coisas para dizer a si mesma quando você estiver preocupada (ou ansiosa)

5 coisas para dizer a si mesma quando estiver preocupada

eu lembro uma vez que minha chefe disse que precisava falar comigo antes do fim do expediente. eu fiquei o dia inteiro fantasiando com o que poderia ser. meu estômago doía, eu me tremia toda e não conseguia focar em nada. eu tinha certeza que ia levar uma baita bronca. e daí eu fantasiava sobre porque eu ia levar uma bronca e o que eu responderia. pensei em milhares de desculpas, de justificativas e de comentários sarcásticos para devolver e sair vitoriosa do embate. tudo isso para descobrir que ela só queria que eu mudasse o dia da minha folga porque precisaria de mim no dia seguinte. afe. toda essa preocupação pra nada.

exatamente, pra nada. eu me preocupei à toa. eu fui bem arrogante, sabe? eu achei que sabia o que ia acontecer, me preparei pra isso, passei o dia inteiro com a cabeça fritando e uma baita dor de estômago certa do que aconteceria e que eu sairia arrasada da redação. eu fiquei muito ansiosa e tensa e não consegui fazer nada direito aquele dia – e tantos outros que também foram assim. eu era muito ansiosa e tinha o costume de ficar maluca de preocupação com as menores coisas (tipo precisar acordar cedo pra um compromisso no dia seguinte ou saber que eu chegaria tarde em casa – nesse nível).

mas, sabe, não precisa ser assim. a gente não precisa se entregar pra essa sensação horrível de sufocamento e preocupação. e se você também se sente assim de vez em quando, a gente pode se ajudar lembrando de algumas coisinhas, ó:

1.’preocupação não é amor

a gente acha que sim (tipo quando fica mega preocupada com o namorado que não responde no Whatsapp), mas não é. quando a gente fica preocupada, o que passa pela nossa cabeça é que alguém (ou a gente mesma) deveria estar fazendo alguma outra coisa ou estar em outro lugar ou que algo diferente do que tá rolando agora deveria estar acontecendo. a gente só não tá aceitando o que tá bem na nossa frente e deixa de se relacionar, de aproveitar o momento, pensando em coisas que não estão acontecendo. é não amar. é ficar longe da gente mesma (porque tá pirando na própria cabeça), é não reconhecer que a gente é importante (e os outros também). entende?

2.’eu sou importante onde estou agora

é mais um complemento do ponto passado, né? a gente releva tanto a própria importância… a gente acha que deveria estar fazendo / ter feito coisas diferentes, estar em outros lugares, sendo outra pessoa, de outro jeito. e não entende que é muito importante exatamente no lugar em que está agora. é tipo assim: você tá no seu trabalho, mas fica pensando em como queria estar na praia. menina, você é tão importante aí no seu trampo! você tem a chance de fazer coisas e conversar com pessoas e lembrar o quanto elas são importantes também. você tem uma missão, uma função! coisa doida esquecer disso, né?

3.’ninguém é melhor para isso do que eu

falando em se sentir importante, quem nunca sentiu que era totalmente substituível? eu já. mas isso é tão arrogante também… vish! a gente fica pensando e acreditando que qualquer pessoa pode fazer o que a gente faz e como a gente faz. mas isso é impossível. você tá onde tá por um motivo e isso significa que ninguém poderia fazer o que você faz exatamente igual. todo mundo tá sempre dando o seu melhor exatamente onde está e isso é perfeito por si só. é só lembrar (de novo) como você é importante, sabe?

4.’o futuro não existe

não mesmo. é tudo imaginação da nossa cabeça. a gente fica criando esses cenários imaginários, esses futuros mirabolantes (pro bem e pro mal) e acha que tudo bem. só que a gente não aproveita nem o presente, onde a gente tá, muito menos o futuro – porque fica o tempo todo pensando no depois (ou no antes, a gente pode ficar presa no passado também, né?). mas ele não existe, gente. o que quer que aconteça daqui a cinco minutos, eu só vou saber quando acontecer. não adianta ficar me preocupando com uma coisa que não rolou. não é simples?

5.’ninguém está pensando nisso tanto quanto eu

não mesmo. só você tá pensando no quanto você acha que as pessoas tão olhando aquela manchinha de café na sua blusa. porque o resto das pessoas está igualmente preocupado pensando no quanto os outros estão secando a manchinha de café na blusa delas, saca? você é a única pessoa preocupada com as coisas que te preocupam. o resto das pessoas tem as preocupações delas. imagina que louco se você deixasse de se preocupar e olhasse ao redor, pra ajudar as outras pessoas a fazerem isso também? o nome disso, aliás, é amor.

eu sei, eu sei. na hora que o bicho tá pegando você nem consegue pensar desse jeito ou lembrar dessas coisas.mas esse é o treino. primeiro, a gente entende que tem um outro jeito de olhar, pra depois tentar colocar em prática esse jeito novo. a gente percebe que tem uma escolha, sabe? que pode fazer diferente. eu ainda caio em preocupação e ansiedade várias vezes. mas a boa notícia é que elas são cada vez menos frequentes, porque eu ando preferindo escolher amar à me preocupar. porque a real é que não dá pra fazer os dois ao mesmo tempo. ou é uma coisa ou outra. então, melhor escolher o que faz bem, né?

o que você faz quando tá ansiosa? me conta nos comentários!

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para o dia que você quiser se machucar

para o dia que você quiser se machucar

solta essa faca e olha pra mim. pelo amor de Deus, sai de perto dessa borda. larga essa arma. respira fundo. ei, ei. olha aqui. eu sei o que tá passando no seu coração. eu sei o que você tá pensando. você tem tanta certeza, né? de que o mundo é um lugar sombrio e que não tem mais volta. é agora ou nunca, e você está pendendo cada vez mais para o agora.

se não é o fim, pelo menos essa é a desculpa perfeita para você sentir qualquer coisa que não seja a mão escura que esmaga o seu coração dia após dia. ver o vermelho do sangue parece muito mais convidativo do que continuar encarando o cinza dos seus dias. a tristeza. as lágrimas. você não aguenta mais chorar, não sabe o que fazer, pra onde correr, onde procurar ajuda. ajuda! ninguém te ajuda. parece que ninguém te nota, ninguém se importa. as pessoas estão muito preocupadas com o próprio umbigo pra olhar pra você.

você corta legumes imaginando o que aconteceria se a faca fosse um centímetro para o lado errado. se você tropeçasse agora na plataforma do metrô. se debruçasse o corpo um pouquinho a mais na sacada do prédio. pareceria um acidente. ninguém saberia a verdade. e você descansaria em paz.

porque é isso que você quer, num é? paz? que a sua cabeça pare com os pensamentos frenéticos e que você consiga respirar. você se sente sufocada e a possibilidade de machucar o próprio corpo é o único fiapo de controle que sobrou na vida. se nada mais, pelo menos você ainda tem escolha sobre o que quer fazer com esse corpo inútil. ninguém pode falar coisa alguma, a decisão é toda sua, no fim das contas.

você se sente sozinha. não consegue conversar com ninguém, ninguém te ouve. que a faca entre fundo, então, porque a dor de não ser vista e de encarar a tristeza do mundo é demais pra você. eu sei, eu sei bem. as lágrimas que me caem agora não me deixam mentir. eu conheço bem esse fundo de poço e, meu Deus, parece que não tem nada no planeta que faça essa dor parar. não tem luz no fim do túnel, é tudo uma ilusão e para o inferno com os otimistas. o que funcionou com os outros não vai funcionar com você. nunca funciona.

mas…

(e ainda bem que existe um ‘mas‘)

… você não tá sozinha. eu tô aqui com você. e eu sei que você consegue sentir a minha mão na sua e a minha respiração se confundindo com as batidas do seu coração. é, ele continua batendo, num ritmo constante, meio cansado dessa loucura toda. ele quer paz. assim como você.

olha pra mim. eu sei que no meio de todas as lágrimas você consegue me ver. a cor pode ser diferente, o formato do meu olho pode não ser igual ao seu – sempre me falaram que eu tinha olhos de mangá. mas olha bem. eu to aqui com você.

esquece tudo por um segundo. a dor. a confusão. o barulho frenético da cidade que não para nunca. as brigas que sempre acontecem na sala na hora do jantar. esquece o trabalho, a faculdade, as responsabilidades. por um segundo. só um segundo. larga a faca, solta a arma, se afasta da borda. respira fundo.

essa coisa confusa, essa massa sombria, ela não é você. ela te enche de medo, não te deixa ver o que tá bem na sua frente, ela te confunde e grita coisas sem sentido na sua orelha. ela parece tão real. mas ela não é você. aqui, nesse momento suspenso do tempo, você consegue ver que a gente tá junto? que tá tudo bem?

se você se machucar, eu vou sentir. eu sou saber. eu posso estar do outro lado do mundo, mas eu vou saber. porque eu e você… a gente é a mesma coisa. a vida que faz o seu coração martelar no peito é a mesma que a minha. não tem diferença, não tem distinção. é tudo uma vida só. e se você não cuidar bem dela, eu vou saber.

você acha que ninguém se importa, mas isso é mentira. eu me importo. eu tô te vendo sabe? eu entendo o que você tá sentindo e os pensamentos tóxicos que rodam a sua cabeça. eu sei como é. e eu sei também que tem saída.

você merece o mundo. merece o universo inteiro. merece você mesma de volta. a Terra e todas as suas tentações ficam até pequenas diante disso. da sua importância e de como é bom ter você por aqui. tem horas que parece o contrário, né? que todo mundo faz questão de te ter longe, mas não acredita na vozinha macabra que te diz o que fazer. ela quer que você se machuque, que você sofra mais e fique mais confusa até ninguém mais conseguir te ajudar a sair dessa zona.

mas, ó… a gente tá aqui agora. eu e você. você e eu. e eu sei o que os meus olhos estão te dizendo. que a gente é a mesma coisa, e que tudo bem você chorar, desabafar, achar que não tem mais força. eu confio que você consegue. eu confio que você vai achar a saída porque eu sei que você não tá sozinha. a gente pode fazer isso juntas.

essa vontade de se machucar, de morrer, eu sei o que é. ela é uma distração. ela é um sintoma de algo maior que você não consegue ver porque esses pensamentos malucos estão tirando a sua sanidade do caminho e colocando no lugar uma fantasia doida de que você merece sofrer. que merece passar por tudo isso e que faz parte chegar num ponto sem volta. que só assim as coisas todas vão se resolver. mas não vão. você não merece sofrer, meu amor. nunca mereceu, nunca vai merecer.

e eu sei. eu sei que você é livre pra fazer o que bem entender e que tudo parece conversa de maluco e nada do que eu falo faz muito sentido pra você. eu entendo que você só consegue ver através do túnel escuro e que o cinza do céu parece que nunca vai dar espaço pros raios do sol. mas eu me recuso a desistir de você. eu não vou desistir de você. porque você é importante.

e se tudo é mesmo uma escolha… bem, eu só posso esperar que você continue segurando na minha mão. que continue olhando nos meus olhos e buscando pela resposta que a gente vai encontrar juntas. eu espero que você escolha soltar essa arma. e eu espero que você escolha o amor.

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ser jornalista é uma declaração de amor

jornalismo é uma declaração de amor

lá em maio eu participei de um evento de comunicação, inovação e tecnologia, o festival Path. foi um fim de semana incrível cheio de palestras maravilhosas (incluindo uma com a Jess e a Ari do Indiretas do Bem), mas a que me deixou mais encantada foi uma palestra chamada ‘o futuro do jornalismo é mais humano‘, em que o Denis Burgierman (ex-diretor de redação da Superinteressante e que agora tá no Nexo) e a Juliana Wallauer, do Mamilos, eram os convidados. eu juro que eu saí do painel com muito orgulho de ser jornalista.

tem quem diga que a minha profissão está morrendo – já até me falaram diretamente que eu serei substituída por um computador (alô, sensibilidade), mas eu confesso que nunca dei muita bola pra esses cavaleiros do apocalipse, por mais que as notícias de passaralhos (as demissões em massa) também me deixem com o coração apertadinho. eu sempre acreditei que estava fazendo algo importante – mesmo nos dias que só escrevia sobre o que as celebridades estavam fazendo por aí – e isso não mudou só porque, na teoria, o mercado de mídia está caindo aos pedaços.

na palestra com o Denis e a Juliana, eu fiquei maravilhada porque eles me deram uma esperança. querendo ou não, as pessoas sempre vão precisar do jornalismo. é uma profissão que leva pra todo mundo o que tá acontecendo de verdade por aí. por mais que as redes sociais façam isso muito bem, a gente ainda precisa de um editor para aprofundar e juntar todos os detalhes num lugar só, a gente precisa dele pra editar.

o problema é que, como a vida no mundo, o jornalismo representa exatamente o que as pessoa estão passando. e todo mundo perdeu a confiança. no jornalismo, no governo, nos outros. em si mesmo. isso é o que me deixa mais de coração partido. por um tempo, eu também deixei de confiar, e reaprender é um treino diário. não tem como virar essa chave de uma hora pra outra.

quando a gente se sente tão desesperançado, quando tudo parece tão errado, como é possível ter esperança de que as coisas vão melhorar? é bem impossível, né? mas, na real, não é não. o Denis disse, naquele sábado gelado de maio, que o sistema de imprensa como a  gente conhece hoje não funciona mais – e eu concordo. acho que a internet ainda é vista como um problema e tem muita empresa grande por aí que não soube desapegar do passado para entrar na nova era. e eu acho meio prepotente da nossa parte tentar adivinhar como vão ser as coisas daqui pra frente – eu não sei mesmo, vou ter que esperar elas acontecerem pra descobrir.

a Juliana parecia mais otimista (lembro muito bem que o Denis já chegou falando ‘eu não tenho ideia se o jornalismo tem futuro, nem se ele é mais humano‘), e trouxe um segundo ponto que eu achei o mais incrível de todos: o que o jornalismo (e o mundo, na verdade) precisa é de interesse. a gente tem que ter mais interesse no que tá rolando ao invés de só querer apontar o culpado de um lado ou de outro. todo mundo quer brigar no Facebook, mas ninguém quer entender como a outra pessoa pensa e porque ela pensa o que pensa.

isso bateu bem fundo no meu coraçãozinho jornalista. é isso mesmo. ninguém quer entender porque as pessoas pensam como pensam e porque o sistema todo tá do jeito que tá. todo mundo só quer achar um culpado, só quer encontrar um motivo pra brigar. e nesse meio tempo fica todo mundo correndo atrás do rabo sem saber pra onde correr, porque a sensação é que a coisa piora a cada dia.

quando eu escolhi ser jornalista eu lembro que fiz essa escolha porque queria mudar o mundo. hoje eu ainda quero – na verdade, hoje eu sei que vou -, e percebi que as palavras são a minha principal ferramenta para isso. é a forma que eu me comunico com você todos os dias, sabe? através dos meus textos, eu consigo colocar um pouquinho da minha meta em cada palavra e você sente um gostosinho no coração sempre que lê. o pulo do gato (sempre amei essa expressão) pra mim é conseguir fazer isso em todos os textos – os do blog, os que são pra trabalho, os que vão para as redes sociais…

cada dia mais eu sinto que consigo fazer isso, que uno um pouco do que o Denis falou com o que a Juliana defendeu tão fortemente, e ajudo a mudar o mundo, um texto por vez. o jornalismo me permite entrar em contato com um montão de gente todos os dias – as pessoas incríveis com quem eu trabalho, quem lê o que eu escrevo, as pessoas que eu entrevisto – e é uma rede de interesse que aumenta todos os dias.

ser jornalista é uma declaração de amor porque num momento em que todo mundo desistiu de acreditar nas palavras, eu prefiro continuar acreditando – já dizia Desmond Doss:

‘Com o mundo tão dedicado em se destruir por completo, não parece algo tão ruim eu querer colar algumas partes de volta no lugar’

(aliás, se você não assistiu Até o Último Homem, faça o favor de assistir nesse exato instante – eu espero você voltar)

com tanta informação falsa por aí, tanta notícia ruim, tanta notícia tendenciosa, qual o problema em querer colocar um pouco mais de amor nas informações que a gente precisa ter? qual o problema em querer se interessar pelos outros pra entender de verdade o que eles estão pensando, o que estão sentindo?

é, jornalismo é um exercício de interesse: de querer entender o outro ao invés de julgá-lo, de observar e analisar ao invés de sair por aí dando opiniões como se fossem balas juquinha (amo bala juquinha, gente) é repassar a verdade dos fatos e fazer quem tá do outro lado pensar e questionar a realidade em que vive.

pode ser uma visão meio ultra otimista – e até meio Pollyanna – das coisas, mas eu amo muito a minha profissão e gosto de acreditar que ela tem um propósito. amo passar horas escrevendo, amo correr atrás de fonte, amo cobrir evento louco, amo usar as palavras escritas para me comunicar com as pessoas. amo, amo, amo, amo. vai ver é por isso que pra mim não existe crise, não existe tempo feio, só existe o arquivo do Word aberto e o cursor piscando, esperando eu encontre as melhores palavras pra você lembrar um pouquinho de quem é.

e aí tanto faz se eu tô falando de moda, de política, de bullet journal ou de armário cápsula. só o que me importa, de verdade, é você terminar de ler o texto com o coração quentinho e a sensação de que entende um pouco mais do que antes a forma como o mundo funciona e como é que você se encaixa nesse contexto.

o jornalismo é ferramenta. o computador é ferramenta. a pauta é ferramenta. é tudo ferramenta pra meta que eu escolhi no meu coração e que cada dia fica mais clara. o jornalismo tá em crise? puxa, depende. o que você considera como ‘crise‘? se for falta de propósito, talvez você tenha razão. mas, nesse caso, eu sei que tá tudo bem comigo, porque o meu propósito vai muito bem, obrigado.

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os 3 lugares que eu mais amo em são paulo

eu já falei o quanto amo são paulo por aqui? acho que não, né? mas eu amo demais essa cidade, gente, sem brincadeira. eu nasci e cresci aqui e nada do que você disser vai me fazer mudar de ideia – essa cidade é maravilhosa. como todo lugar do mundo, têm as suas questões, mas eu gosto de acreditar que sempre tive um olhar mais carinhoso com as ruas paulistanas.

eu acho que tem muita coisa incrível por aqui e pretendo (em algum ponto do futuro), fazer um post sobre os meus cantinhos preferidos pra comer, mas, por enquanto, achei melhor pagar a língua e finalmente fazer o texto com os lugares que eu mais amo nessa cidade. confesso que, na hora de sentar para escrever, me surpreendi ao pensar que são poucos, mas que cada um tem um motivo para estar nessa minha lista (e em todos os vídeos de #resumaki, hehe).

1.liberdade

lugares de são paulo liberdade

o tanto que eu amo esse bairro, gente. tô num ponto que vou pra lá um fim de semana sim, outro também. eu tenho um carinho e uma apreciação muito grande pela cultura oriental, e amo visitar os restaurantes típicos e as lojas tradicionais por lá. desde pequena, é um dos lugares que eu mais curto em são paulo, e um bairro que eu visito muito há eras. fosse pra comprar mangás, fosse pra dar uma volta na Ikezaki, eu sempre achava uma desculpa pra ir pra lá.

é o melhor lugar pra comer, sim, senhor, e eu piro nos restaurantes de lámen e de comida coreana. gosto de chegar cedo porque lota demais e os melhores restaurantes sempre ficam com filas imensas se você deixar pra comer mais tarde (tipo, umas 13h). fora que é bom lembrar: muitos dos estabelecimentos por lá abrem meio-dia e fecham entre 14h30 e 15h, pra abrir depois só às 18h,pro jantar.

2.av.paulista

lugares de são paulo av. paulista

eu morei boa parte da minha vida a algumas quadras da paulista. essa avenida sempre foi o meu refúgio, era normal eu sair andando por ali nos dias que não me sentia bem. eu sentava no Starbucks da Campinas com a Santos e passava horas lendo enquanto tomava um chá preto tall e depois ia de ponta à ponta da avenida só observando as pessoas. amo o Conjunto Nacional e a Livraria Cultura (um dos meus lugares preferidos DA VIDA!), as escadarias da Casper e, principalmente, a diversidade: se tem um lugar onde você vai ver de tudo um pouco, esse lugar com certeza é a avenida Paulista.

de domingo então… eu fico maravilhada com o caos criativo que aquele lugar vira. é banda de axé de um lado, roda de samba do outro, uma banda de metal num canto e um grupo de forró na esquina. tem de tudo, mas, principalmente, tem um montão de gente tentando se conectar com alguma coisa verdadeira e procurando motivos pra continuar em frente, sabe? acho que isso sempre foi o que mais me chamou a atenção.

3.as ruas do alto da lapa

lugares de são paulo alto da lapa

quando eu saí da casa da minha mãe, mudei da Paulista pro Alto da Lapa. se você nasce e cresce num mesmo lugar, parece que não existe vida fora dali e foi um treino me abrir pra descobrir um lugar novo. hoje eu sou completamente apaixonada pelas ruas desse bairro, pela calma, pelo verde, pelo gostosinho de andar por aqui todos os dias e descobrir cantinhos gostosos todo fim de semana. eu achava que não conseguiria viver longe do caos da paulista, mas sou mil vezes a tranquilidade daqui hoje em dia. é tão gostosinho, sabe? a gente começa a descobrir a beleza em cada detalhe, e – hey – pode não ter um Starbucks a duas quadras de casa, mas tem uns cafés de bairro que são a coisa mais fofa do mundo e um monte de gente que eu amo morando bem pertinho (ou seja: tenho companhia na distância de uma mensagem de Whatsapp ♥).

é óbvio que são paulo tem muitos outros lugares legais que fogem desses três tão ~genéricos~ (o centro!, a Pinacoteca!, a Estação da Luz!, a Catedral da Sé!), mas esses são pontos que me trazem um quentinho no coração e que eu sempre tenho um prazer genuíno de visitar. dificilmente você vai me ver chateada de ter que ir na Liberdade pela milésima vez no mês ou de passar a tarde andando na Paulista. aliás é fácil você me encontrar em qualquer um desses lugares (faça o favor de me dar um abraço se me vir por aí, hein?), porque eu tô sempre em um dos três ♥

qual o lugar favorito da sua cidade? me conta nos comentários!

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maki, e os seus dias tristes?

outro dia, me senti sozinha. acordei chorando sem motivo e me peguei desamparada. na minha cabeça, eu só pensava em me machucar. tropeça aqui. bate ali. ai, se essa faca escapasse um milímetro que fosse… eu pensei na morte, e a minha garganta fechou. eu estava sufocando.

para quem vive numa redoma de amor e carinho, um momento de tristeza que seja parece um tsunami. a gente acha que vem sem avisar, de repente. mas os sinais estavam todos lá. a água começou a recuar. os pássaros voaram na outra direção. o mar ficou estranhamente calmo. para um olhar atento, estava tudo perfeitamente mapeado. pros desavisados, a violência da água parece um golpe de má sorte. eu tava no lugar errado, na hora errada, só isso.

o céu azul ficou cinza. e eu só consegui olhar pra dentro da minha própria cabeça, procurando uma saída. sem sucesso, tudo ali me levava pro mesmo lugar. pro desconforto, pra solidão. eu me senti perdida de novo e um dia pareceu uma eternidade. quando a gente não tá bem, nada caminha do jeito que deveria e a gente fica brigando sem sair do lugar. parece areia movediça.

eu não conseguia me concentrar no que tinha pra fazer, escrever virou um sacrifício. parecia sem sentido colocar palavras no papel, fazer reuniões, medir audiências, conversar com pessoas. tudo o que eu queria era ficar encolhida na cama. no aconchego das minhas cobertas. não foi uma surpresa perceber que nem todos os cobertores felpudos do mundo conseguiam aquecer o meu corpo gelado. cadê a motivação que tava aqui? sumiu, junto com uma enxurrada de pensamentos horríveis sobre mim mesma. um tsunami de tristeza, uma condenação eterna e suas punições mais que necessárias. eu errei, falhei, pequei. e agora é pra valer. não tem mais volta desse fundo de poço.

mas aí… veio um abraço, e eu comecei a me lembrar de como é bom viver no aconchego, quando a gente sabe exatamente quem a gente é e o que veio fazer no meio de tanta gente confusa. a mente desanuvia, as pesadas nuvens que cobriam o sol começam a se dissipar e a sumir aos pouquinhos, já sem um motivo para chover.

num abraço, vem também um beijo. e a coisa toda fica ainda mais leve. eu sou lembrada, com um gesto de carinho, do quanto eu sou inocente e que os meus pecados não passam de imaginações e devaneios da minha mente atormentada. tá tudo bem comigo, nada aconteceu e tudo segue exatamente como sempre foi. eu nunca fui capaz de mudar o que o amor criou, afinal.

junto do beijo, vem as palavras gentis. palavras essas que reforçam o que já foi mostrado em gestos e que me fazem pensar, novamente, no quanto eu sou amada. só o amor cura o coração que dói, que bate descompassado e cheio de medo de um futuro que nunca aconteceu e de um passado que a gente faz questão de remoer na cabeça todos os dias.

mas, Maki, você não tem dias tristes, então? o que seria um dia triste, se não um erro de visão? aliás, o que é ser triste? o que é sentir tristeza? se é o tipo de coisa que me deixa longe de mim, então: não, obrigada, troco todos os dias tristes do mundo por aqueles regados a xícaras de chá quentinhas e mãos entrelaçadas. eu desisto de dias tristes, porque sei que eles não fazem parte de mim.

se eu acordar esquecida, que eu me lembre do caminho de volta e que leve junto comigo os meus parceiros de jornada, sempre tão felizes em me ajudar a colocar a mente de volta no céu.

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