o que eu aprendi limpando o meu armário

de tempos em tempo eu gosto de tirar tudo do meu armário e fazer aquela boa e velha ‘limpa’. não ao estilo Marie Kondo, só pra renovar as energias e tirar dali o que eu não uso/gosto mais. tem um tempo que eu parei de fazer o armário cápsula e estou tentando ver as roupas de uma maneira nova (como uma ferramenta, ao invés de algo que me define). a última ‘rapa’ que eu fiz me ajudou muito com isso.

apesar de amar moda e trabalhar com isso boa parte do meu tempo, eu sempre tive uma relação meio tóxica com ela. do tipo ‘não sou tão estilosa quanto as outras meninas’ com uma dose de ‘mas também não tenho paciência/dinheiro pra pensar nisso’. era a boa e velha falácia do ‘não tenho recursos pra isso’ (e esse tema vai, com certeza, virar um post aqui). uma junção do ‘não quero’ + ‘encontrei vários motivos para provar porque eu não quero, mas de uma forma que ninguém perceba que eu tô mentindo (inclusive eu), se não fica pesado’.

por isso essa última limpa que eu fiz no meu guarda-roupa foi tão importante. porque foi meio que uma mudança de chave nesse sentido. não rola mais eu ficar usando essa desculpa, já que ela me faz mal. então é hora de olhar com carinho para o que eu uso e o que eu tenho no meu armário e trabalhar, de verdade, a partir daí pra usar o que passa a mensagem que eu quero passar. nesse meio tempo, eu aprendi algumas coisas:

1.a gente sempre tem mais coisas do que usa de verdade

isso é um fato. você sempre tem mais coisas do que usa no seu armário. tem aquela blusinha de valor sentimental, aquele lenço que a sua mãe te deu, mas você nunca usou, aquele sapato que você jurava que ia usar todo dia mas usou duas vezes e olhe lá. o objetivo de um guarda-roupas funcional é ter apenas peças que você gosta e usa sempre, pra gerar essa rotatividade, sabe? armário bom é aquele que tem tudo o que você mais ama e com peças que conversam entre si.

2.a forma como você cuida das suas peças diz muito sobre você

por mais que dê uma dorzinha no coração pensar nisso agora, no meu guarda-roupa tinham muitas peças que já tinham passado a linha do ‘feias’: com furinhos, encardidos, cheias de bolinhas, que não serviam mais direito… sabe aquela coisa de roupa bem velha e que já não deveria ser usada mais? pois é. eu usava algumas assim todos os dias. e é claro que isso fazia eu me sentir mal. mas é apenas um reflexo do que eu comentei ali em cima, que eu tinha uma relação tóxica com a moda e com as minhas roupas também. é um negócio de não me achar merecedora de roupas bonitas e bem cuidadas, entende?

3.não existe idade para usar o que você gosta

essa coisa de ‘se vestir de acordo com a idade’ é uma das maiores baboseiras que eu já ouvi na vida. de uns tempos pra cá, eu percebi que todo mundo pode usar o que quiser, quando quiser e como quiser. a gente cria tantas caixinhas pra se limitar, porque a moda tem que ser mais uma? se você quer usar roupa curta depois dos 40, use! se quer usar cores pastel, salto alto, batom vermelho, saia de couro, camisa do namorado, vá em frente! não se deixe limitar pelo o que você pensa de você e pelo o que você acha que os outros vão pensar a seu respeito.

acho que só agora eu estou, de verdade, descobrindo esse tal ‘estilo pessoal’ e entrando em contato com as coisas que eu gosto de vestir. mas eu precisei tirar um monte de coisas da frente, principalmente o que eu pensava de mim. se você acredita que não pode ser uma ‘menina estilosa’, concorda comigo que isso vai se tornar ‘verdade’? você acredita e pronto, oficialmente você virou um mulher não-estilosa. vale o exercício de, todo dia, lembrar que você (e eu e todo mundo canta junto) é muito mais do que a roupa num armário ou num corpo.

a gente tem muito mais a oferecer do um look bonito, você não concorda?

10 comentários

  1. Mileni comentou:

    Hahaha, no outro post eu falei sobre a Kondo, se você a conhecia, e eu devia bem saber que o nome dela já foi ouvido por muita gente :P Olha ele aqui :P
    Enfim, essa coisa que você falou sobre roupas puídas é a maior verdade, a gente sempre as veste porque sabe que as ama, mas acabamos nos sentindo mal algumas vezes por estar com elas – e isso não quer necessariamente dizer que a gente só se preocupe com a opinião alheia, é que tem vezes que realmente não cai bem, e a verdade é que somos julgados pelo o que usamos, infelizmente :(
    Já disse que amos seus posts de reflexão? <3

  2. Sofia comentou:

    “‘não sou tão estilosa quanto as outras meninas’ com uma dose de ‘mas também não tenho paciência/dinheiro pra pensar nisso’” = me define bem. Fui perceber que tenho mil coisas que posso doar quando fui fazer minha mala pra Holanda: trouxe umas 10 blusinhas, as que sempre uso, e as trocentas outras ficaram abandonadas no armário. O problema é que eu gosto tanto de algumas peças que vou usando mesmo com elas furadas/encardidas, comofas? Haha. Amei o post!!

    1. Maki respondeu Sofia

      ahahahahahah o problema é que a gente até pode amar essas peças, mas usar elas até esse ponto, no fim do dia, não faz a gente se sentir bem saca? mas eu super entendo, tem umas roupas que eu sou muito apegada também, mas ando repensando bem isso por causa desse ponto exato. hahaha

  3. E eu acho que essa coisa de limpar o armário também faz você perceber o que você tira mais na hora de doar essas roupas, estampas, cores, que coisas que ficam e quais que você sempre tira, e assim vamos nos policiando para não cair nos mesmos erros. É muito bom mesmo, de tempos em tempos fazer uma limpa no guardaproupas, porque revigora a alma né.

    1. Maki respondeu Clara Rocha

      nossa, verdade, né? eu já percebi que coisa com estampa não funciona pra mim, não adianta! sempre acaba indo embora, por mais que eu tente usar ahahah.

  4. Marina comentou:

    Adorei o post! Nunca gostei muito de moda. Faço mais o estilo que pega a primeira roupa que vê no guarda roupa e usa. Já tive épocas da minha vida que eu tentava “ser mais arrumada” mas isso só me trazia sofrimento e desgosto. Quando eu estava “arrumada”, olhava no espelho e me sentia mal com o que eu via. E ficava pensando que nunca ia ser como as outras meninas/mulheres, e que essa coisa de se arrumar não era pra mim. Eu me sentia “menos mulher” e ficava pensando no que tinha de errado comigo.

    Até que eu desencanei com isso e aceitei que combinar roupa não é pra mim mesmo. Eu gosto de camisas, daquelas com gola comum e mangas, e jeans (calça ou shorts, tanto faz). Também só uso tênis ou chinelos, e pra não decepcionar as pessoas em eventos sociais, vou com as roupas que eu mais gosto, que geralmente é uma camisa que eu gosto e um jeans que gosto também, e isso me faz me sentir bem. Claro que todo mundo pensa que sou desleixada e estranha por usar sempre o mesmo tipo de roupa em todos os lugares (vou pra festas do mesmo jeito que vou pra faculdade), mas pelo menos eu estou satisfeita e feliz com o que estou vestindo, já que são roupas que GOSTO e que me deixam feliz.

    O mesmo em relação a maquiagem. Eu passava um pouco e ficava “meu deus será que exagerei? tá todo mundo vendo que eu passei muita maquiagem? e se borrou esse negócio que passei no olho?? ahhh eu não posso encostar no meu rosto” coisas assim. Máximo que passo é um rímel e um batom (muito raramente, ainda assim), e quero muito aprender a fazer delineado. O resto eu sei que não vou fazer e nem aprender, e tô bem com isso. Tem gente que fala “mas você não se cuida” como se “se cuidar” fosse ser vaidosa de um jeito que a sociedade acha aceitável. Eu me cuido sim. Uso sabonete pra oleosidade no rosto, tomo banho todo dia, escovo meus dentes, lavo meu cabelo, passo protetor solar… Bobiar minha saúde tá melhor que muita blogueira de moda por aí.

    Acabei transformando seu post num relato sobre minha vida, mas só porque concordo demais com a última frase. Parabéns pelo post!

    1. Maki respondeu Marina

      sabe, o mais legal é quando a gente percebe que tudo o que a gente sente se reflete na nossa aparência. o mais importante é a gente sempre focar numa sensação de conforto, de gostosinho, de ‘tá tudo bem’. se a gente chegar nisso, então a missão foi cumprida e as pessoas vão perceber o quanto você se sente bem com você mesma e o quanto se ama, sabe? pra mim, essa é a meta, sempre ♥

  5. Lendo esse post percebi que tenho que dar uma geral no meu armário. Mas é verdade, da dó de jogar/dar uma peça por motivos sentimentais. Eu nem uso mais ou nem usei e acho que um dia eu vou dar na telha e usar uma peça que nem fica bem em mim…

    Nossa eu sou muito assim de usar a peça até ela ficar toda feinha, detonada e continuar usando! haha

    1. Maki respondeu Claudia Hi

      num é? daí você vê a bichinha tá juntando pó no fundo do armário quando podia até fazer uma outra pessoa feliz.
      nossa, eu sei bem. mas tô parando com isso mesmo, porque é o tipo de coisa que me faz mal sabe? não vale a pena!

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