Diário #04

Tinha um outro tema para o Diário de hoje, mas levando em conta a notícia do dia – que diz que 48% dos jovens acham errado mulher sair sem o namorado – pensei em uma nova rota para o texto do dia.

Eu estou solteira há algum tempo e, de verdade, já tive momentos em que achei isso um saco e outros em que adorei. Estou num desses momentos em que adoro estar solteira porque sei que tenho muitas coisas, em um nível emocional e pessoal, para trabalhar no momento, e não sei se seria melhor companhia. É algo pelo qual eu preciso passar e superar sozinha. Isso, claro, não desmerece o fato de que eu sou não obrigada a ter alguém só porque, na cabeça dos outros, é ‘errado‘ eu sair de casa sem namorado. Mesmo se tivesse um nunca, jamais, deixaria de fazer programas sem ele só porque ele não pode ou não quer ir.

feminismoFoto: Hello Giggles

Mas, dito isso, eu fico pensando: estamos em pleno 2015 (dezembro já pode ser considerado 2015, ?), e ainda existem pessoas, jovens além do mais, que acreditam que mulheres precisam de um guarda. Porque, basicamente, é isso: um guarda para proteger a jovem mulher dos perigos do mundo; ó, o sexo frágil.

E mais, desses pesquisados (2.046, no total), 68% acreditam que é errado a mulher ir para a cama no primeiro encontro. Ao mesmo tempo, 96% dessas pessoas acham que o Brasil é um país machista, porém, obviamente, não veem o machismo incrustado nas próprias opiniões.

Eu, há muito tempo, aprendi que cada um é dono do próprio corpo e faz com ele o que quiser. Cada um sabe de si. A minha amiga pode não gostar de dormir com um cara num primeiro encontro e eu sim ou vice-versa. A escolha não é de ninguém a não ser da mulher. Opiniões diferentes existirão sempre, mas a igualdade de escolhas, de gêneros, não. O que isso significa? Que tudo bem o cara transar no primeiro encontro, mas deusolivre a mulher fazer o mesmo.

Isso quer dizer também que tudo bem o cara sair com os amigos, ir pra balada, pro boteco ou pra qualquer lugar sem a namorada. Agora se for a mulher… Tá aprontando, com certeza. Por isso o feminismo é tão importante: ele defende que homens e mulheres são iguais e não devem ser tratados de forma diferente por conta do seu gênero.

Até quando vamos ter essa visão absurda de que as mulheres são inferiores aos homens e, por isso, precisam seguir uma certa cartilha de regras para ser uma ‘mulher respeitável‘. Gente, estamos no século XXI, não no XVIII. Deixem os pensamentos machistas, misóginos e sexistas para trás.

Ando pensando e lendo muito sobre o assunto, e cada vez mais acredito na luta pela igualdade de gênero. Mais do que isso, acredito demais na ideia da sororidade, e que as mulheres têm que se unir – no sentido de mostrar apoio umas às outras – ao invés de julgar a coleguinha do lado porque ela não seguiu o padrão tão disseminado pelos homens e por elas mesmas.

Levando em conta que mais da metade das pessoas da pesquisa acima citada são do sexo feminino (1.029 mulheres e 1.017 homens) essa noção de união é cada vez mais urgente. E, verdade, os homens também tem que se juntar a essa causa, não é exclusividade nossa! Empatia é palavra chave aqui, e, claro, ela serve para muitas outras causas que são igualmente importantes.

Eu, como mulher, tenho o direito de sair com quem eu quiser, quando quiser, beber o quanto quiser na balada, usar saia curta, blusa decotada, sem que isso acarrete em qualquer tipo de assédio. O meu corpo não é domínio público, assim como as minhas escolhas.

Bora mudar esse pensamento aí, pessoal, tá ficando feio.

Dois filmes que me ensinaram sobre moda

Há alguns dias, a do Hey Cute! (beijos, amiga linda!) publicou um post muito legal sobre tudo o que precisamos aprender com o filme O Diabo Veste Prada, que é um dos meus preferidos. Revi o filme no final de semana, além de alguns outros que, curiosamente, também são mais ligados à moda, e separei dois que, eu acredito, me mostraram muito sobre esse mercado que eu gosto tanto.

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O documentário The September Issue é praticamente indispensável para quem pensa em trabalhar com jornalismo de moda. Isso porque, na minha humilde opinião, acaba com vários clichês a respeito da área, além de reforçar alguns outros que nós já conhecemos muito bem. O filme segue a produção da edição de setembro, a mais importante do ano para as revistas de moda – por conta do grande número de anunciantes -, da Vogue norte-americana, comandada por Anna Wintour. Ela é uma das mulheres mais poderosas do ramo e apesar de, sim, ter seus momentos de glamour, com festas badaladíssimas, primeiras filas de desfiles e encontros com estilistas, ela trabalha muito para fazer a revista sair do jeitinho que ela quer. Verdade, ela é conhecida como a mulher de gelo do ramo, mas vamos combinar que ela não chegaria a lugar nenhum se não tivesse um certo padrão de exigência? E ela não é a única que trabalha muito, viu? Entre editoriais que precisam ser refeitos porque não ficaram bons, até fotos que contaram com uma produção mega complicada e são tiradas da revista na última hora, além do estresse do fechamento de uma publicação tão importante, é impressionante ver como esse pessoal trabalha – muito mesmo! – para que você receba a revista lindinha em casa. Na hora de ler, parece que foi muito fácil, mas o número de profissionais, viagens, reuniões e discussões que aconteceram até ela ser impressa é mil vezes maior do que a gente imagina. Realmente, o glamour é muito menor do que se pensa, e a quantidade de trabalho mil vezes maior.

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Sim, eu sei, As Patricinhas de Beverly Hills não é exatamente um filme sobre moda ou uma revista de moda, porém foi um dos meus primeiros contatos mais conscientes com essa área e me mostrou como a imagem é importante. Verdade, as personagens do filme se preocupam com a aparência para manter o lugar como populares no colégio, mas isso, gente, é uma coisa que se leva para a vida: cuidar da aparência é importantíssimo, porque, querendo ou não, é o seu cartão de visitas mais visível. Isso não quer dizer que você tem que ser uma pessoa louca com moda, que usa todas as últimas tendências e todos os produtos de beleza do mundo, mas, sim, que é importante você pensar no estilo que mais combina com você e com a profissão que você quer seguir.
Outra coisa que o filme me mostrou é que você pode ter quantas roupas quiser no armário, de quaisquer estampas ou cores, mas um bom e velho vestidinho básico, monocromático, nunca falha. É o caso do Calvin Klein que Cher usa e que é famosos até hoje e também do pretinho básico de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (outro filme maravilhoso!).

Esses dois filmes também fazem parte da minha lista de preferidos e que, de verdade, revejo de tempos em tempos não só porque gosto, mas também porque é muito fácil esquecer o que uma vez eles me ensinaram (afinal, é tanta informação o tempo inteiro que não tem como guardar tudo para sempre). Para quem quer trabalhar em uma revista de moda (como eu!) entender um pouco melhor o seu funcionamento é muito legal, até porque, a maior parte da minha experiência é com web.
E, verdade, me identifico bem com o estilo da Cher de As Patricinhas. Não a parte dos conjuntinhos xadrez (pelo menos, não mais e não tanto assim), mas adoro uma peça mais basiquinha e clássica. Aliás, tô percebendo cada vez mais que sou bem normcore nesse aspecto.

Tem alguns filmes que vocês se identificam como esses dois?

Descobrindo o melhor tipo de viagem para você

Uma coisa que eu descobri com o Manias de Moça (meu antigo blog) é que eu gosto muito de falar sobre viagens. Talvez isso seja, justamente, porque eu AMO viajar e não consigo pensar em uma maneira de adquirir conhecimento maior do que quando você visita um lugar novo. Seja no interior do próprio estado, do outro lado do país ou mundo afora.

viagemFoto: Google Images

Viagem é o único gasto que te deixa mais rico, diz a cultura popular, e eu acredito muito nisso. Tanto que, eu mesma, gosto de trabalhar para poder viajar depois. E não são viagens curtas, não! Eu gosto muito de vivenciar o lugar, conhecer o máximo possível sobre ele, aprender sobre a vida local. Por isso, acredito que as viagens de longo prazo são as que mais combinam comigo, gosto de vivenciar ao máximo um lugar novo.

Isso não quer dizer que eu vou abrir mão de viagens mais curtas, seja para a praia em um final de semana ou para passar uma semana em Belo Horizonte, terrinha deliciosa que eu amo tanto. Mas eu, particularmente, gosto de uma viagem de imersão, entender bem como aquele lugar tão diferente do meu funciona, entendem? Ainda mais se for um país diferente.

Eu imagino o mundo das viagens divido em três categorias principais:

Viagens de longo prazo: mochilões e intercâmbios, por exemplo, quando você passa bastante tempo em outro lugar ou conhecendo outros lugares, seja pulando de cidade em cidade, seja vivendo em alguma cidade por bastante tempo.

Viagens recreativas: aquelas que você faz de férias, uma semana visitando um lugar novo, relaxando e aproveitando o momento longe da loucura do dia a dia.

Viagens de compras: aquelas cujo intuito é – obviamente – fazer compras (como normalmente os brasileiros fazem para Miami, nos Estados Unidos).

Essa escolha de tipo de viagem, claro, pode mudar ao longo da vida, assim como tudo, praticamente, e vai muito do gosto de cada um e do que cada pessoa busca com uma viagem. Para mim, independente do objetivo final – seja estudar, visitar, descansar ou comprar – uma viagem só tem a acrescentar. Tenho para mim que é a melhor forma de autoconhecimento do mundo e que todo mundo – todo mundo – deveria, pelo uma vez na vez fazer uma viagem maior, de um mês por exemplo, para sentir na pele como é sair totalmente da zona de conforto e aprender a se virar em outro lugar.

Com qual tipo de viagem vocês combinam mais? Já tô coçando para ir para algum outro lugar do mundo de novo!

Diário #03

Tenho pensado muito sobre confiança ultimamente. Vi ontem um post muito bacana no Fashionismo explicando que a Kim Kardashian, apesar de ser quem é e de ninguém saber exatamente (ainda!) o que ela faz da vida, é um exemplo de confiança.

Isso é verdade. Falem mal, mas falem dela, e sempre – sempre – tem alguém falando de Kim Kardashian. Ela usa vestidos que podem ser considerados justos demais, outros que não ‘valorizam o seu corpo‘ (o que quer que isso signifique), pode engordar demais durante a gravidez e ter um quadril bem mais largo que a cinturinha de pilão. Eu me identifico com a Kim, me vejo representada ali, naquele biotipo e nos erros e acertos da moda.

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E, mesmo com tudo isso, Kim mantém a pose, o nariz para cima e a confiança intacta. Verdade, às vezes ela pode chorar, mostrar sinais de fraqueza, de dúvida sobre si mesma. Mas até aí… Quem nunca passou por isso?

O que eu posso dizer, com toda certeza do mundo é que são pouquíssimas as pessoas que estiveram do outro lado da moeda, que sentiram uma confiança tão inabalável como ela sente, diariamente. Eu sou uma dessas.

Dizem que a confiança é a característica mais importante que uma pessoa precisa ter. Sabe, aquela coisa de amor-próprio mesmo? Eu acredito que nunca me senti verdadeiramente confiante. Uma pessoa segura de si, que saiba exatamente o que quer e que tem a força de vontade necessária para ir atrás disso. Eu sempre me senti… Pequena.

Com o tempo, claro, as coisas mudam um pouco e você aprende mais sobre como é importante, de verdade, amar a si mesma e, principalmente, acreditar na própria capacidade.  Confesso que é um dos aprendizados mais difíceis pelo qual tenho passado. Mas é necessário.

É também um exercício diário. Se Kim Kardashian faz isso ou não, eu não sei, mas aprendi um mantra que tem me ajudado a pouco a pouco, deixar de duvidar da minha competência e, consequentemente, ajudar com a minha confiança: ‘eu tenho o poder de mover o mundo ao meu redor‘.

Enquanto não chego lá (onde quer que seja), caminho seguindo exemplos como o da Kim, que posa completamente nua para a capa de uma revista e – quase literalmente – quebra a internet.

Diário #02

Eu nunca na vida usava batom. Nunca. Nunca mesmo. Eu passei por uma fase bastante revoltada (e por revoltada entenda pseudo-punk, cheia de raiva inexistente e música alta), em que eu fazia absolutamente o contrário do que minha mãe pedia. Ela implorava que eu colocasse saltos, eu usava tênis All Star; ela gritava que eu tinha que usar vestidos aquele dia, eu colocava minha saia xadrez e a minha camiseta do Blink. E eu era assim. Ainda sou um pouco, para ser sincera.

Mas batom sempre foi o tipo de coisa que eu nunca usava, mesmo quando essa fase começou a passar. A verdade é que a ideia que eu tinha de um batom era que ele chamava muito a atenção. E eu não queria isso. Chamar a atenção, eu, menina, parecia um grito por problemas, e isso era algo que eu não queria de jeito nenhum na vida. Logo se vê muitos outros problemas aí, mas isso é assunto para um outro post.

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Eu e o meu batom queridinho, da Maybelline, linha Intense, cor 34

E, então, eu lembro muito bem, do primeiro dia que decidi usar um batom vermelho. Eu estava no trabalho e sairia com algumas amigas depois do expediente e uma delas me emprestou um, para experimentar mesmo, explicando que eu precisava de uma corzinha porque estava inteira de preto.

A cara das pessoas me olhando, surpresas, eu nunca vou esquecer. Desde então, peguei amor pelo tal batom vermelho e uso mais do que qualquer oura coisa. Percebi que, assim como as saias, tem um lado bem poderoso. triste? Joga um batonzão vermelho que anima um pouquinho. O dia está difícil? Coloca um batom colorido nessa boca e sai batendo cabelo, ninguém aguentará o peso do forninho. Está se sentindo feia, apagada? Coloca um batom que ajuda.

Pode parecer besteira, mas funciona. Sabe aquela ideia de que você é invisível, que ninguém vê você andando na rua, no ônibus, no táxi? Um batom vermelho resolve esse problema em um instante. E isso pode ser uma coisa boa. Perceber que as pessoas estão notando você. Pode ser importantíssimo para construir a sua confiança. Tudo bem, pode ser que ninguém esteja realmente olhando para você. O importante é a sensação, o que vem de dentro. Para você se perceber como pessoa, como mulher, presente, ali, naquele momento, e a noção de que você pode fazer absolutamente qualquer coisa. É maravilhoso, e talvez um pouco assustador. Mas a verdade é que muda. De verdade.

 Agora, o batom vermelho está na minha bolsa todos os dias da semana, todos os meses do ano. Quando eu preciso de um up, ele está lá; e quando eu estou me sentindo e quero me sentir mais ainda, ele está lá também. E, mesmo quando eu estou me achando linda, sem maquiagem e com roupa de ficar em casa, ele também está ali, me dando apoio moral, afinal, ele é só um acessório e não a razão da minha completa da minha confiança.

Vocês gostam de usar batom vermelho? Têm alguma experiência marcante com um?