52 pontos: o que é pra que serve um log do futuro (a.k.a future log)

 

log do futuro

a primeira vez que eu li sobre bullet journal, no site do Ryder Carroll, o que eu achei mais divertido foi como ele criou um sistema em que você, com certeza, não perderia de vista os prazos ou coisas que teria para fazer no futuro, mesmo sem uma agenda convencional.

uma das ferramentas que ele usou para isso foi o future log, ou log do futuro, em português. funciona assim: você usa uma ou duas páginas para colocar uma visão geral dos próximos seis meses (ou do ano todo, se você preferir) e anota ali os compromissos ou datas importantes que você já tem reservadas.

dá pra fazer isso de várias maneiras: colocando calendários menores numa página e circulando as datas importantes, colocando o calendário de um lado e deixando um espaço ao lado para anotações, separando duas páginas em seis para escrever um pouquinho sobre cada mês ali, fazendo uma montagem de doze quadrados com os meses do ano e colocando os compromissos de cada mês ali dentro… vai do que funcionar melhor para você e for mais prático de fazer!

log do futuro exemplo

a ideia é você ter uma ideia de como está o seu ano (ou os meses seguintes) e não esquecer ou perder de vista prazos ou compromissos que vão acontecer só mais para a frente e você não tem onde anotar. então, por exemplo, se estamos em dezembro e você tem um casamento em fevereiro, você tem um lugar para escrever esse evento e não se esquecer dele quando fevereiro chegar.

assim como o seu índice, você precisa lembrar de olhar o seu log do futuro com uma certa frequência – se não, de nada adianta você anotar as coisas ali, se esquece de ver e de colocar no mês / semana / dia (vamos falar disso um pouquinho mais pra frente! <3). olhar o future log precisa virar um hábito tanto quanto qualquer outro.

especificamente falando, eu não uso um future log. não tenho entregas de trabalho ou eventos marcados com tanta antecedência assim, por isso a página ficou um pouco obsoleta no meu bujo. é importante você ter em mente o seguinte: o log do futuro vai funcionar muito bem se você é tipo de pessoa que trabalha com entregas a longo prazo (tipo, tem muitas conferências para ir, viagens de trabalho e coisas marcadas com antecedência), se trabalha com eventos ou é o tipo de pessoa que tem muitos compromissos (casamentos, festas, essas coisas!).

pra mim, que trabalho com entregas a curto prazo, não tem muito sentido manter um future log, mas não deixa de ser uma ideia legal pra você ter uma noção de como está o seu ano, né?

ah, hoje a gente tem um freebie fabuloso criado pela Duds para ajudar com o seu log do futuro: é um calendário com todos os meses de 2018: você pode imprimir e colar como quiser no seu caderno. se você ficou em dúvida como deixar um espaço para anotações, o arquivo final vem duas colunas ‘livres’ para você escrever o que quiser e entender melhor como esse sistema funciona.

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deu para entender como o log do futuro funciona? me conta nos comentários se você ficou com alguma dúvida!

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rabanadas, o cheiro do Natal e a rainha do #bujo

sabe quando você pensa em Natal e vem na cabeça aquele cheirinho de canela e pinheiro e você sente que tá tudo certo com o mundo e os dias são felizes e só falta o recesso chegar pra você passar os seus dias envolta em livros, sentada na frente da árvore de Natal com um prato de rabanada e um copo de leite?

não que eu faça isso todos os anos, porque quem leu a newsletter dessa semana (clica aqui pra fazer a sua inscrição!) sabe que eu e o Natal não somos tão amigos assim. mas tem uma coisa que eu amo nessa época do ano, que se resume a: poder comer rabanada todos os dias, sem ser julgada como a louca da canela pelas outras pessoas.

a ideia do post de hoje do detalhes era compartilhar uma receita que a gente ama dessa época do ano, e eu juro que me planejei pra fazer as minhas próprias rabanadas, tirar fotos lindas do processo e virar musa do Pinterest, mas até a rainha do bullet journal se atrapalha às vezes, confunde os dias e erra a data do post.

então, eu vou fazer o que eu faço de melhor: um textão sobre as rabanadas (que eu comprei na padaria hoje de manhã e estavam maravilhosas, diga-se de passagem).

escrevendo esse post do banco de trás do Cabify, eu me perguntei mais de uma vez porque eu amo tanto rabanadas. mas assim como o meu problema com o Natal, não tem nada a ver com elas, mas com o que eu sinto quando como uma.

eu sempre amei doces e era maluca por pão. junte as duas coisas e você tem uma Maki muito feliz e levemente agitada por causa do açúcar no sangue. mas tinha um coisa alegre em comer rabanadas. era um momento que minha mãe cozinhava sem reclamar, na manhã de Natal, só porque eu gostava desse doce, e ela ainda me deixava jogar a canela por cima.

rabanadas de Natal

 

ai a gente sentava na mesa com aquele pratão, que ela fazia pra família inteira, mas que só a gente comia porque meu irmão não gostava e meu pai “não fazia questão” (como assim, né?).

rabanada, pra mim, tem gostinho de inverno. tem cheiro de carinho. me lembra uma época em que eu não ocupava tanto a minha cabeça com coisas que não valiam a pena.

é, eu gosto de rabanadas.

ao mesmo tempo, hoje eu sei que a rabana era só uma desculpa. eu posso me sentir bem com ou sem ela e, honestamente, minha ingestão de rabanadas diminuiu muito no último ano (sim, eu comia o ano inteiro).

o carinho que eu sentia comendo uma rabanada hoje faz parte do meu dia a dia, basta eu me lembrar que ele está lá. se eu esquecer, é fácil mesmo eu achar que o segredo está num pratão de rabanadas que eu vou comer até cansar e depois me arrepender porque foi demais.

e acho que o mais legal nem é mais ter um prato só pra mim, mas dividir um pouquinho com as pessoas que eu gosto e a gente se lambuzar de açúcar e canela juntos. quem sabe até cozinhar todo mundo no mesmo lugar, se apertando entre a mesa da cozinha e a bancada da pia, tentando encontrar um canto livre no fogão pra colocar mais uma frigideira. eu tenho a impressão que isso vai deixar o processo todo mais gostoso. e você?

pra quem quiser tentar, segue uma receitinha bem gostosa, que é a que eu costumo fazer:

você vai precisar de:

  • 2 baguetes (ou o pão que você mais gostar pra fazer isso)
  • 1 litro de leite
  • 2 latas de leite condensado
  • 3 ovos grandes
  • açúcar (a gosto)
  • canela (a gosto)
  • manteiga (para a frigideira)
  • 1 frigideira

como é que faz, hein?

  1. mistura o leite com o leite condensado
  2. quebra os ovos num prato fundo e bate um pouquinho, pra ficar homogêneo
  3. mergulha uma fatia de pão nessa mistura do leite (tem que ser rapidinho, pro pão não ficar encharcado)
  4. faz a mesma coisa com o ovo
  5. coloca na frigideira com manteiga (pra não grudar) até ficar douradinho dos dois lados
  6. coloca num pratinho com papel toalha pra tirar o excesso de tudo
  7. passa pro recipiente final, com uma mistura de açúcar e canela
  8. pronto! já pode comer ♥

eu não faço rabanada com óleo (imersão, sabe? quando você joga a comida na panela e deixa fritar), porque eu acho que dá muito trabalho e não foi o jeito que a minha mãe me ensinou hahaha. mas fica gostoso igual, ok?

rabanadas de Natal

qual a receita de Natal que você mais gosta?

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projeto detalhes novo

eu pulei com Kim Joo So

livro pule, kim joo so

em um dos meus episódios preferidos de Doctor Who, o doutor de Matt Smith vira para um Amy criança e diz ‘somos todos histórias, no fim das contas. só faça dela uma boa, eh?‘. o doutor sempre foi um amigo que eu nunca tive, mas sempre quis, e essa frase me seguia de tempos em tempos. o quanto eu tô fazendo da minha história, uma história boa? acho que vocês já sabem a resposta pra isso.

no domingo à noite, eu comecei a ler Pule, Kim Joo So, o livro da fofíssima Gaby Brandalise, que eu conheci pelo Twitter e que também é uma aficionada por kpop, doramas e outras coisas relacionadas à Coreia do Sul. tanto, que o livro dela é uma mistura desses dois mundos: um encontro entre o Brasil e esse país tão cheio de tradições, músicas viciantes e coreografias que a gente leva uns 40 anos pra aprender.

terminei o livro hoje de manhã, confesso, meio emocionada. primeiro porque a história me lembrou muito W (e vocês sabem o quanto eu amo esse drama, né?). segundo, porque ele representou 100% de frase do doutor que eu lembrei ali em cima. mais ainda porque o So, assim como foi pra Gaby, foi pra mim também uma representação de um processo libertador.

pode ser que Pule, Kim Joo So pareça com um livro de ficção. de romance. um roteiro de dorama muito bem escrito com algumas das descrições mais incríveis que eu já li. inclusive, me senti tão perto da Gaby porque era como se as palavras delas tivessem sido escritas por mim. a cremosidade (vou adotar pra vida, Gaby!) que ela tem pra escrever, eu sinto que tenho também e, enquanto lia as suas linhas pensadas com tanto carinho, eu senti que entendia um pouquinho mais dessa pessoa que eu só conheço pela internet.

voltando ao So… a história dele pode mesmo parecer uma história de amor. não deixa de ser. mas não necessariamente um amor romântico, mas por si mesmo. acho que uma das coisas mais libertadoras é você descobrir que é o dono da própria história. e, mais ainda, que as prisões que a gente acha que vive são todas mentais – caixinhas que a gente mesma criou e fica se debatendo tentando sair, colecionando hematomas e arranhões no meio do caminho e chamando isso de ‘vida’.

a gente joga a responsabilidade pelas nossas escolhas nos outros. acha que é obrigado a carregar o luto alheio. acaba fazendo coisas só porque os outros dizem que a gente tem que fazer. caixinha dentro de uma caixinha dentro de uma caixinha. é a vida do Joseph Cimbler, mas sem a pegada humorística.

e assim a gente fica pequena. dizendo coisas que não gosta. fazendo coisas que (acha que) não quer. o dia inteiro com aquela pulguinha recitando palavras de conflito na nossa cabeça. é, a prisão mental que a gente cria é bem cruel.

livro pule, kim joo so

o que é real e o que ficção? em que momento a gente passou a acreditar de verdade, igual o Joo So, que precisamos viver uma história pré-estabelecida, pré-determinada, com um final definido e todos os coadjuvantes já escolhidos? quando é que viramos cada um protagonista de uma história que a gente nem sempre ama, cheias de altos e baixos, de conflitos e brigas. quando foi que a gente trocou o amor por isso? e quantas vezes ficou sonhando com o dia em que fugiria disso tudo?

um livro é só um livro até a gente entender que ele tem muito do autor em cada parágrafo. e se a gente se identifica com a história, não é com ela que a gente tá identificada, mas com quem escreveu. e, se eu me vi no So, é porque me vi na Gaby. e se me vi na Gaby é porque ela existe tanto quanto eu, quer ela tenha uma história diferente da minha ou não.

histórias… são ferramentas. elas nos dão um caminho. nos fazem entrar em contato com coisas que a gente talvez não conheça. com um quentinho no coração que nos lembra de casa. o So me lembrou de casa. me lembrou do meu caminho, das minhas escolhas e de como é tranquilo a gente ser relembrada que a escolha tá bem aqui na nossa mão. só esperando pra ser reconhecida. uma coceirinha quentinha que a gente ignora, distraída com os barulhos e as luzes coloridas do mundo.

mas uma hora a gente lembra. e não é difícil, sabe? não é entre tapas e beijos. não é atirando bombas de culpa por todos os lados. não. é com uma conversa íntima observando a paisagem da cidade pela janela. e pronto. a gente vê. que a prisão foi a gente que criou. e, se criou, pode sair de lá quando quiser também.

acho que deu pra perceber que eu gostei muito do livro da Gaby, né? foi a primeira vez em muito tempo que eu li um livro tão rápido e eu só posso agradecer pelas palavras cheias de delicadeza e os parágrafos repletos de significados. se você quiser ler também, pode clicar aqui pra comprar, tá bom?

você já leu pule, kim joo so? me conta o que achou!

 

diário #95 – tem uma pilha de coisas na escrivaninha

pilha de coisas

tem uma pilha de coisas na escrivaninha. todo dia de manhã, eu passo a pilha inteira pra cima da cama, quando começo a trabalhar. no fim do dia, o movimento é inverso. eu libero a cama e coloco as (duas) pilhas de volta na escrivaninha.

é quase uma coreografia. tira o chinelo pra pisar no tapete, arruma a cama, abre a janela, passa a pilha de lá pra cá, pega a xícara de chá na cozinha, senta na mesa, respira fundo. digita digita digita.

outro dia, percebi que eu não tenho ideia mais do que tem nessas pilhas de coisas. tem uma revista que eu ainda não li. tem alguns papéis que eu não sei muito bem o que dizem. algumas ilustrações que eu prometi a mim mesma que ia pendurar na parede no começo do ano (e até agora nada). algumas correspondências do banco que eu nunca abri (e nem pretendo). cartões de visitas, talvez. um ou outro boleto pago pela internet. um ou outro comprovante de compra. uma ou outra nota fiscal que eu tirei da bolsa e coloquei ali, despretensiosamente, pra jogar fora depois.

a pilha aumentou com alguns livros que eu comprei e coloquei na fila mental para ler. o meu kindle, que vai e volta com essa corrente, mas eventualmente encontra um espaço também na minha mesinha de cabeceira, quando eu decido que é hora de ler alguma coisa de verdade.

essa pilha de coisas me incomoda. mas, mesmo nos meus dias livres, eu deixo ela ali, intocada. penso no que vai acontecer quando eu receber visitas em casa e tiver que soltar um ‘desculpa a bagunça‘, porque aquele monte de coisas desconhecidas continua ali, me perseguindo dia sim, dia também. porém, até com essa perspectiva a pilha continua ali. eu não arrumo.

a pilha de coisas, por mais real que seja, também pode ser vista como uma metáfora. pro quanto a gente se acostuma com coisas que não fazem bem, sabe? aquela pilha não me faz bem. ela me incomoda. eu fico frustrada quando olho pra ela. tem horas que eu não sei porque ainda não joguei tudo aquilo direto no lixo. outras eu me pergunto ‘meu Deus, mas qual a dificuldade de arrumar essa bagunça?’. mas ela segue ali. me espiando. me julgando com os olhos cerrados e os papeis comidos pelo tempo. juntando pó e rancor. é o tal do estresse mental que a gente acha que é besteira até perceber como dá um alívio no coração arrumar o armário e deixar tudo bonitinho, no devido lugar.

ainda não me propus a encontrar essa paz no coração com a minha pilha de coisas em cima da escrivaninha.

a gente se acostuma com o desconforto e solta um ‘ah, não é tão ruim assim‘ pra uma situação que é, de fato, ruim. porque a gente acha que merece, sabe? tudo bem eu ter o esforço de mover um monte de coisas de um lado pro outro t o d o s  o s  d i a s. tudo bem eu ficar com a sensação de que os meus dias tão uma corrida maluca e eu não tenho tempo nem de ir na farmácia comprar desodorante e soltar um ‘ah, não!‘ na hora de me vestir (pode ou não ter acontecido essa semana). tudo bem eu não colocar as prateleiras no quarto e não ter onde guardar meus livros direito. no fundo, eu acho que mereço esses pequenos incômodos do dia a dia.

imagina, que loucura, passar o dia inteiro confortável e tranquila, sem estresse e com o desodorante novinho em cima da penteadeira, pronto pra ser usado a qualquer momento. longe de mim querer esse nível de conforto (*insira o seu melhor virar de olhos aqui*).

é, a gente tá acostumada com o desconforto. com o que é ‘chato’. com os pequenos incômodos. com o acúmulo de coisas que a gente não precisa mais e que ficam acumulando desgosto num canto escuro do quarto. mas, ainda assim, a gente não se propõe a mudar.

até que um dia a gente solta um sonoro CHEGA! e muda tudo de lugar. arruma tudo. junta um saco de lixo cheio de papel pra colocar pra reciclar. tira as roupas velhas do armário. pendura as ilustrações na parede. coloca os pisca-piscas na cabeceira da cama. joga fora todas as maquiagens vencidas.

mas até lá… fica na dança do vai e volta com a pilha de papéis. da escrivaninha pra cama. da cama pra escrivaninha. e vai. e volta. e vai. e volta. até cansar. até que o ‘chega!’ vem lá do fundo do nosso coração. e a gente acha que não vale mais viver nessa bagunça e com esses desconfortos todos.

tem hora que a mudança é pra valer. e a gente se compromete a deixar tudo no devido lugar. a fazer do quarto um lugar de descanso, todo bonitinho, todo arrumadinho. todo inho. tem vezes que a gente cai nos mesmos hábitos e três meses depois a pilha tá lá, assombrando a gente de novo.

até que a gente aceite que merece uma vida confortável, que merece ficar sem esses incômodos mentais. que merece não se preocupar com a pilha de coisas na escrivaninha e as cartas do banco que você nunca vai abrir. e, quando percebe, a pilha nem existe mais, porque o que sumiu da sua vida não os papeis que se acumulam, mas essa pulguinha no fundo da sua mente que fica te dando uma coceirinha que você não sabe como se livrar.

ô, pulguinha. sai daí, eu tenho coisas mais importantes pra fazer do que ficar preocupada (e pré-ocupada) com uma pilha de papeis que eu nem sei mais pra quê servem.

sobre o melhor presente que eu já recebi

melhor presente detalhes

Foto: Luisa Chequer Fotografia

no meio da semana, eu, Lominha e Mel decidimos os temas do detalhes desse mês. automaticamente, entrei num estado de tela azul do Windows: ‘meu Deus do céu, não tenho ideia do que falar no primeiro tema de dezembro‘.

sim, como você deve ter adivinhado pelo título, o tema é um presente que a gente ganhou e que marcou a nossa vida, de alguma forma. e fiquei bem surpresa ao perceber que… nada. eu não lembrava de nada. de nenhum presente que tivesse me marcado o suficiente para virar um post.

não me entenda mal, não é que eu seja ingrata pelas coisas que ganhei em aniversários e Natais passados. é só que… nada parecia tão importante assim ao ponto de render um post inteiro, sabe? e aí eu precisei parar um segundo e pensar. pensar. pensar. pensar. pensar de novo. eu não dormi. eu tomei café. eu andei de um lado para o outro no quarto olhando tudo o que eu tinha. eu sentei na cama em uma pose contemplativa e tentei esperar a inspiração vir. e aí, quando eu já tinha desistido e tomava a minha xícara de chá resignada, sem saber muito bem sobre o que escrever, me veio o momento EUREKA! pelo qual eu tanto esperava:

o meu maior presente foi a relembrança da vida.

eu sei. é clichê. é meio brega, também. tá liberado me zoar sobre isso, se quiser. de colocar trechos desse post com uma imagem bonita do pôr do sol e jogar no grupo da família no Whatsapp. pouts, pode fazer isso sim. mas é verdade, sabe? é verdade.

eu lembro de uma época (que hoje me parece beeeeeeeeeeeeeeeeem distante), em que viver era horrível. eu não queria levantar da cama. eu pensava em me machucar o tempo inteiro. eu não queria acordar, trabalhar, comer. eu queria definhar. eu queria, sim, morrer. acho que o mais dolorido de tudo é que eu tinha desistido do amor também, e eu tinha certeza que ele não passava de folclore. eu chorava sem motivo e eu tinha certeza que tinha desaprendido a sorrir.

mas aí… mas aí eu fui lembrada, sabe? que existe uma coisa diferente, um outro jeito de viver, uma outra maneira de olhar o mundo, e parece que o meu filme voltou a ser colorido. e ele não era mais só o meu filme, era uma produção gigantesca que envolvia uma galera que estava atrás da mesma coisa que eu: um propósito verdadeiro pra viver. um motivo pra levantar da cama de manhã e passar um dia sem pensar em machucar esse corpinho.

tem presente melhor do que esse? que a vida merece ser vivida? que eu tenho um motivo pra querer acordar todos os dias? a partir daí, as coisas pra mim passaram a ser… só coisas, sabe? não menos ou mais importantes, mas ferramentas que me levam de volta pra esse lugar de lembrança. é tudo um tipo de carinho. e eu comecei a aceitar receber esse carinho, porque é uma expressão do que as pessoas são e do que eu sou também. a gente é tudo um grande novelo de carinho e cafunés e cookies recém-saídos do forno e xícaras de chá quentinhas no meio de uma tarde de inverno com o dueto da Beyoncé com o Ed Sheeran tocado em loop ao fundo.

e a gente esquece mesmo, entende? a gente se perde no meio desse mundão todo. das notícias ruins na TV. dos tuítes passivo-agressivos sobre chefes. naquela reclamação sobre o clima que parece inocente, mas tem toda uma carga de ‘a vida é um saco‘. o meu maior presente foi me lembrar da vida.

e é engraçado, porque é e não é um presente ao mesmo tempo. porque ela tava lá o tempo todo! eu só tava muito distraída pra ver. daí um dia eu decidi ver um pouquinho, uma frestinha na porta que foi aumentando, aumentando e aumentando até que eu me vi no meio dessa sala toda iluminada e cheia de flores coloridas, rindo à toa de uma borboleta que pousou no meu nariz. eu achava que a vida não tinha mais jeito. daí me falaram que tinha sim, boba, é só olhar pro lado de cá e BAM. lembrei.

hoje, se eu ganho um presente, ele não é ‘especial‘. ele é carinho. tanto quanto os cafunés que eu ganho de vez em quando. tanto quanto tomar um café da manhã gostoso com alguém que eu amo. tanto quanto um abraço apertado depois de alguns dias sem encontrar alguém, sabe? é tudo demonstração de carinho.

então, sim. eu vou bancar a breguice de filme da Sessão da Tarde. eu vou dizer que a vida é o meu maior presente, porque é pela lembrança dela que eu agradeço todos os dias quando acordo e acho que me esqueci de novo. quando eu sinto que tô caindo e OPA PERA TÁ TUDO BEM A VIDA TÁ AQUI. ufa, foi quase.

daí eu mando áudios meio chorosa pras amigas tentando lembrar elas disso. e eu me sinto útil. me sinto completa. feliz. eu coloco um pouquinho disso nos meus textos também. e quando eu dou bom dia pro porteiro do meu prédio. e eu treino distribuir essa lembrança por todos os lugares que eu vou e com todas as pessoas que eu encontro. tentando levar cada uma delas pra esse momento eureka também. esse é um presente que todo mundo merece, sabe? inclusive, já falei um tantão sobre isso aqui.

é. vou bancar a frase motivacional de que o maior presente que a gente tem é a vida. porque é. no fundo, é tudo o que eu quero. se eu ganho uma caneca bonita no meio do caminho, um livro, um sapato, um abraço ou um beijo. é tudo carinho. tudo mais uma lembrança disso. tudo motivo de alegria. tudo, tudo, tudo.

sei lá. não consegui pensar numa coisa legal que eu ganhei (foram tantas!), mas consegui pensar na vida de novo e isso me deixou contente. acho que presente tem dessas, né? a gente olha, sorri, lembra de uma coisa legal e segue em frente. daí olha de novo, lembra de novo e assim vai. até que não precisa de lembrança mais porque tá ali, sabe? o presente tá ali.

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