Playlist: 15 músicas que estão em loop

Eu percebi que tenho um costume bem engraçado quando escuto música em casa. Normalmente eu coloco as músicas pra tocar no Youtube  porque vez ou outra eu dou aquela olhadinha no clipe, pra distrair, e eu gosto de ter que parar pra escolher a próxima música. É um momento de respiro.

Playlist: 15 músicas que estão em loop

Porém, olhando o meu histórico dia desses, eu percebi que eu fico variando SEMPRE entre as mesmas músicas. Vez ou outra eu mudo, mas eu costumo seguir um padrão e ouvir os mesmos artistas, até que eu preciso de um momento de foco mais poderoso e coloco uma playlist automática no Spotify pra tocar e eu não ter que me preocupar com isso.

Música é uma parte muito importante do dia. Quando eu acho a música certa, no momento certo, ela me ajuda a criar uma sensação que eu consigo passar no que quer que eu esteja fazendo (principalmente nos posts pro blog!). Pra mim, é só mais uma forma de relacionamento, ouvir a letra, a voz dos músicos, tentar identificar cada um dos instrumentos e sentir gratidão (isso mesmo, eu usei a palavra da discórdia) por cada pessoa que participou do processo pra fazer cada música que eu escuto.

Quando a gente ouve o resultado final, esquece que tem toda uma galera por trás que precisou trabalhar muito pra tirar a música do papel. E isso, claro, vale pra todas as coisas do mundo. (você já pensou quantas pessoas foram necessárias pra você usar a blusa que está te esquentando agora?)

Então, pensando nessas músicas que eu escuto sempre, montei uma Playlist do Loop. Só tem música que eu ouço de novo e novo até enjoar. (e depois ouvir de novo porque ela ficou na cabeça!). Tem Ed Sheeran, tem o meu marido Justin Timberlake, tem Birdy e tem até um pouco de K-Pop (tô viciada em BIGBANG alguém me socorre).

Pra aproveitar nesse comecinho de feriado.

Que música você está ouvindo em loop? Quero ouvir também!

Diário > por

Diário #53 – O seu coração sabe das coisas

Eu tenho medo de acreditar que sou importante mesmo. Tem horas que eu acho que vale mais a pena eu ficar nesse lugar escondido na minha mente, que diz que eu não sou lá grandes coisas e que tem certeza que a grama do vizinho é mais verde.

Eu tenho medo do que pode acontecer se eu aceitar a minha própria importância. Sabe quando você tá quase dormindo e tem aquela sensação de que tá caindo e você fica esperando bater no chão, mas parece que ele nunca chega? Então. Às vezes, sinto que estou em queda livre, esperando dar de cara no concreto e perceber que todas essas minhas vontades de ser feliz são em vão e que a vida é um pesadelo mesmo.

Siário #53 - O seu coração sabe das coisas

Mas sabe do que eu mais eu tenho medo? Eu tenho medo de acordar um dia e perceber que eu não consegui usufruir de tudo o que a Vida me oferece. Sabe essa coisa de dádiva? Então.

A gente tem uma mania filha da puta de achar que tem o direito de decidir o que é dádiva e o que não é, que vale mais a pena receber dinheiro do que amor. A gente acha que dádiva é só aquilo que aumenta o nosso status perante o mundo e esquece que o mundo é muito, muito, pequeno perto do que a gente é de verdade.

E aí a gente fica nessa de achar que a gente não tem importância, que a gente é dispensável. Pelo amor de Deus, para de achar que o mundo vai ficar melhor sem você, essa é a maior das mentiras. Você é tão, tão, importante. Se pudesse eu passava pela tela do computador só pra te dar um abraço e mostrar o quanto eu gosto de você e como a minha vida não tem sentido sem a sua.

Não vou mentir (e nem quero). Eu dei adeus pro medo e até escrevi uma carta pra colocar um ponto final no nosso relacionamento. Mas ele vem me visitar ainda. Tem dias que parece que ele ganha uma batalha que eu travo diariamente na minha mente. E ele só volta porque eu ainda acho que quando soltar da mão dele, vou ficar em queda livre pra toda eternidade, não vou ter onde me apoiar ou em quem me segurar.

Mas, taí, isso é outra mentira. Sempre vai ter alguém pra me segurar. Eu nunca estou sozinha, não estou abandonada, jogada às traças ou o que quer que seja. Sempre tem alguém pra me levar pela mão aonde eu preciso ir, desde que eu esteja aberta a ouvir o meu coração.

A gente acha que isso é um clichezão, né? ‘Escute o seu coração, ‘blá blá blá whiskas sachê’. Mas quantas vezes você deixou de ouvir o que ele tinha a dizer pra seguir o que alguma outra pessoa, que tá tão perdida quanto você, tem a dizer sobre o assunto? A gente esquece o nosso coração por causa de uma opinião qualquer. Se isso não é loucura, então eu não sei mesmo o que é.

Tá na hora da gente parar de achar que tudo o que vem de fora é responsável pela nossa vida. É o contrário. É tudo o que vem de dentro. A gente é responsável por tudo o que acontece com a gente. Não vale a pena abrir mão do nosso coração por uma meia dúzia de palavras bem ditas em um dia de sol. Nos dias chuvosos elas só vão ser motivo de culpa e raiva. E longe de mim querer aumentar a minha cota de culpa na vida quando eu tô querendo me livrar dela toda de uma vez.

O tal do tum-tum tem muito a dizer. E a gente tem mais é que ouvir.

Cotidiano > por

15 mentiras que odiei contar

Eu tenho falado muito aqui no blog sobre as mentiras que a gente conta, né? Aquelas coisinhas que vão acumulando ao longo do tempo e que vão deixando a gente cada vez mais distantes de quem a gente é de verdade.

15 mentiras que eu já conteiFoto: Cassio Crow Fotografia

Eu gostaria de dizer que existe uma fórmula mágica pra gente se livrar dessas personas non gratas, mas a verdade é que é um baita trampo e a gente tem que tirar uma por vez da frente (tipo com os medos, sabe?): é, basicamente, um trabalho em dois tempos:

  1. Você identifica a mentirinha (ou mentirona)
  2. Você corrige a mentirinha (ou mentirona)

É um negócio de pensar ‘Ai, odeio morango’ e logo em seguida soltar um ‘Opa, peraí: será que eu não gosto mesmo de morango ou será que isso é uma coisa que eu inventei pra ser diferente?’. E olhar a sua mente, pra ver o que é verdade e o que não é. Eu tenho essas conversas na minha mente o dia inteiro, todo dia. (identifica, corrige, identifica, corrige, identifica, corrige e assim vai)

Assim como os meus medos, existem zilhões de mentiras que eu já contei. Sobre mim, sobre os outros, sobre mim para os outros, sobre qualquer coisa que eu não gostava, mas queria gostar só pra fazer parte da galera. Por exemplo:

  1. Eu já disse que tinha um compromisso inadiável só pra não ter que sair na sexta à noite com as amigas (na real eu queria ficar em casa isoladona mesmo)
  2. Eu tinha certeza absoluta que era feia
  3. Eu já disse que tava trabalhando quando, na verdade, tava vendo vídeos de gatinhos no Youtube só pra não ter que fazer o que a minha mãe pedia
  4. Eu tinha certeza absoluta que era burra
  5. Eu já disse que não gostava de alguém, quando na verdade eu gostava
  6. Eu já contei histórias que nunca aconteceram só pra ter alguma coisa pra dizer
  7. Eu me convenci de que nada valia a pena (inclusive a minha própria vida)
  8. Eu torcia o nariz pra comer espinafre, mas eu amo quando a roomie faz creme de espinafre com ricota (e repito o prato)
  9. Eu tinha certeza que era sempre vítima das circunstâncias
  10. Já tive uma conversa inteira sobre um vídeo que eu nunca vi (mas disse que vi)
  11. Eu já disse que tava ‘tudo bem’, quando na verdade eu tava quase morrendo por dentro
  12. Eu já disse que tava a fim de ficar com alguém, só pra não parecer a esquisita do grupo
  13. Eu tinha certeza que a vida de algumas pessoas era minha responsabilidade
  14. Eu já acreditei que as pessoas tinham o dever de me dar atenção no meu aniversário (pra mim era o único dia que todo mundo só pensava em mim – que ilusão, não é mesmo?)
  15. Eu tinha certeza absoluta de que eu não merecia ser amada.

Sabe o que essas mentirinhas faziam? Elas me machucavam. Acreditar em uma delas e perpetuar tantas outras, quase que de uma forma impulsiva e automática – muitas vezes eu só tinha consciência de algumas depois que aconteciam –, me corroía por dentro, até que eu cheguei num ponto em que estava tão engasgada com todas elas que eu quase entrei em colapso.

E, sabe, pode parecer que isso só acontece quando você tá num quadro depressivo, quando você sofre de ansiedade ou de qualquer outro transtorno desse tipo. Mas não, gente. Todo mundo faz isso o tempo todo. E a gente vai se machucando por conta disso, porque a gente mente tanto que tem que se punir em troca, entende?

A gente usa essas mentiras pra ficar longe de quem a gente é de verdade, porque se a gente entrar em contato com isso… Aí, gente, tudo acaba. O sofrimento, a tristeza, a dor… E a gente vê ganhos em sofrer. (e esses ganhos não necessariamente são coisas boas)

Então, eu quero propor uma coisa: vamos combinar que, a partir de hoje, a gente vai tentar parar com isso? De mentir pra gente e sobre a gente? Vamos fazer de tudo pra sermos o mais verdadeiro possível?

Se você não quiser ou se você achar que não consegue fazer isso sozinho, tá tudo bem. Eu me comprometo a fazer isso por nós. Eu me comprometo a voltar a ser quem eu sou, a parar de mentir sobre mim. Porque eu e você somos a mesma coisa, e eu me comprometo também a te lembrar sempre de quem você é de verdade quando olhar pra mim. Quem sabe assim você passa a acreditar que consegue também, ?

Qual mentira você gostaria de para de contar?

Como superar uma ressaca literária

Eu tenho muito disso: leio um livro incrível e ele é tão bom que depois não consigo ler mais nada. Ou leio um livro meio ruinzinho e me desanimo pra ler. Ou ainda eu não tô num momento muito focado em leituras e aí fica difícil engatar em qualquer livro que seja.

como superar uma ressaca literária

Você também já teve dessas? Eu, pra ser bem sincera, estou com um pouco de bloqueio quando se fala em leituras. Depois dos cinco livros que li em janeiro, tô travada e não consigo terminar de ler nenhum. Recomecei Romeu e Julieta, meu preferido do Shakespeare, mas também travei e não passo da página 60.

Tem horas que a sua mente pede por outras coisas mesmo e não adianta ficar forçando uma coisa que não sai. É ir contra o fluxo, sabe? Mas é verdade que desde que comecei a trabalhar de casa, ficou mais difícil manter uma rotina de leitura – não tem o ônibus pra me incentivar a ler alguma coisa no caminho!

E tem um jeito de sair dessa? Tem, sim senhor:

1.Releia o seu livro preferido

Essa é batata e funciona muito pra mim. Eu comecei com Shakespeare, mas sei que é uma leitura difícil, então talvez tenha que mudar o foco um pouquinho. Mas reler aquele livro que você já sabe quase de cor é a melhor opção pra destravar e você pegar ritmo de novo. O meu livro favorito pra isso (que também é o favorito DA VIDA) é Ana e o Beijo Francês, da Stephanie Perkins.

2.Escolha uma leitura leve

Não vale tentar sair de uma ressaca literária lendo Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago, ou Amor nos Tempos do Cólera, do Gabriel Garcia Márques. São livros difíceis, longos, e que demandam um nível de atenção. Uma leitura mais leve, calminha, fácil de fazer é o ideal pra você retomar o ritmo. Opte também por livros mais curtinhos, contos, leituras fáceis mesmo.

3.Não se force

Não tem nada pior do que fazer uma coisa forçada. Você vai contra o fluxo, sabe? E aí você pega raiva da coisa e não aproveita, como tem que ser. Se você não tá conseguindo ler mesmo, esquece! O mundo não vai acabar por causa disso. Dê um tempo e quando a vontade voltar, você retoma!

4.Compre/alugue/pegue emprestado um livro

Tem horas que aquela visitinha na Livraria Cultura da Paulista (amo!) ou na biblioteca mais próxima (ou na biblioteca do amigo!) é tudo o que você precisa pra te inspirar a voltar a ler. Uma dica que eu ouvi (não lembro onde agora) é pedir pra ler o livro favorito de outra pessoa. O carinho que vem junto já é o suficiente pra te deixar curiosa e dar aquele empurrãozinho pra você destravar.

Mas sabe o que me inspira mesmo a voltar a ler? Além de uma vontade real (porque se eu me forçar e não quiser, eu caio naquela raivinha que falei ali em cima), é lembrar que todo livro tem uma história que vai além das páginas. Pensa assim: tem uma pessoa que escreveu aquele livro e, no meio daquelas palavras todas, tem um bocado dessa pessoa. Ler o livro de alguém é uma porta de entrada pra conhecer essa pessoa, o que tem na mente dela, o que ela gosta e o que não gosta, as referências que ela tem… É uma forma de relacionamento. Não tem como não querer ler depois de focar nessa meta: em conhecer quem escreveu. Entende?

O que você faz para superar uma ressaca literária?

Diário > por

Diário #52 – Aceita que dói menos

Toma aqui, menina, é pra você. Um presente.

Ah, não, nem começa. Que história é esse de ‘não precisa’? Mania doida essa que as pessoas têm. O que isso quer dizer? Não precisa? Como assim? É seu aniversário, é claro que precisa. Aceita e não reclama, tá bom? Recusar presente é feio.

Diário#52 - Aceita que dói menos

Mas aceitar parece que é também, né? Por que a gente fica tão sem graça quando recebe um presente? Parece que é proibido, eu hein. E não é só com presente não, viu? Elogio também. Ninguém aprendeu muito bem como faz pra receber um elogio de boa.

Aliás, a gente aprendeu o contrário. Que a gente não é boa o suficiente pra receber qualquer coisa que seja. Olha, não sei você, mas meu lado pseudo-budista acredita que isso aí é Karma ruim. Parece que tá todo mundo vivendo num purgatório, que ninguém pode se sentir bem e, se sentir, tem que logo ganhar um balde de água fria na cabeça. Afinal, ninguém é perfeito nesse mundo, não é mesmo?

Ai, sério, para com isso. Não é questão de gastar dinheiro com você ou não. Você é uma pessoa importante pra mim, porque não posso te presentear? E outra, porque tem que ser só no aniversário? E nem vem com essa de mendigar presente – e dinheiro – pra depois vir com ‘ah, mimimi, não precisa’.

Isso é mentira. A gente precisa aprender a aceitar as coisas. Sabe? Aceita o carinho que eu tô te dando. Não fica pensando que uma hora o cafuné vai acabar porque eu tenho que ir pra aula hoje. Aceita. E agradece. É isso que a gente tem que fazer.

Ficar travando o fluxo das coisas só alimenta a sensação de que a gente tá sempre errada. Conhece essa sensação? Parece que a gente nunca acerta e que tudo o que a gente faz não é bom o suficiente. A gente acredita que não é boa o suficiente. Mas, gente, isso é mentira. MENTIRA. MEN-TI-RA.

Você merece, sim. Merece ganhar presente no aniversário. Merece ser elogiada sempre. Se eu falar que você tá bonita, não vem com essa de ‘mas só hoje?’. É. Só hoje. O resto do ano você tá horrorosa. Um monstro. Devia ficar encolhida embaixo de uma pedra em alguma montanha no Tibet de tão feia.

Ah, para! Sério, não vou dar bola pra essas coisas que você fica falando, não. Para de tentar me fazer confirmar que você não merece nada disso. Não vai rolar. Não mendiga elogio pra depois dizer que é feia, burra, que não é esforçada e o diabo a quatro. Já falei que isso é mentira.

Aceita, amiga. Aceita tudo o que te é dado. Pode ser um presentão que nem esses. Pode ser um abraço. Pode ser uma bala depois do almoço. Pode ser um ‘eu te amo’. Aceita o que te é dado. Dádiva não é só presente, não viu? Não é um salário gordo, não é o ‘trabalho dos sonhos’ que te paga cinco dígitos no fim do mês. Dádiva é toda oportunidade de aprender uma lição. De corrigir uma coisa que você pensa sobre você.

Aceita essa dádiva que eu tô te dando, sabe? E, tudo bem, pode ser que eu não entenda 100% ainda como é que essa coisa toda de dádivas funciona, mas eu já entendi que aceitação é muito mais do que ficar de boa com o meu corpo.

É não fechar o fluxo. E confiar numa coisa que eu não vejo com os olhos do corpo, mas sinto com o coração. É agradecer. E agradecer, agradecer e agradecer mais um pouco. É entregar de volta.

Então, só aceita. Quanto mais a gente aceita, mais a gente ganha, e mais a gente entrega de volta. A gente tem muito pra entregar, sabe? Ficar controlando o que vale ou não a pena aceitar só mata a outra pessoa de pouquinho em pouquinho. A gente não deixa ela desfrutar do que a gente é de verdade também, sabe?

Aceita. Só aceita. Tá tudo bem. Você merece. Poxa, olha só pra você. Você é forte. É tão bonita. A sua presença é o maior presente que você pode dar pra alguém. Então aceita e aproveita. Desfruta. Não fica imaginando coisas na sua cabeça sobre o que tá acontecendo. Fica aqui comigo. E aceita.

E, sabe, enquanto a gente não entende totalmente o que é essa coisa de ‘a nossa presença ser a coisa mais importante do mundo’, fica com esse pacotinho aqui, é a única forma que eu sei, agora, como agradecer pela sua presença e por ter você na minha vida. Eu vi numa lojinha bonitinha aqui perto de casa, achei que combinava com o seu quarto novo. Aceita, é seu. Vai combinar com aquela decoração que você tem em casa. Aceita. Tá bom?

Obrigada. De nada.