Diário #31 – Expectativa cresce como grama

Ando pensando muito sobre expectativas. E que elas são como grama. Você planta uma mudinha e quando vê tem praticamente um campo inteiro de futebol, assim, do dia para a noite.

expectativa

Ando pensando muito também sobre como as expectativas são o veneno de todo e qualquer relacionamento humano (isso mesmo, não falo só sobre os românticos). Até mesmo a relação que você tem com a sua mãe é limitada por campos e campos de grama-expectativa.

Eu cultivava Maracanãs e Estádios do Morumbi toda vez que pensava em sair com um carinha. E é claro que não dava certo. Nunca daria. A ideia que eu criava na minha cabeça do que aquele relacionamento seria jamais corresponderia aos fatos reais.

E é assim que caminha a humanidade. Você tem uma ideia do que é um parceiro na sua cabeça. A outra pessoa tem uma ideia diferente. Vocês montam um Frankenstein que não agrada nenhum dos dois 100%. Vocês chamam isso de ‘namoro’. E dizem que as discordâncias e os momentos de raiva são ‘normais’.

Mas a real é que ele acha a sua grama mais pálida que a que ele imaginou e vice-versa. A dele tem pontos queimados pelo sol e não estão de acordo com o campo verdinho e super saudável que você cultivou na mente.

Na sua cabeça, você acha que aquela entrevista de trabalho foi incrível. Que conseguir aquele emprego vai ser a solução para os seus problemas. Que em um ano você vai receber um aumento e uma promoção. Que nas primeiras férias você já vai poder programar aquela viagem para a Disney que você tanto queria e que trabalhar com o profissional X vai ser a coisa mais incrível do planeta.

Mas na real nem te ligaram de novo pra falar sobre a dinâmica de grupo.

Quando a gente cria uma expectativa, a gente VÊ o que está acontecendo de verdade? Com certeza não. Se você cria um mundaréu de expectativas como você vai perceber o que está bem na sua frente?

O carinha que é ‘muito crítico’ na verdade é tão inseguro que precisa de alguém que o ensine a se amar. A segunda entrevista que não rolou deu espaço pra uma outra que seria muito mais legal que a primeira.

Mas você não viu nada disso porque usou a imagem que tinha na sua cabeça para ditar o que é importante e o que não é, o que tem que ser e o que não, é você terminou com o carinha antes de mostrar que ele é tão importante e incrível quanto qualquer outra pessoa e não foi na entrevista porque você queria aquele primeiro emprego e nada vai ser tão legal quanto aquilo.

E assim caminha a humanidade. Você perde oportunidades porque a grama já está alta demais e você não consegue ver o fim do campo. Nem mesmo olhar para trás e ver que a saída está bem ali, a alguns passos de distância.

Você cria essa mudinha, enche de uma coisa que chama de ‘amor’ e ela espalha que nem fogo em palha, e depois você não entende porque não se sente feliz.

novembro 13, 2015

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2 Comments

  1. Responder

    BA MORETTI

    novembro 20, 2015

    melhor definição essa de grama-expectativa. a gente perde tempo demais criando toda uma imagem do que a gente quer que esquece de ver o que a gente tem/pode ter.

    • Responder

      Maki

      novembro 23, 2015

      não é? é exatamente isso!

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