doramas de 2017 que você precisa assistir

doramas 2017

tem um tempinho que eu não falo de doramas por aqui, né? para quem acha que eu superei esse vício: pense novamente. tô mais envolvida do que nunca com o mundo dos dramas coreanos (e catequizando as amigas no processo). já vi muitos nos últimos meses, mas tiveram alguns que conquistaram o meu coração de verdade esse ano (e olha que ainda tem muita coisa pra ver, hein?).

1.strong woman do bong soon

o tanto que eu amei esse drama, gente! não ganhou mais espaço no meu coração porque o preferido de 2017 segue sendo Weightlifting Fairy Kim Bok Joo (pra que esses nomes gigantes, eu nunca vou entender). mas Strong Woman é um daqueles dramas fofinhos que te dá cáries de tão doce e bonitinho. eu amo o Park Hyung Sik e essa carinha de elfo que ele tem. senti que ele e a Park Bo Young combinaram muuuuuito bem e o romance dos dois é a coisa mais fofa de todas. fora que a história inteira é muito legal – eu amo a premissa da mulher que é super forte (as in: força de super herói – mas de espírito também), mas fica se segurando por medo de fazer alguma coisa errada. tem muito encorajamento, muito de duas pessoas se descobrindo e se apoiando o tempo inteiro. fora umas cenas MUITO engraçadas.

2.school 2017

esse ainda está no ar na Coréia, mas eu já estou tão apaixonada que não poderia deixar de comentar aqui. com certeza um dos meus ships preferidos do ano e eu tô muito encantada com a trama toda: é um dorama adolescente que fala sobre sonhos e como a gente deixa os nossos de lado porque não se acha capaz de cumpri-los. quero fazer um post só sobre ele depois que terminar, mas já digo que vale muito a pena.

3.lookout

o tanto que eu surtei com esse dorama! eu assisti quando ele já tinha terminado na Coreia, ou seja: maratona. a história é muito emocionante, cheia de adrenalina e reviravoltas e eu fiquei CHOCADA com o Jang Do Han. no começo, tinha certeza que ele era vilão, depois fiquei tão comovida com ele que nem sei dizer… êta, personagem bom. a história é incrível e eu não consegui não me envolver com tudo o que tava acontecendo, e como a trama foi bem sucedida em mostrar que, no fundo, as pessoas só querem ser amadas, sabe? queria dizer que não chorei, mas isso seria mentira. chorei muito.

4.ruler: master of the mask

eu tô muito apaixonada por doramas históricos (ou sageuks, em coreano). eu tive muita relutância em começar a assistir, mas agora não consigo não vê-los. Ruler foi um dos que me encantou. a história enrolou um pouco no meio do caminho, mas eu curti demais o desenrolar todo. nem tanto pelo romance, mas mais pela evolução do personagem principal. a trama acompanha a história do príncipe-herdeiro Lee Sun, que precisou se esconder atrás de uma máscara a maior parte da vida para não cair nas garras de uma organização que tenta controlar Joseon. fiquei TÃO impressionada com como o príncipe ficou fiel ao que ele acreditava, sabe? a atuação do Yoo Seung Ho tá muito maravilhosa. mesmo entre erros e acertos, ele nunca deixou de ter a meta em mente, e isso foi o que mais me impressionou, desde o começo.

5.goblin

drama que começou em dezembro de 2016 e terminou em janeiro de 2017 vale? eu digo que sim. Goblin é um drama tão maravilhoso que eu precisava comentar aqui. é uma produção incrível, com um casting mais incrível ainda e uma história muito cativante. eu fiquei muito deslumbrada com o drama inteiro – eu amo doramas de inverno e outono por causa da paleta de cores, mas esse foi além e tem uma estética e fotografia muito incríveis. chorei demais, amei mais ainda. tem que assistir. a história do Goblin, um ser mítico condenado a viver na Terra até encontrar sua esposa, é muito emocionante e delicada. o ponto alto, pra mim, com certeza foi a atuação do Gong Yoo como o Goblin e do Lee Dong Wook como o Grim Reaper. o melhor bromance que você respeita!

é, eu acho que tô cada vez mais apaixonada por dramas coreanos a ponto de só assistir isso no dia a dia. não tenho mais paciência pra séries americanas e eu fico muito de cara com as ideias de tramas, os atores incríveis e toda essa visão que os doramas me dão sobre a cultura coreana. tão legal conhecer coisas diferentes, sabe?

você também ama doramas? tem algum pra me indicar?

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coisas para dizer a si mesma quando você estiver preocupada (ou ansiosa)

5 coisas para dizer a si mesma quando estiver preocupada

eu lembro uma vez que minha chefe disse que precisava falar comigo antes do fim do expediente. eu fiquei o dia inteiro fantasiando com o que poderia ser. meu estômago doía, eu me tremia toda e não conseguia focar em nada. eu tinha certeza que ia levar uma baita bronca. e daí eu fantasiava sobre porque eu ia levar uma bronca e o que eu responderia. pensei em milhares de desculpas, de justificativas e de comentários sarcásticos para devolver e sair vitoriosa do embate. tudo isso para descobrir que ela só queria que eu mudasse o dia da minha folga porque precisaria de mim no dia seguinte. afe. toda essa preocupação pra nada.

exatamente, pra nada. eu me preocupei à toa. eu fui bem arrogante, sabe? eu achei que sabia o que ia acontecer, me preparei pra isso, passei o dia inteiro com a cabeça fritando e uma baita dor de estômago certa do que aconteceria e que eu sairia arrasada da redação. eu fiquei muito ansiosa e tensa e não consegui fazer nada direito aquele dia – e tantos outros que também foram assim. eu era muito ansiosa e tinha o costume de ficar maluca de preocupação com as menores coisas (tipo precisar acordar cedo pra um compromisso no dia seguinte ou saber que eu chegaria tarde em casa – nesse nível).

mas, sabe, não precisa ser assim. a gente não precisa se entregar pra essa sensação horrível de sufocamento e preocupação. e se você também se sente assim de vez em quando, a gente pode se ajudar lembrando de algumas coisinhas, ó:

1.’preocupação não é amor

a gente acha que sim (tipo quando fica mega preocupada com o namorado que não responde no Whatsapp), mas não é. quando a gente fica preocupada, o que passa pela nossa cabeça é que alguém (ou a gente mesma) deveria estar fazendo alguma outra coisa ou estar em outro lugar ou que algo diferente do que tá rolando agora deveria estar acontecendo. a gente só não tá aceitando o que tá bem na nossa frente e deixa de se relacionar, de aproveitar o momento, pensando em coisas que não estão acontecendo. é não amar. é ficar longe da gente mesma (porque tá pirando na própria cabeça), é não reconhecer que a gente é importante (e os outros também). entende?

2.’eu sou importante onde estou agora

é mais um complemento do ponto passado, né? a gente releva tanto a própria importância… a gente acha que deveria estar fazendo / ter feito coisas diferentes, estar em outros lugares, sendo outra pessoa, de outro jeito. e não entende que é muito importante exatamente no lugar em que está agora. é tipo assim: você tá no seu trabalho, mas fica pensando em como queria estar na praia. menina, você é tão importante aí no seu trampo! você tem a chance de fazer coisas e conversar com pessoas e lembrar o quanto elas são importantes também. você tem uma missão, uma função! coisa doida esquecer disso, né?

3.’ninguém é melhor para isso do que eu

falando em se sentir importante, quem nunca sentiu que era totalmente substituível? eu já. mas isso é tão arrogante também… vish! a gente fica pensando e acreditando que qualquer pessoa pode fazer o que a gente faz e como a gente faz. mas isso é impossível. você tá onde tá por um motivo e isso significa que ninguém poderia fazer o que você faz exatamente igual. todo mundo tá sempre dando o seu melhor exatamente onde está e isso é perfeito por si só. é só lembrar (de novo) como você é importante, sabe?

4.’o futuro não existe

não mesmo. é tudo imaginação da nossa cabeça. a gente fica criando esses cenários imaginários, esses futuros mirabolantes (pro bem e pro mal) e acha que tudo bem. só que a gente não aproveita nem o presente, onde a gente tá, muito menos o futuro – porque fica o tempo todo pensando no depois (ou no antes, a gente pode ficar presa no passado também, né?). mas ele não existe, gente. o que quer que aconteça daqui a cinco minutos, eu só vou saber quando acontecer. não adianta ficar me preocupando com uma coisa que não rolou. não é simples?

5.’ninguém está pensando nisso tanto quanto eu

não mesmo. só você tá pensando no quanto você acha que as pessoas tão olhando aquela manchinha de café na sua blusa. porque o resto das pessoas está igualmente preocupado pensando no quanto os outros estão secando a manchinha de café na blusa delas, saca? você é a única pessoa preocupada com as coisas que te preocupam. o resto das pessoas tem as preocupações delas. imagina que louco se você deixasse de se preocupar e olhasse ao redor, pra ajudar as outras pessoas a fazerem isso também? o nome disso, aliás, é amor.

eu sei, eu sei. na hora que o bicho tá pegando você nem consegue pensar desse jeito ou lembrar dessas coisas.mas esse é o treino. primeiro, a gente entende que tem um outro jeito de olhar, pra depois tentar colocar em prática esse jeito novo. a gente percebe que tem uma escolha, sabe? que pode fazer diferente. eu ainda caio em preocupação e ansiedade várias vezes. mas a boa notícia é que elas são cada vez menos frequentes, porque eu ando preferindo escolher amar à me preocupar. porque a real é que não dá pra fazer os dois ao mesmo tempo. ou é uma coisa ou outra. então, melhor escolher o que faz bem, né?

o que você faz quando tá ansiosa? me conta nos comentários!

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como colocar mais amor no que você faz

como colocar mais amor

cinco minutos no Facebook são o suficiente pra perceber que as pessoas não colocam muito amor no que escrevem por ali. no Twitter também. e se fica tão claro que as redes sociais são tipo a válvula de escape do dia a dia, já dá para ter uma ideia do que acontece com as outras coisas que a gente faz por aí, né?

tem tempo que eu parei de destilar ódio ~pelas redes~ (e fora delas também) porque percebi que simplesmente não vale a pena. não faz parte de quem eu sou de verdade, não me define e, usando termos bem simples de explicar, é um karma ruim. não no sentido de ‘eu vou pagar por isso na próxima vida‘, mas do tipo ‘eu vou pagar por isso daqui cinco minutos quando bater o joelho na quina da mesa ou derrubar o celular na privada‘. do tipo o que a gente recebe de volta quase que imediatamente os efeitos do que sente. é desse tipo de karma que eu tô falando.

reverter isso é um trampo: eu preciso primeiro entrar em contato com quem eu sou de verdade, pra entender que essa raiva não faz parte de mim. e aí começar a atuar desse lugar ‘novo‘ (que de novo não tem nada). é uma mudança de postura, sabe? de posicionamento. e aí colocar amor nas coisas fica fácil, porque eu só tô expandindo o que eu já sou, colocando pra fora tudo o que tá dentro de mim.

enquanto a gente treina nesse vai e volta constante em busca de viver a verdade sobre quem a gente é, tem algumas coisinhas que podem ajudar a gente a lembrar desse posicionamento de distribuir amor por aí. é um listão cheio de gatilhos do amor pra gente ter sempre à mão, sabe? tipo assim:

1.pensar em quem tá lendo o que a gente escreve;
2.pensar duas vezes antes de clicar no botão enviar no email / comentário /tuíte;
3. olhar no olho da outra pessoa com quem a gente tá falando;
4.parar pra pensar no que a gente tá sentindo na hora de digitar aquele texto / relatório / email;
5.prestar atenção: a gente tá ouvindo mesmo o que o outro tá contando?;
6.tentar não viajar na hora do banho e cuidar do corpo com carinho (e não no automático);
7.ouvir a música de verdade, e não se imaginar cantando – tem uma mensagem em cada acorde;
8.dar um abraço apertado quanto pedirem;
9.pensar nas pessoas que vão usufruir do nosso trabalho (tem um montão de gente, eu aposto);
10.não pensar no que a gente quer, mas tentar entender o que o outro está pedindo;
11.fazer uma pausa quando tudo parecer demais – nada que uma xícara de chá não resolva;
12.acalmar o nosso coração antes de conversar com qualquer pessoa;
13.falando nisso, não assumir que tem alguma coisa errada na hora de falar com alguém;
14.ser gentil (com a gente mesma e com os outros);
15.na dúvida, escolher amar. 

eu falo que o amor é uma escolha e eu sei que isso parece conversa de maluco, filosofia de filme da Disney ou aquelas teorias vazias sobre a vida que a gente insiste em repetir por aí. mas não tem nada disso (mesmo). amar é uma escolha que a gente pode fazer de novo o tempo inteiro – tudo bem se você cair do cavalo de vez em quando, a boa notícia é que a cela continua ali e você pode subir de novo se quiser. é assim. uma escolha entre amar ou continuar colocando raiva no mundo (e no corpo e nos outros). olhando assim, nem fica difícil, né?

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três livros para recorrer em momentos de crise criativa (e um bônus!)

livros crise criativa

quando eu sentei para pensar em todos os posts que queria fazer nesse BEDA me deparei com aquela ansiedade típica de quem trabalha na área criativa: a minha cabeça ficou vazia, eu comecei a ofegar, senti um gelado na espinha. meu deusinho do céu, onde foram parar todas as minhas ideias? não achava nenhuma. zero. nada. radio silence.

daí eu tive que colocar em prática as minhas próprias dicas, respirar fundo, dar um passo para trás e pensar com carinho no que queria colocar no blog. quem vê de fora pode acreditar que é fácil encontrar ideias incríveis, já que eu escrevo o dia inteiro, e que não sofro de bloqueios criativos. mentira, sofro sim. muito. tem dia que o texto não sai nem com reza braba. eu tenho alguns truques para contornar isso (sair da frente do computador e dar uma volta é a que eu mais recorro no dia a dia), mas eu também uso muito os livros para encontrar aquele impulso.

basicamente, eu tenho três livros aos quais eu recorro nesses tempos de crise. são, inclusive, aqueles que eu leio e releio de tempos em tempos, porque são escritos por pessoas que eu admiro e que me motivam a tentar de novo e sair dessa nhaca. são eles:

1.girlboss, sophia amoruso

eu sei que a série Girlboss foi a maior polêmica de todas (eu não vi inteira e não curti muito o pouco que assisti), mas eu sou apaixonada com esse livro. além de achar a escrita da Sophia bem relacionável, eu amo as dicas de empreendedorismo que ela dá e como ela é pé no chão. no fundo, ela fala que a gente precisa trabalhar duro para conseguir o que quer (e num é que é isso mesmo?), e mesmo quando não está com saco para trabalhar, ela continua porque tem uma meta. esse é o livro do mês do Chá com Flor e tá sendo uma experiência incrível relê-lo em pleno mês de BEDA – mais motivação que isso, impossível! (e vai ter post sobre, claro!)
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2.roube como um artista, austin kleon

eu acho que não existe um livro que eu ame tanto nessa vida quanto Roube Como Um Artista. já falei muito sobre ele nesse post aqui e mantenho cada palavrinha que coloquei ali. o Austin é maravilhoso e ele te dá o caminho das pedras para você aprender a apreciar o trabalho dos outros e desenvolver o seu próprio. é tipo aquele meu post sobre encorajamento, mas com uma diagramação incrível, insights ainda mais maravilhosos e umas ilustrações de aquecer o coração. se você ainda não leu esse livro eu só posso dizer: PELO AMOR DE DEUS LEIA ESSE LIVRO. de nada.
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3.capture your style, aimee song

Aimee Song é a minha blogueira preferida do mundo inteiro e eu acho maravilhoso o que ela faz com o Instagram. o livro dela é todo focado nessa rede social, mas não significa que as dicas que estão ali não possam ser aplicadas pra tudo na vida. sério, o que ela fala sobre fazer as coisas com propósito e carinho é uma inspiração – é tudo o que eu defendo aqui, né? ela conta uma história com o que ela faz e isso eu acho o mais importante. fora que o livro é lindamente diagramado, tem várias das fotos maravilhosas que ela faz pro Insta no meio do caminho e ainda te dá exercícios para treinar em casa tudo o que ela ensina ali.
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bônus: o ano em que disse sim, shonda rhimes

ahhhh, o livro da Shonda. você já sabe como eu fiquei completamente apaixonada por esse livro e vou defendê-lo até o fim da minha vida. eu amei demais a forma como a autora escreve, como ela compartilha as histórias dela com a gente e, principalmente, como tudo o que ela mais quer com essa obra é mostrar que todo mundo é capaz de dizer ‘sim‘ e perder o medo de fazer as coisas que sempre sonhou, de ter uma vida maravilhosa, sabe? é uma leitura que virou obrigatória para mim: para os meses em que eu tô meio desmotivada, para lembrar da minha meta e do porque eu decidi fazer o que faço.
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eu tenho muito esse costume de recorrer aos livros que eu amo quando preciso de alguma ideia legal ou algum insight ou só de uma dose extra de inspiração para os dias que nada parece sair dessa minha cachola. bem como o Austin fala no livro dele: eu vou atrás das pessoas que me inspiram para ter ideias e desenvolver o meu trabalho – fora que anoto tudo no meu bullet journal, que vira também um grande arquivo de furtos e a minha fonte de inspiração mais palpável!

tem algum livro que te inspira muito? me indica nos comentários!

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para o dia que você quiser se machucar

para o dia que você quiser se machucar

solta essa faca e olha pra mim. pelo amor de Deus, sai de perto dessa borda. larga essa arma. respira fundo. ei, ei. olha aqui. eu sei o que tá passando no seu coração. eu sei o que você tá pensando. você tem tanta certeza, né? de que o mundo é um lugar sombrio e que não tem mais volta. é agora ou nunca, e você está pendendo cada vez mais para o agora.

se não é o fim, pelo menos essa é a desculpa perfeita para você sentir qualquer coisa que não seja a mão escura que esmaga o seu coração dia após dia. ver o vermelho do sangue parece muito mais convidativo do que continuar encarando o cinza dos seus dias. a tristeza. as lágrimas. você não aguenta mais chorar, não sabe o que fazer, pra onde correr, onde procurar ajuda. ajuda! ninguém te ajuda. parece que ninguém te nota, ninguém se importa. as pessoas estão muito preocupadas com o próprio umbigo pra olhar pra você.

você corta legumes imaginando o que aconteceria se a faca fosse um centímetro para o lado errado. se você tropeçasse agora na plataforma do metrô. se debruçasse o corpo um pouquinho a mais na sacada do prédio. pareceria um acidente. ninguém saberia a verdade. e você descansaria em paz.

porque é isso que você quer, num é? paz? que a sua cabeça pare com os pensamentos frenéticos e que você consiga respirar. você se sente sufocada e a possibilidade de machucar o próprio corpo é o único fiapo de controle que sobrou na vida. se nada mais, pelo menos você ainda tem escolha sobre o que quer fazer com esse corpo inútil. ninguém pode falar coisa alguma, a decisão é toda sua, no fim das contas.

você se sente sozinha. não consegue conversar com ninguém, ninguém te ouve. que a faca entre fundo, então, porque a dor de não ser vista e de encarar a tristeza do mundo é demais pra você. eu sei, eu sei bem. as lágrimas que me caem agora não me deixam mentir. eu conheço bem esse fundo de poço e, meu Deus, parece que não tem nada no planeta que faça essa dor parar. não tem luz no fim do túnel, é tudo uma ilusão e para o inferno com os otimistas. o que funcionou com os outros não vai funcionar com você. nunca funciona.

mas…

(e ainda bem que existe um ‘mas‘)

… você não tá sozinha. eu tô aqui com você. e eu sei que você consegue sentir a minha mão na sua e a minha respiração se confundindo com as batidas do seu coração. é, ele continua batendo, num ritmo constante, meio cansado dessa loucura toda. ele quer paz. assim como você.

olha pra mim. eu sei que no meio de todas as lágrimas você consegue me ver. a cor pode ser diferente, o formato do meu olho pode não ser igual ao seu – sempre me falaram que eu tinha olhos de mangá. mas olha bem. eu to aqui com você.

esquece tudo por um segundo. a dor. a confusão. o barulho frenético da cidade que não para nunca. as brigas que sempre acontecem na sala na hora do jantar. esquece o trabalho, a faculdade, as responsabilidades. por um segundo. só um segundo. larga a faca, solta a arma, se afasta da borda. respira fundo.

essa coisa confusa, essa massa sombria, ela não é você. ela te enche de medo, não te deixa ver o que tá bem na sua frente, ela te confunde e grita coisas sem sentido na sua orelha. ela parece tão real. mas ela não é você. aqui, nesse momento suspenso do tempo, você consegue ver que a gente tá junto? que tá tudo bem?

se você se machucar, eu vou sentir. eu sou saber. eu posso estar do outro lado do mundo, mas eu vou saber. porque eu e você… a gente é a mesma coisa. a vida que faz o seu coração martelar no peito é a mesma que a minha. não tem diferença, não tem distinção. é tudo uma vida só. e se você não cuidar bem dela, eu vou saber.

você acha que ninguém se importa, mas isso é mentira. eu me importo. eu tô te vendo sabe? eu entendo o que você tá sentindo e os pensamentos tóxicos que rodam a sua cabeça. eu sei como é. e eu sei também que tem saída.

você merece o mundo. merece o universo inteiro. merece você mesma de volta. a Terra e todas as suas tentações ficam até pequenas diante disso. da sua importância e de como é bom ter você por aqui. tem horas que parece o contrário, né? que todo mundo faz questão de te ter longe, mas não acredita na vozinha macabra que te diz o que fazer. ela quer que você se machuque, que você sofra mais e fique mais confusa até ninguém mais conseguir te ajudar a sair dessa zona.

mas, ó… a gente tá aqui agora. eu e você. você e eu. e eu sei o que os meus olhos estão te dizendo. que a gente é a mesma coisa, e que tudo bem você chorar, desabafar, achar que não tem mais força. eu confio que você consegue. eu confio que você vai achar a saída porque eu sei que você não tá sozinha. a gente pode fazer isso juntas.

essa vontade de se machucar, de morrer, eu sei o que é. ela é uma distração. ela é um sintoma de algo maior que você não consegue ver porque esses pensamentos malucos estão tirando a sua sanidade do caminho e colocando no lugar uma fantasia doida de que você merece sofrer. que merece passar por tudo isso e que faz parte chegar num ponto sem volta. que só assim as coisas todas vão se resolver. mas não vão. você não merece sofrer, meu amor. nunca mereceu, nunca vai merecer.

e eu sei. eu sei que você é livre pra fazer o que bem entender e que tudo parece conversa de maluco e nada do que eu falo faz muito sentido pra você. eu entendo que você só consegue ver através do túnel escuro e que o cinza do céu parece que nunca vai dar espaço pros raios do sol. mas eu me recuso a desistir de você. eu não vou desistir de você. porque você é importante.

e se tudo é mesmo uma escolha… bem, eu só posso esperar que você continue segurando na minha mão. que continue olhando nos meus olhos e buscando pela resposta que a gente vai encontrar juntas. eu espero que você escolha soltar essa arma. e eu espero que você escolha o amor.

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