A leitura mudou (e eu também)

Superar uma depressão é um processo muito longo. As coisas não mudam de um dia para o outro, muito menos se transformam instantaneamente. É doloroso, leva tempo e paciência (principalmente, consigo mesma). O lado positivo desse processo é que, aos poucos, você percebe as mudanças e passa a sentir orgulho de si pela evolução que já fez.

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Parte da minha evolução é conseguir voltar a ler. Passei meses e meses sem conseguir terminar um livro sequer, começando e abandonando vários, tentando vez e vez de novo e não conseguindo passar da página 10. O que na minha cabeça era ressaca literária era, na verdade, a falta de foco que acompanha (sempre) a depressão. Era um sintoma do meu estado de espírito.

Percebi que meu foco estava voltando quando comecei e terminei de ler o primeiro livro da saga Harry Potter, Harry Potter e a Pedra Filosofal, um dos meus preferidos. Fiquei tão feliz com essa realização que logo saí em busca de novas leituras, querendo comprovar que eu tinha mesmo superado esse momento.

E qual não foi a minha surpresa ao perceber que o meu foco estava mesmo voltando? Mas mais interessante é que a minha vontade de leitura voltou também, mas por assuntos diferentes.

Logo que comecei a fazer terapia, contei que tinha o costume de ler muito, ficção e romance, principalmente. Minha terapeuta logo soltou “Interessante, isso quer dizer que você se sente muito entediada“. Ou seja, eu precisava de uma história mais interessante que a minha para me entreter. Fiquei com aquilo na cabeça até entender que, realmente, eu estava muito entediada. Usava a história dos outros para ocupar a minha vida porque a minha própria história não me interessava.

Agora, é diferente. Voltei a ler e a minha vontade é de aprender o máximo possível. É ir atrás de histórias que me inspirem e me tragam ensinamentos práticos que eu possa adotar no dia a dia, para melhorar o meu trabalho, o meu blog, o meu estilo de vida no geral.

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Alguns dos livros que eu li e mais amei nesse período de redescobrimento: #Girlboss, da Sophia Amoruso, Geração de Valor, de Flávio Augusto da Silva, Por Lugares Incríveis, de Jennifer Niven (que é romance, mas um dos livros mais lindos e sensíveis que eu já li na vida) e, neste exato momento: Criatividade S. A., de Ed Catmull.

Tirando e pondo alguns livrinhos mais tranquilos que li no meio do caminho, realmente, para distração (mas eu o fiz conscientemente dessa vez), esses foram os que mais me marcaram nos últimos tempos. Quero tentar falar de cada um deles com mais profundidade no futuro, mas quero muito saber: vocês já leram algum desses? Me contem!

 

A dificuldade de encontrar um estilo para chamar de seu

Sabe quando você abre a porta do guarda-roupa e tem certeza absoluta que não tem NADA para vestir? Mentira, claro, o guarda-roupa cheio mostra que você tem, sim, muita coisa para vestir, mas a ideia de que você não tem revela, talvez, um problema muito maior: que você não sabe O QUE vestir.

Existe sim uma diferença, até porque estilo pessoal e moda são coisas completamente diferentes. Só porque você está na moda e tem roupas da moda não quer dizer que tem estilo e vice-versa. Ter estilo não necessariamente quer dizer que você está sempre na moda.

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De uns tempos para cá, talvez por causa de toda essa minha fase de reflexão e autoconhecimento, eu percebi que ando usando roupas comuns demais. Lembro que quando era mais nova, até mais ou menos a adolescência, eu amava peças bem diferentes e chamativas, estampas de camuflagem, All Star colorido, mil pulseiras de plástico no braço, e, de repente, parei de usar isso tudo. Agora eu percebo que, de certa maneira, podei esses meu gostos porque achava que eles eram diferentes do que as outras pessoas usavam e eu sentia como se me destacasse, de alguma maneira. E eu nunca fui muito fã desse tipo de atenção.

A sensação que eu tenho é que as pessoas se vestem, ultimamente, no estilo copia e cola. Elas veem uma peça legal que alguém X usou (uma blogueira, uma famosa, etc.), e aí todo mundo começa a usar também porque é legal, ‘está na moda‘. E aí você vai no shopping ou na balada e tá todo mundo de legging, sapatilha cap toe e camisetão com cinto marcando a cintura.

Estilo depende muito de autoconhecimento, saber quem você é, o que você gosta e não gosta e depende de um certo esforço, antes que o processo todo fique mais natural. É aquela ideia de substituir consumo por autoestima que as meninas do Oficina de Estilo tão lindamente defendem.

Você precisa entender bem a sua rotina, saber o que funciona para você, as exigências do seu dia a dia, do seu local de trabalho, do trabalho em si, do que você faz no seu tempo livre… Saber o que cai bem no seu corpo, o que você quer valorizar e assim por diante. Leva tempo e muito estudo pessoal.

É algo que eu venho tentando nos últimos tempos, me conhecer melhor e aprender mais sobre mim para que isso reflita no lado de fora. Porque eu acredito que é esse o movimento que a moda tem que fazer, de dentro para fora. O que vocês acham? Concordam?

 

Na Web #13

Ninguém quer passar por momentos ruins ou por dificuldades na vida, acho que as pessoas dificilmente desejam algo assim, mas eu estou percebendo cada vez mais como esses momentos são importantes para o nosso crescimento pessoal. Vejo a cada dia a minha evolução e não consigo deixar de sentir orgulho de mim mesma – o que, por si só, já é uma baita evolução!

Como foi a semana de vocês? Março para mim passou voando, uma mistura doida de trabalho, mais trabalho, sessões de terapia, cafés e muffins de banana e algumas outras coisas que eu com certeza não estou dando o devido crédito aqui! Mas apesar de ter passado super rápido, posso dizer com toda certeza que o saldo final do mês foi bastante positivo!

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Vamos aos links da semana?

1. Moda: why so boring?

2. O fantástico mundo dos solteiros (onde ninguém encontra ninguém)

3. O que é que eu vou fazer com essa tal fashion week?

4. Três marcas plus size para conhecer já!

5. Vamos continuar sendo quem somos

Até semana que vem!

Carta aberta para o medo

Eu sei que você gosta de andar abraçado. Você me segura quase que pelo pescoço como se eu fosse esquecer de você a cada esquina, não acha justo eu sair de casa sem você e mesmo quando eu te esqueço, você aparece de surpresa para me fazer companhia na hora do almoço.

Desculpa ser assim tão direta, mas eu tenho que falar algumas verdades. E preciso começar com: acabou. Desculpa, Medo, mas o nosso relacionamento acabou. Foram 27 anos de cultivos diários, mas infelizmente não dá mais para mim.

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Entenda uma coisa, não é você sou eu. É que eu cansei de temer todo e qualquer passo que dou, de repensar cada uma das milhões de decisões diárias que eu tomo, por sua culpa. Cansei de me sentir inadequada por causa do seu comportamento dominador e abusivo. Você não me ama de verdade. Quando perceber isso, vai ver que nem doeu tanto assim.

Tchau, Medo. Não sei dizer se foi bom enquanto durou porque o nosso relacionamento sempre foi um de submissão. Você entrava na minha cabeça com essas suas garrinhas afiadas e deixava a minha visão turva, escura. Você distorcia o meu pensamento e esperava que eu fosse feliz assim, com meias-verdades e vivendo uma vida pela metade.

Adeus, Medo. Confesso que não estou triste em te ver partir. Ou melhor, em ME ver partir. A verdade é que agora eu sou mais eu. Eu estou aprendendo a me amar, a gostar de mim mesma, a querer me arriscar nesse mundo grande e ver o que ele reserva pra mim. Você não pode vir junto. Só vai atrapalhar a minha falta de planos e turvar uma certeza que eu busquei por grande parte da minha vida: eu quero viver. Então, me deixa ir.

Cansei de sentir você crescer no meu peito sempre que eu reconhecia algo que não tinha e que queria, mas você reafirmava toda santa vez que eu nunca poderia ter. Afinal (e aqui estou usando as suas próprias palavras), ‘eu não sou boa o suficiente‘.

Vai embora, Medo. Se agarre em outra pessoa, se é que alguém te quer de verdade. Eu cansei de você, das suas mentiras, do seu humor autodepreciativo e de todas as vezes que você fez com que eu duvidasse da minha própria capacidade de ser incrível.

Sai logo daqui, não demora. E nem tenta argumentar. A partir de agora eu sou surda para qualquer coisa que você queira me dizer. Infelizmente, não terminamos de forma amigável. Você me fez sofrer muito e eu me culpava, achando que de alguma forma a errada era eu.

Olha, eu não queria brigar, mas você precisa ouvir o que eu tenho a dizer. Você calou a minha boca por tempo demais e eu não aguento guardar para mim todo esse sentimento que ficou escondido por 27 anos. Agora é a minha vez de falar. E enquanto eu gostaria mesmo era de dizer que a partir de agora sou eu quem te domina, nem isso eu quero mais. Quero que você vá embora de uma vez e não volte. Não turve a minha visão com as suas lágrimas, eu quero ver com clareza. 

Eu quero sentir aquela alegria que se espalha no peito todos os dias quando eu acordo e percebo que tenho mais um dia para fazer da vida o que eu quiser, ou o que ela quer que eu faça, afinal, o meu controle vai só até a página dois. Você não me permite isso, Medo, e eu preciso dizer que dediquei tempo demais pra essa relação totalmente destrutiva e que, até hoje, não me trouxe nada de bom.

Mas, olha, se você tiver que aparecer mesmo, que seja só um friozinho na barriga, tá? Não venha com força total e não me faça questionar os meus talentos e os meus sonhos novamente. Não me apequene. Se tiver que vir, que seja daquela maneira suave que mostre como o que eu tô fazendo é assustador, mas, ainda assim, maravilhoso. Não tire novamente a minha felicidade com as suas desculpas e histórias mal-contadas.

Não me faça mentir para mim mesma novamente. De tudo o que você fez, isso com certeza foi o pior. Não faça com que eu me engane de novo, que invente histórias malucas para justificar o seu comportamento. Não confunda os meus pensamentos nem me faça tirar conclusões precipitadas. Você e eu sabemos que eu sou a única a sofrer com tudo isso.

Então, adeus, Medo. Espero que você encontre o que procura no mundo, que você ainda tenha algum lugar quando as pessoas perceberem que te amar é doentio e desnecessário. Não insiste, tá? Eu te quero longe daqui até o fim do dia. E se esquecer alguma coisa, pode deixar que eu peço para alguém te entregar, não precisa passar aqui pra buscar.

Na Web #12

MAS GENTE! Já estamos entrando na última semana de março. É isso mesmo produção? Pode uma coisa dessas, Arnaldo? Como passou rápido meldels!

Lapsos temporais à parte, como foi a semana de vocês? Eu fiquei bastante feliz, confesso. Não aconteceu nada demais, mas o fato de eu estar vendo as coisas com mais clareza, analisando melhor as diferentes situações e conseguindo me manter mais no controle das minhas emoções e reações é um alívio gigante! Fiquei bem orgulhosa de mim!

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Os links que eu separei essa semana foram esses aqui, ó:

1. Trezentas Coisas Gratuitas e Sensacionais para Empreendedores e Startups

2. Motivação: qual é a sua hoje?

3. Cinco motivos pelos quais seu blog (ainda) não deu certo

4. Os aplicativos que prometem te fazer mais feliz

5. Não meça nossas roupas, parça

O que acharam? Até semana que vem e força na peruca, pessoal!