Diário #01

Quando eu era mais nova, nunca usava saias e vestidos. Sei porque que não gostava dessas peças, para mim sempre foram ‘muito de menininha‘ e eu só andava com e meninos, então, já viram…

Eu sempre gostei muito de rock e punk, ouvia essas músicas o dia inteiro e o meu guarda-roupa refletia bem esse meu gosto musical. Eu tinha uma calça xadrez, que comprei na Galeria do Rock, aqui no centro de São Paulo, que andava praticamente sozinha de tanto que eu usava, sempre combinada com meu All Star de cano alto e a camiseta de uma das minhas bandas preferidas (a do Blink 182 era praticamente meu uniforme!).

saia
Foto: Google Images

Quando cheguei no final do Ensino Médio, minha mãe achava, por insistência minha, que já era mais do que hora de eu começar a voltar sozinha para casa e ali se deu início minha vida de peregrina: faço o quiser, onde quiser, mas muito provavelmente vou chegar lá a pé. E, vamos combinar, tem horas que no calor da cidade não tem como usar calça o dia inteiro. Então, comecei a jogar uma saia xadrez aqui, outra jeans ali e esperei para ver o que dava.

Anos depois, acabei me apaixonando por saias e vestidos e, hoje em dia, para a alegria da minha mãe, é o que eu mais tenho no guarda-roupa.

Confesso que sempre tive um pouco de vergonha das minhas pernas. Sabe aquela coisa de ‘as meninas magrinhas e populares são mais bonitas do que eu?‘ Pois é, exatamente isso. Mas depois de um tempo eu passei entender que ou eu aceitava as minhas pernas mais grossinhas e branquelonas, ou passaria calor o resto da vida. Preferi encarar o sol refletido nas minhas canelas (sim, branca nesse nível).

E, verdade, apesar da vergonha inicial, usar uma saia me faz sentir… Mulher. Faz sentido isso? É poderoso colocar um vestido bonito, uma saia curtinha que combine com aquela blusa linda que você ganhou de aniversário ou aquele modelo mais longo que faz você sentir mais alta.

Verdade, eu tenho uma preferência bem grande pelas saias mais compridas, acho que alongam a minha silhueta, me deixam confortável sem me expor demais (porque, sim, sei que não deveria, mas me sinto muito exposta com roupas mais curtas) e combinada com aquela camiseta que eu adoro ou uma regata soltinha. E sapatilhas, claro. Para andar o tanto que eu ando, os saltos ficam bem longe.

Isso não quer dizer que eu abri mão das calças completamente – muito pelo contrário -, mas torna uma verdadeira experiência usar um vestido. É como se fosse uma camada a mais de confiança, entendem? Vocês já sentiram algo assim com uma peça de roupa? É libertador e da até um friozinho na barriga, de vez em quando.

Hora de sair do lugar

Sou da época em que blogs tinham cursor com brilhinho, um milhão de gifs coloridos e os posts costumavam começar com ‘Querido diário‘. Muito tempo passou, fiquei com o mesmo blog por cinco anos (maravilhosos, por sinal), até que não me via mais representada por aquela página. Sabe quando você parece estar parada no mesmo lugar, pregada no chão, mas na verdade quer mais é sair por aí, mostrando mundo afora quem você é? Pois é. Por isso, criei o Desancorando.

Desancorando: v.i. Levantar a âncora de um navio; largar do porto onde estava ancorado (o navio)

É isso. Deixar o lugar em que eu me sinto presa, e ver o que o mundo tem a me oferecer. O que ele tem a me ensinar. Quem, sabe, dessa vez, eu não vejo muito mais do que poderia esperar?