o que não te contam sobre escrever como profissão

o que não te contam sobre escrever

dia desses eu comecei a pensar que seria muito legal escrever algumas coisas que vem na cabeça sem os vícios do dia a dia. sabe? aquela coisa meio engessada que você adquire com o passar o tempo e a prática da profissão. verdade, eu provavelmente sou a notinha mais rápida deste lado do Alabama (ouvi isso uma vez e adotei pra vida) em tempos de crise, mas isso também tem um custo: os dedinhos frenéticos são repletos de palavras que se repetem com certa frequência e clichês que povoam textos pouco inspirados.

‘você já deve ter ouvido falar sobre…’, ‘com certeza você também sente…’, ‘todo mundo sabe o que significa quando…’ e assim por diante. poderia montar meu próprio dicionário de ‘Makizices‘, se o tempo me sobrasse para escrever qualquer coisa que não tudo aquilo que eu já digito o dia inteiro. ‘independentemente‘ é a minha palavra do mês e eu a repito tantas vezes quanto preciso corrigi-las, porque sempre esqueço de alguma letra no meio do caminho.

passo o dia escrevendo e parece que quando quero escrever de verdade – um livro, meu sonho é escrever um livro – parece que as palavras somem e a criatividade se esvai. toda a poesia que eu crio na minha cabeça seca como um rio no sertão e eu não consigo nem mesmo pensar em um tuíte interessante para postar.

curioso, como a gente tem uma relação tão dual com a escrita, né? é arte ou não é? é fácil ou não é? é pra todo mundo ou não é? mas quem escreve o dia inteiro também tem dificuldade de escrever e se não aproveitar os momentos de inspiração que aparecem às 10h da noite de uma segunda-feira, ou no uber a caminho de uma reunião, o que seria das grandes histórias?

é bloqueio criativo que chama? ou controle? aquela vontadezinha de manter o poder criativo focado só ‘no que importa’, porque afinal é o que paga as contas. não é ridículo? não é absurdo pensar que alguns de nós colocam toda a razão da nossa existência em algumas palavras escritas para um site na internet ou para uma página de revista ou para um jornal – e tantos outros façam a mesma coisa com outros trabalhos e outras funções e outras ‘responsabilidades‘.

tem horas que dá até dor de cabeça pensar desse jeito, sabia? como faz pra colocar toda essa sensação que eu tenho no peito em palavras bonitas para as pessoas levarem consigo o dia inteiro? não tenho ideia. mas e para escrever aquela matéria de 700 palavras sobre ansiedade e depressão? cinco minutinhos, seu editor, eu escrevo aqui bem rápido pra gente publicar antes do fim do dia.

sabe o que é mais louco? não tem diferença. entre uma coisa e outra. entre um escrever e outro, entre um parágrafo e outro. entre o pessoal e o profissional, entre o escrever por profissão ou por lazer. é entrega do mesmo jeito. você joga no mundo um pouco de você e espera que as pessoas leiam, que elas comprem ou que vejam nas redes sociais. que elas entendam a sua mensagem e aprendam alguma coisa. que elas vejam o seu coração ali e abram o delas pra receber o um pouquinho do que você está oferecendo.

não tem diferença. e dizer que tem é falar que um é mais importante que o outro, quando, na verdade, tudo não deixa de ser uma forma de eu alcançar você aí do outro lado da tela e te dar um abraço apertado, independentemente do assunto.

lembranças do primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

começo de ano tem um negócio, né? tem uma vibe, uma expectativa. tem uns anos que eu não sinto aquele frio na barriga quando chega 31 de dezembro, mas preciso entrar naquela coisa clichezôna de filme de fim de ano ruim que a gente ama e dizer que 2018 já começou muito incrível e cheio de coisas deliciosas.

eu passei o ano novo como os dois últimos: numa festa da Coexiste. a gente sempre faz um esquema de cada um leva um prato e uma bebida, todo mundo se junta, as músicas são sempre incríveis, a gente volta pra casa já de manhãzinha com o coração quentinho, as pernas doendo e a barriga cheia. dessa vez não foi diferente, sabe?

primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

a decoração tava tão linda que eu chorei de emoção (sério). tinham lousas pra gente deixar recadinhos (chorei de novo quando li cada um). tinha muuuuuita comida (inclusive um bolo de banana que eu fiz e ficou mara – já falei que amo bolo de banana?). tocou muita música deliciosa, tinham tapetes fofinhos e almofadas gostosinhas pra gente deitar no chão. eu passei metade do tempo dançando, outra metade cantando e outra metade tendo conversas maravilhosas.

primeiro dia do ano
tô muito apaixonada por essa foto ♥

primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

meu primeiro dia do ano também teve poucas horas de sono, mas muitas abraçadas com as pessoas que eu gosto. teve aula na Coe. teve tapioca de caponata de berinjela. teve sorvete. teve sonequinha da tarde. teve o primeiro filme do ano (Como Treinar Seu Dragão 2, um dos favoritos). teve muito sorriso. teve a certeza de que eu tô no caminho certo.

primeiro dia do ano
Luma fofinha (que dormiu em casa depois da festa)

primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

primeiro dia do ano

o que você fez no primeiro dia do ano?

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o ano novo mais louco de todos (ou: quando eu acreditei em magia)

eu sempre fui do tipo que esperava a meia-noite do dia 31 de dezembro com uma certa expectativa. era um recomeço, uma nova chance, uma folha em branco. mais uma oportunidade pra eu fazer diferente, pra tentar de novo, pra dessa vez fazer dar certo. às vezes funcionava. outras não.

mas acho que de todos os Anos Novos que eu já tive, o mais louco com certeza foi o de 2014. esse ano eu comecei em um aeroporto. sozinha. num país que eu não conhecia.

nessa época eu estava morando na França, em uma viagem que eu já contei pra vocês que foi cheia de contradições. eu amei e odiei ao mesmo tempo. eu queria ficar por lá e voltar pra casa. eu queria chorar o mesmo tanto que queria sorrir. perto da virada do ano, as coisas já não estavam lá aquelas maravilhas e eu decidi pegar o voo pra Londres, pra passar o Reveillón com duas amigas, no próprio dia 31 – era mais barato e o transporte na cidade daria conta de me levar até onde eu precisava ir à tempo.

as circunstâncias não foram tão amigáveis assim, e enquanto eu acertava a minha viagem, as minhas amigas decidiram aproveitar a virada vendo os fogos de artifício e numa festa que custava metade do orçamento que eu tinha pros 5 dias que ficaria lá. a gente tentou ver alternativas. eu pegaria um táxi até a balada (e gastaria meu dinheiro todo pra semana). eu iria até o prédio onde a gente tava hospedada e esperaria na portaria até elas voltarem. eu tentaria encontrar com elas no meio da galera durante os fogos. tudo porque, supostamente, não tinha transporte rápido o suficiente para me levar de Heathrow até o centro da cidade antes delas começarem as comemorações.

ainda hoje eu sinto o coração revirar lembrando de receber essa notícia e perceber que, no fim das contas, eu teria que me virar nos 30 e descobrir sozinha o que fazer. eu passei a noite em claro chorando. liguei pra minha mãe (que não atendeu), passei a madrugada falando com um amigo que muito carinhosamente fez o que pode pra me mostrar alternativas. eu senti raiva. muita raiva. eu quis desistir de tudo e voltar pro Brasil.

até que eu decidi… que não ia perder a chance de conhecer Londres só porque as pessoas pareciam não fazer questão da minha companhia (e aí a gente ouve os violinos da vitimização tocando ao fundo, uma sinfonia que me acompanhava 24 horas por dia naquela época). as opções então eram: ou passar o Ano Novo no aeroporto ou no frio de Londres. acho que você já imagina o que eu escolhi, né?

optei pelo aeroporto. fiz as malas. fiz as pazes comigo mesma. sequei as lágrimas e engoli o medo. cheguei com 20 minutos de antecedência porque o piloto também tava com pressa. perguntei. dava pra chegar no centro em uma hora, às 20h. falaram pra eu ‘decidir o que era melhor pra mim‘ (e eu nunca odiei tanto uma frase em toda a minha vida). decidi. ‘vou ficar aqui, encontro vocês às 06h na estação‘.

subi para o lounge e encontrei ali tantas outras pessoas que também esperavam. por voos. pelo transporte. por começar o ano do outro lado do mundo. sentei. abri meu livro e esperei.

meia-noite chegou e eu olhei ao redor esperando algum anuncio, uma música, um mínimo reconhecimento de que alguém sabia a importância daquele momento também. ali do outro lado tinha uma moça fazendo a mesma coisa que eu, com uma garrafinha de Chandon na mão, comprada no mercadinho do terminal, e duas mini-taças. ela me olha com expectativa. eu vou até lá e a gente brinda.

acredite se quiser, essa foi uma das viradas de ano mais incríveis que eu já tive. eu conheci uma britânica que ia trabalhar como professora de inglês no Oriente Médio, mas antes ia passar uns dias com o ex-namorado no México. uma australiana que estava indo para a França encontrar as amigas. um grego que até hoje não descobri pra onde tava indo, mas tava lá fazendo volume na nossa festinha improvisada com Chandon de loja de conveniência e salgadinhos baratos.

a gente falou um monte de besteira e atrapalhou as outras pessoas que queriam algumas horas de sono antes do próximo voo. a gente fez piadas idiotas e brincou que os funcionários tavam armando uma festa clandestina nos bastidores do aeroportou ou num avião estacionado.

mas acho que o principal foi que a gente se fez companhia e topou ficar junto quanto todo mundo se sentia meio sozinho e longe de casa.

a minha memória pode mentir (já aconteceu), mas o que eu lembro de ter deixado o coração quentinho foi isso. a gente acha que tá sozinho mundo, que ninguém tá disposto a olhar duas vezes pra gente, mas talvez a gente mesma não esteja assim tão disposta olhar a em volta e ver que tem, sim, alguém ali do lado esperando pra fazer um brinde de Ano Novo e torcendo pra você engajar numa conversa divertida até a hora de embarcar ou de pegar o trem pra cidade.

e isso, minha amiga, é magia. isso é mágica. a gente sair da nossa cabeça e se abrir pra ter uma experiência boa independente das circunstâncias. confesso que a minha visita à Londres ainda me deixa meio de estômago virado e eu não lembro da cidade com toda a alegria do mundo. mas aquelas horas que eu passei no aeroporto foram preciosas. porque eu não me senti sozinha. eu me dispus a conhecer pessoas novas, a confiar em alguém o suficiente pra chorar e dizer que tava com saudade de casa enquanto a gente comia salgadinho de sal marinho – e ouvir conforto em línguas diferentes, e fazer o mesmo pelos outros.

hoje, eu fico pensando por onde andam essas pessoas e se elas também lembram desse Ano Novo com tanta gratidão quanto eu. no dia seguinte, eu já tava triste de novo, já tava com raiva de novo, mas por algumas poucas horas, entre 31 de dezembro 2013 e 1º de janeiro de 2014, eu me permiti viver outra coisa e criar uma bolha de empatia e good vibes bem no meio do saguão do aeroporto.

se isso não é mágica, pelo menos eu gosto de acreditar que foi um primeiro momento em que eu percebi, de verdade, que já não estava bem, mas que a alegria da qual eu sentia tanta falta ainda estava ali, esperando pra vir à tona. um ano depois disso, eu chorei mais um tanto no meio do caminho, mas aquelas pessoas e aqueles momentos me acompanharam em cada dia de 2014, até a hora que eu decidi que precisava mudar, tirar a tristeza de campo e fazer diferente do que eu tava acostumada todos os dias e não só por algumas horas na virada do ano.

todo o meu amor pra moça do Chandon, pro grego perdido e pra australiana comediante que me fizeram companhia no chão frio de um aeroporto, que, apesar de tudo, me deixou com o coração alegre e me mostrou um fiapo de esperança que eu agarrei com todas as forças.

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quando foi que fazer ginástica ficou legal?

ginástica

teve um dia que eu tava no meio do meu treino (aquele físico, sabe?) e pensei bem assim: ‘ei, eu gosto muito disso. é divertido!‘. e é mesmo. treinar é muito divertido. movimentar o corpinho é legal e eu amo demais colocar a minha roupa de ginástica e fazer 3 séries de 15 repetições de afundo com 30 segundos de intervalo.

eu sei, talvez não esteja totalmente sã.

ou talvez eu esteja apenas vendo as coisas de uma forma diferente. tipo com a proteína e com o que eu me alimento todos os dias. tinha uma época em que eu detestava fazer ginástica e qualquer tipo de exercício físico, e sempre lutei contra o sedentarismo. era uma luta mesmo. eu reclamava na minha cabeça o tempo inteiro que tava sedentária, que passava o dia sentada numa cadeira e não tinha fôlego pra correr atrás do ônibus quando chegava atrasada no ponto.

eu amo dançar. o balé era uma das minhas maiores paixões, mas um acidente de carro milhares de anos atrás e uma falta de coragem de continuar na dança depois de adulta me afastou das sapatilhas – fora que não ajudava a falta de vontade de levantar da cama todos os dias, sabe? era meio difícil pensar em dançar quando arrumar a cama era uma tarefa impossível.

eu lembro de ter vergonha de me olhar no espelho. e fazia os exercícios olhando pro outro lado porque eu não aguenta ver o meu reflexo. eu achava feio, estranho. esquisito. mas aí eu topei treinar de um lugar diferente, de um jeito que eu não conhecia (e ainda não conheço) e de seguir orientação de alguém que sabia mais do que eu sobre esse assunto. e, olha só menina, que coisa doida, é muito legal treinar.

o maior susto que eu tomei, nos últimos vezes, foi correr atrás do ônibus (de verdade) e não perder o fôlego ou querer morrer com a dor no baço no meio do caminho. A segunda foi pular até bater o joelho na cadeira na frente no show do Coldplay (cantando ao mesmo tempo), sem ficar com a respiração presa na garganta e a sensação que eu ia desmaiar se cantasse mais um verso.

ginástica

a gente subestima o que significa ter um corpo em forma, né? não tem nada a ver com padrão de beleza (oi?), com ficar bonita, com ter um corpo legal pra usar biquíni (de novo: oi?), mas de aproveitar os momentos bons, sabe? na verdade, de aproveitar todos os momentos sem aquela sensação de que o seu corpo não vai segurar essa barra que é gostar de você.

tipo, sabe essa coisa de achar que você não é capaz de fazer as coisas? tem a ver com isso também. eu sempre me achei uma pessoa fraca, que eu não tinha capacidade de fazer certas coisas por causa de toda essa fragilidade. tem uma coisa de ser frágil, quebrantável, temporária. melhor não forçar, se não quebra e aí eu fico sem. entende o que eu tô querendo dizer?

mas aí, a gente percebe que dá pra olhar pra essa coisa que a gente chama de corpo do mesmo jeito que a gente olha pra um carro. é uma ferramenta, e pra funcionar bem a gente tem que cuidar. então, a gente se alimenta daquilo que faz bem e ajuda o corpo a ficar saudável. a gente faz um exercício pra ajudar a ficar em forma e pronto pro que precisar. a gente lava com carinho, passa uns cremes pra ficar com a lataria brilhante e gostosinho de olhar (e passar a mão de vez em quando). é carinho, sabe? exercício físico é carinho.

daí a gente compra um tênis bonito e shorts fofinho pra levar a ferramenta pra treinar salto e roscas diretas infinitas com pesos que mudam a casa série pra dar um choque no músculo e fazer ele acordar. e a gente fica presente, presta atenção na contração, solta o ar na hora de puxar, inspira quando estica. presta atenção na postura, não força a lombar e tira o foco do trapézio. não mexe o resto do corpo na hora de contrair, o foco é no bíceps e você não é uma gangorra. devagar e com carinho, sem forçar o corpo.

eu normalmente vou dormir sentido que fui atropelada por um caminhão. e acordo com o corpo tão dolorido que eu viro o próprio Horário lavando o cabelo no banho, depois de acordar. mas é uma sensação boa. é sensação de vida. oi, tem um músculo aqui, olha como ele funciona! e você vê o corpo ficando forte e tem vontade de fazer coisas que nunca fez antes, tipo usar shorts no verão ou correr no parque. porque você entende que pode. você pode, boba, para de falar que essas coisas não são pra você. tá permitido cuidar do corpo com carinho e querer que ele fique tão forte quanto você já é, viu?

rabanadas, o cheiro do Natal e a rainha do #bujo

sabe quando você pensa em Natal e vem na cabeça aquele cheirinho de canela e pinheiro e você sente que tá tudo certo com o mundo e os dias são felizes e só falta o recesso chegar pra você passar os seus dias envolta em livros, sentada na frente da árvore de Natal com um prato de rabanada e um copo de leite?

não que eu faça isso todos os anos, porque quem leu a newsletter dessa semana (clica aqui pra fazer a sua inscrição!) sabe que eu e o Natal não somos tão amigos assim. mas tem uma coisa que eu amo nessa época do ano, que se resume a: poder comer rabanada todos os dias, sem ser julgada como a louca da canela pelas outras pessoas.

a ideia do post de hoje do detalhes era compartilhar uma receita que a gente ama dessa época do ano, e eu juro que me planejei pra fazer as minhas próprias rabanadas, tirar fotos lindas do processo e virar musa do Pinterest, mas até a rainha do bullet journal se atrapalha às vezes, confunde os dias e erra a data do post.

então, eu vou fazer o que eu faço de melhor: um textão sobre as rabanadas (que eu comprei na padaria hoje de manhã e estavam maravilhosas, diga-se de passagem).

escrevendo esse post do banco de trás do Cabify, eu me perguntei mais de uma vez porque eu amo tanto rabanadas. mas assim como o meu problema com o Natal, não tem nada a ver com elas, mas com o que eu sinto quando como uma.

eu sempre amei doces e era maluca por pão. junte as duas coisas e você tem uma Maki muito feliz e levemente agitada por causa do açúcar no sangue. mas tinha um coisa alegre em comer rabanadas. era um momento que minha mãe cozinhava sem reclamar, na manhã de Natal, só porque eu gostava desse doce, e ela ainda me deixava jogar a canela por cima.

rabanadas de Natal

 

ai a gente sentava na mesa com aquele pratão, que ela fazia pra família inteira, mas que só a gente comia porque meu irmão não gostava e meu pai “não fazia questão” (como assim, né?).

rabanada, pra mim, tem gostinho de inverno. tem cheiro de carinho. me lembra uma época em que eu não ocupava tanto a minha cabeça com coisas que não valiam a pena.

é, eu gosto de rabanadas.

ao mesmo tempo, hoje eu sei que a rabana era só uma desculpa. eu posso me sentir bem com ou sem ela e, honestamente, minha ingestão de rabanadas diminuiu muito no último ano (sim, eu comia o ano inteiro).

o carinho que eu sentia comendo uma rabanada hoje faz parte do meu dia a dia, basta eu me lembrar que ele está lá. se eu esquecer, é fácil mesmo eu achar que o segredo está num pratão de rabanadas que eu vou comer até cansar e depois me arrepender porque foi demais.

e acho que o mais legal nem é mais ter um prato só pra mim, mas dividir um pouquinho com as pessoas que eu gosto e a gente se lambuzar de açúcar e canela juntos. quem sabe até cozinhar todo mundo no mesmo lugar, se apertando entre a mesa da cozinha e a bancada da pia, tentando encontrar um canto livre no fogão pra colocar mais uma frigideira. eu tenho a impressão que isso vai deixar o processo todo mais gostoso. e você?

pra quem quiser tentar, segue uma receitinha bem gostosa, que é a que eu costumo fazer:

você vai precisar de:

  • 2 baguetes (ou o pão que você mais gostar pra fazer isso)
  • 1 litro de leite
  • 2 latas de leite condensado
  • 3 ovos grandes
  • açúcar (a gosto)
  • canela (a gosto)
  • manteiga (para a frigideira)
  • 1 frigideira

como é que faz, hein?

  1. mistura o leite com o leite condensado
  2. quebra os ovos num prato fundo e bate um pouquinho, pra ficar homogêneo
  3. mergulha uma fatia de pão nessa mistura do leite (tem que ser rapidinho, pro pão não ficar encharcado)
  4. faz a mesma coisa com o ovo
  5. coloca na frigideira com manteiga (pra não grudar) até ficar douradinho dos dois lados
  6. coloca num pratinho com papel toalha pra tirar o excesso de tudo
  7. passa pro recipiente final, com uma mistura de açúcar e canela
  8. pronto! já pode comer ♥

eu não faço rabanada com óleo (imersão, sabe? quando você joga a comida na panela e deixa fritar), porque eu acho que dá muito trabalho e não foi o jeito que a minha mãe me ensinou hahaha. mas fica gostoso igual, ok?

rabanadas de Natal

qual a receita de Natal que você mais gosta?

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