Diário #08 – Quando passei a amar shorts

Eu acho que já cheguei a comentar por aqui que nunca fui muito de usar vestidos e saias, até o dia que me apaixonei por um e agora eu tenho mais vestidos no armário do que calças. Confesso que, com os shorts, era mais ou menos a mesma coisa.

Em novembro do ano passado, fui para Belo Horizonte passar alguns dias na casa da minha tia, e ela me ajudou a comprar um shorts daqueles assimétricos, que lembram saia de frente. Confesso que pensei ‘mas a moda disso já não passou?‘, mas tudo bem, porque o tecido era gostoso, ele era bem bonitinho e eu não tinha nenhuma peça como aquela no meu guarda-roupa.

shortsFoto: Lookbook Alyssa

No dia seguinte, saí com algumas amigas e minha tia me disse ‘coloca o shorts novo!‘, e eu coloquei, claro. Me apaixonei por ele ali. Com a chegada do verão (e que verão, , migos?), ele tem saído cada vez mais do meu armário e eu tenho descoberto as mais diferentes maneiras de usá-lo, todas sempre me deixando bem feliz em relação à imagem que aparece no espelho.

Verdade, eu não estou no peso que gostaria de estar, muito menos super em forma, mas aquele shorts me faz sentir linda e tenho certeza que até a chegada das águas de março ele vai andar sozinho daqui até a Berrini, onde eu trabalho, e para onde já fui com ele muitas vezes desde sua feliz aquisição.

De uma mulher que não usava muito shorts, a não ser na praia, peguei amor por eles e agora estou usando e abusando dos que eu tinha em casa, especialmente para trabalhar, já que é bem mais confortável do que um vestido, ainda mais nos dias que ventam muito (oi, meu nome é Maki e eu já fiz a Marilyn Monroe várias vezes na rua!).

Isso me fez pensar em como, de verdade, as pessoas mudam, mesmo Dr. House dizendo tão enfaticamente que isso jamais acontece de verdade. Eu sempre usava calça e tênis, abominava sapatilhas e surtava quando minha mãe me obrigava a usar um vestido. Hoje não só eu amo essas peças, como também só ando de sapatilhas e, vez ou outra, até arrisco um salto alto! Jeans agora é bem raro no meu guarda-roupa e até os shorts e bermudas se tornaram indispensáveis para aguentar esse calor senegalesco. Já diria CPM 22 que o mundo da voltas (fui loooonge, hein?), e eu mordi a língua com todos os ‘eu nunca vou usar isso!‘ que já falei.

Realmente, se encontrasse com a minha eu de 15 anos, não me reconheceria e, provavelmente, me chamaria de ‘patricinha‘, mas, ao mesmo tempo, fico muito feliz com essa evolução porque mostra que as pessoas podem mudar de ideia e que, vejam só, o mundo não acaba por causa disso. Além disso, também me mostrou que não tem problema nenhum se arriscar de vez em quando e fazer (ou usar, no caso!), uma coisa diferente. O resultado pode surpreender.

Como aproveitar um dia livre nas férias

Verdade, parece um pouco bobo pensar em formas de aproveitar um dia livre, mas eu percebi, depois de um tempo, que tenho o costume de ficar bem entediada se passo dias inteiros sem fazer absolutamente nada. Claro, tirar um dia para passar de pijama, na cama, descansando, é sempre bom – e até necessário de tempos em tempos, mas fazer isso todos os dias por um mês, por exemplo, pode ser beeem cansativo (é sério!).

ferias

Então, pensei em algumas ideias que podem ser interessantes para fazer durante esse período de férias, se você é uma das sortudas que ainda está longe do trabalho ou da faculdade em janeiro:

1. Um dia de maratonas: comentei essa semana sobre programas super legais que tem no Netflix e que é uma ideia bem legal tirar um dia (ou dois ou três), só para assistir filmes ou finalmente começar a ver aquela série que você tanto queria;

2. Spa day: outra coisa que eu adoro fazer! Pegar um dia na semana para fazer hidratação no cabelo, esfoliar a pele do rosto e do corpo, passar mil cremes e loções, fazer a unha… Um dia inteiro só paparicando a si mesma!

3. Passar a tarde num café: sabe quando você meio que cansa de olhar para as quatro paredes do quarto, mas não quer exatamente fazer um super programa? Eu amo ir ao café mais próximo e ficar lá, lendo e comendo um muffin de banana com chocolate. Você muda de ares, sabe?

4. Arrumar o quarto: sempre que fico de férias tenho essa inquietação doida de arrumar o meu quarto, colocar as coisas ‘no lugar‘ (não que eu as deixe jogadas por aí, mas mesmo assim…), tirar  o que eu não uso mais e rearranjar algumas coisas. Muda a energia que é uma maravilha!

5. Ir ao parque: uma daquelas coisas que a gente sempre tem vontade de fazer mas nunca faz por mil motivos! Quem mora na cidade de concreto vai concordar que ir ao parque e ver um pouquinho de verde faz um bem danado!

6. Se exercitar: sim, porque a gente também vive arranjando mil desculpas para não fazer isso no dia a dia, não é mesmo? Se você tem um dia livre, pode ir para a academia, caminhar no parque, ou até mesmo sair para bater perna por aí (faço isso o tempo todo!).

7. Ir ao cinema: Sabe quando você tá em plena segunda-feira meio entediada, mas querendo fazer alguma coisa, mesmo assim? Descobri que ir ao cinema nesses dias diferentes, isto é, que não são de pico, é uma maravilha! Cinema vazio e mais pipoca pra mim! (#nhami)

8. Cozinhar: Da última vez que tive férias, prometi a mim mesma que ia aprender a cozinhar pelo menos um pouco e alguns dias na semana ia para a cozinha sem medo! Aprendi a fazer bolo, strogonoff, arroz, carne moída com molho… Passa o tempo e o resultado é sempre delicioso! (ou quase, bolo queimado não é tão bom assim!)

9. Ler, ler e ler: dispensa explicações, ?

10. Se acabar no videogame: confesso, sou uma nerd de videogames. Quando tenho tempo ~de sobra~ (o que quase nunca acontece. Alô, falta de organização!) consigo passar horas me divertido nos joguinhos de RPG!

O que vocês gostam de fazer quando têm dias inteiros de folga? Eu costumo seguir um padrão: spa day, maratonas, leituras, cafés e videogames. Meus dias de folga do trabalho sempre são assim!

Diário #07 – A bendita confiança

Essa semana saí para jantar com uma amiga que me disse uma coisa que ficou na cabeça: confiança é um assunto delicado. Já comentei como estava pensando muito nesse assunto (graças à Kim Kardashian!), e essa conversa me fez perceber que não o tema, mas a confiança em si é mesmo muito delicada.

Minha amiga me falou algo nos moldes ‘se você não tem, absolutamente qualquer coisa te afeta‘. Verdade. Uma pessoa sem autoconfiança se deixa abalar muito mais facilmente do que alguém confiante. Qualquer comentário é pessoal, qualquer pedregulho no caminho vira um verdadeiro Monte Everest.

confiança“A vida é curta. Insegurança é uma perda de tempo” – Foto: Pinterest

É também delicado porque precisa de muito cuidado. Confiança não é o tipo de coisa que você adquire do dia para a noite. Muito pelo contrário, a não ser que, desde pequena, você tenha aprendido a ter essa característica tão buscada, é muito trabalhoso porque a mente cria armadilhas para acabar com ela, tornando o processo inteiro ainda mais complicado.

Eu nunca fui uma pessoa confiante, como já comentei antes. Tive muitos momentos em que fui uma pessoa confiante, verdade, mas na essência, não era assim. Todos os dias, estou aprendendo o que preciso para deixar de ver esse traço como algo delicado, fácil de quebrar, como aquela camada fininha de gelo que se desfaz ao menor toque. Para isso, travo batalhas diárias na minha cabeça. Assistir tudo de lá de dentro deve ser até que bem divertido. Eu, discutindo comigo mesma, tentando provar para a minha própria cabeça que sou capaz de fazer o que me der na telha.

E quando digo que é uma batalha diária, não minto. Todos os dias preciso rebater argumentos ditos pela vozinha da consciência que tenta me diminuir, ao invés de me fazer grande.

Essa semana também li em uma matéria da revista Glamour que diz que ‘quem pensa pequeno fica pequeno‘, e acho que isso se encaixa muito aqui. Uma pessoa sem confiança alguma se apequena, se esconde atrás de si, porque não acredita na própria capacidade de fazer coisas maravilhosas. Ao contrário de, usando o tema do Diário anterior, uma Kim Kardashian da vida que vê o que os haters falam dela e manda um beijinho no ombro pra todo mundo.

A transição do primeiro para o segundo grupo é tortuosa, verdade, mas bastante recompensadora, principalmente quando você percebe os resultados que isso traz, como um projeto que enfim saiu do papel, um trabalho tão desejado, um reflexo muito mais bonito no espelho… O trabalho interno se reflete no mundo exterior e isso é o mais bonito de tudo.

2015, tenho fé, será um ano de muitas batalhas mentais. De me engrandecer ao invés de me diminuir e de me enxergar, ao contrário de simplesmente ver.

Beijos, não me liga, 2014!

Vou contar um segredo para vocês (que talvez não seja tão segredo assim): 2014 foi um ano do cão. DO CÃO. Vi no Twitter de uma amiga e achei a frase bem justa para o que foi esse último ano: um eterno inferno astral. Sério, não estou exagerando (tanto assim) dessa vez.

ano-novoFoto: Google Images

Então, é com muita alegria no coração que eu dou adeus a esse ano do cão (aliás, de onde vem essa expressão? ‘Do cão‘? E porque ela é tão negativa? Nunca entendi!). Eu já passei por anos ruins antes, não me entendam mal, mas esse se superou. Principalmente porque ele não foi tão ruim por fora, mas, sim, por dentro. Faz sentido isso?

O maior problema desse ano não foi tudo o que aconteceu externamente, apesar de muitos fatores terem colaborado ao longo do tempo, mas o pior foi tudo pelo qual eu passei internamente. Como uma pessoa que somatiza muito o que sente, era de se esperar que uma hora a bolha explodisse. E ela explodiu mesmo, da pior maneira possível. Depois de ter a certeza de que tinha me encontrado no mundo, me perdi de novo e me perdi tanto que estava certa de que encontrei um alçapão lá no fundo do poço. Cheguei tão fundo que, por um tempo, eu podia garantir que não ia voltar nunca mais.

E, como não poderia deixar de ser, um ano tão tumultuado com esse (Susan Miller culpa Saturno e eu também) me trouxe muitos ensinamentos. O primeiro foi que: quando eu mais precisei uma mão foi estendida. Não só uma, mas várias. Não vou citar nomes (#quedeselegante), essas pessoas sabem muito bem quem são. Segurei nessas mãos como se fossem a minha única ligação com a vida, e, muitas vezes, elas foram mesmo. Essa foi uma lição linda de se aprender. Sempre tem alguém disposto a ajudar. SEMPRE.

A segunda lição me veio como um tapa na cara com um extintor de incêndio: é preciso saber quando pedir ajuda. Todo mundo tem problemas e cada pessoa lida com uma batalha diferente, todos os dias. Você acha que as pessoas não prestam atenção em você, mas, às vezes, elas nem sabem o que está acontecendo porque estão envolvidas no seu próprio drama. Entendi que é preciso pedir ajuda e que isso não é sinal de fraqueza, mas de força. Tudo bem se você não consegue resolver ___________ (insira o seu problema aqui) sozinho. Ter uma perspectiva diferente sobre o assunto é muito bom e pode ser essencial.

A terceira e última lição mais importante que eu aprendi é que nada muda se você não quiser mudar. É muito clichê, eu sei, mas é verdade. Aprendi isso na pele quando eu me vi numa encruzilhada. Precisava decidir se saía de vez do alçapão ou se continuava lá sozinha. Por mais mãos que aparecessem para me ajudar, de nada adiantaria se eu realmente quisesse continuar triste contanto os tijolos da parede no meu alçapão úmido. A gente só sai do lugar quando quer. Quem quer arranja um jeito, quem não quer arranja uma desculpa. Nunca foi tão verdade para mim. E, cara, como eu quero mudar. Tanto que já estou mudando. Não é fácil, nem uma coisa que acontece da noite para o dia. Mas tudo bem, levo isso um dia por vez. E é lindo.

Sim, gente, 2014 foi um ano do cão. Mas também foi um ano de muitas mudanças. Algumas começaram ainda no ano passado, mas eu estava muito ocupada me preocupando com outras coisas para perceber. Só reparei mesmo quando esse ano chegou e eu olhei para cima tentando entender o que aconteceu. E, de novo, tudo bem. Isso faz parte. Eu precisava chegar onde cheguei para aprender e, enfim, seguir em frente.

Espero, de coração, que o ano não tenha sido tão difícil para vocês também, mas, se foi, saibam que vocês não foram os únicos que passaram por dificuldades. E fica aqui o meu desejo por um 2015 maravilhoso, começando já a meia noite, cheio de realizações, de sorrisos e risos, de amor, de carinho, de amigos com mãos estendidas, com motivação que dure além da primeira semana de janeiro e de lembranças felizes.

Vem, 2015! Nunca esperei tanto por você <3

Diário #06

Tenho pensado muito sobre a imagem que vejo no espelho. E pensado mais ainda sobre a interpretação que tenho dela.

Sempre achei que me aceitava até que razoavelmente bem, nunca fiz sacrifícios para encontrar padrão de beleza algum, nem mesmo deixei de fazer coisas que gostava pelo bem de uma imagem que só se encontrava em capas de revistas altamente photoshopadas. Eu achava que isso significava que me conhecia bem e que sabia quem eu era.

Ledo engano.

espelhoFoto: Google Images

Conhecer a si mesmo é um trabalho que leva anos e, sim, muita ajuda. Percebi, dias desses, que realmente não me via no espelho. Eu olhava, mas não via. É a mesma diferença de ouvir e escutar. Você ouve, você vê, mas não absorve a mensagem transmitida.

Essa era (ainda é) a minha relação com o espelho. Se o meu reflexo está ali ou não, tanto faz quanto tanto fez. Eu não via. Às vezes, ainda não vejo. A distinção é tão difícil de fazer quanto parece. Aprender a se enxergar é trabalhoso e, muitas vezes, bastante doloroso. É, como disse, um processo que leva tempo e muita paciência. Tem horas que vai dar certo, outras que não e controlar a frustração é difícil. Até impossível, de vez em quando.

Mas, suspeito, esse é um caminho que muitos de nós temos que percorrer. Alguns tem mais facilidade em se aceitar (e essa é a frase chave), em se conhecer. Outros terão níveis diferentes de dificuldade e outros ainda passarão a vida inteira sem enxergar, com medo do que os espera do outro lado.

Eu decidi passar a ver. A me olhar no espelho e ficar feliz com a imagem que me encontra ali. Tem dias que eu me arrependo dessa decisão e prefiro colocar um lençol para esconder o reflexo. É menos doloroso. Mas – e isso é o mais legal de tudo – esses dias estão se tornando escassos. Passo a passo, eu encontro aquilo que gosto em mim mesma e, mais do que isso, aceito isso como parte de mim. Se eu quiser mudar… Tudo bem, isso faz parte. Mas se não, que eu esteja feliz com o jeito que sou, com quem eu sou, e que seja mais gentil comigo no processo.

É fácil enganar a si mesmo, fechar os olhos e criar, na cabeça, a imagem que queremos ver. Mas é muito difícil adaptar essa imagem à realidade. E mais difícil ainda entender que as expectativas que criamos sobre nós mesmos são altas e a maioria não será atingida, cria uma pressão grande demais e um coração partido em tantos pedacinhos que é quase impossível colá-los de volta. Quase.

Desejo a todos – e a mim mesma – a capacidade de nos olharmos de verdade no espelho.