resumaki #5

maio conseguiu o posto de mês mais longo do ano (mas vamos ficar no aguardo por agosto, não é mesmo?)

um pouquinho sobre maio…

eu pensei (muito) sobre o que falaria desse mês. de verdade. eu acho que não tenho palavras para descrever tudo o que aconteceu nos últimos 31 dias. não é sem motivo que maio pareceu gigantesco, mas, ao mesmo tempo, passou rápido. quando a gente começa a focar as nossas energias do que é real, no que importa de verdade, o tempo perde o significado e essa coisa de dias e semanas não faz mais tanto sentido.

eu já tive muitos momentos em que senti que terminei um mês completamente diferente da forma que ele começou, mas posso dizer que nunca essa sensação foi tão forte quanto dessa vez. parece que tudo mudou, que o mundo virou de cabeça para baixo, que a rotação da terra trocou de sentido… e que sensação maravilhosa, essa! é hora mesmo de eu mudar de postura de novo e assumir, de vez, a minha função.

dito isso, esse mês teve alguns momentos incríveis. eu fui no Festival Path (um evento de dois dias sobre inovação e criatividade), que foi tão incrível que me rendeu ideias maravilhosas e uma bela reciclada, profissionalmente falando. o ponto alto, porém, foi poder conhecer a Jessica e a Ariane do Indiretas do Bem. acompanho o trabalho delas desde que a página começou e tenho muita admiração pelo o que elas fazem. foi incrível assistir a palestra delas (sobre como os youtubers são os novos best sellers) e abraçar as duas.

teve também muitos dias delicinha de tempo frio e perfeitos para ficar debaixo das cobertas, fazendo maratonas de doramas e de Sense8 (que série, minha gente. Sun melhor personagem sim ou sim?). teve o buquê de rosas lilases (nunca tinha visto dessa cor!) que eu comprei pra minha mãe e teve também um brunch maravilhoso, pleno sábado de manhã.

teve altas risadas e fotos incríveis que eu fiz com a Déa, essa pessoa maravilhosa que entrou na minha vida pra nunca mais sair (amém). a gente já passou por tanta coisa juntas que eu olho pra trás e fico emocionada de lembrar, de olhinhos marejados mesmo! fora que esse mês foi cheio de emoções pra nós duas e muitas mensagens surtadas no Messenger.

foi um mês de muito amor. de muito carinho. de muito dorama. de muito kpop. de muito despacito. de sair dessa caixinha que eu criei pra mim éons atrás e colocar a cara no sol. de abraçar muito e dizer ‘eu te amo‘. de ser mais eu.

… e mais uma coisinhas que valem a pena compartilhar

um post que amei escrever: para o dia que você pensar em desistir

um post que amei ler: quanto maior a tempestade, mais brilhante o arco-íris

uma música: *UL GO SHIP JIK A NAAAAAAA* 

uma série/ dorama: MEU SENSE8 TÁ VIVO, GENTE ♥ (Wolfie + Kala 4ever)

um livro: O Garoto dos Sonho, do Erick Mafra

uma palavra: função

uma pessoa: a Déa , que é, sempre foi e sempre será parte de mim

vem, junho! tô te esperando cheia de amor pra dar ♥

 

diário #87 – uma conversa com meu eu lírico

o que a gente diz quando fala consigo mesmo? ‘oi?’ ‘bom dia?’ ‘como vai você?’ essa última é bem redundante. eu mesma deveria saber como as coisas estão indo. conversaria mais vezes com você se não fosse uma perda de tempo, 90% das vezes. os outros 10% a gente até consegue ter uma conversa amigável e se entender. mas só de vez em quando, nos poucos encontros em que você decidiu ser bonzinho.

eu andei pensando muito em você. quer dizer, em mim mesma. ah, sei lá. andei pensando muito. não que isso seja novidade, eu sempre penso demais. mas andei pensando sobre essa nossa relação e que talvez eu esteja cansada disso tudo. afinal, pra quê? pra que a gente gasta tanto tempo tentando entender você quando a gente bem sabe que você não quer ser entendido?

eu lembro que quando era mais nova, vinham uns pensamentos loucos na minha cabeça. do tipo ‘eu sou incrível’, ‘eu sei que eu consigo’ e ‘eu sou livre’. fiquei horas acordada no domingo pensando onde esses pensamentos foram parar e em que momento da minha puberdade eles sumiram por completo para serem substituídos por outros de autodepreciação. ‘você não merece’, ‘você não vale nada’, ‘você não é bonita’.

quando foi que eu achei pela primeira vez que deveria ficar sozinha pra sempre e que o mundo não valia a pena? por que eu pensei nisso? quando foi que a gente se desentendeu ao ponto de eu dar mais atenção pra você do que pra mim mesma e ficar focada nas milhares de palavras maldosas que você me dizia diariamente? não sei. também não sei se faz sentido querer saber disso agora. são águas passas que, querendo ou não, me ajudaram a chegar onde cheguei.

ainda assim… você me fez pensar. me perguntar por que. por que a gente faz o que faz? qual o propósito disso tudo? pra quê eu quero ficar mais 40, 50 anos num mundo cruel e hostil matando um leão por dia e esperando que as coisas ‘deem certo’? por que eu preciso aprender coisas e me especializar e saber cada dia mais e trabalhar e ganhar e dinheiro… pra quê? qual o sentido disso tudo?

você não sabe a resposta, é claro. mais do que qualquer coisa, acho que você quer manter esse loop de perguntas eterno até que eu desista de encontrar uma resposta e stick to the status quo. pronto, agora eu lavo as minhas mãos, acabou por aqui, você venceu. eu me entrego.

é isso que você quer, né? você quer que eu desista, que eu deixe tudo no seu devido lugar, que eu ouça os seus gritos e sinta pena. que eu chore com você. que eu sofra junto e me identifique com os seus medos e inseguranças. você quer que eu não tenha propósito, que eu continue perdida. pra você é mais negócio do que se eu achar uma saída pra essa bagunça.

então, não. eu não vou parar de perguntar. eu preciso saber o porquê. por que eu vim pra cá? o que que eu tô fazendo aqui? qual a minha função? se não é você quem vai me responder, não tem problema. eu espero uma força maior me mandar um sinal. eu juro de pé junto que vou ficar de olhos abertos, atenta, só esperando. eu sei que a resposta vem uma hora ou outra, ela tem que vir.

se não… se não você ganha. e eu me afundo de novo nas dúvidas, nas inseguranças, nos ‘eu não consigo‘ e ‘não aguento mais ficar sozinha‘. nos dias trancados no meu quarto, deitada na cama sem saber pra onde ir, pra quem correr. sem saber que eu posso pedir ajuda.  sem nem achar que a ajuda vai vir. assim você corre livre, e eu fico presa nessa jaula que você criou, mudando a corrente de um pé para o outro só pra parecer que eu tô seguindo em frente.

não, obrigada. eu dispenso. passei anos dando ouvidos pra você. e onde é que isso me levou? onde me levaria? será que eu ainda estaria aqui se tivesse seguido os seus conselhos? algo me diz que não. pode esquecer, não adianta implorar. eu não te quero mais.

por um lado, eu sei que a gente é a mesma coisa, e não tem nada que me separe de você – nem é isso que eu quero. eu só… cansei. cansei de você e das suas mentiras. cansei da sua manipulação, do seu controle. do seu desejo inato de machucar e tentar fazer melhor que todo mundo. de me usar pra se defender.

cansei. cansei mesmo. chega. eu tô exausta desse joguinho manipulador que não dá em nada. cansada de não conseguir ouvir outra coisa a não ser as suas reclamações. você é a melhor definição de disco quebrado que o mundo já viu.

você não sabe o que é amor. nem tente me ensinar. por você eu passei tantos anos longe disso que a minha garganta fica travada só de lembrar. eu sei, pode ser que tenha um pouco de raiva nesse discurso, mas se eu não colocar isso pra fora, eu explodo. mas você precisa saber. precisa mesmo. às vezes, a gente só percebe que tá fazendo alguma coisa errada quando alguém conta. aí fica escancarado. fica na cara, aí não dá pra evitar mais.

talvez você queria ignorar isso tudo e continuar gritando na minha cabeça. talvez você comece a planejar a sua vingança silenciosamente. talvez, se eu treinar bastante e se não der brecha, você desapareça. só talvez. eu espero que sim. e eu espero que seja logo. porque eu cansei de você me dizendo o que fazer, sem me contar qual vai ser o resultado final. agora eu vou tomar as minhas decisões sem você, mas nunca sozinha. esse relacionamento abusivo acabou.

passar bem. esse é o meu último contato com aquilo que não me acrescenta, e o meu primeiro vislumbre do que é ser livre de verdade. felizmente, eu vou seguir esse caminho sem você.

o que a depressão significa para mim

foi no dia 24 de fevereiro do ano passado que eu tomei a última dose de antidepressivo e terminava uma jornada de um ano de tratamento para depressão. eu recebi alta. eu comemorei no Twitter. eu ri muito. eu fechei um capítulo, virei a página e segui em frente.

hoje, pouco mais de um ano depois disso tudo, eu olho para trás e penso ‘meu Deus, como é possível eu ter pensado tão mal de mim algum dia?’. na verdade, eu sei bem que é possível, eu sei que é comum e sei que tantas outras milhares de pessoas tão fortes quanto eu já passaram por isso algum dia ou ainda vão passar. para muitas, a depressão é uma nuvem cinza que fica pairando sobre a sua cabeça e nunca vai embora. para mim, essa nuvem virou chuva, evaporou e deixou só o sol e o céu azul para que eu admirasse ao meu bel-prazer.

pensei muito sobre isso essa semana, porque algumas pessoas comentaram que gostariam que eu falasse mais sobre depressão no blog. foi incrível olhar para trás e ver como essa fase, apesar de passageira, foi tão importante para me colocar no caminho que eu estou hoje e só o que eu consigo sentir por tudo o que eu passei é a mais profunda gratidão.

de lá para cá eu me tornei outra pessoa. hoje, eu sinto que jamais conseguiria voltar para o mesmo ponto que há dois anos e nunca conseguiria pensar novamente as mesmas coisas sobre quem eu sou. eu já sei o suficiente para entender (e praticar) que o que eu sou não muda e que pensamentos são apenas pensamentos.

a depressão não significa nada para mim.

a gratidão que eu sinto pelos momentos em que me vi perdida é a mesma que sinto agora que me encontrei. e a mesma que eu treino ver toda vez que encontro com as pessoas que eu amo, quando trabalho, quando durmo e quando acordo. talvez a diferença mais marcante de todas é que hoje eu amo acordar e antes eu preferia dormir para sempre.

lembro de pensar que morrer era a melhor solução (e esses pensamentos de vez em quando tentam chamar a minha atenção, sem sucesso). que eu não era importante. que não era amada. que não era digna de receber ou dar amor. que não merecia coisas bonitas ou ser feliz. que não merecia a alegria.

lembro vagamente de sentir um buraco no peito que não tinha fundo, de não enxergar as cores, de chorar sem motivo e de não saber o que estava acontecendo. lembro de me sentir vítima, de achar que o mundo inteiro estava contra mim e de ficar muitas horas trancada no meu quarto. lembro de não conversar com ninguém nos finais de semana, de dormir chorando e de despertar desejando não ter despertado nunca.

dizer que essa foi uma fase triste seria óbvio. dizer que ela foi ruim seria mentira. ela foi de extrema importância para o meu processo de autodescobrimento, de retorno ao lar, mas não foi mais importante que todas as outras coisas que me aconteceram ao longo desses meus aninhos na terra.

sigo acreditando que não estava doente e que o remédio não era a salvação da minha vida, mas uma ferramenta essencial para me ajudar a sair do ponto mais fundo em que eu me lembro de já ter estado. sigo acreditando, também, que essa fase só existiu porque eu fiz escolhas que me levaram até ela. e que tá tudo bem, foram escolhas perfeitas que me trouxeram até aqui. os meus pés seguiram o caminho que precisaram seguir para que eu lembrasse que só o amor salva e que eu não sou errada. nunca fui, nunca serei. nunca errei, nunca errarei.

é isso mesmo. a depressão não significa nada mais. para mim, no meu coração, eu consigo perceber com alegria que eu não vou levar mais esse assunto como um trunfo da minha vitimização e que essa fase ficou para trás tanto quanto qualquer outra.

hoje, ainda bem, eu me lembro desses momentos apenas como uma ferramenta, uma forma de mostrar para você que passa por isso agora que tem saída. porque tem. é só a gente querer ver. eu jurava que não passaria dos 27 anos, e dizia aos quatro ventos que as pessoas precisam ‘cuidar de mim’ porque a minha depressão me incapacitava. hoje eu já sei que não é assim (e, de novo, ainda bem).

eu olho para quem sente as mesmas coisas que eu sentia com esperança: você consegue sair dessa também. no fundo, tá tudo bem com você. a gente se confunde com as ideias às vezes e precisa de um lembrete que nos leve de volta para o lugar que conta quem a gente é de verdade. eu espero, sempre, ser essa lembrança para você.

quando eu mais precisei, eu pedi ajuda. e pedi de novo. e de novo. e chorei. e pedi de novo. até que me senti forte o suficiente para não pedir ajuda achando que isso era um pecado, mas só pensando em como é bom poder contar com outras pessoas quando eu preciso lembrar que eu sou, eu existo e eu sou boa. pode contar comigo, viu? prometo não falhar e ensinar o que um dia me ensinaram também.

você é. você existe. você é boa. e tá tudo bem.

um domingo preguiçoso

já que eu trabalho em casa, eu tento sempre fugir daqui no fim de semana – ou pelo menos passar a maior parte do tempo vendo esse mundão (e as pessoas maravilhosas dele). acontece que vez ou outra eu até curto ficar em casa e aproveitar para colocar o sono em dia. no caso, ontem foi um domingo preguiçoso, aquele dia que choveu horrores e eu fiquei igual um casulo enrolada nas cobertas.

esse vai ser um post um pouco diferente do que eu faço normalmente. estou tentando variar um pouco, trazer um pouco mais de mim pro blog e investir cada vez mais em conteúdos que me deixem mais perto de você, que tá aí do outro lado lendo. e a ideia é mostrar, em fotos, o que eu faço num domingo preguiçoso. me conta nos comentários se você gostou e se gostaria de ver mais posts assim?

domingo preguiçoso

domingo preguiçoso

domingo preguiçoso

domingo preguiçoso

domingo preguiçoso

domingo preguiçoso

um pouco sobre as fotos:

  1. amo demais as minhas cobertas e colchas e quero passar o inverno inteiro enrolada nelas;
  2. tô assistindo Suspicious Partner agora e amando – Ji Chang Wook é muito amor ♥;
  3. O almoço do dia foi macarrão integral com frango, cenoura e tomatinho cereja;
  4. meias felpudinhas e tricôs são a melhor coisa do inverno;
  5. chá segue sendo meu amor eterno e verdadeiro.

me conta o que você faz num domingo preguiçoso? 

 

diário #86 – não tem espaço pro ódio no meu coração

chega. cansei. enough is enough, já diriam os gringos. vivi com o coração escuro por tantos anos e agora já chega. não tem como continuar em frente com o coração cheio de ódio. como é que as pessoas vivem assim? como conseguem dormir à noite sabendo que odiaram tanto, por tanto tempo?

nunca gostei da palavra porque me parecia um sentimento extremo demais. ledo engano, trocar ‘ódio’ por ‘raiva’ não faz o sentimento menos nocivo. também costumava me orgulhar e dizer que não sentia ódio por nada nem ninguém. outra mentira. se não odiei os outros, me odiei por tempo o suficiente para a marca dessa raiva aparecer na pele.

andei a passos apressados sem olhar para o outro, cravei as unhas nos braços, arranquei cabelos, tropecei, bati, trombei, acordei com manchas roxas no corpo que eu nem sabia de onde vinham. tudo acidente, resultado de uma pessoa desastrada e que não sabe medir distâncias? não, puro ódio. ódio de mim.

mas já chega. eu cansei. odiar cansa. dá rugas e enche os olhos de lágrimas doídas, faz as unhas quebrarem, o cabelo perder o brilho e os olhos ficarem opacos e sem vida. é isso. o ódio tira a vida de mim e me diz, de novo e de novo, que eu não sou o suficiente.

o ódio confirma que eu não sou boa o suficiente e é uma ilusão achar que só porque eu uso uma palavra diferente pra falar dele, ele não é igual ao das pessoas em guerra. é tudo farinha do mesmo saco, tudo a mesma coisa. raiva é raiva e ponto. não existe mais ou menos. não é melhor ou pior.

e cansa. deixa os ossos doloridos e as costas curvadas. me tira a vontade de levantar da cama e me faz pensar que o mundo não vale a pena. e cada vez mais, cada vez mais, eu lembro que eu me comprometi a não desistir. a mostrar um caminho, a ser a referência. e desistir do ódio é a minha meta.

desisti um pouquinho e percebi que o rosto ficou mais leve, os traços mais suaves, o sorriso mais acolhedor. eu substitui mais desse rabisco confuso pelo amor e os ombros ficaram menos tensos, os olhos mais brilhantes e as mãos mais carinhosas. a gente acha que só existe o ódio no mundo e esquece mesmo que o amor é a saída que tanto busca.

o ódio deixa os dias trevosos. o amor abre sol e sopra a brisa que refresca. é confortável, quentinho, é aconchegante e cheio de gente pra compartilhar o que você sente com você. o ódio não. ele separa, divide, diferencia. coloca cada um num canto e diz que as pessoas ‘precisam se entender‘. não dá. não mais.

a gente precisa começar a desistir do que acha que é normal para descobrir que o nosso natural não tem nada a ver com andar por aí odiando as pessoas.