural e não pede licença. ele não limita e não determina. ele não escolhe. ele é de todo mundo.

e vai salvar o mundo. o amor vai salvar o mundo porque ele vem chegando assim. devagarzinho. tem horas que você nem percebe. quando vê, PLUFT, já foi. daí você tá sorrindo de orelha a orelha e nem sabe muito bem o que rolou. você tomou o sorvete mais delicioso do mundo inteiro ou tirou a foto mais incrível de todas e solta um ‘nossa, nunca mais isso vai acontecer de novo‘. verdade, não vai mesmo. porque da próxima vez vai ser outro sorvete mais delicioso do mundo e outra foto mais incrível de todas – não tem nada a ver com a foto ou o sorvete, sabe, mas com o amor que tá ali. e a vida fica bonita de novo, entende?

de novo. porque ela sempre foi bonita. sempre vai ser. a gente só esqueceu. ô, menina. só não esquece a cabeça porque tá presa no pescoço. tipo assim. exatamente assim. só que numa escala um pouco maior, que faz a gente duvidar que tem jeito. que dá pra distribuir amor pra quem fecha a gente na marginal (e olha que eu nem sei dirigir) ou que usa a camiseta do time inimigo (também não gosto de futebol). mas tem ponto de partida. tem saída, minha gente.

é o amor que vai salvar o mundo. só o amor. políticas públicas parecem vitais, mas não cuidam da mente doente. cuidar do meio ambiente não é mais importante do que mostrar que as pessoas são confiáveis e que a gente não precisa ter medo de quem tá sentado do nosso lado no ônibus. isso são detalhes, a gente tem que olhar a big picture, o quadro geral das coisas, o contexto. e dentro do contexto, o mundo será curado à medida que a gente se abrir pro amor.

mas vai demorar, Maki? tá doendo agora. eu preciso de ajuda agora‘. então, toma aqui, ué. toma um abraço. um carinho. um cafuné. toma uma xícara de chá. respira fundo. a gente tá junto nessa. você não tá sozinho. não tá no escuro. tá tudo bem. a gente vai salvar o mundo. e se você ainda tem medo de dar esse passo, não tem problema. eu começo amando você.

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