10 doramas para quem quer adotar o vício

Vamos deixar uma coisa bem clara aqui: eu estou viciada em doramas. Não é novidade nenhuma, eu não tenho vergonha disso e vou continuar binge watching dramas coreanos até cansar. Ok? Ok.

Dito isso, quem acompanha o blog já sabe que eu tenho um carinho especial por alguns dramas, mas achei que seria legal juntas os meus 5 preferidos aqui para fazer uma lista de ‘Por onde começar’, caso você, um dia, também queira o fim da sua vida social seja picado por esse bichinho viciante e que tira o meu sono.

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Apesar de amar muito os doramas, eu dificilmente assisto algum só por assistir. Pra mim, a história tem que ter algum propósito, alguma coisa que eu possa tirar dali, se não, não tem graça. Não vale a pena, entende? Então, vamos à lista:

1.Heirs

O meu dorama preferido de todos, com certeza. Já assisti Heirs umas 3 vezes, pelo menos. Amo o Lee Min Ho e a Park Shin Hye e virei fã do Kim Woo Bin por causa dessa série. O dorama conta a história do herdeiro de uma grande corporação, Kim Tan, que se apaixona pela filha da emprega, Cha Eun Sang. Toda a trama gira em torno da relação dos dois e de como esse mundo corporativo pode ser pesado. A história pode ser bem básica e simples, mas o que me pegou de jeito foi um detalhe: a devoção.

O Kim Tan é totalmente devoto da Cha Eun Sang. Ele faz tudo por ela, mesmo ela resistindo, mesmo os dois brigando. Isso, pra mim, foi muito forte. Digam o que quiser da série, mas uma das coisas que eu, mais é como ele sempre teve na cabeça uma única certeza: independente de tudo, ele ia ficar com ela.

2.Pinocchio

Pinocchio é tão preferida quanto Heris, acho que essas duas séries estão empatadas em primeiro lugar no meu coração. O Lee Jong Suk é meu marido ator coreano favorito e ele, nessa série, tá incrível. Esse dorama já ganhou um post especial só pra ele e quem leu sabe que o que eu mais gosto em Pinocchio é como a Choi In Ha, que tem uma síndrome que não permite que ela minta, nunca faz nada que vai contra o que ela acredita.

Pensar em ser honesto 100% do tempo é algo muito assustador no mundo. Dá medo mesmo. Mas ela acaba vivendo assim por ‘culpa’ de uma síndrome que ela não controla. (será mesmo?) Na real, ela sabe que não tem a capacidade de mentir então nem tenta. Pra ela, vale mais a pena ser honesta e ficar bem com ela mesma.

E esse drama tem o melhor beijo de todos. #prontofalei

3.My Love From Another Star

Gente. Essa. Série. É. Maravilhosa. Um daqueles dramas que eu vi em muito menos tempo do que deveria pra 21 episódios de uma hora cada. O Do Min Joon é um extraterrestre, um ser de outro planeta, que fica preso na Terra depois de se envolver numa série de incidentes. Ele é uma mente evoluída e vê, no começo, esse planeta como uma brincadeira. Acontece que, como ele fica preso aqui, ele se adapta, mas não se envolve com nada. Ele mantém uma distância porque nada nesse mundo é verdadeiro pra ele, nada tem significado.

Até que ele conhece a Cheon Song Yi e a história muda. Ele entra em contato com um tipo de sentimento que ele nunca tinha visto antes e isso faz com eu ele tenha que mudar o seu comportamento pra se adaptar (de novo) a essa nova dinâmica. É uma história linda, um dorama incrível, com atores maravilhosos. Apenas assistam. Sério. Assistam. Agora.

Chorei de rir com essa cena, gente.

4.Cheer Up

Assim como Pinocchio, Cheer Up também já ganhou um post. Não tenho muito a dizer aqui a não ser que esse é um dos dramas mais sensíveis e bonitos que eu já vi. Ele é curtinho, tem só 12 episódios, e tem uma pegada mais teen – pense em Malhação. Mas fala de temas muito pesados, como o suicídio, o abuso e o primeiro amor de uma forma muito delicada e linda. Fora que tem o Ji Soo que, meldels, é uma gracinha e eu tenho certeza que vai virar o próximo galã coreano.

5.Doctor Stranger

Lee Jong Suk, seu lindo! Comecei a ver esse drama simplesmente por causa dele e, apesar da série não ser uma das minhas preferidas (romance de menos e intriga demais), ele é maravilhoso por um motivo: o próprio Lee Jong Suk! Na série, ele faz o papel de um médico que nasceu na Coréia do Sul, mas foi criado na Coreia do Norte por conta de um plano do Primeiro Ministro e do diretor de um hospital para sumirem com um processo por negligência médica.

Levando em conta o pouco que a gente sabe sobre a Coreia do Norte, dá pra imaginar que a vida dele lá não foi fácil, mas ele fez uma promessa pro pai: nunca esquecer que ele era um médico em primeiro lugar. E isso foi o que mais me tocou nesse dorama. O Park Hoon, personagem do Jong Suk, tem uma meta muito clara: ele vai ajudar as pessoas a qualquer custo. E nada entra no caminho dessa meta. Nem mesmo o amor da vida dele. Isso é muito incrível, porque é uma meta muito verdadeira que ele assumiu, uma coisa de coração mesmo. Uma meta de cuidado com o próximo. E ele não titubeia. Mesmo. É bem lindo de ver.

Esse é um mundo que se você entrar não tem mais como sair vai amar. É muito gostoso também aprender tanto sobre uma cultura tão diferente da nossa e ver que, no fundo, no fundo, tá todo mundo atrás da mesma coisa.

‘Mas, Maki, pera. Você falou que são 10 doramas, nas no post tem só cinco. Que que tá conte ceno?’ Calma, jovem gafanhoto. Eu e a Clara, do Leuxclair, fizemos uma postagem coletiva. Então, se você quer ver mais 5 doramas pra te iniciar nessa arte maravilhosa, é só CLICAR AQUI, ok?

Pra acabar, toma mais Lee Jong Suk, que tá pouco:

Você já viu algum drama da lista? Tem algum pra indicar? Me conta!

Passo a passo para alcançar uma meta

É muito fácil a gente perceber que tem mil metas durante o dia. ‘Vou pegar um café’: meta. ‘Vou terminar esse texto’: meta. ‘Vou pegar um taxi’: meta. A gente muda de meta a cada segundo e tudo isso depende de escolhas que a gente faz.

Olhando por essa perspectiva é muito fácil a gente perceber como ‘alcançar uma meta’ é muito mais fácil do que dizem os livros de autoajuda por aí (nada contra, aliás, já li vários que são realmente inspiradores!). Mas é um fato que a gente acredita que algumas dessas metas são bem mais difíceis de alcançar do que outras.

Passo a passo para alcançar uma meta

Eu gosto de olhar pra isso com a pergunta: ‘será que são mesmo?’. A gente tem o costume de colocar a nossa autoestima pra baixo e isso se reflete muito na forma como a gente vê a nossa capacidade de fazer qualquer coisa. Fora isso, eu já entendi que existe uma coisa muito importante quando se fala nesse assunto: interesse.

Se você tem MESMO interesse nessa meta. Você vai fazer o que for preciso pra alcançá-la. Caso contrário, vai arranjar um trilhão de desculpas pra não fazer nada e se sentir mega frustrada quando você não tirar nada do papel no fim do dia.

Ainda assim, existem alguns passos que você pode seguir para realizar o que quer que seja que você queria.

1.Saiba o que você quer

Sabe essa coisa de interesse que eu falei ali em cima? Então, antes de mais nada você tem que saber o que você quer e se você quer isso MESMO. Não adianta você colocar ‘Quero ir pra Disney’ ou ‘Quero alcançar 1000 curtidas numa foto no Instagram’ se você não tem um real interesse em nenhuma dessas coisas. Vale você parar e pensar o que você deseja mesmo, o que desperta o seu interesse a ponto de te fazer agir a respeito disso de uma maneira consistente (nada de ficar mega empolgada por 3 minutos e depois desistir – euzinha, 100% das vezes).

Lembra do propósito? Então, ele se encaixa aqui também.

2.Seja realista

Eu não sei o que você entende por realista. Eu posso dizer com propriedade que entendo uma coisa bem diferente do que o mundo define, mas vamos chegar num ponto em comum e falar o seguinte: nada de viajar na hora de cumprir uma meta. Não adianta você ter um blog com 100 acessos diários e colocar no papel assim: ‘atingir 1000 acessos diários até segunda que vem’. Isso é uma receita pronta pra frustração.

Ao contrário disso, pense em passos pequenos e mais pés no chão, que você possa alcançar. Se você colocar lá: ‘chegar a 120 acessos diários até segunda que vem’, essa é uma tarefa – uma parte da sua meta maior – bem melhor e mais palpável, entende? Se você vai muito longe em prazos e números, a pressão que você coloca na sua cabeça é mil vezes maior e a chance de você desanimar e ficar com raiva da sua meta, também.

3.Organize-se

Bullet Journal taí pra isso, né, migues? Se você tem uma meta a cumprir, vale a pena você pensar numa forma de se organizar pra isso acontecer. Seja usando um BuJo, Google Agenda ou qualquer outro tipo de agenda/app de organização, é bom você ter alguma forma de ficar de olho naquilo que você está fazendo, se você está alcançando os prazos, etc. Fora que, como eu disse ali em cima, dividir a sua meta em várias tarefas é essencial pra evitar o fator frustração x1000, então, você tem que ter algum lugar pra anotar tudo isso, ?

Esse é um daqueles posts que serve como auto-conselho? Com certeza. No quesito ‘traçar metas’ eu ainda não saí do pré-primário (mas isso te muuuuito a ver com o tal do interesse), porém já percebi que não dá pra querer ser qualquer coisa sem prática e um certo nível de organização.

No mais, acho que o que mais importa pra mim nisso tudo é o propósito. Se eu sei o que eu quero e porque eu quero o que eu quero, não tem porque eu não conseguir ir atrás, entende? O mesmo vale para todo mundo.

Se você se sente frustrada porque não consegue alcançar alguma meta, pare para pensar se você quer mesmo aquilo. Às vezes, você só precisa recalcular a rota. Outras vezes é questão de mudar a meta mesmo. E tudo bem, não tem nada de errado nisso. É só lembrar de sempre perguntar pro seu coração o que você tem que fazer, entende? Ele sabe das coisas.

Você tem alguma dica para alcançar metas? Me conta nos comentários!

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Diário #57 – A preguiça é uma desculpa (você só não quer)

Sabe quando você acha que não é bom em nada? Que você não tem nenhum talento, que a sua vida é bem da mediana?

Eu já pensei muito assim. Tinha certeza que eu não tinha talento nenhum, que não sabia fazer nada direito, que eu era bem mediana e a minha vida refletia isso. Verdade, toda a minha vida eu olhei para coisas e passei por situações que refletiam o que eu pensava e isso não é nem bom, nem ruim. Simplesmente foi exatamente como tinha que ser – e a gratidão por essa trajetória é real.

Diário #57 - A preguiça é uma desculpa (você só não quer)

Mas é verdade que boa parte do tempo eu tinha certeza absoluta que não tinha nenhum talento. E eu competia muito com as pessoas, mesmo pensando assim. Sabe aquela coisa do ‘não sou boa em nada, mas ainda assim tenho que mostrar que sou boa em alguma coisa’? Então.

Claro que isso era furada. Como eu ia provar qualquer coisa pra qualquer pessoa se nem eu mesma acreditava que era boa em coisa alguma? Essa conta não fechava, e não à toa eu sempre me senti muito mal quando o assunto ‘talento’ começa em qualquer situação. Lá ia eu mais uma vez mostrar que eu não sei fazer nada e sou tão invisível quanto eu achava que era.

Sabe, por muito tempo eu também acreditei que era invisível. E eu queria ser invisível real oficial. Como é que as pessoas iam notar qualquer talento que eu poderia vir a ter se eu queria ficar escondida atrás dos óculos fundo de garrafa e dos trocentos livros que me enterravam num mundinho longe de todo o resto? Outra conta que não fechava.

Perguntaram uma vez pra alguém que eu conheço se a pessoa faria tudo o que a Céline Dion fazia pra ser uma cantora incrível. Eu sei que já falei sobre isso aqui uma vez, mas depois que presenciei essa conversa, parece que a coisa ficou ainda mais escancarada pra mim.

Caraca, será que eu tô a fim MESMO de fazer tudo o que a Céline Dion faz pra cantar tão bem?

É algo a se pensar. A gente acha que ‘talento’ é uma coisa incrível que uma pessoa especial tem e mais ninguém no mundo pode fazer também. Puxa, aquela pessoa é mó talentosa, desenha horrores, ‘eu queria saber fazer isso também’.

Mas, poxa, você sabe o quanto aquela pessoa treina pra desenhar daquele jeito? Você tá a fim de fazer igual pra conseguir criar algo como aquela cartunista ou ilustradora mara que você segue no Instagram?

O que é um talento, afinal? Pra mim tudo volta pra uma outra parte dessa mesma conversa e que mudou um jeito meu de pensar: não existe preguiça, existe falta de interesse. Se você acha que é uma pessoa preguiçosa pra aprender a cantar ou a desenhar, entenda: na verdade, você só não tem interesse naquilo.

Afinal, se tivesse, você não estaria falando que tem preguiça e estaria lá tendo aulas de canto e desenhando 6 horas por dia pra aprimorar o seu traço, certo?

E tudo bem você não ter interesse. Mas será que não é muito mais legal a gente ser sincera com a gente mesma e falar ‘poxa, isso é legal mas não me interessa’ do que usar uma cosia dessas pra se sentir mal? Você se diminui porque não tem interesse numa coisa.

Mas, gente, é só falta de interesse. Não é uma doença terminal nem nada disso. E você pode ter interesse por outras coisas, só não dá o devido valor pra isso.

Eu percebi isso com a escrita. Cara, eu escrevo muito bem. E algumas pessoas já falaram pra mim: ‘queria escrever como você‘. Mas, gente, eu escrevo MUITO. O dia inteiro. Sete dias por semana. Eu tô sempre escrevendo (e tomando chá). Eu leio muito também. E aí escrevo mais ainda. Ou seja, eu pratico muito.

Eu tenho um talento? Tenho sim: eu escrevo bem. E, caramba, faça isso tão bem que virou uma profissão.

Parei de usar o que eu faço bem pra me atacar. Já pensei que ‘todo mundo pode escrever bem’ e que isso ‘não é lá grandes coisas’. Mas, sabe do que mais? Eu também posso cantar como a Céline Dion. Ou fazer mangás como as meninas do CLAMP. Eu só não tenho interesse o suficiente pra ir atrás disso agora. Pode ser que um dia isso mude. Pode ser que não. Pode ser que eu encontre interesse em fazer outras coisas.

Mas uma coisa é certa: eu não sou preguiçosa. Então parei de dizer que sou. E comecei a prestar mais atenção naquilo que eu gosto de fazer – que me desperta o tal interesse. E não é que essas coisas ficaram ainda mais legais?

Nada como ver as coisas de uma forma diferente, não é mesmo?

16 coisas para fazer no inverno (e esquentar o coração)

Essa semana, em São Paulo, fez tanto frio que foi difícil querer sair da cama. Segunda-feira marcou 3º a hora que eu acordei (por volta de 7 horas) e juro que fiquei feliz em igual proporção à minha preguiça de sair do quentinho. Alimentou um pouco as minhas esperanças de ter um inverno ~de verdade~ no Brasil.

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Sim, eu sou dessas que ama o inverno e os dias hiper frios, que ama usar um milhão de camadas pra ficar quente e esquentar as mãos em xícaras de chá. Acho que o inverno é a melhor estação pra ficar junto, sabe. Não que você precise de uma estação específica pra ficar com as pessoas que ama, mas junta todo mundo num lugar quentinho, debaixo das cobertas, vendo um filme e, pronto!, você tem uma Maki muito feliz.

Tem gente que prefere ficar escondido na toca quando o clima fica muito frio, e eu concordo que isso é ótimo, mas dentro ou fora de casa, tem muita coisa que a gente pode fazer pra aproveitar esses dias bem friozinhos, ó:

  1. Esquentar a mão na xícara de chá (isso é tipo TEM QUE FAZER)
  2. Tirar o sábado pra ficar embaixo das cobertas vendo filme
  3. Andar abraçado em alguém
  4. Tomar canja de galinha numa sexta à noite
  5. Comer fondue
  6. Comer. Tem muita coisa boa pra comer no inverno.
  7. FESTA JUNINA (é sempre nos meses mais frios e é A MELHOR FESTA DE TODAS)
  8. Andar pela casa enrolada num cobertor
  9. Fazer fotossíntese nos dias de sol (quando tá congelando na sombra e gostosinho no sol ♥)
  10. Ir num festival de inverno
  11. Cozinhar pra todas as pessoas queridas na sua casa
  12. Arrumar o seu guarda-roupa (eu sei que você tá adiando isso desde janeiro)
  13. Tomar um banho longo (de preferência de banheira)
  14. Usar um pijama de flanela
  15. Dormir abraçadinho
  16. Olhar pra esse gif enquanto toma uma xícara de chocolate quente a imagina que tá nevando em São Paulo:

16 coisas para fazer no inverno (e esquentar o coração)

Olha, você pode usar o argumento que quiser, mas eu só tenho uma coisa a dizer pra quem ama o verão: INVERNO RAINHA O RESTO NADINHA!

Eu gosto mesmo do frio e amo usar a desculpa da temperatura mais baixa pra sair abraçando as pessoas por aí. Tem coisa mais gostosa do que aquele calorzinho humano? E eu sei que dá pra fazer tudo isso independente da estação, a verdade é que a gente tem que parar de arranjar pretextos pra fazer as coisas que a gente gosta (e não sentir culpa de fazer qualquer uma delas!), mas, às vezes, a gente pode usar uma coisa tão pequena quanto uma estação do ano pra se abrir, pra entrar mais em contato com as pessoas e com quem a gente é de verdade.

No mais:

 

O que você gosta de fazer no inverno?

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Diário #56 – Menina má

Menina má. Acha que fez certo, mas sempre fez tudo errado, né? Não pode ficar sozinha um segundo que faz besteira. Acha que tá fazendo o que é melhor pra todo mundo, mas nem pra perguntar se isso era o que todo mundo queria mesmo.

Menina má. Não cruzou as pernas na hora de sentar, esqueceu de pentear o cabelo antes de sair de casa e nem passou uma maquiagem. Fica por aí andando com essa cara de doente e depois reclama que tá sozinha, só pra se fazer de difícil.

Diário #56 - Menina máFoto: Cassio Crow Fotografia

Menina má. Mentiu pra chefe e disse que não podia fazer o tal trabalho naquela noite de quinta porque já tinha um compromisso imperdível com a sua cama e a segunda temporada de Demolidor na Netflix. Depois comeu um pote inteiro de sorvete Haagen Daz sem nem sentir o gosto da macadâmia e chorou na frente do espelho porque achou que tava gorda.

Menina má. Ficou brava quando a amiga foi promovida no trabalho e chorou porque não foi nem considerada. Não que você quisesse o emprego, mas ainda assim. Pra você ela provou mais uma vez que era a melhor das duas e você precisava extravasar a raiva de alguma forma. Raiva de si mesma, é sempre bom esclarecer.

Me-ni-na-má. Saiu fugida do país porque achava que nada aqui prestava só pra ficar tão triste quanto no Brasil. Só que agora num país europeu, falando francês e aproveitando o inverno da Cotê d’Azur como se os problemas tivessem sumido. Mentira, claro, ela só jogou tudo pra debaixo do tapete.

Menina má. Deixou tudo lá, escondido, e quando tropeçou no tapete culpou o mundo, disse que os problemas eram os outros e não quis olhar pra dentro, pra ver o que tava acontecendo. Trancou uma verdade lá no fundo de si, tão bem guardada, que nem ela mais achava. Mal sabia que essa verdade era a sua salvação,

Menina. Má. Acreditou em tudo o que os outros falavam dela, comprou mil ideias erradas, se machucou por dentro e por fora porque tinha certeza que merecia. Afinal, era uma menina má e meninas más precisam ser punidas. E, por mais que ela quisesse, não tinha nada de sexy nisso.

Menina má. Sofreu muito, sem saber porquê. Chorou muito, sem saber porque. Andou de um lado pra outro da Av. Paulista procurando a resposta pichada em algum muro entre o parque Trianon e a Consolação, sem sucesso.

Menina má. Acreditou que tanto que era má que fez várias coisas más na vida. Nada tão extremo como matar alguém, mas a gente bem sabe que não precisa matar pra fazer alguém sofrer. E o pior? A gente sofre junto, né? Ninguém que machuca o outro sai ileso. Ninguém que machuca a si mesmo sai ileso.

Menina má. Quando descobrir que de má não tem nada provavelmente vai chorar muito também. Aos poucos ela vai vendo que a maldade não existe, e se ela não existe, então de má ela não tem nada.

Menina má vai passar a ser chamada de Boa menina. E depois, só como Bom. Deus sabe que a gente não precisa de mais rótulos pra ficar diferenciando quem a gente é. Mas o ponto aqui é: a menina má trancou a verdade sobre ser boa lá no fundo do poço, e tem que rolar toda uma força tarefa pra tirar essa ideia de lá e trazer ela pra vida de novo.

Mas tudo bem, menina, tem tempo. Enquanto isso, vale dizer que de má você não tem nada. Você é tudo de bom. Não acredita nessa vozinha aí no fundo da sua mente dizendo que você tá errada. Isso é mentira. Você não é má, não. É a mais pura de todas. Pureza é só o que você é.

Esquece essa menina má. Ela não sabe de nada. Escuta o seu coração, é lá que você tem que ver que de má você não tem nada mesmo. Se a vida é mesmo essa alegria toda, então você é a sua única representante e não dá pra ser assim se você continuar achando que é responsável por tudo de ruim no mundo.

Sai dessa. Encontra a sementinha de tudo que é puro e bom no seu coração, ela tá lá. Rega, cuida com carinho. Daqui a pouco ela tá tão grande que nem vai lembrar mais que um dia achou que era má.