detalhe: a história da caneca mais usada de todos os tempos

caneca alemã

tem uma caneca que eu uso todos os dias, sem falta. curiosamente, pensando sobre ela, acabei de perceber que tem dez anos que faz parte da minha rotina diária, mesmo que só por alguns minutos corridos pela manhã.

a minha relação com essa caneca toda desenhada começou em 2007, na primeira viagem internacional que eu fiz sozinha na vida. eu tinha 20 anos na época e fiz um mochilão para a Europa junto com uma das minhas melhores amigas. foi um mês de viagem e seis países visitados – a Alemanha sendo um deles.

caneca alemã

caneca alemã

confesso também que foi um dos lugares que eu mais gostei de visitar. sempre tive um apreço por história e ver lugares tão marcantes da história mundial de pertinho me deixou meio sem fôlego (tenho uma foto encostando no Portão de Brandenburgo – é sério). foi nessa viagem também que eu criei o hábito de comprar uma caneca diferente para cada lugar que eu visitava e dentre tantas que eu trouxe de volta na mochila (foi um milagre terem chegado inteiras aqui), essa acabou sendo a mais usada, em todo esse tempo.

ela virou queridinha por dois motivos: o primeiro é que eu amo o desenho dessa ovelhinha! acho tão fofa, tão aconchegante. o segundo é o tamanho – ela é bem maior do que uma caneca comum e cabe muito mais chá ali dentro ♥. virou a caneca de todos os dias justamente porque eu tomo um balde de chá de manhã cedo.

caneca alemã

normalmente, quando tomo café da manhã, eu não sou do tipo que fica na mesa com a caneca, olhando o vazio e esperando o corpo acordar de vez (só de vez em quando). eu levo a xícara comigo pro computador, depois de comer, e ela é a minha companhia pras primeiras tarefas do dia. tem vezes que eu me permito sentar na cama mais uns minutos e aproveitar o meu chá de limão com gengibre (amo demais), outros dias eu queimo a língua, porque o chá tá quente demais eu tô muito concentrada no trabalho pra prestar atenção. tem vezes também que eu faço esse mesmo balde de chá a tarde só pra esquentar a mão, se o dia tá frio (ou pra me incentivar a levantar da cadeira por uns minutos, todos os outros dias).

acho que se eu me desfizesse de tudo o que tenho em casa, deixaria só essa caneca pra poder continuar o meu ritual diário de tomar muito mais chá do que o necessário. pra mim, essa caneca virou sinônimo de um carinho diário, uma lembrança que tudo bem eu dar um passo atrás de vez em quando, respirar fundo, e lembrar que tá tudo bem.

caneca alemã

caneca alemã

você tem uma caneca preferida também? 

este post faz parte do projeto detalhes, uma blogagem criativa criada pelo desancorando e o Sernaiotto.com. você pode saber mais sobre clicando aqui.

projeto detalhes

diário #93 – eu mereço

eu mereço maki de mingo

Foto: Luísa Chequer Fotografia

a gente tem uma mania maluca de achar que felicidade demais é um problema. não pode sorrir demais porque é estranho, não pode estar sempre bem porque ‘a vida não é assim‘, não pode ficar de boas quando o mundo tá caindo porque a gente tem que se desesperar todo mundo junto ao invés de focar numa solução.

eu tava pensando esses dias sobre como é fácil a gente sentir medo quando as coisas estão bem, porque parece que a felicidade é curta demais e tem hora pra acabar. a gente precisa passar por esse ciclo de altos e baixos, caso contrário não é a vida – ela fica sem graça, sem sentido, precisa ter um pouco de emoção.

eu me peguei com medo. medo que tudo não passasse de um sonho, que eu acordaria um dia no mesmo ponto em que estava dois anos atrás: triste, sem esperança, me sentindo presa no alto de uma torre sem chance de saída. e tudo isso que eu estaria vivendo seria apenas uma criação do meu imaginário, uma alucinação boa, um sonho feliz.

o meu primeiro impulso é correr pra proteger tudo. segurar nas bordas do barquinho salva-vidas pra ele não virar  – e, se virar, que pelo menos me leve junto. é o medo da perda, da solidão, de comprovar que estamos mesmo todos fadados a viver um ciclo monótono de nascer e morrer permeado por alguns momentos de alegria e outros de tristeza.

eu quis chorar também. chorar porque jamais imaginei que poderia ser tão feliz como estou sendo agora. chorar de pavor, com receio de que tudo possa desmoronar de uma hora para a outra, sem justificativa, e eu me vendo de mãos vazias, no meio de uma avenida mais vazia ainda, os joelhos no asfalto, tomando chuva e perguntando ‘o que foi que eu fiz de errado‘.

felizmente, a vida não é um drama hollywoodiano, muito menos uma sucessão de momentos alegres e tristes, porque a alegria de verdade não tem opostos. pelo contrário ela é, hoje e sempre, alegre. felizmente, também, eu sei que tenho um backup dos mais completos, um suporte inteiro me lembrando diariamente de duas palavras que eu vivo esquecendo de novo e de novo: eu mereço.

eu mereço ser feliz. eu mereço viver dias felizes. eu mereço coisas bonitas, e momentos de completa abundância e comidinhas gostosas. mereço também dormir de conchinha, receber abraços carinhosos logo cedo, tomar uma xícara de chá num quartinho espaçoso numa noite chuvosa. mereço roupas confortáveis e passeios de um dia inteiro andando pelos meus lugares preferidos de São Paulo.

mereço viver a verdade sobre a vida e sentir o amor todo os dias. em cada toque, em cada palavra, em cada gesto e cada palavra escrita. mereço também cumprir a minha função no mundo, porque só ela vai me levar pra esse lugar plenamente alegre.

eu mereço. mereço entender que tá tudo bem comigo e com todos e que a gente tá junta nessa caminhada de volta pra casa. enquanto a gente não chega lá, a gente treina essa lembrança, de que merece. por mais absurdo que pareça a gente fazer um treino pra lembrar o tempo inteiro que merece ser feliz.

ainda entre altos e baixos, eu aceito. eu me lembro. eu me sinto feliz e completa. amada. eu choro sem motivos (mas sempre de alegria) e eu passo momentos repletos de amor. e cada um desses momentos, vem o reforço carinhoso, as palavras felizes que ficam repetindo nessa minha cabecinha cheia de caraminholas:

eu mereço.

em #essepê: kamzu cookie shop

kamzu cookie shop

o meu passatempo preferido ultimamente é descobrir lugares novos e gostosos para tomar um cházinho aqui em São Paulo. no último final de semana, eu passei o dia com a Celle e a Duds e, num passeio entre a Liberdade e a Oscar Freire, a gente fez uma pausa no Kamzu Cookie Shop, na Alameda Lorena.

o cafézinho fica entre a rua Pamplona e a Av. Nove de Julho, uma casinha muito simpática, já cheia de detalhes fofinhos na fachada. eu fiquei encantada pela paleta de cores desse lugar – total a minha aesthetic – e o guarda-bicicletas em formato de xícara de café.


kamzu cookie shop

o foco principal do Kamzu são os cookies (dur, tá até no nome!) e tem literalmente uma vitrine com as opções logo que você entra. infelizmente, no dia que a gente foi a maioria já tinha acabado (acho que esse é um bom sinal, né?), mas ainda assim tinham umas opções deliciosas!

eu comprei um combo de Chai Latte (uma mistura de chá preto, especiarias e leite) e um cookie de Oreo (cookieception?), uma das coisas mais deliciosas que eu já comi. os cookies são bem molhadinhos, muuuuuito saborosos e, o melhor, não são doces demais. Celle pediu um de chocolate meio amargo que tinha tanto chocolate que ela sujou a mão inteira! Dudinha foi no de Ninho, e todo mundo fez uma cara de choque quando provou, porque é um pouquinho do céu na Terra, sério!

quanto ao meu Chai Latte: que bebida mais deliciosa, gente! não sei o que me deu de tomar isso nesse dia, mas a última lembrança que eu tinha de chai foi um que eu tomei no Costa Café em Londres, lá em 2014, e tinha amado. com esse não foi diferente. tava quentinho e dava pra sentir o gostinho da canela no meio das especiarias todas. já amei e já quero um desses na minha mesa todos os dias às 08h, obrigada.

o lugar é muito delicinha! no andar de cima tem mesinhas, sofázinhos e uma bancada de frente pra rua, pra você passar a tarde vendo a paisagem. a trilha sonora é maravilhosa, as cadeiras são super confortáveis e a parede tem uns desenhos muuuuito fofinhos, com várias referências geeks. rendeu umas fotos maravilhosas, porque a gente não consegue passar em lugar nenhum sem fazer um book.

entrou oficialmente para o meu ranking de lugares preferidos dessa cidade maluquinha, também porque as pessoas que trabalham lá são muito fofinhas e divertidas!

pra quem quiser conhecer:
Kamzu Cookie Shop
Al. Lorena, 684
(11) 3564-1773

ah, um lembrete: esse foi o primeiro post do detalhes, o projeto que eu criei junto com a Lominha, do Sernaiotto. toda sexta-feira, você vai ver por aqui e no blog dela um texto especial mostrando um pouquinho mais das nossas vidas! (você pode saber mais sobre isso clicando aqui) e os posts do projeto serão identificados com esse banner lindo, ó:

projeto detalhes

resumaki #9 – setembro

resumaki setembro

tem horas que eu olho pra minha vida e fico em choque com tamanha alegria (por mais bizarro que isso pareça).

um pouquinho sobre setembro…

sabe quando você acorda e fica pensando ‘meu Deus, eu nunca achei que a minha vida poderia ser assim?‘, mas de um jeito bom? acho que todos os dias de setembro foram desse jeitinho pra mim. com certeza, foi um dos meses mais incríveis da minha vida até agora – eu sei que falo isso sempre, mas é verdade – e eu fico muito emocionada só de lembrar de cada um dos momentos que eu passei nos últimos 30 dias.

o mês veio no embalo do SPFW, com muita coisa pra fazer e uma mudança muito grande pra mim – permissão. eu senti que me permiti aproveitar, passar mais tempo com as pessoas, sair do casulinho que eu criei pra mim mesma. isso é, e seguirá sendo, a coisa  mais legal de todas que me aconteceram. teve um dos feriados mais incríveis que eu já vivi na vida, uma sucessão de coisas maravilhosas e rolês inesperados regados à bolo de cenoura com brigadeiro, muitas risadas e looks gostosinhos.

teve brunch com a Mari e o Marcelinho e eu não consigo não ressaltar o tanto que eu adoro esses dois e os momentos que a gente compartilha juntos. aliás, a Mari vive lendo o blog e me mandou um dos emails mais incríveis do mundo uns meses atrás falando que a gente precisava virar migas porque ela tava viciada em doramas e não tinha com quem conversar sobre isso (oi, Mari! ♥). os dois seguem sendo pessoas queridíssimas que eu quero manter por perto pra sempre.

teve, inclusive, um monte de visitas à lugares incríveis, como o Um Coffe Co lá no bom retiro, um café coreano maravilhoso que ganhou meu coração e virou um dos preferidos da vida. eu fui também num lugar que só vende cookies, que chama Kamzu, bem aos 45 do segundo tempo, e que virou a minha nova casa – infelizmente estou mudando pra lá pra comer cookies deliciosos todos os dias.

teve encontros semanais com a Duds e a Celle e a Bee e foi maravilhoso ver essas três pessoas que eu amo tanto, tantas vezes seguidas. já falei mais de uma vez e repito: vocês são a lembrança constante da minha meta e da minha função no mundo, e eu amo vocês.

teve também aquele momento WTF? em que eu passei mais de duas horas conversando com a Lominha, diretamente do país Coreia. foi uma das conversas mais inspiradoras de todas e rendeu um projeto de blogagem coletiva de deixar o coração quentinho e que eu tô doidinha pra começar a fazer.

teve muitas fotos com sorrisos sinceros e eu preciso confessar que teve uma fase da minha vida em que eu achava que nunca mais conseguiria sorrir desse jeito. mas, olha só, que loucura, tô dando sorrisão em tudo quanto é foto – e nem precisa de muito, viu?

teve leituras de livros deliciosos, teve semana em que eu entrei e saí de casa a cada dez minutos pra dar conta de tanto trampo, teve milhares de abraços e beijos e noites dormidas pensando no quanto eu amo as pessoas e teve uma noite específica que me provou por a + b (mais c mais d) que o amor é pra todo mundo mesmo e que tanto faz o que a gente tá fazendo, desde que a gente ame sinceramente. daí, todo mundo sente também, sabe?

enfim, setembro foi um mês cheio de momentos que eu vou levar no meu coração como uma prova de que eu tenho costas quentes e que eu tô fazendo exatamente tudo o que deveria pra ajudar a lembrar as pessoas que tá tudo bem. ♥

… e mais umas coisinhas que valem compartilhar

um post que amei escrever: sobre amores (e dias cheios de permissões)

um post que amei ler: o que eu aprendi sendo famosa na internet por um dia e meio

um livro: Diário em Tópicos, da Rachel Miller

uma música: baby love me lights out 

uma pessoa: a Duds, que tem um monte de alegria pra compartilhar por aí (ela só não sabe disso ainda)

outubro, traz mais um monte de amor pra gente, ok?

diário #92 – obrigada por ficar

eu fui salva

me peguei observando a felicidade de soslaio e me perguntei mentalmente como é que eu vim parar no meio dessa bagunça alegre. seria mentira dizer que eu não sei o caminho que fiz até aqui, e uma falácia ainda maior ousar falar que eu não gosto disso.

qualquer olhada ao redor me faz chorar copiosamente. logo eu, a Maria Chorona da infância. vamos dizer que não era difícil me fazer cair aos prantos. não que precise muito para isso acontecer hoje também. mas é um choro diferente. se antes era sofrido, dolorido, triste, hoje só choro se for de alegria.

eu tinha uma certeza muito grande no meu coração de que a vida não valia a pena ser vivida. de que desistir de tudo era a solução para os meus problemas e de que morrer era a única saída pro que eu sentia. eu via o mundo tal qual uma fotografia antiga: em tons de preto e branco ou com um filtro sépia que de hipster não tinha nada. a vida não tinha cor. não tinha carinho. não tinha vida.

lembro de um dia olhar pela janela do carro, enquanto minha mãe me levava pra faculdade, e dizer pra mim mesma ‘eu tô só existindo‘. o próprio meme ambulante. mas a pergunta não tinha nada de engraçada. não tinha nada de irônica ou de retórica. tinha uma carga de tristeza que nem eu conseguia carregar mais. tinha uma dúvida de uma vida inteira, dentro de tão poucas palavras.

olhando para as últimas semanas que tive, me peguei sorrindo à toa, querendo ficar junto das pessoa que eu amo, buscando desculpas para ficar perto daqueles que já estão perto (não que desculpas sejam necessárias pra isso, que fique bem claro). e não preciso ir muito longe para perceber que a Maki de alguns anos, que se perguntava o que estava fazendo com a própria vida, sumiu. ela, de fato, morreu. aqui jaz a Maki do Passado™, que um dia acreditou que a morte era a solução e que a vida não tinha sentido.

eu renasci. eu revivi. eu encontrei o amor. e encontrando o amor percebi que precisaria me despir daquela pessoa que eu achava que era pra viver a vida que é minha por direito. a que é feliz, a que é alegre e que é plena, abundante e completa. a que não reconhece a falta, a que não vê o ódio, a que a ama a todos igualmente.

sim, aquela Maki morreu. mas isso não é triste e de perda não tem nada. pelo contrário, eu celebro o seu fim cada dia mais. porque o momento que ela decidiu partir foi o mesmo em que eu decidi ficar. eu me dei uma segunda chance. eu optei pela porta número dois, eu me deixei guiar pelos mágicos que diziam palavras bonitas sobre o amor e que pareciam não sofrer com dias tristes. mal sabia eu que de mágicos eles não tinham nada.

de corpo vivido, sou mais velha do que antes, porém mil anos mais nova. visto o que me deixa com um quentinho no coração. como comidas gostosas. recebo abraços carinhosos. ganhei parceiros de jornada e tenho por todos os lados anjos que me guiam pelo caminho certeiro em direção a meta final: voltar pra casa e enfim descansar o meu coração onde ele surgiu. onde só existe luz e calor e carinho e paz, virando a direita na rua da gratidão, duas quadras depois do perdão.

nossa, a gente é muito feliz, né?‘ hoje digo essas palavras com um coração que ocupa o mundo inteiro e mais um pouco. olho nos olhos e me sinto contente, recebo um beijo e me vejo plena. vejo as pessoas dançando numa pista de dança improvisada e montada com todo o carinho do mundo e tenho vontade de cantar as mais belas músicas já escritas, recitar todos os sonetos de Shakespeare e encarnar a Julieta no seu balcão: ‘aquilo a que chamamos de rosa, com qualquer outro nome teria o mesmo e doce perfume…’

hoje eu existo. eu vivo. eu amo. eu aprendi a ver, e aprendendo a ver reaprendi sobre quem eu sou. eu me lembrei. eu sinto. eu sei. tão claro quanto as vozes que ouço na cozinha, os meus colegas de quarto conversando sobre um filme que assistiram mais cedo. tão alto quanto os latidos do cachorro na esquina. eu sei. o que eu sou não muda. o que eu sou ama. o que eu sou é feliz. portanto, eu sou feliz.

e com esse coração leve, eu só sinto gratidão pela Maki de antigamente, a que desapareceu. porque ela decidiu ficar. e escolheu sair de cena pra eu voltar a ser eu mesma, pra eu poder amar de novo. pra eu olhar pra um dia como esse e ter a plena e feliz certeza da veracidade dessas três palavras que rondam a minha mente diariamente, e que exprimem, tão simplesmente, tudo o que me aconteceu:

eu. fui. salva.