resumaki #8 – agosto

resumaki agosto

eu não tô acreditando que estamos em 1º de setembro e cabô agosto, cabô BEDA, cabô Maki aloka das postagens.

um pouquinho sobre agosto…

daí que agosto foi um mês tão maravilhoso, mas que, contrário da crença popular, passou muito mais rápido do que eu imaginei. aconteceu tanta coisa que chegou num ponto em que eu só perguntava QUE QUE TÁ CONTE CENO e continuava andando meio desengonçada, rindo feito criança.

agosto foi o mês do BEDA, e eu tô me sentindo a própria definição de ‘veni, vidi, vici‘, isso mesmo, euzinha mello. vim, vi e venci, fiz todos os 27 posts que me propus a fazer esse mês (a ideia era só não postar aos domingos, mas a tal falta de organização bagunçou um pouco as minhas semanas) e o carinho que eu recebi das migas e de você me acompanha por aqui foi tão incrível que fez o meu coração cantar. foi um blog every day august memorável com certeza.

falando em blog, o que vocês acharam do layout novo? já nem lembrava que foi em agosto (meu deus, que mês comprido!) que tinha mudado o visual daqui e eu sigo completamente apaixonada. um obrigada muito especial pra linda da Adri e pra Dani que tiraram essa ideia da minha cabecinha e executaram ela maravilhosamente bem no mundinho dos 0s e 1s.

esse mês teve Dudinha de volta no Brasil e eu não acredito que a gente não tirou uma foto desse reencontro das estrelas (de novo!) e teve Celle muitas vezes seguidas e a Bee num dia também. amo tanto essas três que nem sei dizer. é sempre um afago no coração quando a gente se encontra (e muitas risadas e piadas internas no Twitter).

esse mês eu também conheci a Mel e nem acredito que isso aconteceu. eu fui no lançamento do livro que ela fez com outras três autoras incríveis (incluindo a Babi, que eu também chorei por ter conhecido!) em parceria com o Maurício de Souza e aquele dia foi loko demais™.

aliás, o dia que eu conheci a Mel foi um dos mais incríveis que eu já tive na vida. começou às 9h da manhã e terminou à 1h da madrugada do dia seguinte e foi repleto de ‘coincidências‘ maravilhosas, xícaras de chá e muitas panquecas. falei um pouquinho mais sobre aqui, lembra?

teve recebidos do mês (nem acredito que ganhei o livro Diário em Tópicos da Editora Sextante!), teve passeios pelo centro da cidade (e eu relembrei os meus dias de Galeria do Rock), teve muitas idas à Liberdade, muito lámen, muitos cafés da manhã deliciosos, teve SPFW e ~lúki do dia~, muitos sorrisos e abraços – e meu Deus, eu não tô chorando VOCÊ QUE TÁ.

esse mês foi tão louco que teve até uma viagem surpresa pra São Bento do Sapucaí, em plena quarta-feira, um dia que também ficou conhecido como ‘a vez que eu dormi só seis horas num espaço de três dias e vivi pra contar a história‘.

conheci tanta gente maravilhosa esse mês, conversei com tantas pessoas incríveis, lembrei de tanta coisa importante sobre mim, que tudo o que eu posso dizer é: brigada, brigada, brigada, mil vezes MUITO OBRIGADA. a vida é muito linda, gente, de verdade. e eu nunca estive tão feliz e tão confiante de que tá tudo bem com a gente e que a gente vai lembrar que o amor vai salvar o mundo.

foi um mês que eu finalmente percebi como eu tenho vontade de viver e como é importante eu estar nesse mundo. reparei que não penso mais no quanto morrer pode ser uma solução pras coisas que eu sento e que penso de mim e que tudo o que eu mais quero da vida é que as pessoas sintam isso também, que a gente se lembre de como é bom existir, sabe?

*abraça apertado você que tá aí do outro lado da tela*

… e mais uma coisinhas que valem compartilhar

um post que amei escrever: só um? vou deixar aqui todos da categoria BEDA, pois ela merece ♥

um post que amei ler: eu escrevo, da fofinha da Isa!

um livro: Girlboss, da Sophia Amoruso (tá R$19 na Amazon, gente!)

uma música: *DINOSAUR UUUH UH UH UH*

uma pessoa: a Celle, que foi tão presente na minha vida esse mês

o BEDA acabou, o blog volta com a programação normal (amém, gente, eu preciso dormir), mas eu só consigo pensar com alegria e um sorrisão na cara no quanto esse mês foi incrível.

setembro, pode vir. eu tô com o coração cheio de amor pra te dar!

o domingo mais louco de todos (ou: quando comi panqueca no café na manhã)

domingo louco

domingos são dias muito legais, né? e normalmente são aqueles que eu me proponho (e consigo me organizar) a registrar tudo o que eu faço (ou quase isso) pra compartilhar com vocês. teve um que eu acordei às nove da manhã pra sair de casa e só voltei depois da meia noite. como diz a sabedoria popular: esse dia foi loko™.

nesse domingo em questão, eu tinha combinado de ir com a Déa tomar café da manhã. a gente foi lá no Santo Pão Boulangerie, uma padaria incrível no Jardins. tinha panqueca estilo americana no cardápio e eu estaria mentindo se dissesse que não fui 100% vendida por isso. comi panquecas, óbvio. (com mel, pois melhor versão)

depois disso a gente andou até a Livraria Cultura e eu tomei um tiro com as capas novas de Harry Potter. já quero renovar a minha coleção porque elas são lindas demais (sempre falo isso porque sempre tem uma capa nova e maravilhosa pra gente expor nas prateleiras, né?). eu já falei que sou apaixonada pela Cultura? eu sou muito apaixonada pela Cultura.

como se não bastasse, a gente foi pro shopping Eldorado depois. isso já tava nos meus planos, porque rolaria na Saraiva a sessão de autógrafos do livro Turma da Mônica Jovem – Uma Viagem Inesperada, com contos da Melina Souza, da Babi Dewet, da Pam Gonçalves e da Carol Christo. eu tava muito animada para conhecer todas, mas fui mais com a Mel em mente porque  a gente tinha conversado no Twitter que queria muito se abraçar. enfim, nos abraçamos, foi maravilhoso eu fiquei emocionada e quero encontrar com ela de novo mais vezes. ah, e o Maurício de Souza tava lá e eu não segurei a minha emoção de ver esse homem de pertinho. tão fofinho, ele!

depois desse rolê todo, a Déa veio comigo pra casa porque a gente ia no cinema da Coexiste. no fim, esqueci de registrar esses momentos (era muita coisa acontecendo, gente!), mas posso dizer que foi maravilhoso. a gente assistiu Ruby Sparks lá, e você sabe que eu sou bem doida com esse filme, né?

no fim, meia noite e 22 eu tinha chegado em casa (em pleno domingo) e me preparei pra dormir. foi um dia intenso, foi um dia lindo e quero mais milhares de dias assim. ♥

domingo louco

domingo louco

domingo louco

domingo louco

domingo louco

domingo louco

domingo louco

vocês gostam desse tipo de post? o que mais gostariam de ver da minha rotina? 

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coisas para dizer a si mesma quando você estiver preocupada (ou ansiosa)

5 coisas para dizer a si mesma quando estiver preocupada

eu lembro uma vez que minha chefe disse que precisava falar comigo antes do fim do expediente. eu fiquei o dia inteiro fantasiando com o que poderia ser. meu estômago doía, eu me tremia toda e não conseguia focar em nada. eu tinha certeza que ia levar uma baita bronca. e daí eu fantasiava sobre porque eu ia levar uma bronca e o que eu responderia. pensei em milhares de desculpas, de justificativas e de comentários sarcásticos para devolver e sair vitoriosa do embate. tudo isso para descobrir que ela só queria que eu mudasse o dia da minha folga porque precisaria de mim no dia seguinte. afe. toda essa preocupação pra nada.

exatamente, pra nada. eu me preocupei à toa. eu fui bem arrogante, sabe? eu achei que sabia o que ia acontecer, me preparei pra isso, passei o dia inteiro com a cabeça fritando e uma baita dor de estômago certa do que aconteceria e que eu sairia arrasada da redação. eu fiquei muito ansiosa e tensa e não consegui fazer nada direito aquele dia – e tantos outros que também foram assim. eu era muito ansiosa e tinha o costume de ficar maluca de preocupação com as menores coisas (tipo precisar acordar cedo pra um compromisso no dia seguinte ou saber que eu chegaria tarde em casa – nesse nível).

mas, sabe, não precisa ser assim. a gente não precisa se entregar pra essa sensação horrível de sufocamento e preocupação. e se você também se sente assim de vez em quando, a gente pode se ajudar lembrando de algumas coisinhas, ó:

1.’preocupação não é amor

a gente acha que sim (tipo quando fica mega preocupada com o namorado que não responde no Whatsapp), mas não é. quando a gente fica preocupada, o que passa pela nossa cabeça é que alguém (ou a gente mesma) deveria estar fazendo alguma outra coisa ou estar em outro lugar ou que algo diferente do que tá rolando agora deveria estar acontecendo. a gente só não tá aceitando o que tá bem na nossa frente e deixa de se relacionar, de aproveitar o momento, pensando em coisas que não estão acontecendo. é não amar. é ficar longe da gente mesma (porque tá pirando na própria cabeça), é não reconhecer que a gente é importante (e os outros também). entende?

2.’eu sou importante onde estou agora

é mais um complemento do ponto passado, né? a gente releva tanto a própria importância… a gente acha que deveria estar fazendo / ter feito coisas diferentes, estar em outros lugares, sendo outra pessoa, de outro jeito. e não entende que é muito importante exatamente no lugar em que está agora. é tipo assim: você tá no seu trabalho, mas fica pensando em como queria estar na praia. menina, você é tão importante aí no seu trampo! você tem a chance de fazer coisas e conversar com pessoas e lembrar o quanto elas são importantes também. você tem uma missão, uma função! coisa doida esquecer disso, né?

3.’ninguém é melhor para isso do que eu

falando em se sentir importante, quem nunca sentiu que era totalmente substituível? eu já. mas isso é tão arrogante também… vish! a gente fica pensando e acreditando que qualquer pessoa pode fazer o que a gente faz e como a gente faz. mas isso é impossível. você tá onde tá por um motivo e isso significa que ninguém poderia fazer o que você faz exatamente igual. todo mundo tá sempre dando o seu melhor exatamente onde está e isso é perfeito por si só. é só lembrar (de novo) como você é importante, sabe?

4.’o futuro não existe

não mesmo. é tudo imaginação da nossa cabeça. a gente fica criando esses cenários imaginários, esses futuros mirabolantes (pro bem e pro mal) e acha que tudo bem. só que a gente não aproveita nem o presente, onde a gente tá, muito menos o futuro – porque fica o tempo todo pensando no depois (ou no antes, a gente pode ficar presa no passado também, né?). mas ele não existe, gente. o que quer que aconteça daqui a cinco minutos, eu só vou saber quando acontecer. não adianta ficar me preocupando com uma coisa que não rolou. não é simples?

5.’ninguém está pensando nisso tanto quanto eu

não mesmo. só você tá pensando no quanto você acha que as pessoas tão olhando aquela manchinha de café na sua blusa. porque o resto das pessoas está igualmente preocupado pensando no quanto os outros estão secando a manchinha de café na blusa delas, saca? você é a única pessoa preocupada com as coisas que te preocupam. o resto das pessoas tem as preocupações delas. imagina que louco se você deixasse de se preocupar e olhasse ao redor, pra ajudar as outras pessoas a fazerem isso também? o nome disso, aliás, é amor.

eu sei, eu sei. na hora que o bicho tá pegando você nem consegue pensar desse jeito ou lembrar dessas coisas.mas esse é o treino. primeiro, a gente entende que tem um outro jeito de olhar, pra depois tentar colocar em prática esse jeito novo. a gente percebe que tem uma escolha, sabe? que pode fazer diferente. eu ainda caio em preocupação e ansiedade várias vezes. mas a boa notícia é que elas são cada vez menos frequentes, porque eu ando preferindo escolher amar à me preocupar. porque a real é que não dá pra fazer os dois ao mesmo tempo. ou é uma coisa ou outra. então, melhor escolher o que faz bem, né?

o que você faz quando tá ansiosa? me conta nos comentários!

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para o dia que você quiser se machucar

para o dia que você quiser se machucar

solta essa faca e olha pra mim. pelo amor de Deus, sai de perto dessa borda. larga essa arma. respira fundo. ei, ei. olha aqui. eu sei o que tá passando no seu coração. eu sei o que você tá pensando. você tem tanta certeza, né? de que o mundo é um lugar sombrio e que não tem mais volta. é agora ou nunca, e você está pendendo cada vez mais para o agora.

se não é o fim, pelo menos essa é a desculpa perfeita para você sentir qualquer coisa que não seja a mão escura que esmaga o seu coração dia após dia. ver o vermelho do sangue parece muito mais convidativo do que continuar encarando o cinza dos seus dias. a tristeza. as lágrimas. você não aguenta mais chorar, não sabe o que fazer, pra onde correr, onde procurar ajuda. ajuda! ninguém te ajuda. parece que ninguém te nota, ninguém se importa. as pessoas estão muito preocupadas com o próprio umbigo pra olhar pra você.

você corta legumes imaginando o que aconteceria se a faca fosse um centímetro para o lado errado. se você tropeçasse agora na plataforma do metrô. se debruçasse o corpo um pouquinho a mais na sacada do prédio. pareceria um acidente. ninguém saberia a verdade. e você descansaria em paz.

porque é isso que você quer, num é? paz? que a sua cabeça pare com os pensamentos frenéticos e que você consiga respirar. você se sente sufocada e a possibilidade de machucar o próprio corpo é o único fiapo de controle que sobrou na vida. se nada mais, pelo menos você ainda tem escolha sobre o que quer fazer com esse corpo inútil. ninguém pode falar coisa alguma, a decisão é toda sua, no fim das contas.

você se sente sozinha. não consegue conversar com ninguém, ninguém te ouve. que a faca entre fundo, então, porque a dor de não ser vista e de encarar a tristeza do mundo é demais pra você. eu sei, eu sei bem. as lágrimas que me caem agora não me deixam mentir. eu conheço bem esse fundo de poço e, meu Deus, parece que não tem nada no planeta que faça essa dor parar. não tem luz no fim do túnel, é tudo uma ilusão e para o inferno com os otimistas. o que funcionou com os outros não vai funcionar com você. nunca funciona.

mas…

(e ainda bem que existe um ‘mas‘)

… você não tá sozinha. eu tô aqui com você. e eu sei que você consegue sentir a minha mão na sua e a minha respiração se confundindo com as batidas do seu coração. é, ele continua batendo, num ritmo constante, meio cansado dessa loucura toda. ele quer paz. assim como você.

olha pra mim. eu sei que no meio de todas as lágrimas você consegue me ver. a cor pode ser diferente, o formato do meu olho pode não ser igual ao seu – sempre me falaram que eu tinha olhos de mangá. mas olha bem. eu to aqui com você.

esquece tudo por um segundo. a dor. a confusão. o barulho frenético da cidade que não para nunca. as brigas que sempre acontecem na sala na hora do jantar. esquece o trabalho, a faculdade, as responsabilidades. por um segundo. só um segundo. larga a faca, solta a arma, se afasta da borda. respira fundo.

essa coisa confusa, essa massa sombria, ela não é você. ela te enche de medo, não te deixa ver o que tá bem na sua frente, ela te confunde e grita coisas sem sentido na sua orelha. ela parece tão real. mas ela não é você. aqui, nesse momento suspenso do tempo, você consegue ver que a gente tá junto? que tá tudo bem?

se você se machucar, eu vou sentir. eu sou saber. eu posso estar do outro lado do mundo, mas eu vou saber. porque eu e você… a gente é a mesma coisa. a vida que faz o seu coração martelar no peito é a mesma que a minha. não tem diferença, não tem distinção. é tudo uma vida só. e se você não cuidar bem dela, eu vou saber.

você acha que ninguém se importa, mas isso é mentira. eu me importo. eu tô te vendo sabe? eu entendo o que você tá sentindo e os pensamentos tóxicos que rodam a sua cabeça. eu sei como é. e eu sei também que tem saída.

você merece o mundo. merece o universo inteiro. merece você mesma de volta. a Terra e todas as suas tentações ficam até pequenas diante disso. da sua importância e de como é bom ter você por aqui. tem horas que parece o contrário, né? que todo mundo faz questão de te ter longe, mas não acredita na vozinha macabra que te diz o que fazer. ela quer que você se machuque, que você sofra mais e fique mais confusa até ninguém mais conseguir te ajudar a sair dessa zona.

mas, ó… a gente tá aqui agora. eu e você. você e eu. e eu sei o que os meus olhos estão te dizendo. que a gente é a mesma coisa, e que tudo bem você chorar, desabafar, achar que não tem mais força. eu confio que você consegue. eu confio que você vai achar a saída porque eu sei que você não tá sozinha. a gente pode fazer isso juntas.

essa vontade de se machucar, de morrer, eu sei o que é. ela é uma distração. ela é um sintoma de algo maior que você não consegue ver porque esses pensamentos malucos estão tirando a sua sanidade do caminho e colocando no lugar uma fantasia doida de que você merece sofrer. que merece passar por tudo isso e que faz parte chegar num ponto sem volta. que só assim as coisas todas vão se resolver. mas não vão. você não merece sofrer, meu amor. nunca mereceu, nunca vai merecer.

e eu sei. eu sei que você é livre pra fazer o que bem entender e que tudo parece conversa de maluco e nada do que eu falo faz muito sentido pra você. eu entendo que você só consegue ver através do túnel escuro e que o cinza do céu parece que nunca vai dar espaço pros raios do sol. mas eu me recuso a desistir de você. eu não vou desistir de você. porque você é importante.

e se tudo é mesmo uma escolha… bem, eu só posso esperar que você continue segurando na minha mão. que continue olhando nos meus olhos e buscando pela resposta que a gente vai encontrar juntas. eu espero que você escolha soltar essa arma. e eu espero que você escolha o amor.

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ser jornalista é uma declaração de amor

jornalismo é uma declaração de amor

lá em maio eu participei de um evento de comunicação, inovação e tecnologia, o festival Path. foi um fim de semana incrível cheio de palestras maravilhosas (incluindo uma com a Jess e a Ari do Indiretas do Bem), mas a que me deixou mais encantada foi uma palestra chamada ‘o futuro do jornalismo é mais humano‘, em que o Denis Burgierman (ex-diretor de redação da Superinteressante e que agora tá no Nexo) e a Juliana Wallauer, do Mamilos, eram os convidados. eu juro que eu saí do painel com muito orgulho de ser jornalista.

tem quem diga que a minha profissão está morrendo – já até me falaram diretamente que eu serei substituída por um computador (alô, sensibilidade), mas eu confesso que nunca dei muita bola pra esses cavaleiros do apocalipse, por mais que as notícias de passaralhos (as demissões em massa) também me deixem com o coração apertadinho. eu sempre acreditei que estava fazendo algo importante – mesmo nos dias que só escrevia sobre o que as celebridades estavam fazendo por aí – e isso não mudou só porque, na teoria, o mercado de mídia está caindo aos pedaços.

na palestra com o Denis e a Juliana, eu fiquei maravilhada porque eles me deram uma esperança. querendo ou não, as pessoas sempre vão precisar do jornalismo. é uma profissão que leva pra todo mundo o que tá acontecendo de verdade por aí. por mais que as redes sociais façam isso muito bem, a gente ainda precisa de um editor para aprofundar e juntar todos os detalhes num lugar só, a gente precisa dele pra editar.

o problema é que, como a vida no mundo, o jornalismo representa exatamente o que as pessoa estão passando. e todo mundo perdeu a confiança. no jornalismo, no governo, nos outros. em si mesmo. isso é o que me deixa mais de coração partido. por um tempo, eu também deixei de confiar, e reaprender é um treino diário. não tem como virar essa chave de uma hora pra outra.

quando a gente se sente tão desesperançado, quando tudo parece tão errado, como é possível ter esperança de que as coisas vão melhorar? é bem impossível, né? mas, na real, não é não. o Denis disse, naquele sábado gelado de maio, que o sistema de imprensa como a  gente conhece hoje não funciona mais – e eu concordo. acho que a internet ainda é vista como um problema e tem muita empresa grande por aí que não soube desapegar do passado para entrar na nova era. e eu acho meio prepotente da nossa parte tentar adivinhar como vão ser as coisas daqui pra frente – eu não sei mesmo, vou ter que esperar elas acontecerem pra descobrir.

a Juliana parecia mais otimista (lembro muito bem que o Denis já chegou falando ‘eu não tenho ideia se o jornalismo tem futuro, nem se ele é mais humano‘), e trouxe um segundo ponto que eu achei o mais incrível de todos: o que o jornalismo (e o mundo, na verdade) precisa é de interesse. a gente tem que ter mais interesse no que tá rolando ao invés de só querer apontar o culpado de um lado ou de outro. todo mundo quer brigar no Facebook, mas ninguém quer entender como a outra pessoa pensa e porque ela pensa o que pensa.

isso bateu bem fundo no meu coraçãozinho jornalista. é isso mesmo. ninguém quer entender porque as pessoas pensam como pensam e porque o sistema todo tá do jeito que tá. todo mundo só quer achar um culpado, só quer encontrar um motivo pra brigar. e nesse meio tempo fica todo mundo correndo atrás do rabo sem saber pra onde correr, porque a sensação é que a coisa piora a cada dia.

quando eu escolhi ser jornalista eu lembro que fiz essa escolha porque queria mudar o mundo. hoje eu ainda quero – na verdade, hoje eu sei que vou -, e percebi que as palavras são a minha principal ferramenta para isso. é a forma que eu me comunico com você todos os dias, sabe? através dos meus textos, eu consigo colocar um pouquinho da minha meta em cada palavra e você sente um gostosinho no coração sempre que lê. o pulo do gato (sempre amei essa expressão) pra mim é conseguir fazer isso em todos os textos – os do blog, os que são pra trabalho, os que vão para as redes sociais…

cada dia mais eu sinto que consigo fazer isso, que uno um pouco do que o Denis falou com o que a Juliana defendeu tão fortemente, e ajudo a mudar o mundo, um texto por vez. o jornalismo me permite entrar em contato com um montão de gente todos os dias – as pessoas incríveis com quem eu trabalho, quem lê o que eu escrevo, as pessoas que eu entrevisto – e é uma rede de interesse que aumenta todos os dias.

ser jornalista é uma declaração de amor porque num momento em que todo mundo desistiu de acreditar nas palavras, eu prefiro continuar acreditando – já dizia Desmond Doss:

‘Com o mundo tão dedicado em se destruir por completo, não parece algo tão ruim eu querer colar algumas partes de volta no lugar’

(aliás, se você não assistiu Até o Último Homem, faça o favor de assistir nesse exato instante – eu espero você voltar)

com tanta informação falsa por aí, tanta notícia ruim, tanta notícia tendenciosa, qual o problema em querer colocar um pouco mais de amor nas informações que a gente precisa ter? qual o problema em querer se interessar pelos outros pra entender de verdade o que eles estão pensando, o que estão sentindo?

é, jornalismo é um exercício de interesse: de querer entender o outro ao invés de julgá-lo, de observar e analisar ao invés de sair por aí dando opiniões como se fossem balas juquinha (amo bala juquinha, gente) é repassar a verdade dos fatos e fazer quem tá do outro lado pensar e questionar a realidade em que vive.

pode ser uma visão meio ultra otimista – e até meio Pollyanna – das coisas, mas eu amo muito a minha profissão e gosto de acreditar que ela tem um propósito. amo passar horas escrevendo, amo correr atrás de fonte, amo cobrir evento louco, amo usar as palavras escritas para me comunicar com as pessoas. amo, amo, amo, amo. vai ver é por isso que pra mim não existe crise, não existe tempo feio, só existe o arquivo do Word aberto e o cursor piscando, esperando eu encontre as melhores palavras pra você lembrar um pouquinho de quem é.

e aí tanto faz se eu tô falando de moda, de política, de bullet journal ou de armário cápsula. só o que me importa, de verdade, é você terminar de ler o texto com o coração quentinho e a sensação de que entende um pouco mais do que antes a forma como o mundo funciona e como é que você se encaixa nesse contexto.

o jornalismo é ferramenta. o computador é ferramenta. a pauta é ferramenta. é tudo ferramenta pra meta que eu escolhi no meu coração e que cada dia fica mais clara. o jornalismo tá em crise? puxa, depende. o que você considera como ‘crise‘? se for falta de propósito, talvez você tenha razão. mas, nesse caso, eu sei que tá tudo bem comigo, porque o meu propósito vai muito bem, obrigado.

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