sobre o melhor presente que eu já recebi

melhor presente detalhes

Foto: Luisa Chequer Fotografia

no meio da semana, eu, Lominha e Mel decidimos os temas do detalhes desse mês. automaticamente, entrei num estado de tela azul do Windows: ‘meu Deus do céu, não tenho ideia do que falar no primeiro tema de dezembro‘.

sim, como você deve ter adivinhado pelo título, o tema é um presente que a gente ganhou e que marcou a nossa vida, de alguma forma. e fiquei bem surpresa ao perceber que… nada. eu não lembrava de nada. de nenhum presente que tivesse me marcado o suficiente para virar um post.

não me entenda mal, não é que eu seja ingrata pelas coisas que ganhei em aniversários e Natais passados. é só que… nada parecia tão importante assim ao ponto de render um post inteiro, sabe? e aí eu precisei parar um segundo e pensar. pensar. pensar. pensar. pensar de novo. eu não dormi. eu tomei café. eu andei de um lado para o outro no quarto olhando tudo o que eu tinha. eu sentei na cama em uma pose contemplativa e tentei esperar a inspiração vir. e aí, quando eu já tinha desistido e tomava a minha xícara de chá resignada, sem saber muito bem sobre o que escrever, me veio o momento EUREKA! pelo qual eu tanto esperava:

o meu maior presente foi a relembrança da vida.

eu sei. é clichê. é meio brega, também. tá liberado me zoar sobre isso, se quiser. de colocar trechos desse post com uma imagem bonita do pôr do sol e jogar no grupo da família no Whatsapp. pouts, pode fazer isso sim. mas é verdade, sabe? é verdade.

eu lembro de uma época (que hoje me parece beeeeeeeeeeeeeeeeem distante), em que viver era horrível. eu não queria levantar da cama. eu pensava em me machucar o tempo inteiro. eu não queria acordar, trabalhar, comer. eu queria definhar. eu queria, sim, morrer. acho que o mais dolorido de tudo é que eu tinha desistido do amor também, e eu tinha certeza que ele não passava de folclore. eu chorava sem motivo e eu tinha certeza que tinha desaprendido a sorrir.

mas aí… mas aí eu fui lembrada, sabe? que existe uma coisa diferente, um outro jeito de viver, uma outra maneira de olhar o mundo, e parece que o meu filme voltou a ser colorido. e ele não era mais só o meu filme, era uma produção gigantesca que envolvia uma galera que estava atrás da mesma coisa que eu: um propósito verdadeiro pra viver. um motivo pra levantar da cama de manhã e passar um dia sem pensar em machucar esse corpinho.

tem presente melhor do que esse? que a vida merece ser vivida? que eu tenho um motivo pra querer acordar todos os dias? a partir daí, as coisas pra mim passaram a ser… só coisas, sabe? não menos ou mais importantes, mas ferramentas que me levam de volta pra esse lugar de lembrança. é tudo um tipo de carinho. e eu comecei a aceitar receber esse carinho, porque é uma expressão do que as pessoas são e do que eu sou também. a gente é tudo um grande novelo de carinho e cafunés e cookies recém-saídos do forno e xícaras de chá quentinhas no meio de uma tarde de inverno com o dueto da Beyoncé com o Ed Sheeran tocado em loop ao fundo.

e a gente esquece mesmo, entende? a gente se perde no meio desse mundão todo. das notícias ruins na TV. dos tuítes passivo-agressivos sobre chefes. naquela reclamação sobre o clima que parece inocente, mas tem toda uma carga de ‘a vida é um saco‘. o meu maior presente foi me lembrar da vida.

e é engraçado, porque é e não é um presente ao mesmo tempo. porque ela tava lá o tempo todo! eu só tava muito distraída pra ver. daí um dia eu decidi ver um pouquinho, uma frestinha na porta que foi aumentando, aumentando e aumentando até que eu me vi no meio dessa sala toda iluminada e cheia de flores coloridas, rindo à toa de uma borboleta que pousou no meu nariz. eu achava que a vida não tinha mais jeito. daí me falaram que tinha sim, boba, é só olhar pro lado de cá e BAM. lembrei.

hoje, se eu ganho um presente, ele não é ‘especial‘. ele é carinho. tanto quanto os cafunés que eu ganho de vez em quando. tanto quanto tomar um café da manhã gostoso com alguém que eu amo. tanto quanto um abraço apertado depois de alguns dias sem encontrar alguém, sabe? é tudo demonstração de carinho.

então, sim. eu vou bancar a breguice de filme da Sessão da Tarde. eu vou dizer que a vida é o meu maior presente, porque é pela lembrança dela que eu agradeço todos os dias quando acordo e acho que me esqueci de novo. quando eu sinto que tô caindo e OPA PERA TÁ TUDO BEM A VIDA TÁ AQUI. ufa, foi quase.

daí eu mando áudios meio chorosa pras amigas tentando lembrar elas disso. e eu me sinto útil. me sinto completa. feliz. eu coloco um pouquinho disso nos meus textos também. e quando eu dou bom dia pro porteiro do meu prédio. e eu treino distribuir essa lembrança por todos os lugares que eu vou e com todas as pessoas que eu encontro. tentando levar cada uma delas pra esse momento eureka também. esse é um presente que todo mundo merece, sabe? inclusive, já falei um tantão sobre isso aqui.

é. vou bancar a frase motivacional de que o maior presente que a gente tem é a vida. porque é. no fundo, é tudo o que eu quero. se eu ganho uma caneca bonita no meio do caminho, um livro, um sapato, um abraço ou um beijo. é tudo carinho. tudo mais uma lembrança disso. tudo motivo de alegria. tudo, tudo, tudo.

sei lá. não consegui pensar numa coisa legal que eu ganhei (foram tantas!), mas consegui pensar na vida de novo e isso me deixou contente. acho que presente tem dessas, né? a gente olha, sorri, lembra de uma coisa legal e segue em frente. daí olha de novo, lembra de novo e assim vai. até que não precisa de lembrança mais porque tá ali, sabe? o presente tá ali.

este post faz parte do projeto detalhes, uma blogagem criativa criada por desancorando + sernaiotto +serendipity  saiba mais sobre o projeto clicando aqui e confira os posts já publicados aqui.

projeto detalhes novo

quando virou legal odiar as pessoas?

sobre odiar as pessoas

tava andando pelo Twitter ontem e me deparei com uma imagem do Homer Simpson (?) toda editada e com uma camiseta que dizia assim “eu odeio pessoas com foto de anime coreanos”. fiquei intrigada. não é a primeira vez que vejo alguém comentando que não gosta dessa ‘galera‘ que é fã de kpop e coloca as fotos do ídolo no perfil.

eu poderia ter passado em branco por isso, não fosse também uma conversa com a Duds no feriado sobre como as pessoas transformaram o ‘odiar a Taylor Swift‘ num esporte. dai eu passei por uma aula também que falou sobre o quanto a gente não se abre pra conhecer as coisas e solta um alto e sonoro ‘NÃO‘ pra tudo que a gente acha que não combina com a gente, sem nem conhecer. você já deve ter concluído que eu não dormi muito essa noite, né?

porque, sim, eu andei pensando sobre tudo isso e como a gente transformou o não gostar das coisas em moda. é cool dizer que odeia alguém e ir contra o movimento. é divertido gongar a pessoa X no Twitter. é ‘bacana’ dizer que não tem paciência pra quem gosta de música coreana e fica colocando foto de caras com cabelos coloridos e coroas de flores nas redes sociais.

eu, a Mel e a Lominha começamos um movimento de trazer mais amor pra internet (que não é inédito, diga-se de passagem, mas é muito importante), e eu não consegui não fazer uma relação com o que eu tenho visto. porque tem um detalhe importante nessa equação toda que pode passar despercebido e que as pessoas ignoram: “tudo o que eu sinto diante do que vejo é tudo o que sinto por mim mesmo“.

essa frase me acertou como um soco no estômago. um copo de água gelada jogado na cara. o barulho de um trovão numa noite 100% silenciosa. foi um susto que não deveria exatamente me assustar. porque é verdade.

tudo o que eu sinto diante do que vejo é tudo o que sinto por mim mesmo. se sinto raiva, essa raiva é de mim. se sinto tristeza, é de mim, é comigo. se tô feliz, é comigo também. e não digo um ‘comigo‘ no melhor estilo ‘eu sou o centro do universo e tudo gira ao meu redor‘ (apesar da mecânica da coisa ser assim mesmo), mas porque é muito ingênuo da nossa parte achar de verdade que as coisas que a gente vive tem um efeito no que a gente sente (spoiler: não tem).

é a gente, sabe? a gente sentindo coisas, a gente experienciando coisas, a gente entendendo como isso tudo funciona. e é a gente sentindo uma raiva por causa da pessoa X que usa a foto de um ídolo coreano no Twitter e a gente que fica irritada porque a Taylor Swift tá lançando uma música shade. é a gente sentindo raiva. e essa raiva não tem nada a ver com kpop ou a música da Taylor, e tudo a ver com o que gente sente pela gente mesma.

e nessa brincadeira a gente fica perpetuando raiva e distribuindo ódio por aí, ensinando pra tudo mundo que, na verdade, a gente se odeia e não sabe muito bem o que fazer com isso. fica presa nessa nhaca e vai sendo levada por esse buraco cada vez mais.

sobre odiar as pessoas

e isso cria uma intolerância, sabe? um ‘não quero – não gosto – sai daqui‘ que afasta a gente das pessoas. a gente não se permite conhecer, não se permite entender, e fica fechada numa caixinha que a gente mesma criou, sentindo coisas sobre a gente mesma, sem saber como sair.

num dá um aperto no coração só de pensar? o ar num faltou aí também?

ao mesmo tempo… num dá um comichão de começar a se perguntar ‘mas por quê?’. ‘odeio isso – mas por quê?‘. ‘não gosto daquilo – mas por quê?‘. ‘não quero isso – mas por quê?‘. parece esquisito a gente duvidar das nossas certezas, até descobrir que se privava de uma coisa super legal só porque colocou na cabeça que era chato. (eu já contei a história do mamão? eu passei a vida inteira dizendo que odiava mamão – hoje como com canela e é uma das partes mais gostosas do meu dia).

quando foi que odiar as coisas virou legal? quando foi que dizer que a gente odeia coisas virou legal? e ficar reforçando essa coisa de ‘ei, vamos nos juntar aqui porque a gente odeia as mesmas coisas e temos muito a dizer sobre isso‘. não, gente. a gente tá falando mal da gente assim. tá se maltratando. e tá ignorando que essa raivinha não é com os sete caras que dançam e cantam em coreano (amo), mas com a gente. a raiva é da gente. e o trabalho tem que ser um de reversão: de lembrar que a gente é gostável. que as pessoas ficam felizes em ter a gente na vida delas. e que a gente é livre pra se unir no que é gostosinho e não no que faz mal.

e nessa postura a gente assume que é assim e vai ensinando pras outras pessoas que elas são assim também. porque no fundo, é tudo a mesma coisa, né? eu e você, você e eu. a gente só brinca que é separado, de vez em quando.

sei lá, talvez eu precise dormir mais e parar de pensar tanto sobre coisas que vejo na internet.

ou talvez, só talvez, eu possa usar a própria internet pra lembrar todo mundo que a gente se ama e que não gostar de qualquer coisa é muito démodé.

sobre achar que escrever não é arte

escrever é arte

ah, não, você não tá falando sério. eu só escrevo. não é nada demais, não é extraordinário. (quase) todo mundo sabe escrever. eu só tenho mais facilidade de colocar as palavras no papel por causa das 12 horas de treino diárias que tenho desde os 15 anos. e nem é brincadeira, mas o mundo das fanfictions me ensinou desde cedo o poder que as palavras têm e como eu amo contar histórias.

histórias escritas, claro, porque faladas… não, isso eu deixo para os extrovertidos, para os que cantam e dançam, para os que não têm medo de serem rejeitados em um palco lotado. para os corajosos. eu me escondo atrás de meia dúzia de parágrafos e sigo acreditando que escrever ‘não é nada demais‘.

não adianta, você pode argumentar o quanto quiser. eu ainda tenho certeza que uma hora ou outra um homem de prancheta vai bater à minha porta e provar que eu estive enganando o mundo todo esse tempo e escrever não é profissão (como diria Neil Gaiman). todo mundo sabe escrever afinal, eu só tenho um pouco mais de treino do que a maioria.

eu já escrevi com raiva. já escrevi sorrindo, feliz, já escrevi a contra gosto e quando meus olhos não aguentavam mais ficar focados numa tela por um segundo que fosse. na maioria das vezes, eu escrevo chorando. de emoção, de alegria, porque consigo finalmente colocar no papel a música do meu coração. não é mais um choro de dor, nem de sofrimento. não. transferir para o papel o que eu sinto, agora, é motivo de comemoração – é conseguir compartilhar cada átomo de amor que existe em mim. quem quiser, leva um pouco pra casa. quem não quiser, pode voltar depois pra buscar a sua parte. as palavras não vão a lugar algum.

escrever, pra mim, era o mínimo, sabe? ‘pelo menos eu sei escrever‘. ‘na verdade, eu só sei escrever‘. e mais nada. eu não sei fazer mais nada. mas sei colocar no papel uma emoção como ninguém – desde que eu já a tenha sentido antes, é claro. é difícil falar daquilo que a gente não conhece.

eu achava que artistas eram aqueles que tinham a voz de Céline Dion ou o talento do Slash pra a guitarra. que tinham multidões de fãs. que subiam em palcos e interpretavam os personagens de Shakespeare. eu? ah, não, eu só escrevo. me deixa quieta aqui, nesse canto, acreditando que as minhas palavras não têm efeito algum no universo. me deixa continuar pensando pouco de mim mesma e dos meus dedos que trabalham todos os dias freneticamente. é um milagre eu nunca ter desenvolvido uma síndrome de túnel do carpo. isso ou amor. é, talvez só o amor pela escrita consiga explicar porque eu nunca me machuquei fazendo o que faço.

eu amo escrever. já odiei também, lembra? era um conflito no meu coração. eu queria escrever sobre coisas que eu achava que as pessoas não leriam, mas, veja só, tenho aqui um belo blog que algumas (muitas) pessoas entram diariamente para ler os meus textos e observar mais de perto as minhas fotos feitas às pressas na hora do almoço.

e quando isso não acontece, elas leem um texto meu num site. ou numa revista. ou trombam com um pouquinho de mim num lugar que elas nem esperavam. ‘caramba, tava lendo um texto hoje e vi que era seu‘. e aí elas conversam comigo sobre e a gente passa horas e horas de pé no corredor de casa discutindo sobre relacionamentos e o quanto elas querem entender a forma como eu penso.

escrever machuca. quando não vem do coração. quando não é sobre alguma coisa que você acredita. ou sobre coisas que você não acredita. é que nem interpretar um personagem raivoso quando tudo o que você mais sente é carinho pelas pessoas. parece estranho e deixa um gosto amargo no fundo da garganta.

tem horas que flui. que vai rápido e um texto de mil palavras sai em 15 minutos. tem horas que dói, e eu passo três horas olhando a tela do computador esperando que saia um parágrafo sequer sobre o assunto. tem dias que eu começo a escrever coisas aleatórias no word até entrar no fluxo. outros eu passo uma hora inteira vendo aleatoriedades no Youtube ou no Twitter até não sentir raiva do cursor que pisca.

não, não. eu escrevo. é fácil, sabe? pra quem conhece as palavras. pra quem lê muito. eu li demais, sabia? era do tipo que devorava um livro por semana durante a adolescência. aí fica fácil. você consegue também, se tentar. é prática, sabe? mas é só escrever.

arte? não… arte é tentar decifrar porque a Monalisa tem aquele meio sorriso. arte é ficar arrepiada ao ouvir os primeiros acordes de It’s Time do Imagine Dragons no show do Anhembi. é ser levada às lagrimas pelo monólogo de Julieta e pelo amor de duas pessoas que todo mundo jura de pé junto que é uma tragédia. escrever é só colocar um bocado de sílabas juntas e esperar de alguém tenha paciência de ler os seus 800 toques num mundo de ‘li o título e já sei do que se trata‘.

escrever… as pessoas me pedem para escrever sem receber nada em troca, como se esse as palavras não fossem a matéria-prima do meu trabalho. do que eu faço. de como eu me expresso. ‘é pela visibilidade’, dizem. até onde eu sei, visibilidade não paga as contas e escrever demanda tempo, unhas quebradas no teclado num dia difícil e um nervoso no estômago que não passa nem com reza braba. exige paciência, feeling, e até a trilha sonora certa. tem dias só que uma playlist inteira com todos os principais singles do One Direction me salva de um dia zero produtivo. na maioria das vezes, tudo o que a escrita me pede é que eu me entregue por inteiro, porque ela vai me dar de volta o que eu preciso – o resto é resto e ela me conforta.

eu escrevo sem pensar duas vezes. escrevo repensando cada advérbio, adjetivo, pronome e sujeito. escrevo e apago. começo do zero. escrevo de novo. edito. reedito. penso em um, dois, três, cinco títulos diferentes pra ver qual é melhor. coloco tudo de mim e vejo editores me cortarem aos poucos. tenho sonhos de escrever histórias incríveis que nunca saem da minha cabeça porque eu julgo que as minhas palavras não são boas o suficiente. eu duvido. minimizo. falo mal. eu acho errado e ao mesmo tempo não me imagino fazendo outra coisa. no fim das contas, eu conto histórias: as minhas, em cada texto que escrevo. eu digo que não sei como, mas escrevo até sem olhar pro teclado. eu fico inquieta, eu canso, eu desisto. mas eu lembro que escrever é a minha maneira de me comunicar com você. e aí o mundo fica colorido de novo.

aí, eu pego a minha caneta tinteiro imaginária e recomeço o ciclo de achar que o que eu faço não é arte. daí passa a ser. e deixa de ser novo. e, em resumo, é o que eu quiser naquele dia e o que o seu coração pede, cada vez que você volta pra me ler um pouquinho mais.

quando foi que vestir roupas ficou tão divertido?

divertido vestir

essa semana eu me peguei mega feliz na hora de trocar de roupa de manhã. lembro de pensar ‘nossa, o que eu posso vestir hoje que vai fazer todo mundo se sentir bem?‘. daí, pronto! dois minutos e tava com o lookinho montado, exibindo essa belezinha pelas ruas do Alto da Lapa.

eu não sei quando foi que isso aconteceu, mas desde que eu decidir refazer o meu guarda-roupa, o ato de me vestir ficou divertido. eu fico animada ao pensar nas roupas que posso colocar, nas combinações que consigo fazer com o que tenho no armário e como essa roupa que eu vou pôr pode funcionar como uma forma de passar uma sensação gostosinha pras pessoas.

e sabe o que é mais legal? isso não tem nada a ver com as roupas em si.

é claro que teve uma mudança enorme na forma como eu me visto. hoje, as roupas que eu tenho no meu guarda-roupa representam muito mais quem eu sou – e isso tem muito a ver com a escolha de uma paleta de cores que me representasse 100%. a melhor decisão que eu fiz foi começar por esse ponto.

mas tem uma outra coisa que é a seguinte: a partir do momento que eu me proponho a colocar um propósito na minha forma de vestir, tudo fica mais fácil e essa tarefinha do dia a dia fica leve, sabe? ela fica divertida e eu faço com prazer. poxa, é mega divertido escolher o que eu vou vestir de manhã, porque tem um propósito envolvido. tem coisa mais legal do que essa?

tipo, eu lembro de uma época (não tão distante assim), em que procurar uma roupa no meu guarda-roupa era um martírio. era difícil, eu detestava tudo o que tinha ali dentro, nada me caía bem… e é engraçado perceber como isso não existe mais na minha cabeça. essa ideia de que a moda é difícil, de que me vestir é complicado, de que eu não tenho roupa pra sair no fim de semana… sabe essas coisas malucas que a gente pensa às vezes? pois é, sumiram.

e, meu Deus, como é divertido pensar no tipo de roupa que eu quero usar hoje, no sapato que eu vou colocar, na forma que vou fazer a minha maquiagem… nada sai do básico e minimalista, mas não deixa de ser divertido e não deixa de ser feito com carinho. porque tem um propósito. e ele segue sendo fazer as pessoas se sentirem aconchegadas e confortáveis. e, olha, parece que tem funcionado muito bem, viu?

é divertido vestir

o resultado desse experimento é que eu tenho me sentindo tão bem com as roupas que eu tô usando que eu fico animada pensando que no dia seguinte eu posso fazer isso de novo. não é maluco?

mas… ao mesmo, tempo, não é a coisa mais maravilhosa, a descoberta mais genial do planeta, perceber que a gente pode transformar uma coisa tão banal do dia a dia em algo divertido? NÃO É? tipo, todo mundo troca de roupa várias vezes na semana, milhares de vezes no ano, e faz isso de um lugar tão automático que vira uma coisa meio comum, meio sem graça, meio blé.

mas aí… MAS AÍ… a gente transforma uma coisa banal em uma tarefa cheia de carinho e entrega. e quando a gente se encontra na rua, você olha pra minha roupa e percebe uma sensação, você sente um quentinho no fundo do seu coração, porque eu me vesti pra fazer você se sentir bem também. não é maravilhoso, isso?

eu me sinto tão feliz com a minha roupinha bonitinha que você se sente feliz também. a gente compartilha uma coisa juntas que ninguém sabe explicar muito bem o que é, mas que tá lá. não dá pra definir em palavras.

toda vez que eu acordo disposta a colocar o meu propósito também nas minhas roupinhas, no que eu uso no dia a dia, na forma que eu passo o corretivo e o blush, eu considero você parte da minha vida e a gente faz esse trampo ‘tão banal‘ juntas. não tem como não ficar divertido assim. fisicamente, a gente pode estar a um planeta de distância uma da outra, mas na sensação a gente segue juntas e é isso que importa de verdade.

a gente acha que tem uma fórmula mágica pra se vestir bem, pra se sentir incrível com uma roupa, mas não tem. porque não existe bem e mal, sabe, existe uma sensação: a forma como você se sente quando coloca cada uma das roupas que tem no armário é o que você vai passar pras pessoas quando encontrar com elas vestida com aquela peça.

se você estiver desconfortável, se sentindo meio estranha, não se sentindo você, as pessoas vão perceber. pode ser que você faça a melhor poker face do mundo, mas elas vão sentir uma coisa esquisitinha que não vão saber pontuar – e você vai terminar o dia não tão feliz assim, achando que tudo poderia ter sido melhor, e vai passar por um alívio danado ao tirar a tal roupa chegando em casa. mas se você se sente confortável e gostosinha com o que tá vestindo… minha nossa, aí é outra conversa totalmente diferente.

enfim, um pequeno (grande) desabafo sobre como tem sido legal me vestir todas as manhãs e pensar que as roupas que eu uso podem ter um efeito no mundo, não pela forma que têm, mas pela sensação que eu tenho todos os dias quando vou escolher o que visto. pode ser um ato de carinho tão maravilhoso quanto cuidar da alimentação, né?

o que você sente quando se veste pela manhã? já parou pra pensar nisso?

sobre amores (e dias cheios de permissões)

sobre amores

eu não sei se você sabe o quanto dá pra gente ser feliz. uma hora você olha em volta, percebe o tanto de gente que te ama e tem aquela sensação de pertencimento que faz o coração cantar e os fogos de artifício mentais explodirem felizmente no céu. é uma festa que ninguém vê, mas todo mundo sente, que te faz encolher os ombros e sorrir feito besta olhando pro outro lado, só pras pessoas não acharem que você é maluca.

nem dá pra dizer que foi de repente. veio vindo aos pouquinhos e você percebeu os sinais, um por um. um sorriso aqui, um olhar ali, um abraço… e quando você se dá conta, tá sentada numa mesa com outras 12 pessoas comendo uma macarronada improvisada e com vontade de chorar de tão gostoso que tá. você olha ao redor e vê, entre um gole de café é uma mordida de bolo de rolo, que você nunca esteve tão contente e que provavelmente esse é o momento mais feliz da sua vida.
fica tão cristalino quanto um copo de água. a gente não precisa de um amor só pra ser feliz. a gente precisa DO amor. único, inabalável e eterno. esqueça o romance, deixe de lado as fantasias sobre príncipes encantados e felizes para sempre. esse momento é o que te salva do alto da torre, esses sorrisos que abrem as grades da prisão que você mesma criou, esses abraços que te jogam a escada para sair do fundo do poço. e foi tudo escolha sua. você topou, entende? topou estar ali, no meio daquela gente toda, sendo banhada de amor.
você até tenta acompanhar as conversas, mas são muitas ao mesmo tempo. ali discutem alguma coisa sobre o Airbnb. aqui falam sobre produtos para cabelos cacheados. lá do outro lado da mesa conversam sobre a cobertura do bolo, o melhor brigadeiro que aquelas pessoas já comeram. você tenta participar de todas: dá um palpite aqui e acolá, ri um pouquinho, aparece no Stories de alguém e acha graça do jeito que aquela pessoa coloca a água na xícara de café artesanal. tudo vira uma música, cada som, cada bater dos talheres nos pratos, cada arrastar de cadeira.
sobre amores
o sorriso não vai embora nunca. vocês andam juntos pelas ruas da cidade, mesmo que cada um tenha seguido o seu caminho. eles estão com você em cada batida do teclado enquanto você trabalha, em cada palavra escrita no caderno rebuscado. em cada post, em cada foto, em cada legenda do Instagram.
porque você permitiu. você topou. você aceitou. você tava lá e aceitou fazer parte disso. você aceitou ser feliz e agora está um passo mais próxima de uma vida alegre. porque ela já é alegre, você só esqueceu de olhar direito. se confundiu com óculos de lentes esfumaçadas que não te deixam enxergar nem um palmo na sua frente.
mas o importante é o que importa, e você se permitiu sair sem óculos dessa vez. você olhou em volta, pra todas as cores vibrantes da vida e percebeu que tudo isso faz parte de você. e um pedaço de bolo deixa de ser um pedaço de bolo, uma xícara de café deixa de ser uma xícara de café e uma macarronada deixa de ser uma macarronada. é tudo música, é tudo vida, é tudo amor.
a gente acha que é sobre as coisas, sabe? eu amo isso, eu amo aquilo, eu amo aquela pessoa, agora amo essa… a gente pensa que é sobre status de Facebook, sobre programar coisas e comprar tantas outras, mas não é. porque tudo isso some diante da presença do amor.
e a gente ama, viu? ah, ama. é que a gente se esquece mesmo, e coloca outras coisas no lugar só porque acha que não ama. ô, menina, larga a mão de ser besta. o amor tá aí dentro só esperando você se permitir soltar ele por aí. a própria ursinha carinhosa espalhando arco-íris e unicórnios por todos os lados, vendo tudo com olhos mais brandos e um sorriso no rosto. e de clichê isso não tem nada. muito menos de brega. muito menos de errado. tá tudo certo, viu? pode amar à vontade. tá liberado.
e sentindo tudo isso a gente olha pra trás e fica se perguntando porque passou tanto tempo se privando do amor. das pessoas. você diz que odeia todo mundo no Twitter, mas morde a língua quando percebe que isso não é verdade. que sem elas você nem saberia o que fazer da sua vida. dá um nervoso no estômago só de pensar em ficar sem ninguém, né?
dá pra gente ser muito feliz. e pode, sabe? pode trabalhar feliz, pegar o ônibus feliz, andar de Uber feliz, ouvir música feliz, até comer jiló feliz (a confirmar, né?). porque não é o jiló, ou o ônibus, ou o carro super caro, ou a viagem pra Paris que vai fazer a gente se sentir assim. é o amor. sempre ele. toda vez ele. pra toda eternidade ele.
e aí… se você passou um dia inteiro andando pelo bairro e comendo coisas gostosas, ou se trabalhou até tarde e foi dormir depois das três da manhã… tudo vai parecer a mesma coisa e tudo vai ter a mesma sensação porque é amor, entende? e só existe uma forma de amor.
esse post faz parte de um projeto de blogagem coletiva chamado Day by Day. tem um monte de gente maravilhosa participando, olha só: