O movimento de translação da Terra (reflexões sobre um aniversário)

No mundo, o dia de hoje é conhecido como ‘meu aniversário’. Sempre fui do tipo que ama aniversários: eu fazia contagem regressiva, marcava evento com um mês de antecedência, saía de coroa no dia 18 de outubro (aliás, acho que posso adotar isso pra vida, pois: coroa). Mas esse ano foi diferente. Um diferente bom, um diferente leve, um diferente que não tem nada a ver com a idade.

A translação da terra (uma reflexão sobre aniversário)

Para quem acredita que só merece receber amor e carinho incondicional das pessoas em um único dia do ano, perceber que você pode ter isso o ano inteiro faz a coisa toda perder um pouco o significado. E, sim, eu sempre achei que no meu aniversário as pessoas eram praticamente obrigadas a dar atenção só pra mim.

Pra quem tinha certeza que não passaria dos 27, chegar aos 29 é um sinal de vitória. De força. É um ato de amor. É amor porque eu aprendi a gostar de mim e gostando de mim eu descobri que vale a pena ficar aqui nesse mundão por mais um tempo, desde que seja para ajudar outras pessoas a gostarem mais de si mesmas também.

Sabe, aniversário, no fundo, no fundo, é uma coisa engraçada. A gente comemora o fato da Terra ter dado mais uma volta em torno do Sol. De verdade, a questão é que todo dia é aniversário de alguém e, se a gente for por essa lógica, todo dia merece ser comemorado.

E não é isso mesmo? Nunca vou cansar de falar que a vida, que está em mim e que está em você, é a mesma. Se eu vou comemorar a minha, como posso não comemorar a sua? Não dá, e hoje em dia o meu coração fica pequenininho só de pensar nisso.

Tem horas que eu ainda acredito que o dia do meu aniversário é importante, porque é o único dia do ano em que as pessoas me dão atenção. Mas hoje eu já consigo ver isso com outros olhos, eu já sei identificar que essa ideia, na verdade, é só uma daquelas mentirinhas que eu conto pra mim mesma. Porque toda vez que eu olho pro lado e vejo uma amiga que veio trabalhar comigo dançando enquanto escreve no laptop, eu me sinto amada.

Eu me sinto amada toda vez que vou para os meus treinos (também conhecido como ‘academia’).

Eu me sinto amada quando levanto da cama às 6h para trabalhar.

Eu me sinto amada quando decido jantar uma xícara de chá de camomila, porque tô cansada demais pra qualquer outra coisa.

Eu me sinto amada até quando esqueço de pendurar as toalhas depois de lavar.

No último ano, eu posso dizer que esperei ansiosamente pelo meu aniversário. Porque eu me senti amada, completa, feliz, pelo menos uma vez todos os dias. TODOS OS DIAS. Mesmo quando tive que ir na Receita Federal resolver meu imposto de renda. Mesmo quando fui no banco umas cinco vezes tentar abrir uma conta jurídica. Mesmo quando eu tive que pagar IPVA atrasado de um carro que eu não dirijo.

E esse sensação, gente, não tem festa de aniversário que dê esse rush, essa alegria constante, que coloque tanta vida nos meus movimentos e que me faça passar o dia inteiro sorrindo. Isso, só a Vida mesmo, com V maiúsculo, que me dá.

Então, no meio disso tudo, por que fazer mais um post falando sobre aniversário? Porque eu ainda não me desliguei totalmente da ideia que ele é legal e, porque não?, ele pode muito bem ser mais uma ferramenta pra eu mostrar pra você, que me lê tão pacientemente, que existe um jeito diferente de viver.

E existe. E é lindo. E vale a pena.

Então, se eu puder terminar esse post com um algumas palavras, eu gostaria apenas de dizer: obrigada. Por você existir. Por fazer parte dessa loucura que eu chamo de blog, por tirar um tempo para ler algumas palavras (às vezes escritas com pressa demais e atenção de menos) e por, todo dia, me deixar mostrar que você também pode se amar um pouquinho mais, assim como eu aprendi.

10 comentários

  1. comentou:

    Esse texto acabou de salvar meu dia. Obrigada! :)

    1. Maki respondeu Lê

      obrigada você, Lê!

  2. Gente, estava lendo sobre minimalismo e achei tua página. Me identifiquei muito na postagem sobre aniversário e…pasme, esta coisa de pensar que não viveria [muito] após 27 eu também tive (cinquentona, agora) e um amigo meu me confessou que também teve. O que será isso, né?

    1. Maki respondeu Maria Cristina

      acho que é uma falta de propósito, sabe? a gente coloca o nosso objetivo de vida em coisas que acabam, que chegam no fim e esquecemos de procurar nós mesmos no meio do caminho… mas quando a gente retoma esse propósito real, tudo fica mais fácil e prazeroso, né?

  3. Oi Maki! Sou a Luiza la do post da Stephanie Noele sobre o bullet journal. Passei as últimas horas lendo vários textos seus é queria agradecer de verdade por cada palavrinha publicada. Varias coisas que li se encaixaram muito na minha vida e me deram vontade de levantar e ir passar UM pó pra tirar a poeira dela. Tava num momento de fragilidade quando comecei a ler, e confesso que chorei horrores, começando por esse texto aqui. Lágrimas enxugadas, voltei pra comentar: obrigada. :)
    É um abraço cheio de amor pelo seu aniversário <3

    1. Maki respondeu Luiza Trindade

      ô, Luiza, toma aqui um abraço apertado <3
      não chora, não! tá tudo bem, prometo!
      e brigada por ter comentado, viu? fiquei muito feliz em ler as suas palavras!
      volte sempre <3

  4. Erika/SP comentou:

    Maki, parabéns ppor mais um ano de vida!!! É verdade, depois de um certo tempo nos damos conta de que o dia de níver é só mais um dia em nossas vidas, mas sim, temos que comemorar como vc mesma disse, TODOS OS DIAS!!! desde qdo acordamos, o que fazemos no dia a dia, ao chegarmos em casa, ao dormir….são pequenas coisas que nos dão a certeza de que viver vale a pena!!! :)
    Saiba que nesse mundo a fora, mesmo sem te conhecer pessoalmente, existem pessoas que te desejam tudo de bom, e que como eu, adoram ler seu blog!!! :)
    Parabéns novamente pelo seu níver! Comemore sempre, todos os dias! ;) Beijocas!

    1. Maki respondeu Erika/SP

      Erika, você é muito fofa! brigada mesmo pelo seu comentário, me deu um quentinho no coração! e vamos comemorar todos os dias MESMO, porque vale a pena!

  5. Sou sua leitora assídua. Recebo sempre por email, suas palavras modificam para melhor, a minha maneira de enxergar A vida, eu que digo, muito obrigada por existir e me perdoe por ser uma leitora tão fantasma rsrs

    1. Maki respondeu Dinha Belmont

      Dinha, como você é fofinha! brigada pelo comentário viu? e não se preocupa, não precisa pedir perdão, tá tudo bem! só de saber que você tá por aí me lendo, já é o suficiente <3

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